quarta-feira, março 04, 2009

Proposto novo regime de protecção para património verde de Lisboa

Foi proposto, pelo Partido Comunista, um novo regulamento municipal para protecção das árvores e arbustos da cidade de Lisboa. Ler notícia no Público.


ADENDA: Esta proposta do Partido Comunista vale o que vale... Apesar de ser uma proposta interessante, encerra a contradição típica dos partidos políticos portugueses, ou seja, defendem na oposição o que não cumprem no poder. Veja-se o caso dos sobreiros de Setúbal, autarquia comunista (1330 sobreiros propostos para abate a troco de mais mega-urbanizações, num país com milhares de casas novas para venda, para mais um centro comercial e, cereja em cima do bolo, mais um estádio de futebol).

No entanto, regresso a este assunto das árvores de Lisboa, para analisar o contraste entre a forma como olhamos, no nosso país, para as árvores antigas e a forma como estas são respeitadas e acarinhadas noutros países.

Meditem sobre o que está escrito neste folheto da Câmara Municipal de Lisboa sobre as árvores, em particular esta passagem: "A maior parte das espécies ornamentais vive menos de 100 anos. Na realidade, em meio urbano, as árvores ficam particularmente frágeis raramente ultrapassando os 60 a 80 anos de vida". Agora comparem com este texto sobre o Central Park, de Nova Iorque, e tirem as vossas próprias conclusões.

2 comentários:

pedro vicente disse...

A verdade é que arvores "urbanas" sao confrontadas com uma serie de problemas,desde as famosas podas feitas pelo tronco principal( o que nao me faz admirar uma esperança de vida reduzida de 80 para 2 anos),como ainda uma má escolha das especies,quer para cidade quer para o clima.Sinceramente apresentamos melhores condiçoes urbanas que outros países para que as árvores vivam mais tempo,sendo o drama os problemas supracitados,( outros paises sim,pois nao nos podemos esquecer do quao expostas sao as arvores nas principais capitais europeias ás limpezas da neve com sal,o que altera o ph do solo,ou ainda o efeito "clone" que as arvores de calçada sofrem nesses mesmos países).Deixem me só referir um caso por exemplo,de modo a reflectirem os problemas referidos em portugal: Em Loulé(cidade algarvia,logo clima mediterraneo,foram plantados como árvore de calçada,imagine se quercus roble ( especie mal escolhida obviamente),sem qualquer rega e em pleno verao).
abraço pedro

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Olá Pedro,

A verdade está precisamente aí, ou seja, na falta de planeamento.

Escolhem-se as espécies erradas e, posteriormente, as mesmas são podadas de forma errada durante anos e anos. Resultado: as árvores têm uma longevidade bem menor do que supostamente teriam em função do normal para a espécie.

Com certeza que os fenómenos de poluição atmosférica também intervêm na saúde das árvores em meio urbano, nomeadamente das espécies mais sensíveis a estes factores. Mas se este fosse o factor determinante, duvido que houvesse dezenas e dezenas de espécies centenárias no Central Park.

O que necessitamos, em Portugal, é de uma escolha correcta das espécies a plantar, em função do local de implantação, e de uma posterior e correcta manutenção das mesmas.
Deixem-se as árvores de grande porte para os jardins e parques e abandonemos a insistência nos plátanos em ruas estreitas e passeios acanhados.

Um abraço.