terça-feira, setembro 25, 2007

O caminho da redenção

Como escrevi aqui no Domingo passado, foi através deste texto do blogue Dias com Árvores que primeiro tomei contacto com "a azinheira"! O mérito da sua descoberta e divulgação na internet foi de um utilizador do Flickr, de seu nome Pyconotus, que publicou a 5 de Dezembro de 2005 uma fotografia da referida árvore.




A partir daí meti na cabeça que a tinha que encontrar e fotografar, custasse o que custasse, e que não iria desistir até o conseguir. Afinal de contas, a teimosia até pode ser uma virtude! Mas não foi fácil, como irão compreender de seguida...




Alguns dos comentários que fui lendo na página da fotografia no Flickr e no texto do Dias com Árvores, forneceram-me algumas pistas. No entanto, o "território compreendido entre os concelhos de Castro Verde e Mértola" continuava a ser um território demasiado vasto para conseguir localizar com exactidão a árvore.




O ponto de inflexão ocorreu em Maio passado, aquando do Festival Islâmico de Mértola. Nessa ocasião, ao entrar na sede do Parque Natural do Vale do Guadiana, dou com um cartaz do próprio Parque com a fotografia de uma azinheira colossal...Tive a clara percepção que os meus olhos brilharam nesse instante e que se detiveram naquela imagem uns bons segundos. Era aquela, só podia ser aquela...Nem por um segundo tive qualquer dúvida. E era mesmo aquela!




A funcionária do Parque disse-me que a árvore era conhecida em toda a região como a "azinheira grande" e que, pese embora não tivesse a certeza absoluta, tinha a ideia de que a árvore se situava nas imediações da localidade de Vale de Açor. Pediu-me desculpas por não me saber dar mais pormenores, mas eu estava mais que satisfeito: já tinha o meu ponto de partida!




Voltei mais tarde a Vale de Açor, já em Julho, aproveitando uma viagem de Beja para Albufeira e, embora sem muito tempo, acabei por perguntar a duas pessoas pela "azinheira grande". Mas sem sucesso...Embora simpáticas e com vontade de ajudar, apenas me disseram: "Sabe como é, nós somos daqui e não ligamos a essa coisas!..."


Sabia que nesse dia não teria muito tempo para a procurar, mas tinha a secreta esperança de descobrir uma localização mais exacta da mesma. Confesso agora que nesse dia cheguei um pouco frustrado a casa...Talvez não fosse assim tão fácil dar com a azinheira!


Até que
na semana passada fiz uso da minha grande teimosia e decidi: "Não passa deste Domingo...é neste Domingo que descubro a azinheira!". E assim foi...

"Perdido" no meio do Alentejo...só o amor por uma árvore foi capaz de me fazer meter um carrinho novo em caminhos de cabras!...

Deste vez levei uma grande equipa de "caçadores de árvores" que incluiu a minha namorada, o já conhecido "caçador" Miguel Rodrigues e ainda os novatos nestas andanças, Hugo, Anabela e Marta (e mais o seu bebé...). Não iria ficar um metro quadrado de Alentejo por palmilhar!

A épica expidação incluiu merenda à sombra de um eucalipto gigante (de que falarei daqui a uns dias) em Almodôvar e, após algumas tentativas menos conseguidas em Castro Verde*, lá encontrámos em Vale de Açor quem conhecesse a árvore...e, mais importante, a sua localização.

* chegámos a levar uma impressão da fotografia do Flickr para mostrá-la às pessoas...como quem procura um fugitivo.

Descubro então que em Julho nem tinha andado muito longe da árvore. (Mas sem uma boa indicação é como procurar uma agulha num palheiro...).

Chegados a Corte Pequena, a localidade mais próxima da azinheira, o caminho passou a ser de terra batida; ainda faltavam 3 km de terra, pó e muito calor! Ainda aventurámos os carros durante quase 1 km mas as pedras de um ribeiro seco fizeram-me ter pena dos amortecedores do meu...afinal só tem 6 meses! Se era para sofrer então o resto seria a pé! E assim foi...

Chegados a um monte com eucaliptos (excelente ponto de referência para quem quiser repetir a experiência), a Marta desistiu e a Anabela ficou a fazer-lhe companhia. Afinal de contas não desejávamos um parto prematuro ali bem no meio do Alentejo.
(A cidade de Beja vê-se para Norte, bem no limite do horizonte; à nossa volta uma zona de transição entre a estepe cerealífera e os tradicionais montados de azinho).

Os resistentes prosseguiram com um misto de ansiedade e quase desânimo...as azinheiras pareciam todas iguais e, meio a brincar meio a sério, não podíamos deixar de pensar: "E se as pessoas nos tivessem indicado outra azinheira?! E se não fosse aquela?". Chegámos a fazer apostas sobre quem a encontrasse entre tantas árvores iguais...


A primeira imagem da "azinheira grande"...sempre era verdade, a árvore era real e estava ali a dois passos de distância...


Até que, quase vencidos pelo cansaço, após uma colina, ela surge...como que à nossa espera....Era verdade, era real e estava ali a dois passos de distância!



(continua
...)

8 comentários:

Ana Ramon disse...

Realmente... mas vá lá que sempre a conseguiram encontrar. Pensava que seria uma árvore acessível e conhecida por montes e vales. Mas como dizes, as pessoas da terra normalmente não estão muito sensíveis a esse tipo de coisas. Fico contente por teres conseguido atingir esse primeiro objectivo. Agora fico à espera da continuação do relato e das fotos que tens aí para publicar.
Um beijinho grande

Ver disse...

Mais, vá lá!

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

obrigado, mais uma vez, pela vossa paciência. Amanhã (4ª feira) vou ter um dia complicado mas prometo concluir a história e publicar mais umas fotos. Já chega de suspense...

paulu disse...

Eu gostei do suspense! Excelente descoberta! Também fico à espera do resto...

Jardineira aprendiz disse...

:D Que saga! Esperamos ansiosos pelos próximos episódios! (Com fotos p.f.!)

Manuel Ramos disse...

Excelente post, Pedro! Quase um conto. Com as coordenadas que nos deste no tópico mais recente, na próxima jornada por terras de aquém-Guadiana também eu farei paragem para o ver, in loco. Quiçá para ali tirar uma bela de uma sesta. E o meu carrinho, também!

marco pozzana disse...

Parabéns pelo lindo trabalho.
Voltarei sempre por aqui...
Abraços

lucia disse...

Esta paisagem e belissima! A azinheira e o conjunto!