terça-feira, julho 24, 2007

Não é apenas o idioma que nos une

Plátanos anões - Tortosendo (Covilhã)


A Cristina do blogue Praticando a Fotografia e a Jardinagem, chamou-me a atenção para o problema das podas radicais do outro lado do Atlântico - está tudo nesta notícia.

Algumas partes desta notícia são muito interessantes:

- "No início do mês um morador foi multado em R$ 800 após podar incorretamente nove árvores de uma residência (...)" Isto é, no Brasil as pessoas são multadas por efectuarem podas radicais. E por cá? Veremos algum dia as câmaras municipais e as juntas de freguesia a multarem os seus próprios serviços (ou as empresas que contratam) por estes actos de vandalismo?

- "Em recente entrevista ao O PROGRESSO, o engenheiro agrônomo da prefeitura, Laércio Arruda, alertou sobre os riscos da poda radical. "Sem árvores, a cidade fica mais quente, com baixa (h)umidade relativa do ar e exposta aos poluentes e vendavais que poderiam ser barrados", disse". E por cá? Até quando teremos que esperar para que as câmaras municipais tenham técnicos devidamente credenciados, que compreendam a importância das árvores (bem tratadas) no espaço urbano?

- O mesmo técnico da Prefeitura de Dourados reconhece que: "Nas últimas décadas, segundo ele, Dourados "abusou" das Sibipirunas, visando o conforto térmico sem levar com conta o porte destas espécies". Tal como por cá, grande parte dos problemas surge na hora em que se escolhem as espécies a plantar ou, dito por outras palavras, resultam da falta de planeamento. Caso se fizesse uma escolha criteriosa da espécie a plantar, em função do espaço que esta terá para crescer, grande parte destes problemas relacionados com as podas radicais nem se colocaria.

Plátanos anões - Tortosendo (Covilhã)


No entanto, o que para mim resulta de mais significativo após a leitura desta notícia é que nesta cidade brasileira o problema das podas radicais resulta da acção de pessoas (ou empresas) que actuam à margem da lei. E que existe um município preocupado em alterar esta situação.

O dramático é que em Portugal são as autoridades municipais, as tais que deveriam zelar pelo património público, as principais responsáveis pelos atropelos cometidos contra as árvores (e, pasme-se, muitas vezes delapidando património público para satisfazer os pedidos de alguns particulares).


Plátanos mortos (vítimas de poda inadequada) - Tortosendo (Covilhã)

Na referida notícia, estima-se que por ano esta cidade brasileira perca mais de 700 árvores devido às podas radicais.

Para os que duvidam dos efeitos nefastos destas acções sobre as árvores fica a imagem anterior; há árvores que preferem morrer com dignidade a sujeitarem-se à humilhação de uma morte lenta e anunciada. A sombra continua a incomodar muita gente...Triste povo que sofre sob a canícula!

6 comentários:

Paulo disse...

Verdadeiros actos de terrorismo.
Valham-nos as boas notícias que nos vai dando, como as das crias do pinheiro-manso e dos carvalhos.

Obrigado pelos óptimos artigos que publica no A Sombra Verde e boas férias :)

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Paulo,

Obrigado pelso elogios e votos de boas férias.

Júlia Galego disse...

Excelente, esta análise.
Por aqui também há exemplos de plátanos que preferiram morrer. Os outros resistem mas muito maltratados.
Só as tipuanas parecem não se importar muito. Passado algum tempo aí estão elas grandes e frondosas.
Boas férias

Cristina disse...

Pedro, muito lindo o que escreveu.
Não consigo ver com todo esse otimismo a disposição das nossas autoridades municipais, mas seu ponto de vista, me deu outro ângulo para pensar. Obrigada. Você tem jeito com as palavras.
Sinto profundamente que a luta por Portugal seja mais crua. Talvez aí, as leis se chegarem, quando chegarem, sejam aplicadas, vigiadas, por olhos como os seus e de todo o pessoal que estima as árvores.

Ana Patudos disse...

Realmente a maioria das autarquias do nosso país , não tem o mínimo respeito pelas árvores. Como podemos mudar mentalidades? DENUNCIANDO!
abraço
Ana Paula

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Pois é, Ana...creio também que não nos resta outra alternativa se não denunciar.

E, sobretudo, acabar com alguns mitos, como:

- Este tipo de poda é necessário e faz bem às árvores;
- As árvores têm que ser podadas para não crescer em altura (os portugueses têm um medo patológico que as árvores lhes tombem em cima!)

Depois também há o argumento de que sempre assim foram podadas...ora não é por sempre termos feito uma coisa de determinada maneira, que a torna mais correcta. Também passámos anos sem separar o lixo e isso não significa que fosse uma boa prática.

E claro que já nem falo das milhentas de razões mesquinhas: porque as folhas entopem as sarjetas; porque tapam as "vistas" às casas; porque acolhem pássaros que depois sujam os carros; porque elas próprias produzem substâncias que sujam os carros e até, pasme-se, os passeios...e todos nós sabemos como os portugueses adoram passeios limpos para deitar lixo ou, simplesmente, cuspir!

E depois há a história das alergias...enfim! Continuemos a denunciar...