quarta-feira, março 21, 2007

Esclarecimento público

O jornal "Diário XXI", traz na sua edição de hoje, uma notícia na qual aparece o meu nome e o blogue pelo qual sou responsável; abaixo copio a parte da notícia em que apareço referenciado, seguido de um esclarecimento à mesma, da minha autoria.


"Leopoldo Santos, administrador da empresa municipal Águas da Covilhã (ADC), responsável pela conservação dos espaços verdes públicos no município serrano, esclarece ao Diário XXI que “todas as podas são da responsabilidade de técnicos especializados”.
A ADC realiza concursos específicos, sendo que, “habitualmente, são as podas levadas a cabo por uma empresa especializada na manutenção de espaços verdes do Porto, a «Planeta das Árvores»”, refere. Leopoldo Santos reitera que a ADC “não decepa árvores”.
De acordo com o administrador, “não existe qualquer reclamação na ADC respeitante a podas”, recordando que as intervenções na cidade não têm “qualquer problema”.
Outros casos semelhantes costumam aparecer denunciados na Internet, nomeadamente em blogues como “A Sombra Verde” (sombra-verde.blogspot.com). O Diário XXI tentou ouvir o autor do blogue, Pedro Santos, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição."

1º) Eu não estou em guerra com a Câmara Municipal da Covilhã, com qualquer das suas juntas de freguesia ou com a empresa municipal "Águas da Covilhã"; estou em permanente luta contra todos os que, por esse país fora, exercem podas que irremediavelmente desfiguram e destroem o património arbóreo público.
Se dou mais atenção às questões que se passam na Covilhã, é apenas porque é a minha cidade e o que se passa na nossa casa tem outro valor e importância.

Mantenho todas as vírgulas do que tenho escrito sobre as podas que são feitas na Covilhã, sejam elas executadas por entidades públicas ou empresas privadas.
A este propósito, gostava que fossem tornadas públicas quais as árvores que foram tratadas pela empresa "Planeta das Árvores" e o que esta empresa tem a dizer sobre essas pretensas acções de conservação.

Sobre a qualidade das podas que são executadas, deixo apenas os exemplos (ver fotografias 1 e 2) das intervenções em árvores situadas no Parque Industrial do Canhoso (fotografia 1) e na estrada municipal Covilhã-Tortosendo (fotografia 2).

Sobre os efeitos que estas podas têm, a curto e médio prazo, na saúde das árvores (e logo na segurança de pessoas e bens) deixo as fotografias (3 e 4), que mostram o ar decrépito e os troncos apodrecidos de árvores que sofreram este tipo de tratamento (exemplos como estes não faltam na cidade e basta fazer uma breve pesquisa neste blogue).


Fotografia 1


Fotografia 2



Fotografia 3



Fotografia 4


2º) O que aqui tenho escrito sobre este tipo de podas não é apenas a opinião do Pedro Santos (professor de Ciências, com muito orgulho), é a opinião de vários técnicos especialistas na matéria, com anos dedicados ao estudo destas questões, a menos que se considere que pessoas como o arquitecto Gonçalo Ribeiro-Telles ou o Professor Dr. Jorge Paiva, não têm competência científica para se pronunciar sobre a matéria (?!).


3º) Não considero que tudo esteja errado ao nível da gestão dos espaços verdes na Covilhã e já aqui elogiei, por exemplo, as intervenções feitas ao nível do programa Polis (Jardim do Lago, Jardim Público, Jardim da Ponte Mártir-in-Colo, etc.) e no uso de água não tratada para regar os jardins da cidade.

4º) O Diário XXI refere na notícia que me tentou contactar; ontem tinha apenas uma única chamada não atendida no meu telemóvel (às 15 h 07 min.), sem mensagem; não recebi também qualquer mensagem de correio electrónico.

Obrigado.

P.s. - Finalmente, pela mesma notícia do Diário XXI, ficámos a saber a autoria da poda dos plátanos da estrada Covilhã-Tortosendo: a Junta da Freguesia de São Martinho (ver fotografia 2 deste texto e ainda aqui).

O seu presidente, Víctor Tomás Ferreira, afirma ao jornal que "o trabalho está bem feito" e que é "sensível às questões do ambiente". Ainda bem senhor presidente, não quero sequer imaginar o que faria caso não fosse sensível ao ambiente.

Em relação às 21 árvores que afirma ir plantar hoje no Bairro Padre Américo digo-lhe, olhos nos olhos, que sé é para as sujeitar daqui a uns anos a um trabalho bem feito mais valia não as plantar; até porque, como o senhor afirma, as árvores crescem muito e incomodam as pessoas.

6 comentários:

ljma disse...

Somos todos *tão sensíveis* às questões do ambiente, não somos?
É como para a Serra: estamos todos tão apaixonados pelas suas paisagens primordiais, gostamos todos tanto de caminhadas, desagradam-nos tanto as ruinas, somos todos tão contrários, em geral, a novas asfaltações...
Mas, no entanto, somos (quase) todos tão favoráveis às novas estradas (S. Bento, Unhais-Nave, Estrada Verde), defendemos com tanto vigor a "requalificação" das ruínas (em vez da sua demolição), propomos sempre que podemos novas urbanizações...
Quanto às árvores, compreendemos tão bem os que se dizem incomodados (não nós, credo!) com elas...

Que raiva que me dão estes discursos generalistas, a habilidade que esta gente tem de defender uma posição em geral (ou seja, sempre que não esteja em causa nada mais do que palavras), e o seu contrário sempre que seja necessário afirmar com actos essa posição...

Acho que era o Goebbels que dizia "Eu nada tenho contra os judeus. Aliás, alguns dos meus amigos são judeus".

Pedro n. t. santos disse...

Ou, como diria a minha santa mãe, "de boas intenções está o inferno cheio"...

A pessoas no fundo até gostam do ambiente (quando este não atrapalha!), até só querem requalificar...entenda-se, "melhorar" a Natureza que, sabe Deus, nasceu tão imperfeita!

E depois, já se sabe, esta mania das árvores crescerem, terem folhas que entopem as sarjetas...enfim, chatices!

Isabel Maria Teixeira Santos disse...

Eu até acredito que, no geral, as pessoas são sensíveis às questões do ambiente, no entanto, é preciso mais do que isso. É preciso saber se o que se faz está bem feito, e não dizer que sempre se fez assim, logo está bem. Discurso muito corrente neste país à beira mar plantado, mas também se calhar mal plantado.
No entanto, sou das que acredita que as novas gerações vão saber tratar melhor o meio ambiente.

Crix disse...

Apetece-me dizer, que são burros e não o sabem!
É lamentável como as pessoas se conformam com a própria falta de conhecimentos e são tão hábeis a arranjar desculpas e a porem-se para cima.
E no geral, parece-me que as pessoas falam em "proteger o ambiente" simplesmente porque é moda e parece bem, mas não têm um mínimo de conhecimentos para sustentar esse principio.
Mas dou-lhe os meus parabéns por já ter abanado as consciências

miguel disse...

A mentalidade é a última coisa a mudar ou então não muda. A poda bárbara das árvores vem de um tempo em que os jardineiros eram uns senhores que vinham da província sem qualificações nenhumas e que davam grandes podas nas árvores para mostrar manutenção e "manterem a copa em ordem" dando um ar arranjado.
Estamos em 2007! Tenham a dignidade de aplicar os dinheiros comunitários em acções de formação COMO DEVEM SER, com pessoas que sejam qualificads e reconhecidamente competentes.
Viajem pelo resto da Europa civilizada e comparem: VIAJEM; APRENDAM e FORMEM.

zooexotico disse...

É bom saber que eles sabem que há pessoas que não andam de olhos fechados.
É uma vergonha as podas que se fazem por este país.
Deviam ser multados os 'jardineiros' que fazem semelhantes amputações.
Devia haver uma Sociedade Protectora para ver e apontar o dedo a tamanhas barbaridades.