domingo, setembro 01, 2013

Sobre a origem das oliveiras na Argentina

Fotografia recebida via Facebook de Guillermo Octavio Rivarola

Em relação à origem dos olivais na Argentina há duas versões: uma delas afirma que os integrantes da embaixada espanhola, Hernan Mexia Mirabal, Rodrigo de Quintero, Bartolomé de Mansilla, Nicolás de Garnica e Pedro de Cáceres, foram os primeiros a trazer esta espécie para a Argentina, apesar de nenhum deles se referir concretamente a oliveiras nos seus escritos, referindo-se apenas a árvores frutíferas.

Outra versão aponta que não seria estranho que as primeiras oliveiras tivessem surgido em Santiago del Estero, a primeira cidade fundada na Argentina, em 1554, por exploradores vindos de Norte, provenientes do alto Perú. Mais tarde, conquistadores espanhóis procedentes do Chile terão trazido espécimes que foram plantados no que é hoje a província de La Rioja, mais precisamente na cidade de Arauco.

Devido ao desenvolvimento da cultura em terras americanas, o rei Carlos III, sendo vice-rei do Perú, Pedro Fernandez de Castro - Conde de Lemos (1667-1672), ordenou abater os olivais indiscriminadamente desde o alto Perú até Rio de la Plata, temendo que a prosperidade da oliveira nesta região conseguisse suplantar o papel de Espanha como o maior produtor mundial. 


Como resultado desta destruição, apenas uma planta terá restado de pé, localizada na cidade de Ainogasta, na província de La Rioja, na propriedade dos Ávila, descendentes de Don Baltasar de Ávila Barrionuevo (homem do grupo de Juan Ramirez de Velazco, fundador de La Rioja), e foi Expectación Fuentes de Ávila, quem a salvou, cobrindo-a com um recipiente. Por seleções sucessivas, cruzamentos e multiplicações, a partir deste exemplar sobrevivente, a oliveira espalhou-se para outras províncias como Córdoba, Mendoza e San Juan. Também foram levados rebentos para o Chile e o Perú, dando origem a uma variedade totalmente Argentina: a Arauco.

A árvore histórica mantém-se no seu habitat natural, uma propriedade agrícola onde se aplicam os métodos tradicionais de cultivo. Quando a árvore foi declarada monumento histórico, a fazenda torna-se propriedade nacional, tendo sido última proprietária do terreno Luisa de Quiroga. A estrutura que atualmente envolve esta árvore menciona as visitas de personalidades proeminentes do campo da agricultura originárias de países como a Espanha, Itália, França, Israel e os Estados Unidos, existindo ainda placas de homenagem dos governos de âmbito nacional, provincial e departamental.

Como dados adicionais esta história, é de assinalar que esta árvore colossal com mais de 400 anos ainda produz mais de cem quilos de azeitonas por ano.



(Nota: Comentário recebido via Facebook da autoria de Guillermo Octavio Rivarola, cuja tradução e adaptação é de minha exclusiva responsabilidade.)

1 comentário:

José Veloso disse...

Incrível! Nunca pensei, e até agora não tinha lido nada que dissesse haver oliveiras na América do sul à tantos anos! Julgava estarem circunscritas a bacia mediterrânica e médio oriente. Bom testemunho. Hoje em dia está espalhada um pouco por todos os continentes, até à China foi parar. :-)