quinta-feira, maio 31, 2007

Ulmeiros na cidade

Ulmeiros, Largo de S. Silvestre - Covilhã

Este conjunto de ulmeiros situa-se no Largo de São Silvestre, na Covilhã, e pertencem à espécie Ulmus glabra Huds. (cultivar
Camperdownii*).

São árvores com elevado potencial ornamental que, por não se desenvolverem em altura, acabam por ser uma boa opção para ruas com pouco espaço disponível (situação comum nas cidades portuguesas, sobretudo nas zonas antigas).

Infelizmente, as câmaras e juntas de freguesia preferem plantar espécies que facilmente superam os 15 m de altura, como os choupos, as tílias ou os plátanos, e depois tentam "emendar" o erro de planeamento recorrendo à lei da motoserra.

Ulmeiros, Largo de S. Silvestre - Covilhã


A espécie Ulmus glabra Huds. é autóctone da Europa mas na Península Ibérica é nativa apenas em zonas montanhosas do Norte de Espanha.

As árvores desta espécie fornecem uma madeira dura, elástica e resistente à putrefacção, motivo pelo qual se utiliza na construção naval.

Algumas partes do ulmeiro possuem propriedades medicinais, nomeadamente a casca. Como curiosidade é de referir que, segundo alguns autores, existem relatos de utilização das folhas de ulmeiro na alimentação humana.

Os ulmeiros têm sido vítimas de uma doença epidémica e mortal, a grafiose, provocada por um fungo [Ophiostoma ulmi (Buisman) Nannf.].


* Adenda: Tinha identificado originalmente estes ulmeiros como pertencendo ao cultivar Pendula (o que justifica alguns dos comentários aqui deixados, nomeadamente pelo leitor Rui Pedro Lérias).
Após alguma pesquisa e troca de e-mails com um leitor holandês, considero, como mais provável, que estes ulmeiros pertençam ao cultivar Camperdownii.


6 comentários:

Rui Pedro Lérias disse...

Olá, parabéns pelo blog, que acabei de descobrir e visitarei mais vezes, certamente.
Quanto aos ulmeiros: não serão a variedade 'Camperdownii'?
Nestas coisas das variedades e nomenclatura nem tudo é fácil, com muita gente a usar nomes incorrectos na literatura. Pelo que percebo, a variedade 'Pendula' é usada muitas vezes tanto para a 'Horizontalis' como para a 'Camperdownii' mas segundo a Wikipedia provavelmente já não existe em cultura (a grafiose não perdoa).
Poderia ser a variedade 'Horizontalis' mas, à distância de um teclado e com a facilidade de treinador de sofá, inclinava-me mais para a 'Camperdownii'.
Parabéns pelo blog. As árvores merecem. ( e nós agradecemos)

Pedro n. t. santos disse...

Olá Rui,

Se por vezes já é difícil ter a certeza quanto à espécie, que por vezes depende de pormenores ínfimos, mais difícil se torna identificar variedades (as quais na realidade não interferem em questões de sistemática e são sobretudo importantes em termos de jardinagem); confesso a minha quase total ignorância em termos de variedades, apenas me inclinei para a "pendula" por ser a que mais vezes aparece citada na literatura para espécimes semelhantes a estes.

Vou investigar um pouco mais sobre este tema e obrigado pelos esclarecimentos. A Sombra Verde está sempre de portas abertas para os amantes desses bons gigantes que são as árvores.

Abraço

Rui Pedro Lérias disse...

Variedade é de facto algo muito difícil. Desta vez opinei porque já uma vez tinha estado a admirar as folhas particularmente grandes de um ulmeiro deste género e questionado: "Mas que raio...?!".
Mas concordo contigo, géneros é giro identificar, espécies só as de alguns géneros, variedades raramente me atrevo!
Tive o prazer de assistir num bosque inglês ao poder de regeneração da natureza. Certo que com a grafiose os imponentes ulmeiros desapareceram, mas no bosque quer o Ulmus glabra e em muito maior quantidade o Ulmus procera rebentavam por todo o lado, em clones e reproduções vegetativas, até atingirem uma certa altura, serem detectados pelo besouro fatal e, traz, mortos. Mas estão presentes, não desapareceram, e um dia pode ser que vençam a coisa, como os seus primos asiáticos.
Eu no meu terreno na Arruda-dos-Vinhos quero, este inverno, iniciar uma sebe ao longo da estrada com negrilhos. No jardim da Gulbenkian há-os bem bonitos. E eu quero uma sebe viva que os inclua.
Enfim, se começo a falar de árvores!
Fico a aguardar com interesse os teus posts!
Abraço

Pedro n. t. santos disse...

Aveiro é uma cidade onde existiam alguns belos ulmeiros mas nos últimos anos que aí passei a estudar, notei que muitos deles estavam a começar a morrer...

Temo pela sorte de um exemplar enorme próximo da Sé. É coisa para investigar no próximo Verão.

Abraço

Márcio Meruje disse...

Olá,

Conheço desde á varios anos os ditos cujos e nos penedos altos existe um outro exemplar com o mesmo porte.

Sempre pensei que fossem faias ( fagus sylvatica var. tortuosa ).

Obrigado pela correcçao

Pedro n. t. santos disse...

Márcio,

Os Penedos Altos têm árvores muito interessantes apesar de algumas, infelizmente, tombarem todos os anos às mãos das podas assassinas.

Essas árvores em particular não as consigo localizar mas as folhas de "faia" e as de "ulmeiro" distinguem-se com uma certa facilidade ( e a ajuda de um guia de árvores)...há "diagnósticos" mais difíceis!

Na encosta da Serra existem algumas faias, nomeadamente na zona da Rosa Negra, não muito longe da estrada (perto da zona que tem uma placa a indicar o início do Parque Natural).

Na altura li algures que também tinahm plantado algumas no Jardim do Lago mas ainda não me deu para andar por lá a ver se as encontro...

Abraço