sexta-feira, outubro 19, 2007

Um outro carvalho da Península Ibérica

Quercus petraea (Matt.) Liebl.

A ida às Astúrias no Verão passado permitiu-me a descoberta de um carvalho, ausente do território português, mas autóctone no Norte de Espanha.


Refiro-me ao Quercus petraea (Matt.) Liebl., árvore de folha caduca que pode atingir os 40 metros de altura, com uma ampla distribuição no continente europeu (com excepção do seu extremo Norte e de zonas da orla do Mediterrâneo).

A identificação da espécie, por comparação das características das suas folhas com as do carvalho-alvarinho (Quercus robur L.) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica Willd.), é uma tarefa relativamente fácil.

Entre outras características, as folhas do Quercus petraea distinguem-se das do Quercus robur pelo tamanho do pecíolo (que no caso do petraea nunca é inferior a 1 cm/1,8 cm, enquanto que no robur raramente supera os 0,7 cm de comprimento).

Em relação ao Quercus pyrenaica a distinção é fácil dado que as folhas deste carvalho são densamente aveludado-tomentosas na página inferior. As folhas do Quercus petraea têm apenas alguns pêlos ao nível das axilas das nervuras da página inferior.


Pormenor da página inferior das folhas de Quercus petraea (Matt.) Liebl.


É de referir que estas 3 espécies do género Quercus partilham, em certas zonas do Norte de Espanha, o mesmo território (embora em condições ecológicas diferentes).

Este é o caso da Reserva Natural Integral de Muniellos, onde podemos encontrar estes 3 carvalhos - o pyrenaica nas encostas mais expostas a Sul e como espécie pioneira em zonas nas quais o coberto florestal está a regenerar; o robur preferencialmente nos vales, ou seja, em zonas de solos mais profundos; e o petraea, que é dos três o mais abundante, nas restantes zonas de encosta [embora nas mais sombrias seja substituído pela faia (Fagus sylvatica L.) enquanto espécie dominante].

P.S. - Ver aqui um mapa de distribuição do Quercus petraea (Matt.) Liebl. na Europa.

2 comentários:

Rui Pedro Lérias disse...

E uma pessoa não pode deixar de se perguntar se algures perdido na serra do Gerês não haverá um petrae escondido, sempre ignorado por ser tão igual, aparentemente, ao robur.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Rui Pedro,

Na actualidade, este carvalho é abundante sobretudo no Cantábrico e Pirinéus(das Astúrias até à Catalunha);é pouco frequente na Galiza. Deste modo, a existir no Gerês, teria sido (com grande probabilidade) resultado de introdução com origem humana.

No entanto, dado que nas Astúrias este carvalho "convive" com o robur e o pyrenaica, e dadas algumas similitudes entre o clima asturiano e do Noroeste do nosso país, é provável que num passado (mais ou menos longínquo)também por cá ocorresse o petraea.

Aliás, nas Astúrias (em pleno "coração da Espanha Atlântica") ainda encontramos azinheiras, prova de que as "fronteiras" bio-climáticas são tudo menos fixas em termos temporais.