segunda-feira, janeiro 29, 2007

Pedagogias

Já o disse antes e volto a afirmá-lo, ninguém tem um comportamento 100 % correcto em questões de defesa do ambiente e a vida deve ser um processo de aprendizagem contínua...nesta como noutras matérias.

Eu não nasci a saber separar o lixo e também, como tantas pessoas, pensei durante muito tempo que as pessoas que podavam as árvores nas cidades sabiam o que faziam; até que alguém me ensinou "que não" e "porquê".


De bom grado, darei início ou ajudarei na divulgação de uma petição que ajude a combater a inércia reinante e tente por um travão às podas camarárias, mas sejamos realistas: lei nenhuma pode proteger todas as árvores e mesmo aquelas que estão já protegidas por lei (ao abrigo do interesse público) são muitas vezes vítimas da acção negligente do próprio Estado.

No entanto, nesta matéria, como em quase todas as que dizem respeito a questões ambientais, só se notará uma diferença significativa através da educação, nomeadamente das novas gerações. Talvez seja defeito de profissão mas ainda acredito nas virtudes da pedagogia.


Os portugueses não amam as árvores porque ninguém os ensinou a amá-las! E, pelo menos em parte, o amor pode ser ensinado.
E porque deveriam as pessoas amar as árvores, se desde pequenas as vêem arder nas florestas e condenadas ao raquitismo nas cidades por podas mal executadas (?)

É por isso que é nas escolas que, nesta como em tantas outras questões, se joga o futuro...Não quero abrir com este texto nenhum processo de intenções, nem que este assuma um tom inquisitorial ou fazer julgamentos públicos. No entanto, ninguém está acima da crítica construtiva; não tenho problemas em admitir que também eu, como cidadão e professor, podia fazer mais pelo ambiente e pelas árvores...


É por isso que, sem sobrancerias mas com humildade, apelo aos meus colegas, sobretudo aos professores de ciências, para evitarem a mutilação das árvores nas escolas portuguesas. Não se pode pregar a defesa das árvores dentro da sala de aula, inclusive comemorar o Dia da Árvore, e depois permitir que se faça, fora da sala, o que a seguir retrato com fotografias.


Tem que existir uma consequência entre a palavra e a acção. Como disse a Manuela Ramos no Dias sem Árvores:"...de pequenino se torce o pepino e as criancinhas "são obrigadas" a conviverem com este espectáculo desde os bancos da Escola. Não admira que mais tarde façam o que viram fazer. Uma tristeza."


Deixo a seguir algumas imagens (da Escola Básica e Secundária das Palmeiras, da Básica Pêro da Covilhã e ainda do Infantário da Stª. Casa da Misericórdia da Covilhã), não tanto numa óptica de julgamento público, mas sobretudo para que se reflicta e se comece a combater esta prática errada, de dentro para fora das escolas. Vamos começar hoje a mudar, obrigado.




















8 comentários:

*Rita disse...

aiii, realmente é um cenário que se repete e dá vontade de abanar com força as pessoas que fazem, mandam fazer e que gostam de ver este "espectáculo" horripilante. Eu costumo dizer que uma árvore devia ser vista como uma pessoa, com cabeça, braços, tronco...ao mutilarmos uma árvore é como estarmos a cortar a cabeça e os braços a um pessoa...ficam ambos desfigurados...só que depois disso a árvore sobrevive como pode, mas se fizermos o mesmo a uma pessoa, morre...

Anónimo disse...

Subscrevo integralmente. Será que este aspecto faz parte da lista de parâmetros pelos quais as escolas são avaliadas? Octávio Lima (ondas3.blogs.sapo.pt)

manueladlramos disse...

Ha uns anos, na minha escola, "caiu-me o coração" aos pés quando deparei com a poda que tinham feito a um jovem e promissor salgueiro chorão, mesmo à entrada do recinto escolar.

Quem tinha feito o trabalho? Um funcionario que devido ao facto de podar as suas vides, saber plantar umas couves e podar as macieiras lá do quintal dele, tinha sido promovido a "jardineiro da escola" .
Claro que o homem nao percebia nada de poda de árvores ornamentais, creio mesmo que o conceito de ornamental, a existir se limitava ao desvelo (que o tinha) com que entrelaçava os caules das roseiras no gradeamento da escola e as podava, claro.

Fiz tal banzé no conselho executivo (os meus colegas de ciéncias não disseram absolutamente nada, nem quiseram saber...;-( apoiada de livros sobre o assunto, nomeadamente da autoria da sumidade que todos respeitam ( Gonçalo Ribeiro Teles) que consegui que o referido funcionario nunca mais tocasse nas árvores.
Mas nada impedirá que um telefonema para a camara -quando as árvores estiverem a tocar nos fios electicos ou nos candeeiros- por mal plantadas- ou quando algum/a iluminad/a achar que está na hora- faça deslocar à escola os "técnicos de serviço" da Câmara que são os podões que a gente conhece.

Por isso sim é importante a pedagogia, é importante a campanha e nao há duvida que pela educção é que vamos...e vai demorar um tempo imeeeeeeeeeeeeeeeeeso. A chamada mudança de mentalidades não é? Quantas gerações? Mas haja esperança e continuemos a nossa campanha.

Estas árvores mutiladas deviam ser tiradas dos recreios das escolas ou então ostentar um cartaz dizendo QUE FORAM VITIMAS DE UM CRIME, que ainda nao é punível por lei mas que deveria ser, e que o responsável pelo crime TINHAm SIDO FULANO E SICRANO, que com aquele acto apenas demonstravam a sua enorme ignorância e a sua insensibilidade.

Pedro n. t. santos disse...

Pois, de facto, se as questões ambientais (como se cuida dos espaços verdes, consumos de água e energia, as taxas de reutilização e reciclagem de materiais, etc.) fizessem parte dos itens de avaliação das escolas, talvez as coisas mudassem (de facto) para melhor. Lá chegaremos um dia (espero eu...)

De resto, é uma "luta" diária para mudar mentalidades (é preciso ver que muitas pessoas nem sequer apagam as luzes ao sair da sala de aula), mas a convicção de muitos outros colegas, como a Manuela, é uma inspiração para não desistir!

Jardineira aprendiz disse...

Apoiado, 100%! Não só as crianças, como os próprios adultos, aprendem com os exemplos, mais do que com todos os discursos e palavras lindas. Já dizia o Gandhi 'be the change you want to see in the world'...

JC disse...

Subscrevo inteiramente esta tua campanha contra as podas selvagens.
Podar um árvore não é o mesmo que podar uma videira.
O problema é que existe uma enorme falta de respeito pelas árvores e pela natureza em geral.
Veja-se como tantas entidades públicas se dão ao desplante de cortar árvores centenárias, para substitui-las por paus de vassora caras e fúteis (como aconteceu aqui no Algarve em Portimão, no largo em frente à casa Inglesa, ou até cá em Silves, no interior do Castelo).
É um problema de ignorância, baixa cultura e muitas vezes até abuso de poder, associado à impunidade geral que existe em Portugal.
A maioria encolhe os ombros e olha para o lado, mas logo a seguir discute as alterações climatéricas, ou a má qualidade do ar, sem fazer a mínima ideia, de como tudo isto está relacionado.
Continua a defender esta causa. É nobre !

sa.ra disse...

vim via "cores da terra" e gostei muito do que li... muito!

abraço
dia muito feliz!

Anónimo disse...

Passo diáriamente pelas escolas acima citadas na Covilhã, e quando olho para aquelas árvores dá-me vontade de chorar, realmente este mundo é cruel, o homem é muito cruel.