segunda-feira, junho 25, 2007

O zimbro

Zimbro (Juniperus communis L.)


O zimbro (Juniperus communis L.) é uma das espécies mais características do andar superior da Serra da Estrela.

É uma espécie que cresce prostrada como resultado da adversidade das condições ambientais, em particular os ventos fortes e a queda de neve.

Alguns botânicos referem a ocorrência de duas subespécies em Portugal: Juniperus communis L. subsp. alpina (Suter) Celak e Juniperus communis L. subsp. hemisphaerica (K. Presl) Nyman.

De acordo com estes botânicos, entre outras características, a subespécie alpina caracteriza-se pelo típico hábito prostrado, enquanto que os indivíduos da subespécie hemisphaerica serão mais erectos. No entanto, outros estudiosos da flora herminiana, como Jan Jansen, referem apenas a existência da subespécie alpina na Serra da Estrela (embora este admita que alguns indivíduos denotam semelhanças com a subespécie hemisphaerica).

Deste modo, e dada a dificuldade em distinguir as duas subespécies (patente nestas diferenças de opinião entre botânicos), o melhor será apenas referir a espécie.




Zimbro (Juniperus communis L.)

6 comentários:

TPais disse...

Oi,
Então e pela análise do DNAr não dá para confirmar que especies realmente existem?Ou será que já são analises com muitos custos?
Abraço
TiagoP

Pedro n. t. santos disse...

Tiago,

Desculpa só agora responder.

Esta não é, de facto, uma matéria onde possua um grande conhecimento mas penso que estudar o genoma de uma espécie é ainda algo muito demorado e dispendioso (por enquanto penso que estes estudos se limitam a plantas com um genoma mais simples ou com nítido interesse comercial).

Neste caso, tratando-se da mesma espécie, as diferenças seriam ínfimas...penso que esse estudo, na actualidade, não se justificaria por motivos de relação custo/utilidade prática.

Penso que o Jan Jansen poderá adiantar mais sobre esta matéria; já reparei que ele participa no forum da PDSSE, pelo que talvez colocando-lhe directamente a questão.

A verdade é que na Serra da Estrela se observam zimbros com hábito rasteiro e outros mais erectos, mas ele parece ser da opinião que são todos da subsp. alpina. Só mesmo confirmando com ele.

Um abraço

TPais disse...

Thanks Pedro ;)

Júlia G. disse...

Atrevo-me a entrar na discussão.
Relembrando o que aprendi há muitos anos, a informação que tinha é de que a mesma espécie pode apresentar hábitos diferentes, dependendo das condições do meio. As árvores ou arbustos prostrados observam-se, por exemplo, em locais de ventos fortes e, muitas vezes, com direcção quase contante, como acontece no litoral. O Guincho tem numerosos exemplos de pinheiros e de arbustos nestas condições.
É evidente que não sou especialista nesta área...

Rui Pedro Lérias disse...

A sugestão do tpais, de comparar a informação genética das duas sub-espécies é mais fácil do que possa parecer. Talvez não tenha sido ainda feito para esta população.

Com os enormes avanços tecnológicos na biotecnologia, os estudos filo-genéticos (relações de parentesco e evolutivas) são cada vez mais fáceis e comuns. Para haver duas sub-espécies têm de existir marcadores específicos de cada uma e isso pode ser estudado nesta população.

Como sugere a júlia_g, pode ser meramente de fenótipo e não genótipo que estamos a falar ou seja as condições ambientais levarem ao desenvolvimento de uma certa fisiognomia da planta e o zimbro-comum em Portugal pertencer todo à mesma sub-espécie.

Que alguém lhe faça a análise, e logo saberemos!

Pedro n. t. santos disse...

Rui,

Esse seria um excelente objecto de estudo; poderá ser apenas uma questão de fenótipo mas tendo em conta que se encontram indivíduos com hábito rasteiro e outros mais erectos nos mesmos locais (sujeitos às mesmas condições ambientais), penso que talvez sejam pequenas diferenças ao nível do respectivo genoma (já se os botânicos concordariam sobre o facto dessas eventuais diferenças justificarem uma classificação em diferentes subespécies, já é outra questão; a verdade é que não temos uma sistemática baseada em análises genéticas...e esta redefinição das classificações com base nos genomas é daquelas que actualmente levanta mais "celeuma" entre os botânicos).