sexta-feira, setembro 04, 2009

A loucura à solta em Ponte da Barca


As imagens que se seguem foram tiradas, em Ponte da Barca, por um leitor do "Dias com Árvores".

Relata esse leitor que em Ponte da Barca existia um belo choupal...

Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves

Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves


Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves

Qual o motivo para tamanha barbaridade? O de sempre, a ignorância!

Tudo terá começado com a queda de alguns exemplares no último Inverno, o que, inevitavelmente, constitui sempre o álibi perfeito para justificar posteriores arboricídios.

Como já aqui escrevi, por diversas vezes, num país onde grassa o desleixo é uma sorte que não ocorram mais acidentes com quedas de árvores, dado o abandono de muitos arvoredos, por um lado, e a forma deficiente como se faz a manutenção das árvores nas cidades, por outro.

Sai caro a uma Câmara, a uma Junta de Freguesia ou a qualquer outra entidade, pagar a uma empresa especializada em arboricultura para examinar os arvoredos em espaço público e, desta forma, evitar ao máximo a possibilidade de acidentes deste tipo.

Sim, eu sei, esses serviços são caros. É por isso que as Câmaras atribuem esses serviços a outras empresas, ainda que sejam especializadas noutras áreas, como a construção civil, e que, por esse motivo, pouco ou nada saibam de árvores.
Mas levam menos dinheiro pelo serviço, justificam-se eles... E na hora de escolher, entre a segurança das pessoas e os foguetórios, está bem de ver qual é a opção da maioria dos nossos autarcas.

Mas cometido o primeiro erro, ou seja, não prevenir este tipo de situações, logo de seguida cometem outro erro ainda mais grave.
Ao menos poderiam ter aprendido com o primeiro erro e, após a queda de uma ou mais árvores, finalmente optarem pelos serviços de uma empresa competente na área, que pudesse avaliar o estado das restantes árvores.

Era isso o que deveria ter sido feito nesta situação e em todas as similares, pedir a avaliação de cada uma das árvores restantes, a uma empresa de arboricultura.
E, obviamente, em caso de ser detectada algum exemplar com pouca sustentabilidade, proceder ao seu imediato abate e substituição por outra árvore.

Mas não, pedir isto, pedir um comportamento normal e responsável, é pedir de mais a uma autarquia portuguesa: "O quê, mandar vir os maluquinhos das árvores?! Isso é caro e não dá votos...Vamos mostrar às pessoas que nos preocupamos com a sua segurança, vamos rolar todas as árvores!"

E assim foi...Não interessa que todas as restantes árvores pudessem estar plenamente saudáveis. Numa decisão baseada na mais pura das arrogâncias, rolaram-se, da forma que as imagens documentam, dezenas de árvores. É este o preço da ignorância... E por certo que ainda haverá pessoas agradecidas.

Esquecem-se essas pessoas que estas podas radicais transformam árvores saudáveis em exemplares mais frágeis, aumentando o risco de, no futuro, ocorrerem situações de quedas de ramos ou árvores.

Não se morre da doença mas morre-se da cura...


P.S. - Apesar de já ter relatado dezenas de casos similares, admito que este me provocou uma especial repugnância.
Após alguns segundos a olhar para as fotografias, consegui perceber o porquê desse sentimento.

É que ao contrário do que acontece com a maioria das fotografias de situações similares que aqui denunciei, nestas imagens são visíveis pessoas.

São visíveis pessoas sentadas, a conviver, numa floresta de árvores mortas e estropiadas. E essa é uma imagem verdadeiramente perturbadora.


17 comentários:

Anónimo disse...

Pedro. Nem sei o que diga nem o que faça...mas acho que deveriamos fazer alguma coisa...uma petição dirigida há associação nacional de municípios?
João Martins

Paulo disse...

[Estou sem fala]

Paulo J. Mendes disse...

Simplesmente horripilante! O teu título não descreveria melhor.

Um barquense disse...

Foi com grande tristeza que como barquense vi desaparecer da noite para o dia o choupal da vila de Ponte da Barca.
Era um ex-libris da vila (basta ver os postais que se vendem da vila, onde ainda está o belo choupal enquadrado com a ponte medieval e zona historica).

As decisões políticas conseguem-nos surpreender cada vez mais... pela negativa e falta do mínimo de bom senso.

Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho disse...

Impressionante a DEMÊNCIA dessa gente!
Concordo contigo Pedro, o que mais assusta é a presença de pessoas convivendo passivamente com esse quadro de horror.

Cesar

Rúben disse...

Lembro-me de ver um programa daqueles da tarde da RTP em Ponte da Barca e o pano de fundo eram esses pilares. Simplesmente deprimente.

A propósito de podas mal feitas, reparei há tempos, em Mira, mais propriamente na urbanização Mira Vilas que agora também está na moda retirar os ramos secos dos pinheiros-bravos por baixo da copa. Há alguma razão lógica pra isto? Não me parece que faça mal às árvores, não é nada que se compare com a situação da notícia, mas lá que fica ridículo, fica.

Arménia Baptista disse...

...Por muito que não se goste de árvores, não é possível fazer-se uma coisas destas, pois não?!...Até doi!!!...E, quem toma uma decisão destas, fica impune?!
Eu estive lá, quando elas estavam inteiras...
Digam-me que isto só pode ser um trabalho de «fotoshop»
:o

Ana Patudos disse...

Olá Pedro
Mas que raio de " jardim " é este em Ponte da Barca??
Parecem toros espetados na terra para nada , que tristeza :((
Estes autarcas estão completamente loucos ou quê??
Isto está cada vez pior.

Abraço
Ana Paula

Miguel Rodrigues disse...

Quando mostrei as fotografias à minha namorada, o comentário depois do primeiro relance foi: "Não estou a perceber. O que é isto? São menires?" Achei que ilustrava bem o resultado da obra de demolição.

Já agora, a julgar pelo número de árvores e pela espessura dos troncos decepados, o valor da madeira obtida ainda deve ter dado para abater a verba gasta, não?

Maria Lua disse...

Triste, muito triste...
Continuamos à mercê da ignorância e da falta de competência...
:-(

Nuno Carvalho disse...

Seria interessante saber o que aconteceria ao autor deste acto horrendo se, o mesmo, tivesse ocorrido no Reino Unido.

Florestal disse...

Bom, com aquele relvado mesmo até junto do tronco (ou seja, sem caldeiras em redor das árvores), não me parece que elas durem muitos mais anos, especialmente depois de sofrerem intervenções "técnicas" (??) deste tipo... Agora vêm aí ainda mais podridões do lenho, podridões radiculares, etc e tal...

Miguel Rodrigues: nem isso é verdade, a madeira retirada quase certamente não vale nada, apenas (e quando muito!) terá utilidade para lenha. O mais provável é ter sido colocada em aterro.

Rúben: pinheiro-bravo ou pinheiro-manso? Não conheço o local, mas não será por uma questão de salvaguarda de pessoas e bens (evitar que ramos secos caiam em cima de pessoas, carros e casas)?

Voltando à notícia, as fotografias são deprimentes...

Saudações florestais

José Alberto disse...

Caro Pedro
No sentido de prestar esclarecimentos, tomo a liberdade de enviar cópia de mail enviado a otras pessoas que manifestaram a sua preocupação.
Com os m/cumps
José Pontes
Bom dia D. Teresa Teixeira
De facto e como deve compreender o corte e a monda das árvores do Choupal e largo do Côrro, é uma medida que qualquer responsável ou cidadão gostaria de não ter de tomar.
Como sabe, e na consequência dos últimos temporais várias foram as árvores no nosso concelho que caíram, tendo sido as de esta área pela sua sensibilidade a mais evidente.
Um relatório datado de 2001, solicitado na sequência das intempéries do Inverno 2000/2001, relatório esse da responsabilidade da firma "Planeta das Árvores" e elaborado pelos técnicos Gerard Passola e Serafim Riem, apontava para uma listagem de árvores a abater e uma listagem de árvores que necessitavam de intervenção urgente.
Como entretanto o trabalho apontado no relatório, não foi executado, e porque ao longo do tempo, ia acontecendo o derrube sistemático de galhos de árvores com alguma dimensão, independentemente das condições climatéricas, pondo em perigo a vida dos cidadão, sobretudo numa zona onde o acesso pedonal é constante, solicitamos no ano de 2008 novo estudo à referida firma, cujo relatório apontava para as seguintes tarefas:
1 - Desmontagem controlada dos 120 exemplares de choupos.
2 - Extracção e trituração dos troncos do raízame de cerca de 120 choupos abatidos, até 50 cm de profundidade.
3 - Fornecimento e plantação de 75 freixos (Fraxinus Angustifolia) com cerca de 2,5 a 3 m de altura.
Face ao exposto e à responsabilidade que nestas circunstâncias são atribuidas aos responsáveis pela Protecção Civil do Município, não nos restava outra alternativa senão efectuar, no mínimo trabalhos que acautelasse a segurança dos cidadãos.
Por último, como deve calcular, trata-se para nós de uma situação difícil mas que obrigava a uma intervenção celere para que os prejuízos até ao momento registados não venham a incluir vítimas humanas. Trata-se ainda de um local, onde o edificado existente a jusante da Ponte, para quem entra no sentido Norte - Sul, é de muita fraca qualidade, prejudicado ainda com o armazém junto ao rio Vade e que agora fica muito mais visível.
Com esta operação, poderemos avaliar se é possível fazer uma reconverção das espécies sem ter de efectuar um corte radical e não pondo em causa a segurança das pessoas.
Na esperança que esta comunicação permita ficar com uma avaliação do problema, grato pela sua atenção e preocupação,
Com os melhores cumprimentos
José Pontes

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Caríssimo José Pontes,

Antes de mais, agradeço o cuidado do contacto e os esclarecimentos dados.

Repare bem no que eu escrevi no meu texto:"E, obviamente, em caso de ser detectada algum exemplar com pouca sustentabilidade, proceder ao seu imediato abate e substituição por outra árvore."

Ou seja, eu não contesto que, por vezes e em nome da segurança das pessoas, se tenham que cortar árvores.

Que fique bem claro, eu não dou mais valor a uma árvore do que à segurança de uma pessoa.

Eu sou amigo pessoal do Serafim Riem e se a empresa dele fez o estudo que aponta, eu não vou contestar a necessidade de cortar diversas árvores.

Mas então, com toda a franqueza, tivessem cortado imediatamente as árvores pela base e plantado outras.
O que não é admissível, na minha opinião, é esta situação intermédia, em que as árvores foram roladas.
A mensagem que se passa às pessoas é errada e, naturalmente, as pessoas têm dificuldade em perceber.

O que aqui falhou foi a vossa forma de proceder. Esse relatório da "Planeta das Árvores" deveria ter sido divulgado amplamente e aí as pessoas perceberiam a necessidade de cortar as árvores e substituí-las por outras.

Depois de informadas as pessoas, as árvores deveriam ter sido cortadas e não roladas.

Não duvido que a vossa intenção tenha sido a melhor, mas infelizmente a solução que vocês adoptaram tem dois problemas:
a) Não resolveu o problema em definitivo, pois as árvores continuam a necessitar de ser abatidas;
b) No entretanto, deixaram estes "postes" que revoltam as pessoas, tendo prestado um mau serviço à própria imagem de quem visita Ponte da Barca e se depara com esta situação.

Por vezes, as soluções intermédias são as piores.

Com os melhores cumprimentos.

José Alberto disse...

Caro Pedro

Concordo em absoluto com o seu comentário.
Esclareço que do ponto de vista local o assunto foi tratado quer a nível da rádio qier n nível da imprensa escrita e de um modo geral aqueles que acompanharam o processo perceberam o que se passou.
Na altura do temporal, com a queda de cerca de 21 exemplares,felizmente não houve consequências em pessoas, restaram 4 veículos com danos físicos e o arruamento que passa pela Ponte Medieval completamente obstruído. Devo acrescentar que o corteradical das árvores e a sua substituição implicaria um trabalho de fundo incompatível com a época do ano uma vez que se trata de um território constantemente inundado pelas águas do rio no inverno
Saudações
José Pontes

Anónimo disse...

esta situação deveria merecer um protesto junto da Câmara de Ponte da Barca, do ICN, da APA, ....uma vergonha nacional !

Anónimo disse...

Como Barquense que sou isto até me envergonha, um dos pontos de mais turismo e que mais turistas chamava neste estado... Visto ser necessário mesmo pelo menos faziam os cortes por parcelas e plantavam logo árvores não é deixar aquilo no estado que se vê!!! Lastimoso!!! No meu trabalho sou obrigado a viajar pelo país e já tive pessoas que ao dizer de onde era me perguntaram o se passou em Ponte da Barca para ter acontecido isto? Enfim, só esta e a queda da Ponte medieval, se continua assim qualquer dia...onde andam os Verdes?
Apropósito já se perguntaram porque é que a eco-via não chega mesmo à vila de Ponte da Barca parando em Oleiros? Porque passa em terrenos de uns D. que tem uma quinta e... se fossem do "Zé Povinho" já tinha passado à muito!!!

Cumpts