segunda-feira, setembro 18, 2006

O meu infantário de árvores

Desde há alguns anos que, aproveitando os 7 metros da minha varanda na Covilhã, me dedico a por umas sementes em vasos e a ver depois as árvores crescer.

De início tentei a transplantação para as encostas da serra, mas a coisa não correu muito bem. Passei então a recorrer à quinta da minha amiga Juliana, para onde já enviei azevinhos, medronheiros e carvalhos.

Seguem as fotos daquelas que ainda estão no meu viveiro particular à espera de quem as adopte.

Azevinho Pinheiros-mansos



Freixos Carvalho-alvarinho




Sobreiros

Desde que tenhamos um mínimo de espaço e de gosto por árvores, podemos montar um destes infantários nas nossas casas, com um esforço e dispêndio económico mínimos.

Não sendo fundamentalistas, privilegiemos as espécies autóctones, começando já neste Outono por recolher as bolotas e colocá-las num vaso. Mãos à obra!


Para algum "conselho técnico", do pouco que sei, cá estou para ajudar...Um aviso, no entanto: este é um daqueles bichinhos que uma vez iniciados ficam para sempre!

17 comentários:

ljma disse...

Que bela idéia! Muito obrigado!

pedro n. t. santos disse...

Obrigado! Já agora, algumas informações: as bolotas costumam germinar com facilidade mas têm que ser plantadas logo após a queda das árvores...em princípio, a maioria amadurece em Outubro!
Alguns dos melhores sítios que eu conheço para recolher bolotas, na nossa zona, são:
Carvalho-negral: na cidade há um belo exemplar junto da rotunda do hotel STª. Eufêmia e depois há vários carvalhais junto da A23, na zona entre os concelhos da Covilhã e Belmonte; nos arredores da Guarda e na estrada para o Sabugal também há bons exemplares;
De carvalho-alvarinho: existem alguns exemplares no Parque Alexandre Aibéo (junto do Estádio Santos Pinto) e na Serra existem bons exemplares no concelho se Seia, nomeadamente na Senhora do Desterro (perto de S. Romão;
- De sobreiro: existem belos exemplares junto ao Parque Industrial do Tortosendo;
- De azinheira: no Vale do Zêzere, nomeadamente nas zonas de Valhelhas, Vale de Amoreira e Sameiro.

ljma disse...

E é já chegada a altura da apanha das bolotas? Já agora, outras perguntas, pode ser que saibas as respectivas respostas: a bétula e o larix, que frequentemente encontramos na Serra, são árvores claramente importadas ou são mais ou menos típicas da nossa região? Sabes como se pode semear um larix? Obrigado.

pedro n. t. santos disse...

Em relação as bolotas:
- quando estão maduras, ficam com um tom acastanhado e caem das árvores; agora já poderás ver algumas no chão mas essas devem ter caído por outros motivos, devem estar verdes e por isso não chegaram a amadurecer...a altura exacta do amadurecimento depende de cada espécie e mesmo de cada árvore mas eu diria que a meio de Outubro grande parte dos Quercus deverão já ter bolotas maduras!
Atenção: escolhe as maiores pois têm mais substâncias de reserva, o que, em princípio, significa que darão origem a árvores mais fortes! Verifica se as bolotas estão furadas; isso significa que algum insecto já fez das deles a a sua larva está a devorar o interior da bolota!
Depois é colocá-las logo na terra e ir mantendo-a ligeiramente humedecida! Lá para a Primavera deverás ter notícas...por experiência pessoal, a taxa de germinação costuma ser muito boa; digamos que, em média, 3 em 5 bolotas, costumam germinar!

Em relação às bétulas (também chamadas de vidoeiros), existe em Portugal 8incluindo a Serra da Estrela), uma espécie autóctone: Betula alba, a qual aparece em muits livros, sobretudo mais antigos, referida como Betula celtiberica! Existem alguns exemplares na Serra embora, tanto quanto saiba, as do Covão d'ametade, são de uma espécie exótica!

Em relação aos Larix (pinheiros-larícios), são uma espécie exótica! Não há evidências de que sejam infestantes(como as mimosas, por exemplo!), logo não haverá grande problema em que se utilizem moderadamente como ornamentais...confesso que também os acho espectaculares, sobretudo no Outono, pois são uma das poucas coníferas que perdem a folhagem! Também as pseudotsugas, os abetos, os cedros e os ciprestes são exóticos! Tanto quanto se sabe, até o pinheiro-bravo foi introduzido (na melhor das hipóteses a partir do litoral!
Mesmo os pinheiros-silvestres (é aquele que vai ficando com o tronco descascado e de cor laranja e dá umas pinhas muito pequenas) que existem na Serra foram reintroduzidos pelos Florestais pois apesar de ser uma espécie autóctone da Estrela, já tinha sido dada como extinta (há alguns exemplares nas Penhas da Saúde e nas Penhas Douradas...e na cidade há um junto ao café Primor e penso que também já os vi nos jardins da Frei Heitor Pinto).
Voltando aos larix, podes tentar apanhar umas pinhas e ver se ainda tem sementes ou então tentar comprar um num viveiro, embora deva ser uma esp´cei muito difícl de arranjar em Portugal.

Markus disse...

Oi, Pedro! Tenho também, há alguns anos, um "infantário" com diversas espécies de árvores, nativas e exóticas. Gostaria muito de "adotar" espécies portuguesas como o carvalho-negral ou o sobreiro que, por mais estranho que pareça, não existem aqui no Brasil. Você conhece alguém que poderia me ajudar enviando-me algumas bolotas (às minhas custas; é claro)? Muito obrigado!

Pedro n. t. santos disse...

Caro Markus:

Aconselho o contacto com o:

CENASEF (Centro Nacional de Sementes Florestais), em Amarante - Parque Florestal - 4600-250 ; Amarante ; Telefone: 255 43 34 12

cenasef@dgrf.min-agricultura.pt

De qualquer maneira, as autoridades alfandegárias brasileiras poderão, o que é compreensível, colocar reservas à entrada no país de sementes de árvores exóticas.

Abraço

Cristina disse...

Olha só, seus carvalhos brotam aí como nossos ipês. Falei hoje de manhã para uma moça do blog de cheiros exatamente sobre isso.

Marcelo disse...

como consigo essas bolotas perto daqui nao ha nenhum cravalho me ajudem

Pedro n. t. santos disse...

Marcelo,

A melhor maneira de arranjar bolotas é contactar:

CENASEF (Centro Nacional de Sementes Florestais)-
Parque Florestal
4600-250 Amarante
Portugal

Telefone: 255 43 34 12

cenasef@dgrf.min-agricultura.pt

Marcelo disse...

brigadao

Anónimo disse...

Gostei muito do artigo sobre o infantário. Na verdade procuro 6 árvores «em infantário» relacionadas com a flora da beira baixa para oferecer aos meus irmãos. Em castelo branco e covilhã não consigo encontrar nada. Nem sementes!! Estou então sem prenda de Natal para dar e um pouco desolada com as empresas comerciais desta área...

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro anónimo,

No Sabugal, salvo erro, poucos km após a saída para Penamacor existe um viveiro do ICNB com árvores autóctones; segundo sei, o Politécnico de C. Branco tem um Jardim Botânico no qual se vendem plantas.

De resto, ao nível de viveiros particulares imagino que abundem sobretudo as palmeiras, resinosas exóticas e as árvores do costume: plátanos, choupos e tílias. Isto também é culpa da tradição nacional de não se plantarem árvores autóctones; como noutras coisa, o que vem lá de fora é que é bom!!....

JB disse...

Que bela ideia, um infantário de árvores autóctones.
Alguem me sabe dizer qual o melhor método para a reprodução do azevinho.
E porque é que alguns azevinhos não dão bagas? estando de perfeita saúde, com um crescimento fabuloso.
Obrigado!

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro JB,

Eu limito-me a colocar os frutos na terra, não submeto as sementes a qualquer tratamento pré-germinativo.
As taxas de germinação que obtenho não são muito animadoras mas, apesar disso, tenho conseguido germinar um número suficiente para não desistir...

Os azevinhos são espécies com os sexos separados, ou seja, existem exemplares com flores masculinas e outros com flores femininos, sendo que apenas os femininos frutificam.

vfaria disse...

Sou professor e coordenador do clube da floresta da minha escola, no final de outubro vamos recolher bolotas de carvalho-português ( Quercus faginea), gostava de obter conselhos para a sua germinação, posteriormente plantaremos os carvalhos numa área ardida.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caro colega,

Este vídeo (http://www.quercustv.org/spip.php?article75) da Quercus responde, em parte, à sua solicitação.

No entanto, e ao contrário do que é afirmado no referido vídeo, a existência de uma estufa não é condição obrigatória. De igual modo, considero que a colocação das bolotas pode ser feita directamente nos alvéolos ou, se quisermos ser "amigos do ambiente" e quisermos reutilizar materiais, por que não utilizar pacotes de leite ou outras embalagens similares (?)

Terão apenas que existir, a meu ver, dois cuidados:
- na selecção das bolotas, eliminar as que apresentam algum buraco, pois tal significa que algum insecto já as utilizou para inocular os respectivos ovos.
- ter o cuidado de ter a terra humedecida mas evitar que fique encharcada de forma permanente, como forma de reduzir a probabilidade das mesmas apodrecerem.

Nunca experimentei germinar bolotas de cerquinho mas, na minha varanda da Covilhã, já consegui germinar outros quercus, como os carvalhos alvarinho e negral, azinheiras e sobreiros. As bolotas de quercus não exigem nenhum tratamento pré-germinativo prévio, tendo apenas como factor limitante o facto de perderem rapidamente a capacidade de germinar, pelo que deverão ser plantadas poucas semanas após terem sido recolhidas e nunca utilizar as do ano anterior.

Aconselho ainda a que espreite o que um nosso colega universitário conseguiu, na sua varanda, com bolotas de carvalho-negral:
http://ocantarozangado.blogspot.com/2008/04/noventa-e-nove.html


Boas sementeiras e boa sorte para esse projecto. Se me fizer chegar alguma informação suplementar (asombraverde@gmail.com) terei todo o gosto em divulgar a vossa iniciativa, se assim o desejarem.

Um abraço.

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

P.S. - Após o seu nascimento e desenvolvimento, os carvalhos deverão ser preferencialmente plantados com as primeiras chuvas do Outono seguinte, como forma de fomentar a probabilidade de sobrevivência.

Isto porque no nosso clima, dada a secura do Verão, a data de 21 de Março é já muito tardia para plantar árvores (sobretudo se forem plantadas fora dum espaço urbano, ou seja, sem rega assegurada).
Pelo contrário, ao serem plantadas no Outono, terão alguns meses para desenvolver as raízes e potenciar a capacidade de sobreviver ao Verão seguinte.

Não querendo complicar o vosso projecto escolar, seria interessante se plantassem directamente algumas bolotas no referido terreno e depois comparassem a taxa de sucesso com as árvores transplantadas.

Para ser sincero, ambos os processos possuem vantagens e desvantagens.
No entanto, e como também sou professor e sei das expectativas que as crianças criam, seria bom alertá-las para que algumas das árvores que irão nascer dessas bolotas semeadas, acabarão por não sobreviver após serem transplantadas.

O que fazer? Não desistir! Penso que será uma boa lição de vida...