quarta-feira, janeiro 30, 2008

A oliveira do Manuel



O Manuel chama-lhe carinhosamente a oliveira da burra; supostamente, era no interior desta oliveira (Olea europaea L.) que um almocreve procurava abrigo nocturno, deixando a burra presa à mesma.


Sem desprimor para o dito almocreve, esta bem que merece ser a oliveira do Manuel. Pois almocreve algum lhe terá tido o amor e o carinho que se vê no olhar do Manuel quando fala da sua árvore...


E motivos para a admirar não faltam!





Esta oliveira que por comparação com outros exemplares classificados (como estas e esta), deverá pertencer à elite das milenares, situa-se na quinta do Manuel no sítio de Torres e Cercas (arredores de Silves).

Como outras árvores de vetusta idade, há algo de sagrado nesta oliveira que nos remete ao silêncio. E algo que me impressionou e emocionou acima de tudo: o cheiro que dela se desprende é algo de indescritivelmente belo e inebriante; não há palavras que o descrevam...

E agora, este monumento natural em números:

Altura: 6,5 metros

Perímetro à altura do peito (P.A.P.): 6,60 metros (8,13 metros*)

Maior diâmetro da copa: 7,70 metros

* O primeiro valor do P.A.P. refere-se apenas ao "tronco principal" da oliveira, enquanto o segundo valor inclui um rebentamento que parte da base do tronco principal (visível à direita na fotografia sob este texto).


P.S. - Regresso ao "almocreve" que referi no início deste texto, que de tanto pernoitar no interior desta oliveira, acabou por lhe imprimir o seu rosto...

3 comentários:

Manuel Ramos disse...

Obrigado Pedro.
A "minha" (possessivo arrogante perante uma "coisa" que já teve tantos donos!)oliveira também agradece. Como ela vai ficar orgulhosa! Passados, quiçá, dois mil anos teve direito a presença na Internet. Espero que não tenha nenhuma apoplexia quando souber!
Um abraço.

Jose disse...

Olá Manel

Tamém eu agradeço a oportunidade de poder recordar a 'tua' oliveira.
Estás, de facto, de parabéns por privar com tão sui generis exemplar, diria mesmo tão "aristocrático". Das grandes qualidades que lhe são próprias só podia contar tão longa vida e outras tantas histórias, muitas certamente ainda por contar. Não tem preço, essa oliveira!
Um abraço

MaD disse...

Dispor de uma oliveira destas deve ser algo como ter ainda a nosso lado a nossa tetra-tetra...-avó para nos contar as histórias dos dois últimos milénios.
Parabéns ao "proprietário" que, é evidente..., a estima como o precioso bem que, de facto, é.
Longos anos à Oliveira do Manuel!...