sexta-feira, agosto 29, 2008

Antes que o Verão acabe...



Passear por bosques encantados. Passear por bosques de faias (Fagus sylvatica L.).

7 comentários:

as-nunes disse...

Ai as faias. São uma das minhas paixões de árvores. E também uma das minhas confusões.
Ainda há dias, num horto, baralharam-me por completo, porque me apareceram com uma faia púrpura de ramos pendulares, junto a um lago. Tratava-se dum enxerto.
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Muito obrigado pelas suas palavras acerca da minha maternidade de árvores nascidas em 2008.
Tem toda a razão. Antes qiue o Verão acabe, é que é de visitar bosques. E há muitos por aí, felizmente. ´Temos é que ir à procura deles.
Fiquei encantado, há dias, quando fui ao Sameiro, e vi lá dois ulmeiros glabra. Tal como no jardim Luís de Camões em Leiria.
Um abraço

lucia disse...

Que beleza de bosque de faias. Após o verão virá o outono e elas estarão belas ainda, mas é um belos tempo de visitar bosques, o verão.

Um abraço

ruben disse...

Bela foto, parabéns!

Já agora perguntava-lhe se considera a faia autóctone em Portugal, é que tenho visto opiniões diversas. Pelo que sei é de certeza autóctone no norte de Espanha. Será então benéfica a sua plantação em Portugal, misturada com robles e bordos?

Obrigado! Abraço.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Nota prévia: a imagem foi captada na zona de Somiedo (Astúrias).


António,

Compreendo a sua admiração pela faia, é uma árvore belíssima que produz bosques de uma beleza difícil de igualar. Ao caminhar nestes bosques compreendemos melhor toda a mitologia e crenças associadas às "criaturas das florestas", como os duendes.

Se lhe for possível ir no Outono a Viseu, aconselho-o a que dê um salto à Mata do Fontelo; aí, na mata propriamente dita, poderá encontrar entre carvalhos centenários, algumas faias. Por certo que não mais voltará a confundi-las com espécies similares...

De qualquer forma, a faia não é muito comum no nosso país; conheço alguns exemplares no Gerês (na zona da Mata de Albergaria) ou na Serra da Estrela (junto ao Poço do Inferno, na encosta da Pousada de S.Lourenço ou mesmo na encosta da Covilhã).
Como ornamental não é muito comum (e por vezes é plantada a variedade com as folhas de cor púrpura); ainda assim, encontra-se com alguma facilidade mais a Norte, em particular no Porto (influência inglesa?).
Em breve, irei revelar aquela que deverá ser a maior (ou uma das maiores) faias de Portugal, existente num jardim de Ponte de Lima.

Boa sorte para a sua "maternidade de árvores"! Abraço.



Lucia,

A faia, juntamente com o carvalho-alvarinho ou roble (Quercus robur L.), é a espécie mais característica das florestas de influência atlântica na Europa; o carvalho-alvarinho é frequente no Noroeste de Portugal mas a faia é considerada, pela maioria dos botânicos, como exótica (outros consideram que ela terá sido extinta por acção humana no passado, baseados em estudos de pólen fóssil e por existirem condições climáticas em pontos do Norte do país potencialmente adequadas a essa espécie).

Mas a verdade é que ela apenas existe em jardins e nalgumas serras do Norte e Centro de Portugal, onde foi plantada pelos serviços florestais.

No Outono, altura em que a faia alcança uma beleza difícil de igualar, irei procurar tirar fotografias de um povoamento de faias que existe aqui na zona da Serra da Estrela.

Um abraço.



Ruben,

Obrigado pelo elogio, mas o mérito é todo das faias! ;)

Na minha opinião, com base nos textos que fui lendo na universidade e ao longo do tempo, a maioria dos botânicos considera a espécie exótica em Portugal.

No entanto, um leitor da "sombra verde" deixou-me há algum tempo a informação de que existiriam estudos de pólen fossilizado que comprovavam a existência de faias no Noroeste do país no passado; neste caso, a espécie poderia não ser muito abundante e ter-se extinto por sucessivos processos de destruição de bosques pelos nossos antepassados mais longínquos.

Mas sublinho que não tenho a referência deste estudo em particular. A maioria dos autores que tenho lido inclina-se para não considerar a faia como autóctone.

É certo que o Noroeste do país possui um clima atlântico, mas numa variante característica daquela zona da Península Ibérica, com um curto período seco (repare que mesmo no Minho crescem sobreiros e outras espécies que denotam uma ligeira influência mediterrânica). Ora num clima atlântico tradicional, esse período seco é inexistente e, pelo contrário, embora a precipitação seja regular ao longo do ano, o seu máximo costuma verificar-se no Verão.
Este facto, ou seja, o facto de existir um curto período seco, mesmo nas nossas zonas portuguesas com macro-clima atlântico, poderá eventualmente justificar a ausência da faia.
Por outro lado, também é verdade que em Espanha se encontram bosques de faias em zonas, como em Tejera Negra (Guadalajara), que já não pertencem propriamente à dita "Espanha atlântica".

Resumindo: não é fácil dar uma resposta a essa pergunta; a única coisa que lhe posso dizer é que a maioria dos autores que conheço, como o Professor Jorge Paiva, defendem que a faia é exótica em Portugal.
Não são questões fáceis de responder, ainda hoje existem polémicas similares não encerradas acerca do castanheiro ou do pinheiro-bravo, por exemplo.

Pessoalmente, em relação à outra questão, considero que em espaços protegidos se deverão privilegiar as espécies autóctones. Da mesma forma, que no caso de construções se deverão utilizar métodos e técnicas de construção características da zona, por oposição, por exemplo, aos "chalés nórdicos" que se têm construído nalgumas zonas do PN Serra da Estrela. Ou seja, acho que as Áreas Protegidas foram criadas para proteger e valorizar o nosso património natural e histórico/cultural.

No entanto, não sou fundamentalista em relação ao resto do território. Se se plantam espécies de outros continentes, muitas delas com eventual potencial invasor, não vislumbro grandes objecções a uma árvore que é considerada autóctone alguns km a Norte do Gerês e que não considero que tenha potencial invasor, dadas as características do nosso clima.

Abraço.

ruben disse...

Ok Pedro, fiquei bastante melhor esclarecido sobre o assunto!
Obrigado pelo seu tempo!

lucia disse...

Pedro, obrigada

Retornarei para ver as fotos. Lembro-me de ver esta árvore no outono e é realmente linda, como você diz evoca seres da mitologia.
E o carvalho roble, considero uma árvore espetacular: arquitetura, folhagem, frutos e tudo o mais! Aqui chamamos carvalho verdadeiro.
Interessante este relato sobre a existência das árvores de faia em Portugal e o seu possível desaparecimento; a tecnologia tem nos proporcionado este tipo de conhecimento.

Um abraço e aproveite bem o outono. Por aqui esperamos a primavera e as chuvas. Como sempre parabéns pelo blog.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Lucia,

Obrigado. Até breve.