sexta-feira, abril 25, 2008

A "menina dos meus olhos" e outras histórias...

A nogueira (Juglans regia L.) da minha varanda

- Investigadores espanhóis do Consejo Superior de Investigaciones Científicas, em colaboração com a Universidade de Alicante, descobriram no Parque Natural de Los Alcornocales (Cádiz) a primeira espécie de escaravelho capaz de arrastar, consumir e enterrar as bolotas de diferentes espécies de Quercus. Notícia bastante interessante para descobrir no elmundo.es

- Um método baseado na análise da decomposição das folhas das árvores, desenvolvido por investigadores de oito países europeus, incluindo uma equipa da Universidade de Coimbra, permite aferir a qualidade da água dos rios. Notícia do semanário Sol.

- Apesar do Central Park, a relação dos nova-iorquinos com as árvores não parece ser a melhor. Artigo curioso do NYT (onde será que já ouvimos estes argumentos contra as árvores no espaço urbano?)

- Autarquia de Beja quer plantar 350 árvores até ao fim do ano. De acordo com a notícia da rádio Voz da Planície, Paula Lança, do departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Beja, afirmou que: "Manter uma árvore em meio urbano é muito difícil, situação que levou a autarquia bejense a pedir ajuda aos munícipes, com o objectivo dos mesmos poderem contribuir para a sua manutenção, preservação e vigilância".
Ora aqui está uma ideia que é capaz de fazer algum sentido, ou seja, envolver os cidadãos nestas decisões. Claro que a decisão técnica da escolha das espécies e número de exemplares a plantar deve ser sempre feita por técnicos competentes, mas a decisão de envolver a população nestes processos parece-me positiva, para que a mesma sinta as árvores como suas. Só se ama e se defende aquilo com que o qual temos afinidade.

- Mais árvores para "salvar ambientalmente" o Rock in Rio (Lisboa). Será que a plantação de árvores é a solução para tornar todas as iniciativas ambientalmente aceitáveis?

- Montepio anuncia um conjunto de iniciativas de protecção ambiental (que inclui a oferta de 5 000 árvores). Será que as empresas começam a ter uma consciência ambiental ou será apenas marketing verde?

- Balanço da campanha "1 milhão de carvalhos para a Serra da Estrela". O José não tem um milhão mas tem 99 novos carvalhos na sua varanda.

- Por seu lado, a Água "Serra da Estrela" quer ajudar a plantar o "seu" milhão de árvores nas serras portuguesas. E que tal se se tornasse mais transparente e profissionalizada esta acção de reflorestação, para que se evitassem as dúvidas colocadas quanto à sua real eficácia no terreno? Não lucraria a empresa e o ambiente muito mais com isso?

- O meu amigo António Rocha continua o seu incansável trabalho na educação ambiental das crianças e jovens de Loulé. Depois da reciclagem de rolhas, a plantação de sobreiros!

- Abate polémico de árvores na Praia da Vitória.

- Poderá um "motor de busca" na internet ajudar a salvar a floresta amazónica? Conheçam o Ecoogler que resultou da associação entre a Google e a organização ambientalista Aquaverde.

- Um dos livros que está no topo da na minha "lista de desejos": "La Memoria del Bosque" de Ignacio Abella Mina.

- Um projecto muito interessante para uma intervenção especializada na melhoria dos espaços verdes escolares: Um jardim em cada escola.

- Para terminar, duas notícias sobre a floresta: uma boa e outra extremamente preocupante. Para informações regulares sobre a floresta portuguesa visitem o Floresta do Interior.

2 comentários:

Greenman disse...

Temo que muitas àrvores oferecidas em campanhas de empresas várias sejam 'marketing verde'.
Gostava de saber se todas essas àrvores chegam à terra e se algumas alguma vez chegam a fazer sombra...

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Essa questão é muito interessante.

Eu, como sou optimista por natureza, acredito na "boa vontade" das empresas. Mas, como diz o povo, de "boas intenções está o inferno cheio..."

O caso das "Águas Serra da Estrela" é paradigmático;a empresa pagou efectivamente a "facutra" correspondente aos milhares de árvores que anuncia no seu "site". Mas depois decidiu "lavar as mãos" relativamente ao que sucede posteriormente com as ditas árvores.
E, como se pode observar numa reportagem do "Biosfera" acerca desta campanha de reflorestação, os efeitos práticos no terreno foram escassos (ou nulos) por uma série de erros básicos de planeamento (a começar pela origem das árvores que, ao serem importadas de França, aparentemente já cá chegavam em condições pouco propícias para serem plantadas).
A consequência é que isto cria um certo desalento nas pessoas que gostam de contribuir nestas campanhas e prejudica a própria imagem das empresas. Eu cheguei a consumir propositadamente água desta marca devido a esta campanha; e, por causa dos resultados desta mesma campanha, deixei de consumir esta água!

Noutros casos, existe um outro tipo de "amadorismo" difícil de explicar; veja-se o recente caso da Scutvias (empresa que gere a A23) e que decidiu plantar árvores nos nós de acesso/saída da auto-estrada, em finais de Abril. A ideia é boa mas a altura do ano é já demasiado tardia para plantar árvores num país com o nosso clima. Algumas árvores poderão sobreviver mas não tantas se as mesmas tivessem sido plantadas no Outono.

Por último, casos como o do "Rock in Rio" têm lados positivos e negativos. Por um lado, não é a plantação de árvores que vai fazer "sumir" o problema das toneladas de resíduos que estes eventos originam; a plantação de árvores alivia sobretudo as consciências e fica "bem na fotografia".
No entanto, já que se vão plantar árvores (e aqui vem o "lado positivo"), talvez seja preferível fazê-lo com recurso a empresas como a "carbono zero" que depois farão a gestão dessas matas; e que, de algum modo, são uma garantia que as árvores são efectivamente plantadas e que o processo tem um acompanhamento posterior.