Quarta-feira, Maio 14, 2008

Prossegue o abate de árvores no concelho de Loulé

Quarteira (fotografia de João Martins)

- Continua o abate de árvores no concelho de Loulé, desta vez em Quarteira. Já adivinhamos a "desculpa" oficial: uma qualquer requalificação!


- A Estradas de Portugal abateu nos últimos dias várias árvores centenárias plantadas ao longo da EN 349-3, entre Tomar e Torres Novas. Espero ansiosamente pelos relatórios técnicos que fundamentem devidamente esta decisão (estou a ser sarcástico!).
E pensar que já houve um tempo em que a antiga JAE (antecessora da Estradas de Portugal) plantava árvores ao longo das estradas deste país...

- Do Cântaro Zangado: a nova página do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) está pronta a ser consultada.

- D' O Elogio da Sombra: "Arbutus do Demo", um novo parque botânico para ser visitado em Vila Nova de Paiva.

- O jornal , publicação da cidade brasileira de Porto Alegre, traz na sua última edição uma referência à Sombra Verde, a propósito do impacto da luta do movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho. Muito obrigado.
E, sobretudo, espero que os cidadãos de Porto Alegre nunca desistam de lutar pela preservação dessa rua, autêntico hino de amor às árvores que inspira todo o mundo a preservar o verde nas cidades.

Terça-feira, Maio 13, 2008

Oliveira (Olea europaea L.) - Lagoa (junto à escola Jacinto Correia)

Há cerca de um mês atrás, tive ocasião de vos mostrar imagens de uma belíssima oliveira (Olea europaea L.), situada nos arredores de Lagoa, e classificada como árvore de interesse público.

Mas, no que concerne a oliveiras monumentais, existem outros motivos de interesse em Lagoa. Dentro do perímetro urbano da cidade, ao lado da Escola Básica Jacinto Correia, existe um pequeno núcleo de oliveiras que merecia ser protegido no seu conjunto.

A maioria destes exemplares é praticamente impossível de ser medido, dado o matagal que os rodeia e que impede qualquer tentativa para medir o perímetro do respectivo tronco.

Um dos poucos exemplares que conseguimos medir é o que está retratado na primeira imagem. Trata-se de uma oliveira de dimensões assinaláveis, com um P.A.P. de 5,80 metros e uma altura que ultrapassa os 9 metros.

No entanto, aquela que nos pareceu ser a maior destas oliveiras, pelo menos no que concerne à grossura do tronco, é a que está retratada na imagem seguinte. O emaranhado de rebentos de oliveira e de aroeiras que a rodeiam, impediram as nossas tentativas para medir o seu enorme tronco.


Oliveira (Olea europaea L.) - Lagoa (junto à escola Jacinto Correia)

O futuro destas oliveiras é uma incógnita...Com a actual "febre por oliveiras" é natural que acabem no jardim de algum hotel ou mesmo num campo de golfe.

Esquece-se que, para lá do valor individual de cada uma destas árvores, existe o valor ambiental e paisagístico formado pelo respectivo conjunto, o qual não é passível de ser replicado num qualquer resort de luxo.

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Porque sou contra...

Foz do rio Tua (digitalização a partir de uma fotografia tirada da linha do Tua em Março de 1996)



Nem o mais fundamentalista dos fundamentalistas será contra todas as barragens. Não me considero, em consequência, como um fundamentalista apenas por ser contra a construção de uma barragem em particular, a da foz do rio Tua.


Sou contra esta barragem por motivos bem simples: pelo que foi dado a conhecer publicamente, a rentabilidade desta estrutura não justifica a destruição de um vale único e dos valores naturais que encerra, incluindo ainda as implicações negativas que a mesma terá na economia da região duriense ao nível do turismo.


O Douro tem tudo para ser uma história de sucesso no que toca à rentabilidade turística aliada à preservação da paisagem. No entanto, as pessoas com poder de decisão em Portugal consideram que, talvez para não destoar do resto do território, também aqui é impossível conciliar o desenvolvimento económico com a preservação ambiental e paisagística.

Para o bem da uniformização do país estamos todos condenados ao betão e à mediocridade.


Passadas algumas décadas de adesão à União Europeia (UE), há muito que perdemos a ilusão de ultrapassar a Grécia e, uma boa parte dos países que aderiram por último à UE, já nos ultrapassaram nos principais indicadores de desenvolvimento económico.

Alguém deveria "levar este país à psicanálise" para tentar encontrar as razões da nossa obsessão pelo betão e o porquê de, depois de tantas barragens, auto-estradas, pontes e estádios de futebol, o país continuar a empobrecer a cada dia que passa...É este "milagre económico", mas ao contrário, que os apóstolos do desenvolvimento baseado no betão não conseguem ou não nos querem explicar.


Claro que este empobrecimento do país não é geral e não atinge aqueles que, entre nós, beneficiam do culto ao "Deus betão", os mesmos que parecem ser os únicos a lucrar com a construção desta barragem no Tua (a par dos grandes accionistas da EDP).


Mostrem-me um exemplo de uma cidade, concelho ou região do nosso país, que se tenha desenvolvido à custa da construção de uma barragem* e eu serei o primeiro a apoiar a construção desta estrutura no Tua. (Aliás, não deixa de ser altamente significativo a oposição do autarca de Mirandela à construção da barragem do Tua).

* Espero que ninguém tenha "pensado" no Alqueva, até porque esse é o pior exemplo possível que pode ser dado em Portugal em diversas vertentes, desde o planeamento à execução.



É claro que o país necessita de reservas estratégicas de água e de fontes de energia não poluentes; embora o pretexto do dito "aquecimento global" para justificar a construção desta e de outras barragens seja um supremo exemplo de hipocrisia política!

Não me parece pelo que foi tornado público dos estudos que sustentam a construção da barragem do Tua, que a mesma seja imprescindível ou tenha um impacto significativo numa estratégia nacional, quer em termos de política da água, quer em termos de política energética.


Ao nível da gestão dos seus recursos hídricos e dos seus recursos energéticos, o país continua a desperdiçar as suas principais riquezas: a poupança e um uso eficiente desses mesmos recursos!
Num país pobre em recursos, incluindo os económicos, este uso eficiente da energia deveria ser a nossa principal prioridade. Ao invés, o país continua a dar exemplos flagrantes de desperdício de energia, desde a iluminação pública das cidades até à construção dos edifícios.

O Estado central, por exemplo, continua a não ter uma estratégia que privilegie o uso do transporte ferroviário face ao rodoviário e, com a construção desta barragem, prepara-se para encerrar em definitivo mais uma linha de comboio. Tudo em nome do combate ao "aquecimento global"! Brilhante...


É estranho como em Portugal "não existem" fundamentalistas do betão e, pelo contrário, abundam os velhos do Restelo, os que se opõem ao "desenvolvimento"...Enfim, essa tribo dos ambientalistas (estes sim, os verdadeiros fundamentalistas!). E, no entanto, hoje estamos mais pobres do que ontem e cada vez mais longe de espanhóis, eslovenos ou alemães.


Tenho para mim como verdade a seguinte constatação: um povo que não consiga impedir a construção da barragem do Tua, que não se revolte com a destruição de um património único, é um povo que não merece o seu país, que não merece Portugal!


Seja um dos que não se resigna e assine e divulgue a Petição pela Linha do Tua Viva. Obrigado.


P.S. - Para ler também: "Destruir a natureza em nome do ambiente".


Sábado, Maio 10, 2008

A "cabra" por entre as tílias

Coimbra, 2008-05-03

- Via Ondas 3: a Quercus vai avançar com um novo processo contra a Câmara de Anadia por atentado ambiental. Em causa estão sobreiros, numa área de 20 hectares, em Vilarinho do Bairro. Ler notícia completa aqui.

- A Quercus e a herdade do Freixo do Meio assinaram um protocolo de colaboração com vista à gestão de um carvalhal que fica agora integrado na rede de micro-reservas biológicas.

- Retalhista alemão lança promoção da cortiça.

- Continua a plantação de árvores para "salvar o mundo" de todos os seus problemas:
A cadeia de hipermercados "Continente" pôs à venda 100 mil árvores e outros "produtos verdes" (?!) para incentivar a valorização da natureza e do ambiente. A iniciativa decorre até 15 de Junho e insere-se no projecto Hipernatura para requalificar jardins de 20 cidades do Norte ao Sul do país.

Claro que por detrás de todas as iniciativas deste género está o "marketing verde" a funcionar. Neste caso, a escolha das espécies talvez não seja a mais feliz; o preço das árvores talvez esteja "inflacionado"; e talvez se esteja a incentivar as pessoas a plantar árvores numa altura do ano que não é a mais propícia.
Em termos pessoais, tenho até motivos para elogiar a "Sonae distribuição", na pessoa do director de loja do "Modelo" de Silves, pelo apoio que deram à campanha da minha escola no projecto de recolha de rolhas.
No entanto, o que me causa mais "pruridos" nesta história, é o próprio projecto Hipernatura em si e o seu objectivo de ajudar as autarquias a requalificar jardins. Porquê ajudar as autarquias a requalificar os seus jardins, quando em boa parte do ano estas se entretêm a destruir as árvores das cidades?

- E por falar na destruição das árvores das nossas cidades, e que tal se as autoridades municipais do nosso país seguissem este exemplo que nos chega do Brasil?

Sexta-feira, Maio 09, 2008

A oliveira "pequena" da Tôr

Oliveira (Olea europaea L.) com 5,34 metros de P.A.P. - Tôr (Loulé)

Esta bela oliveira (Olea europaea L.) situa-se no mesmo terreno que o extraordinário exemplar da mesma espécie, que divulguei no passado mês de Março.

Quando eu e o Miguel começámos o trabalho de catalogação das árvores monumentais do Algarve e do Baixo Alentejo, uma oliveira com 5 metros de perímetro do tronco teria sido um "achado"!

Com a excepção da famosa oliveira de Pedras d'el Rei (Tavira), não tínhamos conhecimento de outras oliveiras com dimensões que superassem os 6 metros de P. A. P.
Mas a verdade é que a realidade tem sido bem generosa connosco.

Esta oliveira é um exemplar monumental e de grande beleza, que apenas é "pequeno" por ter a dois passos uma outra oliveira que supera os 8 metros de grossura de tronco.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

A casuarina de Alcoutim

Casuarina (Casuarina cunninghamiana Miq.) - Alcoutim

A casuarina (Casuarina cunninghamiana Miq.) retratada na imagem situa-se à beira do Guadiana, em Alcoutim, estando classificada como árvore de interesse público desde 1999.

As medições da altura e perímetros foram adiadas para uma próxima visita...Como bons "trabalhadores", decidimos aproveitar o 1º de Maio para não fazer nada!

Terça-feira, Maio 06, 2008

O som da floresta

Conteira (Melia azedarach L.) em floração, Sanlúcar de Guadiana e o rio - Alcoutim (2008/05/01)

- Prossegue o abate de árvores na Avenida José da Costa Mealha, em Loulé - Requiem pelas árvores da cidade.

- No Brasil, a questão da poda das árvores em meio urbano, também está envolta em polémica. Por lá, como por cá, repetem-se todo o tipo de argumentos para justificar o injustificável.

- Investigadores do Jardim Botânico de Nova Iorque pretendem criar uma base de dados com o ADN de milhares de espécies arbóreas.

- A associação dos "Amigos do Parque Ecológico do Funchal" irá plantar no Pico do Areeiro, neste próximo Sábado, várias espécies de árvores e arbustos autóctones da ilha da Madeira.

- O projecto "Floresta Unida", que visa a reflorestação da Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz), pretende plantar 150 mil árvores até ao final de 2008.

- O som da floresta: a laurisilva das Canárias (Parque Nacional de Garajonay, isla de La Gomera) em "discurso directo".

Domingo, Maio 04, 2008

Está de velho! *

Oledo (Idanha-a-Nova) - Duas palmeiras (Phoenix canariensis Chabaud) e uma casa.


* Com a devida vénia ao Paulo.

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Olaia da serra

Olaia (Cercis siliquastrum L.) - Serra da Estrela (Covilhã) 2008-04-26

- Notícia que me chegou através do Luís Gil: Fórum ibérico quer legislação específica em defesa do montado (ver aqui e aqui).

- Será um centro comercial aceitável a troco da plantação de 9000 árvores?

- Em Matosinhos, uma rotunda pode vir a provocar o abate de alguns carvalhos. O presidente da Câmara Municipal de Matosinhos garante: "Nós tratamos das árvores de uma forma sempre muito cuidada em Matosinhos. Quando podemos transplantar as árvores, transplantamos. Só abatemos árvores que não estejam em boas condições cinegéticas (?!)". Ler a notícia aqui.

- Ruas arborizadas protegem crianças da asma.

- Mais uma história em que os plátanos assumem o papel de vilões. Em Portugal, claro! Mas o interessante é ver que também há quem os defenda com afinco. Para ler aqui.

- Uma árvore levou mais de 7 anos a chegar e partiu em 2 meses. Em Braga.


Bom fim-de-semana.

Humilhar a árvore

Alcoutim

Entre dois braços, um rio

Azinheira + Guadiana = 1º de Maio