quarta-feira, outubro 24, 2007

Apelo urgente

Plátanos (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) - Unhais da Serra (Covilhã)

Em Julho passado escrevi este texto, sobre o magnífico conjunto formado por dezenas de plátanos em Unhais da Serra (concelho da Covilhã).

Ontem recebi o seguinte comentário: "
Por estes dias, estes belos plátanos vão ser cortados. 25 pelo que dizem. É o preço do progresso.Um preço muito elevado". Apesar de ser um comentário de um autor não identificado, o mesmo merece-me, no mínimo, que se considere como plausível tal hipótese. Ou não estivéssemos nós em Portugal!

Por isso, lanço um veemente apelo a todos os que se preocupam não apenas com as árvores. Mas a todos os que acreditam num efectivo progresso, que concilie o progresso económico com a qualidade de vida. Apelo a que escrevam ao presidente da Junta de Freguesia de Unhais da Serra, pedindo para que este conjunto magnífico de árvores seja protegido.

Este conjunto de plátanos
deveria ser objecto de orgulho da sua população e constituir um "ex libris" da vila, pela beleza que lhe confere e pela qualidade ambiental que proporciona aos afortunados que aí residem.

Nenhum progresso pode ser feito à custa da qualidade de vida das pessoas.

Deixo o nome do presidente da Junta e as formas de contacto:

Presidente da Junta de Freguesia: António João dos Reis Rodrigues

Rua Junta de Freguesia, 1
6215-521 Unhais da Serra

Telefone: 275 971 279
Fax: 275 971 279

E-mail:jf.unhaisserra@gmail.com

Muito obrigado.

30 comentários:

Raquel Alves disse...

Ainda estou a recompor-me do corte de árvores na minha escola. Não sei o que pensar mais.Já acredito que tudo é possivel...vivemos em Portugal!
Abraço

Anónimo disse...

O Ondas3 associa-se ao apelo e vai enviar uma mensagem ao Presidente da Junta de Freguesia. Octávio Lima (ondas3.blogs.sapo.pt)

as-nunes disse...

O "Dispersamente" vai enviar, imediatamente a seguir a esta nota, um e-mail a apelar ao bom senso do Presidente da Junta.
É que se não for decisão sua, concerteza que há-de ter capacidade para defender os interesses ambientais da sua freguesia.
Olhem para o que se passa pelo Mundo fora. Olhem para a Califórnia, como resultado das diatribes que o Homem tem andado a fazer! O ambiente sempre em último lugar. De certeza que, no futuro, não vamos respirar, comer, beber, em suma VIVER, Economia - Desenvolvimento Económico a todo o custo!
Haja senso antes que seja tarde demais!
António Nunes

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Obrigado pelo vosso apoio e interesse. Abraço

ljma disse...

Já mandei a minha opinião para a junta de freguesia. Oxalá haja bom senso.
José Amoreira

Antonio disse...

O abate de árvores tem a ver com o alargamento da avenida para as termas , que também será o futuro acesso à serra, em conjunto com uma ponte que agora estão a começar a construir.
O abate só irá acontecer em metade do acesso às termas e só de um lado, pois não há outra hipótese.Mesmo assim e após o abate, está prevista uma nova plantação. Na outra metade do acesso, a via será duplicada por forma a que as árvores fiquem no eixo da via ou seja, as árvores que se vêm na foto deste artigo não serão abatidas. Convido-os a virem ao local para em conjunto analizarmos o problema.
Cumprimentos
António Santos.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro António,

Terei o maior prazer em aceitar o seu convite. Tentarei entrar em contacto consigo por alturas do próximo fim-de-semana de 10 e 11 de Novembro.

Obrigado pela atenção,

Cumprimentos,

Pedro Santos

Antonio disse...

Amigo
Fico à espera.
Abraço
António

FRANCISCO T PAIVA disse...

O "Obrar" também se pronuncia contra a barbárie. Abraço

Anónimo disse...

ninguém gosta mais das árvores do que nós (crianças),são lindas,mas a porta dos outros...........
vivemos horrores e temos pesadelos,sempre a pensar que entram pelo telhado dentro a qualquer momento.Este fim de semana foi para esquecer,telhas partidas,girândola da chaminé e beirais do telhado.Existem prioridades,primeiro as vidas humanas,depois as árvores,se dão prejuíso cortan-se e plantam-se noutros lados.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Anónimo:

- vamos por partes:não há uma protecção total contra acidentes, nem mesmo fechados dentro de casa. Basta pensar na explosão de gás que ocorreu há dias em Setúbal;

- em dias de ventania, para além de árvores, podem cair telhas, chaminés, postes de iluminação, etc., etc. Por isso, não é cortando as árvores que se evitam os acidentes;

- as pessoas que defendem as árvores são PESSOAS!!!!Ou seja, não se pode ser pessoa e estar, ao mesmo tempo, contra as pessoas!
Ser a favor das árvores não é ser contra as pessoas...até porque sem árvores não haveria possibilidade do ser humano sobreviver no nosso planeta;

- o problema das crianças é que alguns adultos lhes ensinam que as árvores são "um problema"...já agora, no Norte da Europa e nos Estados Unidos, onde existem árvores que crescem muito mais do que a maioria das que temos em Portugal, como é que as "pessoas se defendem das árvores"? Ainda por cima, quando nesses países há temporais muito mais violentos do que em Portugal?

E, para terminar, os principis inimigos das árvores e das pessoas são há muito conhecidos: a ignorância e o desconhecimento!

Anónimo disse...

Algumas das árvores cortadas tinham mais de 200 anos.As pessoas esquecem,quando fazem as casas que as àrvores já lá estavam.

Jorge Santos disse...

Caro amigo, sou um Unhaense muito triste estes dias, criou-se na minha alma uma ferida que não mais no meu tempo verei curada.
Os velhos plátanos resistentes a ventanias, revoluções e outras épocas, essas sim, áureas de termalismo e ainda a outros presidentes de junta e membros da assembleia de freguesia bem como a outros presidentes de câmara, não resistiram à vontade do lucro fácil, pela sociedade «extra – freguesia» que pagou umas migalhas à vila para construir aquele imenso entulho urbanístico, naquela que já foi uma das mais belas zonas de Unhais o parque das termas.
Pergunte ao Senhor António Santos se do outro lado da ribeira de alforfa não era possível, com os mesmos gastos, ou menos, fazer um pequeno viaduto a sair da ponte a passar pelos quintais a expropriar claro, já que deste lado também foram expropriados terrenos, que impedisse o corte das arvores centenárias.
A minha vila vive hoje uma ilusão triste de que alguma coisa vai ganhar com o termalismo, visões utópicas de investimento numa linha de turismo que é das poucas em declínio pelo país e Europa.
O meu amigo daqui a dez anos me vai dizer o que aquele elefante branco veio trazer a esta vila que compense o corte daqueles que não tinham culpa.
Não deixe que noutras terras façam o mesmo que na minha.
Quantos aos pretensos Unhaenses que tinham as casas por baixo das árvores, ainda que nunca lá tenha havido um acidente, que me desmintam se conseguirem, terão oportunidade, espero eu, de torrar ao, felizmente quente, sol de verão, e aí sim, eu vou rir-me e dizer que afinal há um pouco de justiça nesta terra.
Amigos Unhaenses, vocês crêem mesmo que vamos viver do turismo?
Consideram que a fatia que caberá à vila será do tamanho da que perdemos quando demos a exploração das águas termais?
Quantos mais crimes deste género se irão cometer até que nos convençamos que Unhais é o laboratório dos ricos com dinheiros da União?
Julgava-vos mais inteligentes.
Tomem juízo, porque se não tomarem vão ter muitas desilusões e créditos mal parados.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro Jorge Santos,

O seu grito de revolta é o meu grito de revolta; somos todos de Unhais. Eu pelo menos senti-me assim, unhanense de toda a vida, depois de ter passado aí umas horas apenas a visitar esses plátanos. E senti uma "saudável" inveja dos que aí moram.

Esse conjunto de plátanos há muito que deveria estar protegido e classificado como "árvores de interesse público" mas são os agentes locais que terão que assumir esse desejo e dar os passos necessários; é que tal como uma igreja ou outro monumento de acção humana, estes plátanos são um património valioso a preservar e a ser divulgado.
Não apenas porque atraem os turistas "amigos do verde" (como eu e os que visitam este tipo de blogues) mas porque efectivamente eles contribuem para a qualidade de vida dos que aí vivem.

Claro que como todo o património construído, também este património natural tem que ser regularmente vistoriado e acompanhado por técnicos credenciados, como forma de garantir a sua longevidade e a segurança das pessoas; e sublinho por "técnicos credenciados" e não por técnicos camarários, das juntas de freguesia ou de empresas sem a mínima competência técnica na matéria (como a empresa "Valério e Valério" que ganhou um concurso público para a poda de centenas de árvores na Covilhã e que mais não fez do que decepar de forma vergonhosa o pouco património arbóreo que restava na cidade).

Veja-se ainda o recente exemplo do que foi feito aos plátanos na zona do Refúgio, alguns dos quais morreram em consequência dessas podas mal feitas, enquanto que os que sobreviveram estão completamente desfigurados e como a sua longevidade e estado sanitários completamente comprometidos.

No Canhoso existia também um conjunto de plátanos fabuloso que foi barbaramente podado e que entretanto tiveram que ser arrancados pois estavam moribundos; em consequência, os habitantes locais passaram a ter Verões bem mais escaldantes e, para os que se socorreram do ar condicionado, com contas de electricidade bem mais chorudas para pagar.

Mas voltemos a Unhais...eu não conheço ao pormenor o território em que se construíram as novas instalações termais. Infelizmente, por falta de tempo uma vez que trabalho no Algarve, não tive oportunidade de me encontrar com o Sr. António Santos, nem com outro elemento do Partido "os Verdes" que me contactou por e-mail.

Não em custa a crer, no entanto, que existisse outra alternativa fazendo uso da margem oposta da ribeira; provavelmente quando se diz que "não havia alternativa" quer-se dizer "havia mas era muito dispendiosa e ninguém quis assumir esses encargos". E é aqui que também eu me pergunto o que é que afinal é dispendioso? Porque se eu fizesse um investimento avultado no turismo em Unhais da Serra seria o primeiro a querer manter estes plátanos; e não apenas por motivos estéticos e ambientais mas porque, como já tive ocasião de referir neste blogue quando citei os trabalhos de alguns arquitectos paisagistas, as árvores valorizam economicamente uma propriedade.
Menos por cá...por cá as árvores são vistas como um entrave que tapa as "vistas" para os mamarrachos e tapa as "vistas" a partir dos mamarrachos para outros mamarrachos! Triste e atrasado povo! Mas exigia-se mais de quem tem responsabilidades no turismo e que, por este motivo, já deverá ter visitado outros países da Europa e América do Norte.
Estes plátanos deveriam ter sido valorizados, classificados e publicitados como uma das maravilhas de Unhais.

Espero que apesar de tudo este investimento venha a ser um sucesso e que ajude a contribuir para a riqueza de Unhais embora nada possa pagar a riqueza das árvores que foram abatidas.

Resta aos naturais de Unhais lutar pela preservação e classificação dos que sobreviveram. Este blogue será sempre um aliado e um divulgador dessa causa. Obrigado.

Jorge SAntos disse...

Grato pela solidariedade, conhecimento, empenho demostrado e conselho.

Tentarei evidar os esforços necessários para a classificação dos resistentes, parece-me que Unhais terá mais a ganhar com o turista do verde do que com o turista da àgua quente e do betão.

Agora vamos ver se o Sr. António Santos e os infelizes paladinos do tratamento ao hemorroidal como motor turistico, não vão, com a sua utopia megalómana desfazada da mais pura realidade e reveladora de um provincianismo bárbaro, continuar a destruir uma coisa que não lhes pertence, mas que pertence à humanidade, de que eles são pequena amostra.

Um Abraço amigo e não deixe morrer o assunto, vá falando que eu irei seguindo o blog.

Jorge Santos

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro Jorge Santos,

Penso que o mínimo que a Junta e Assembleia de Freguesia poderiam fazer, ainda que isso não restitua os plátanos abatidos, era propor a classificação conjunta dos restantes.

O processo é relativamente simples e sem custos para além dos inerentes ao envio de uma carta. Essa carta deverá descrever as árvores a propor (o número de exemplares e a espécie), bem como a sua localização e proprietário dos mesmos (que neste caso, por se encontrarem na via pública, poderá ser a própria Junta ou o Instituto de Estradas, no caso dos exemplares que se situam à beira da N230).

Umas fotografias também ajudam ao processo e, neste caso, autorizo a utilização das que aqui publiquei, nomeadamente no texto que escrevi a 31 de Julho de 2007. No entanto, se pudessem ser tiradas algumas fotos das árvores mais altas usando uma ou mais pessoas como "escala", seria o ideal; não sei se conhece o "Google Earth" mas se pudesse imprimir umas imagens com a vista aérea de todo o conjunto formado pelas árvores, usando os dados desse programa, seria o ideal.

Em relação à morada para onde se envia o pedido ou para esclarecer outros pormenores é só consultar a página principal do blogue e "clicar" do lado direito, onde diz "Como poderei propor a classificação de uma árvore ? Árvores de interesse público".

A resposta costuma ser rápida embora, pessoalmente, esteja à espera à cerca de 4 meses de um pedido que fiz para 3 árvores. No entanto, se for uma instituição do Estado a fazer essa proposta poderá ter outro "peso" na decisão final.


De igual modo, penso que se deveriam plantar novas árvores mas, e isto é importante, de acordo com o espaço disponível. Porque os plátanos são magníficos quando crescem livremente, como esses de Unhais, e ultrapassam a barreira dos 20m de altura. Para os transformar nas aberrações que vemos um pouco por todo o país mais vale plantar espécies que crescem menos ou, em vez de árvores, plantar arbustos.

Para sossegar a população também poderia ser proposto à Junta de Freguesia que contratasse o serviço de empresas especializadas para verificar da segurança das árvores. Hoje em dia já existe equipamento electrónico que faz um "TAC" às árvores e permite saber se as mesmas estão ou não em risco de poder cair. Se quiser posso, via e-mail, dar-lhe o contacto de uma empresa altamente especializada e competente nessa área (não lho digo aqui para não ser "acusado" de querer fazer publicidade).
É que muitas vezes o problema é este: se durante um temporal um grupo de telhas é arrancado e causa danos, as pessoas culpam o tempo ou o S. Pedro e não o dono do prédio que provavelmente deveria ter (há muito) mandado arranjar o telhado; mas quando cai uma árvore ou um ramo, a culpa é logo das árvores que estão "muito altas" e isso é logo motivo para as decepar à lei da moto-serra. Por isso, por motivos de segurança e para salvaguardar as próprias árvores, estas terão que ser sempre acompanhadas por técnicos especializados que garantam a respectiva segurança e de todas as pessoas.

Eu tenho esperança que com o tempo, e com a sua possível classificação, as pessoas passem a dar mais valor ao património representado pelas árvores.
Repare que até há pouco tempo as pessoas nem sequer valorizavam o património histórico. Por exemplo, isto hoje parece "anedota de mau gosto", mas quando se fizeram aqueles mamarrachos no Pelourinho houve quem quisesse demolir a Igreja da Misericórdia ou, no mínimo, transferi-la para outro local na Covilhã. Supostamente estava "torta" em relação aos prédios e ficava mal e ofuscava tamanha "modernidade". Mas, com o passar do tempo, as pessoas foram percebendo que aquela igreja é um monumento e que tudo o que foi feito a posteriori é que é uma aberração.

Nas férias da Páscoa vou tentar ir a Unhais e falar com o Sr. António Santos acerca destes assuntos.

Até lá, não desista!

Um abraço

CD disse...

Caro Pedro, depois de uma leitura atenta aos comentários feitos, acerca do abatimento monstruoso feito aos platanos anciãos da minha terra. Não posso de todo, deixar de mostrar o meu descontentamento. Mas principalmente a minha preocupação, por tal acto tão desumano. Infelizmente, vivemos numa sociedade que cada vez mais presa pelo desenvolvimento atabalhoado, não olhando a meios para obter tal resultado. Para esta sociedade, do dito Portugal moderno, desenvolvimento pauta-se, por criações agoniantes de betão e alcatrão, o que mostra por sua vez, a nossa pequenez. Infelizmente a destruição do nosso património histórico e ambiental, está a tornar-se cada vez mais recorrente e nem sempre pelos melhores motivos.
Compreendo, que o bem estar das pessoas se deve sobrepor a tudo o resto, mas terá que prevelecer a vontade de alguns, sem pelo menos se pedir a opinião da maoiria?
Não poderemos viver em equilibrio com o ambiente? Desde a origem do homem que assim é, porque será que o tal homem anatomicamente desenvolvido, também conhecido por moderno, teima em destruir os já tão raros tesouros da pérola da beira? Quando, por sua vez, tinha alternativas, ainda que mais despendiosas, mas menos agressivas do ponto de vista ambiental e visual para o fazer?
Se queremos mesmo desenvolvimento, teremos que saber respeitar a natureza, só atraves da paridade com este meio, conseguiremos evitar a auto-destruição
Cumprimentos.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro CD,

Convém sublinhar que ninguém está contra o investimento termal; que aliás até me parece ir na linha do turismo de qualidade, e não massificado, que será a melhor solução, quer para a preservação do ambiente, quer para um desenvolvimento economicamente sustentável no tempo.

O que eu não compreendo é como é que este conjunto fabuloso de árvores poderia ser um "entrave" a esse investimento; pelo contrário, este conjunto arbóreo deveria ter sido encarado como uma "mais-valia" pelos investidores, pela valorização paisagística (e, consequentemente, económica) que concedia ao local.

Infelizmente, penso que a Junta e a Assembleia de Freguesia deveriam ter lutado por encontrar uma solução que permitisse a salavaguarda de um património que levou dezenas de anos a crescer e que era de todos os habitantes de Unhais.

Haja mais respeito pelas árvores que ficaram. Lamento pelos que perderam a sombra destas árvores nas suas casas e que no próximo Verão irão por certo compreender o que significa "aquecimento global".

Um abraço a todos os naturais de Unhais que se viram amputados nas suas memórias e na beleza da sua vila. Obrigado pelo comentário.

CD disse...

É obvio que não sou contra o investimento termal, nem contra qualquer tipo de investimento benéfico para Unhais, desde que este seja pensado e regrado.

Contudo, as decisões devem ser ponderadas e não sei até que ponto o que ganhamos, vai compensar o que perdemos com o abatimento das árvores.

Tão pouco, sou um dos habitantes próximos que ficará prejudicado, mas o impacto que em mim teve tal acto, não terá sido menor que o deles.

Da minha parte tentarei fazer todos os possíveis, para que tal acontecimento possa ser evitado futuramente. E, penso que contarei com o apoio de outros, muitos, que partilham da minha revolta e tristeza.

Obrigado
Cumprimentos

Jorge Santos disse...

Como vê Sr. António Santos, garanto-lhe que como eu, muitos Unhaenses estão contra o corte abominante que os futuristas utópicos lograram levar a "bom" termo.
Suponho que seria ainda mais de espantar uma consulta publica aos meus patrícios que não beneficiaram dos membros decepados destas criações vivas de Unhais da Serra (porque não querem queimar a vila na lareira), ela, espelharia a amostra do descontentamento que depois do Verão que se aproxima crescerá e crescerá, até ao dia em que alguém com dois dedos de testa perceba que o que se ganhou, se é que alguma coisa se vai ganhar (vamos ver se há lá água ou se vamos ter um Elefante Branco), não equilibra a balança nem a faz pender para o lado das termas “dos outros” (e não de Unhais).
Os Plátanos, esses, serão para sempre heróis, que alguns (daqueles que fogem no sentido oposto [dos heróis por certo]), não deixaram morrer, dignamente, de pé, mas que, há bem mais tempo do que a cáfila que os cortou, se chamavam Unhaenses (Unhaenses Verdes), e, serão lembrados durante muitos anos, por fotografias, recordações histórias e saudade (e nalguns casos remorsos), bem como, da imensa falta que fazem, mais tempo de certeza que aqueles que os Chacinaram serão lembrados. Estes, a ser lembrados (desconfio), sê-lo-ão não como Unhaenses, não como progressistas ou visionários, mas como homens de Serrote em riste para cortar arvores e consciências, ainda que colectivas.

De tão irracional que me parece o sucedido ficam algumas explicações que qualquer aluno de humanidades do 10º ano compreenderia:

-Os seres Humanos precisam de árvores (que produzam o oxigénio que respiram) para sobreviver.
-As árvores cortadas não produzem oxigénio.
-Logo sem árvores os seres humanos morrem (em gerações mais tardias ou menos).

Outro silogismo.

-Os eleitos pelo povo foram legitimados para zelar pelo futuro do povo.
-O estrago do meio ambiente é uma medida que condena o futuro do povo (do que existe e do que vem).
-Logo o estrago do meio ambiente pela mão dos responsáveis pelo povo é ilegítimo.

Ou ainda:

-As árvores, alimentando-se de húmus,vivem mais que os homens.
-Os homens são pó e em pó se tornarão (depois de comerem, dizerem e fazerem muita porcaria).
-Os homens que mandam cortar arvores, em pouco tempo (relativamente ao tempo de existência de uma arvore), serão transformados em M…. que alimentará outras arvores [(as que lhe sobrevivem) e esta é a revanche que me apraz].

Para confirmar ou falsificar estes silogismos…… o tempo será o melhor juiz.


Nada se cria, nada se perde tudo se transforma, mas, no caso, o subproduto da transformação mentecapta fez perder para muitos para que algo fosse "criado" para poucos.
Um abraço amigo, e, como dizia um defensor do povo sem nome e sem cor (por muito que lhe a queiram dar), morramos de pé em vez de vivermos sempre ajoelhados.
Jorge Santos

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro Jorge Santos,

Os responsáveis políticos que não quiseram ou não souberam ouvir a população terão o julgamento político que merecem.

Saibam organizar-se os unhaenses e promover a defesa dos plátanos que sobreviveram a este massacre. E, sobretudo, saibam transmitir às novas gerações esse "amor às árvores" num país que lhes tem tão pouco respeito e tanto ódio.

CD disse...

Pena que vivemos num país, onde por "morrer uma árvore, não acaba a primavera dos culpados". E como tal, quem tomou as decisões tornará a decidir, sem nos pedir opinião e a delapidar o que pertence a todos, quando muito bem lhe aprouver.
E, quanto às gerações futuras, será difícil transmitir uma mensagem que já nasceu censurada. No entanto, sem baixar os braços continuaremos a tentar fazer do impossível, mais que possível.

Cumprimentos
CD

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro CD,

Há pequenas coisas que ainda podem ser feitas:

1º) Os unhaenses interessados nesta questão podem constituir-se como um grupo de cidadãos (sem ser necessário que seja numa associação com sócios, quotas e demais burocracias) e tomarem acções conjuntas pela defesa das árvores e denunciar do que já foi feito; veja-se o exemplo dos moradores da rua Gonçalo de Carvalho em Porto Alegre no Brasil, de que tenho falado várias vezes aqui neste blogue.
Bem sei que isto é um pouco utópico, que as pessoas não têm disponibilidade para essas coisas, que cada um só se interessa pelo seu "umbigo", etc.
Mas às vezes tudo o que faz falta é um líder determinado!

2º)Uma das coisas que esse grupo de unhaenses poderia fazer era propor a classificação do restante conjunto de plátanos como "árvores de interesse público", junto da Direcção-geral dos Recursos Florestais (DGRF). Isso pode até ser feito, a título individual, por qualquer cidadão.
Eu próprio já fiz esse tipo de pedidos e posso indicar quais os passos necessários embora, neste caso, pense que a iniciativa deveria partir dos naturais de Unhais.
Independentemente desse pedido à DGRF, deveria ser pedido à Câmara Municipal da Covlhã que classificasse estas árvores como sendo património concelhio. A própria junta de freguesia e assembleia de freguesia deveriam tomar essa iniciativa.
O Sr. António Santos que afirmou que fez todos os possíveis para cortar o menor número de árvores e mostrou vontade em proteger as restantes, deveria liderar esse proceeso, até como forma de passar das "palavras" aos "actos".
Há aqui apenas um pequeno problema: não deixaria de ser uma hipocrisia que a mesma câmara que autoriza as podas que têm destruído tantas árvores (veja-se o conjunto fabuloso de plátanos que existia no Canhoso ou os da zona do Refúgio) viesse a classificar como património concelhio outro conjunto de plátanos.
Mas eu "aceito" essa hipocrisia desde que isso signifique que esses plátanos sobreviventes de Unhais ficarão a salvo.

3º) Como professor tenho verificado que o "amor às árvores" pode mesmo ser ensinado e que tão educativo é mostrar-lhes imagens de árvores, como da destruição provocada pelos homens, quer seja pelo seu abate, quer seja pelas podas radicais.
Aliás, se não acreditasse que as próximas gerações irão tratar de forma diferente as árvores, há muito que tinha desistido desta luta e deste blogue.
Porque em relação às actuais gerações confesso que já perdi um pouco a esperança.

4º) Qualquer iniciativa ou acto de defesa em relação aos plátanos de Unhais terá sempre a "porta aberta" na "Sombra Verde".

Um abraço

Jorge Santos disse...

Caro Pedro Nuno
Desde já agradeço o interesse demonstrado e aguardo que me indique os passos a seguir para a classificação dos plátanos e quem os pode executar.
Se houver outro caminho que não envolva a participação da Camara municipal agradecia conhece-lo.
Para me contactar pode faze-lo para tatibitileu@gmail.com
Agradeço e aguardo, penso que daqui a um mês estja em condições de iniciar o processo dados os meandros que necessito descortinar.
Um abraço.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro Jorge,

Já lhe enviei um e-mail com a informação pretendida.

Sempre ao dispor.

Um abraço

CD disse...

Caro jorge, estarei disponivel para o ajudar nesta batalha.
Eu mesmo ja tinha pesquisado algumas coisas.
Se estiver interessado diga-me alguma coisa atraves deste blog. Eu mesmo entrarei em contacto consigo, via e-mail que aqui deixou.
cumprimentos
cd

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro CD,

Apelo a que entre em contacto com o Sr. Jorge Santos por e-mail porque o referido pedido de classificação dos plátanos como árvores de interesse público, terá mais força se for acompanhado por um abaixo-assinado (o qual, a ser constituído, terá toda a publicidade aqui na "sombra verde").

Cumprimentos.

Anónimo disse...

No ano passado fiz a denuncia do corte dos plátanos,hoje quero louvar a junta de freguesia que cumpriu o q prometeu.~
Foram plantadas muitas arvores na freguesia.
Podem comprovar visitando a pagina da junta e vendo as fotos.
OBRIGADOS

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro anónimo,

Em relação ao passado, ficará sempre a possibilidade que, eventualmente, teria sido possível um acesso alternativo ao novo edifício termal.

No entanto, entretanto conheci pessoalmente uma pessoa ligada à Assembleia da Junta de Unhais e percebi que a mesma tem procurado defender a existência dos plátanos restantes, em face da opinião de uma minoria que os quer ver todos cortados ou podados.

Em relação às árvores plantadas, isso é importante e saúdo sempre quem o faz, sobretudo quando se planta árvores autóctones, como os amieiros (o que aconteceu em Unhais).
No entanto, convém recordar que é no momento que se planta uma árvore que se decide o seu futuro, ou seja, mais importante do que plantar 200 árvores num sítio sem espaço para crescerem, é plantar 50 que possam crescer livremente. Esta devia ser a política dos nossos municípios, de Norte a Sul, plantar menos mas bem e cuidar das árvores existentes.

Espero que a população de Unhais continue a compreender a importância do património que representa aquele conjunto de plátanos e que, cortá-los ou podá-los de forma errado, será um crime público tal e qual como demolir ou alterar um monumento construído.

P.S. - E que na Junta continuem pessoas que os saibam defender convenientemente.

Filomena Melo disse...

Bem protestei contra o abate dos plátanos, sem êxito. Uma das justificações que me deram, foi que "o vento nas folhas, incomodava as pessoas".

Como dizia Raúl Lino, "Os portugueses odeiam árvores".
Mais um exemplo da "arborofobia" nacional:

http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q&esrc=s&source=web&cd=3&ved=0CC0QFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.estradasdeportugal.pt%2Findex.php%2Fpt%2Fphoca-download-%2Fcategory%2F17-notcias%3Fdownload%3D2280%253Aprocedimento-venda-de-rvores-viseu&ei=xIkAVO6EIYefygPb1YG4Cg&usg=AFQjCNFD4mw135NTiI3aOR4HurARLKVU9Q

Cumprimentos
Filomena de Melo