quinta-feira, outubro 05, 2006

Reflexões sobre a estupidez humana

Sempre que começa mais um Verão sofro por antecipação, ao pensar que parte ainda imaculada do nosso sacrificado Portugal, irá sucumbir aos incêndios florestais...no começo de cada Outono, a minha angústia é tentar adivinhar quais as árvores da Covilhã que irão sucumbir ao terrorismo da moto-serra ou, como se diz na gíria, à poda camarária!
Por exemplo, no Inverno passado, chegou a vez a muitos dos plátanos monumentais que existiam na estrada Covilhã-Tortosendo e também a alguns plátanos e tílias situados na Rua Cidade do Fundão (junto à ponte Mártir-in-colo) e que, apesar de ainda serem relativamente jovens, se apresentavam bastante vigorosos. E, por fim, chegou também a hora às árvores (na sua maioria, tílias) plantadas na entrada principal do cemitério municipal.




Este último caso intriga-me sobremaneira...a quem poderia incomodar a sombra daquelas árvores? A todos aqueles que repousam na sua última morada não seria com certeza! Será que foi apenas para agradar aos habitantes de um condomínio, entretanto construído num terreno anexo, e que assim viram aumentadas as suas vistas para a serra? Preferia pensar que assim não foi...




Mas, fosse qual fosse o motivo que levou a esta mutilação de árvores inocentes, o que é certo é que as mesmas foram condenadas a uma morte lenta... um cenário de árvores moribundas incapazes de descansar num espaço que, apesar de ser um cemitério, deveria ser um monumento de respeito ao valor da vida humana e de todas as criaturas da mãe Natureza! Paz aos pobres de espírito!...

3 comentários:

Manuel Anastácio disse...

No Sardoal fizeram uma poda semelhante a freixos centenários que supostamente vieram da Índia, trazidos pelo próprio Vasco da Gama. Entretanto, asseguram-me que a poda era extremamente necessária por causa de uma "doença". Mas nunca se especifica qual a doença, nem por que razão a poda ajuda a eliminá-la... Será apenas estupidez?... Ou sou eu que, devido a ler blogs como este ou o "Dia com árvores", já desconfio de tudo o que seja poda?

pedro n. t. santos disse...

Infelizmente, por norma, é de desconfiar de qualquer poda que vemos nas nossas cidades! Porquê? Será que as árvores não podem ser podadas?
Claro que sim, em casos excepcionais, mas apenas por pessoas devidamente qualificadas para tal, da mesma maneira que apenas um cirurgião pode operar um ser humano! Aliás, tecnicamente, a poda de uma árvore é um acto cirúrgico, motivo pelo qual a profissão é precisamente designada como “cirurgião de árvores” (profissão que, infelizmente, penso que ainda aguarda homologação no nosso país…para não variar, também neste ponto estamos atrasados em relação ao resto da Europa).
Acontece que 99% das autarquias não recorre ao serviço destes técnicos, deixando estas intervenções a cargo de pessoas que, apesar de até poderem estar bem intencionadas, não dispõem de formação técnica adequada (os conhecimentos que possam ter sobre enxertias e outro tipo de intervenções nas chamadas “árvores de fruto” não os habilita para intervir na poda de árvores ornamentais). É que de boas intenções, como bem sabemos, está o inferno cheio!...
Aliás, são precisamente estas podas mal executadas, que conduzem à progressiva debilitação das árvores e ao seu adoecimento, fazendo com que, de futuro, estas estejam mais sujeitas a cair durante um temporal! E depois, pergunto eu, de quem será a responsabilidade dos danos materiais e humanos que daí possam advir?
Não digo que seja por estupidez mas será, com certeza, por ignorância e incompetência…e, como se sabe, a combinação destes dois factores pode ser fatal….
Acresce que, não o ignoremos, muitas destas podas são efectivamente solicitadas por particulares, às quais as autarquias sempre prontas para não perder um voto que seja, cedem ainda que saibam que as árvores se encontram em espaço público!

P.s.- Acrescento apenas que muitas destas situações poderiam ser evitadas com um pouco de planeamento, ou seja, se a escolha do tipo de árvore a plantar considerasse o espaço físico que esta irá ter para poder crescer!

Anónimo disse...

"a quem poderia incomodar a sombra daquelas árvores?" - aos varredores, para quem a vassoura faz calos. Octávio Lima (ondas3.blogs.sapo.pt)