sexta-feira, janeiro 26, 2007

Bom (e gélido) fim-de-semana

Hoje não me apetece falar de coisas tristes, nem durante o fim-de-semana (a menos que um motivo de força maior, entenda-se, a turistrela ou qualquer poda camarária, me faça perder o bom humor).
Hoje tenho para partilhar as fotografias de mais dois Abetos de Douglas ou pseudotsugas (Pseudotsuga menziesii (Mirb.) Franco) existentes na Covilhã. Estas árvores, juntamente com os cedros, tuias, ciprestes ou mesmo as palmeiras, escapam (por norma) às podas radicais, motivo pelo qual, apesar de serem exóticas, tem aumentado a minha simpatia por vê-las plantadas nas cidades portuguesas.


Pseudotsuga no Sítio da Palmatória



Pseudotsuga na Rua D. Sancho I



Agasalhem-se e bom fim-de-semana!



quinta-feira, janeiro 25, 2007

Merecemos este país?

Já o disse e volto a afirmá-lo...a culpa de tudo aquilo que se passa na Torre e noutras zonas da Serra da Estrela (muito do qual tem sido denunciado por blogues como o Cântaro Zangado e o Estrela no seu melhor) deve-se à total passividade do Estado português.


Este tem que decidir, de uma vez por todas, se tem dinheiro, meios e vontade para proteger a Natureza e se tem força para fazer valer a lei. Se não tem ou não quer, mais vale assumi-lo sem rodeios e propor a retirada da Serra da Estrela como Área Protegida. Cada dia que passa, o Estado, através dos seus ministérios, direcções-gerais, institutos públicos (etc.) é responsável e conivente com a vergonha desta situação.


E, já agora, que o Parque Natural da Serra da Estrela não tenha meios (humanos e materiais) para fazer valer a lei é algo que me custa mas até compreendo...Não me peçam é para aceitar e compreender afirmações como as do seu director, Fernando Matos, (ao Correio da Manhã de ontem), em que atribuía a situação dos esgotos na Torre à queda de um poste! Por favor, não nos tomem por parvos!...




Poste? Mas que poste?! (foto do Estrela no seu melhor)




Do Kaminhos vem esta notícia assustadora, segundo a qual " Artur Costa Pais, presidente da concessionária do turismo na Serra da Estrela, revela que o projecto, apresentado à Câmara Municipal de Manteigas, prevê a edificação de 30 bungalows, sendo que cada um terá capacidade para seis camas. Segundo o responsável, o primeiro chalé, que servirá de modelo, deverá estar pronto em breve. Cada bungalow disponibilizará uma sala, uma kitchnet e duas casas-de-banho. Espera-se, assim, que, nos próximos dois anos, estejam ao dispor dos turistas um total de 180 camas nas imediações do Skiparque, onde actualmente apenas existe um parque de campismo."



Para quem não sabe do que se fala quando a turistrela fala de "chalés", deixo uma imagem dos que já foram construídos nas Penhas da Saúde...Sem mais comentários.

Foto do Cântaro Zangado




A quinta cercada




Sempre gostei desta quinta mas nunca soube o seu nome. Lembro-me dela quando ainda ficava nos arredores da cidade.





A cidade foi crescendo (e mal) e um dia emparedaram a quinta entre dois mamarrachos! Mantinha-se no entanto resistente, uma ilha no caos urbano, orgulhosa dos seus jardins, das tílias e das palmeiras. Até que um dia se rendeu...


quarta-feira, janeiro 24, 2007

Plantação de carvalhos na Serra da Estrela

Quercus pyrenaica Willd.

Uma leitora deste blogue fez-me chegar esta notícia do Diário XXI, relacionada com a campanha "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela".

Pobres áceres



[Juntamente com um conjunto de considerações sobre a poda de árvores ornamentais, deixo aqui várias fotografias de exemplares de Acer negundo L. (espécie originária da América do Norte) existentes na Covilhã e que mostram o estado absolutamente decrépito dos seus troncos; as fotografias são todas de árvores diferentes e poderia ter fotografado muitas mais como estas...]




Passo a transcrever a mensagem que o leitor deste blogue Ljma aqui deixou acerca do texto "Os dias tristes":

"O meu vizinho da frente, com quem me dou bem, tinha três grandes choupos (acho eu que eram choupos) à frente da casa dele. No Outono, enchiam-me os escoadouros das águas pluviais de folhas. Na Primavera, era a casa que ficava cheia de uma espécie de algodão. Eu gostava daquilo? Não. Aquilo obrigava-me a limpar mais frequentemente. Mas as vantagens de ter o sol do meio dia cortado pelas grandes copas ultrapassavam, de longe, as desvantagens das folhas e do "algodão". Mas o vizinho teve que cortar os choupos, porque, segundo disse (e eu acredito), as raizes das árvores lhe estavam a estragar a canalização. Foi pena. A rua ficou mais triste. "


Em primeiro lugar, queria saudar o espírito cívico do José e toda a ajuda que me tem dado na cruzada anti-podas e, em segundo lugar, reafirmar o que então lhe respondi, ou seja, que muitas destas situações resultam da falta de planeamento das câmaras:


- com frequência escolhem-se árvores que atingem facilmente um grande porte (e com grande desenvolvimento radicular), esquecendo a falta de espaço das sempre estreitas e acanhadas ruas das cidades portuguesas; bastaria, tão só, adequar a espécie a plantar ao espaço disponível para esta se desenvolver, deixando os choupos, as tílias ou os plátanos para zonas mais amplas, como os parques ou os jardins;



- em segundo lugar, muitas vezes também se planta um número exagerado de árvores e deixando pouco espaço entre as mesmas; daqui resulta que, passados alguns anos, o crescimento de umas começa a interferir com a copa das outras e depois...pois, já adivinharam, poda-se de forma radical! Bastaria plantar um menor número de exemplares e deixar que estes desenvolvessem as respectivas copas de forma natural...sem mutilações!

São questões básicas e que derivam da lusitana tradição de falta de planeamento.





Em relação ainda a estes choupos, duvido que esta poda tenha resolvido o problema (que era sobretudo ao nível das raízes), até porque estas podas debilitam as árvores dando origem a rebentos de grande fragilidade mecânica e permitem o desenvolvimento de ramos de forte crescimento vertical que crescem de uma forma desorganizada e muito mais densa.




Por último, acerca das alergias supostamente provocadas pelas árvores, quero relembrar o que aqui escrevi no texto "Salvem as árvores da minha cidade - Parte II":



"Há, por último, os que solicitam as podas porque as flores, o pólen, os frutos ou as sementes, lhes causam reacções alérgicas...vai daí, toca de podar! Excelente solução...excepto pelo facto de que a poda vai no ano seguinte aumentar a floração e, logo, a produção de frutos e sementes! Aliás, é por isso que as ditas "árvores de fruto" são podadas. Acrescento que, como é óbvio, tenho o maior respeito pelas pessoas alérgicas ao pólen das plantas, a minha mãe é aliás bastante alérgica ao pólen de uma planta que cresce vulgarmente nos muros das cidades e dos campos, a alfavaca-de-cobra (Parietaria sp.), e que lhe causa grandes transtornos de saúde.Aliás, algumas das plantas que causam maior número de alergias são as gramíneas, como os cereais, e não penso que se esteja a considerar a hipótese de deixar de plantar o trigo ou o centeio, com o qual fazemos o pão que comemos todos os dias! Além de que as pessoas tendem a esquecer que na base de muitas alergias estão precisamente muitas substâncias libertadas por várias indústrias e pelos automóveis! Mas é mais fácil descarregar nas árvores...as tais que nos fazem o favor de renovar o ar que respiramos."

Obrigatório...


...conhecer o livro sobre poda de árvores ornamentais, divulgado hoje no Dias com árvores e no Dias sem árvores.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Ainda há árvores...

...pelo menos até à próxima época da poda! Por isso, decidi escrever hoje um texto diferente, celebrando aquelas que ainda transbordam vida...como este carvalho-negral (Quercus pyrenaica Willd.), situado numa das rotundas de acesso à cidade (entre a Avenida da Universidade e a Rua Cidade do Fundão).



Trata-se do maior exemplar desta espécie que conheço dentro do perímetro urbano da Covilhã. Nos arredores da cidade verificou-se nos últimos anos um ligeiro aumento nas áreas de carvalhal (dada a regressão do pinheiro-bravo e do castanheiro), mas o avanço destas manchas de carvalhal autóctone tem contado com a oposição de dois inimigos poderosos: os incêndios e o que se lhes segue...o avanço imparável das mimosas (Acacia dealbata Link.).



segunda-feira, janeiro 22, 2007

ACUSO !

O Estado português por tolerar, a cada hora que passa, que a Torre (território pertencente à Rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa: “Planalto Central da Serra da Estrela” -actualmente integrada no Sítio “Serra da Estrela” - rede Natura 2000), esteja transformada numa lixeira:

- Toneladas de lixo recolhidas no último Verão (e mais que serão recolhidas, sempre por voluntários, no próximo!...)

- Veículos abandonados;

- Esgotos correndo a céu aberto, etc.



Isto já para não falar nas movimentações de solos e outros atropelos efectuados por uma entidade que tem um rosto: turistrela.



A cada segundo que passa, o Estado português está a tolerar o intolerável...BASTA! Há limites para com o desrespeito pela lei e pela legalidade.


Portugal é um Estado de direito? Não, não respondam, prefiro viver na ilusão!...



P.s. - Mais fotos e desenvolvimentos no Estrela no seu melhor.

Os dias tristes

Covilhã, cidade neve? Sim, talvez, antes deste aquecimento anómalo. Agora será mais apropriado chamar-lhe cidade triste, sem árvores, sem sombras...

Choupos, tílias, plátanos, áceres, são as vítimas do costume. A infâmia em forma de fotografias...



"Já fomos plátanos!" - Av. Frei Heitor Pinto



"Já fomos tílias!" - Cemitério Municipal

"Já fomos choupos!" - Rua Conde da Ericeira


"Já fomos tílias!" - Av. 25 de Abril


"Já fui um ácer!" - Av. 25 de Abril

domingo, janeiro 21, 2007

A ignomínia


Pegando no mote dos Dias sem árvores, diria também que "...Há todavia certos factos perante os quais é uma vergonha o silêncio". (José Duarte de Oliveira Júnior,1876)



Deixo aqui as fotos tiradas por mim na N230; de facto, estar ali, perante aquele crime, não é o mesmo que ver as fotografias a centenas de quilómetros...






Nada de que não estivesse à espera, é o mesmo todos os anos; entretanto, compreendi finalmente que as árvores que são poupadas resultam, não de um acto de arrependimento, mas tão só e apenas de garantir que em próximos anos haja ainda exemplares para decepar.


Queria aproveitar para dar os parabéns a muitos dos donos das casas que aparecem nestas fotografias, por terem ficado com uma mais ampla visão da Cova da Beira; espero é que percebam o que vem como consequência, ou seja, dada a orientação das casas, acabam de ganhar Verões ainda mais escaldantes que se traduzirão num aumento exponencial nos custos com a refrigeração das mesmas.



Queria também aproveitar para desfazer alguns mitos; é que estas árvores, ainda que transformadas em zombies, irão continuar a produzir folhas (bem menos é certo) que entopem sarjetas e ramos mais frágeis e que, por este motivo, com maior facilidade serão arrancados pelo vento e espalhados na estrada. Para evitar estes dois males, de uma próxima vez, peçam à Câmara para fazer a todas o que fizeram a esta...




De pouco consolo me serve saber que este não é um problema exclusivo da Covilhã, mas de todo o país, pois poucas são as autarquias que nutrem algum respeito pelo património arbóreo do seu concelho e entregam a sua gestão a técnicos habilitados para tal.
Eu acrescentaria mesmo, que este é um problema cultural extensivo a toda a Península Ibérica; já tive a oportunidade de observar situações escandalosas na vizinha Espanha (em Béjar, por exemplo) e o blogue catalão Amics arbres · Arbres amics denuncia, com alguma regularidade, este tipo de situações. Outra coisa bem diferente se passa no norte da Europa...



Por cá, volto a relembrar, que qualquer cidadão pode propor uma árvore ou um conjunto de árvores, como sendo de interesse público, bastando para tal enviar o máximo de informação (fotografias e localização exacta são imprescindíveis) sobre a(s) árvore(s) para a Direcção-Geral dos Recursos Florestais (sugiro também a consulta do Portal do Cidadão).

E não se pode prendê-los?

Fotografia do blogue Estrela no seu melhor

Na sequência das inacreditáveis movimentações de neve e solo perpetradas pela turistrela (aqui), ficamos com os resultados das mesmas(aqui). São os tais impactos positivos de que fala a Região de Turismo...

Já agora, convinha lembrar ao Estado português, que estes crimes estão a ser levados a cabo num território que pertence à Rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa: “Planalto Central da Serra da Estrela” (área actualmente integrada no Sítio “Serra da Estrela” - rede Natura 2000).

Parecendo que não, esta classifcação deveria servir para alguma coisa...

sábado, janeiro 20, 2007

Boas notícias

Vista para o Vale Glaciar do Zêzere a partir da estrada para o Covão da Ponte, Agosto 2006

A Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela (PDSSE) já está acessível através de um clique aqui e aqui.

Longa vida e muitos sucessos é o que vos desejo; a vossa luta é a minha luta!

Ácer-do-japão em Monchique


O leitor deste blogue, Nuno Martinho, enviou-me algumas fotos de um ácer que, com grande probabilidade, será um ácer-do-japão (Acer palmatum Thunb.), situado em Monchique.


O que chamou a atenção do Nuno em relação a este exemplar, não teve tanto a ver com as suas dimensões, mas sobretudo com a sua raridade (enquanto espécie ornamental) no Algarve.




Para a Primavera ficou agendada uma ida a Monchique para conhecer a árvore.

Figueira da Foz com mais sombras verdes

Segundo o "Público" (edição Centro) de ontem (19/01), o Movimento Parque Verde da Figueira da Foz lançou ontem uma petição dirigida ao presidente da autarquia, com o objectivo de proteger a zona do parque de campismo e do horto municipal daquela cidade. Os subscritores da petição solicitam que o local seja protegido no âmbito do Plano Director Municipal, o qual se encontra em fase de revisão.

A Sombra Verde já assinou...se quiserem ajudar basta assinar aqui.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Primeira pessoa do singular

Pinheiro-manso (Pinus pinea L.), Serralves


Eu sou pelas árvores e por quem ama as árvores;
Por quem vê a beleza no tronco carcomido
De um velho castanheiro centenário;
E por quem chora um plátano morto
Às mãos da ignorância assassina.

Eu sou pelo oxigénio e pelas folhas,
Pelas macieiras e pelas tartes de maçã,
Pelo Newton e pela lei da gravidade.

Eu sou pelas tílias em flor,
Por quem tem uma árvore preferida.
Pelos liquidâmbares no Outono
E por quem corre a pisar as suas folhas.

Eu sou pelas árvores...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Obrigado


Obrigado a todos os que subscreveram a minha revolta e têm ajudado a divulgar este crime público.

Aceito de bom grado a sugestão do Manuel Ramos e, perdoem-me a imodéstia, agradecia o envio do texto "Os miseráveis" via correio electrónico (utilizando o ícone do envelope que se visualiza na base desse texto, ao lado dos comentários), para o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, utilizando as moradas:

carlos.pinto@cm-covilha.pt e info@cm-covilha.pt

A mesma poderá ser precedida de um texto como o seguinte (e aproveito uma vez mais a sugestão do Manel):

"Caro Senhor Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Acho que deveria ter em consideração o que este seu concidadão diz, no endereço electrónico http://sombra-verde.blogspot.com/, a propósito das podas drásticas realizadas no seu concelho."

Aproveito para dizer que continuarei a divulgar esta autêntica selvajaria perpetrada contra o património arbóreo do concelho da Covilhã, de todas as formas possíveis, nomeadamente através da internet e dos órgãos de comunicação social.

Quanto à petição que me têm sugerido, de bom grado darei início à mesma ou apoiarei de forma incondicional quem a inicie. No entanto, como considero que não a devo iniciar de ânimo leve, irei pedir alguns conselhos (nomedamente quanto aos objectivos da mesma), e prometo que logo a seguir à pausa do Carnaval haverá novidades sobre a mesma...

Até lá, ajudem-me a divulgar este caso e denunciem outros que conheçam, até porque (infelizmente) estas práticas são comuns por todo o país.

Obrigado.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Os miseráveis (carta aberta em forma de desabafo)

Chamo-me Pedro Nuno Teixeira Santos; tenho 33 anos e sou português; sou licenciado em Biologia e sou professor (e tenho orgulho nisso); não sou filiado em nenhum partido político, nem em nenhuma organização sindical; não estou ligado a interesses privados de qualquer espécie; as minhas ambições políticas são nulas.

Tenho um defeito: gosto de árvores e, já agora, da minha cidade!

Escrevo esta carta aberta porque estou cansado; cansado de escrever em jornais e em blogues; cansado de um país e de um povo que não tem a sensibilidade e a inteligência para defender o que é seu, isto é, o pouco património construído e natural que ainda nos resta...pobre povo, pobre país!Estou cansado de ver crimes por punir e de ver a passividade de quem não protesta.

Escrevo em memória de uns plátanos que foram assassinados...Que não haja meias palavras: a acção perpetrada contra os plátanos da N230 na Covilhã foi um acto criminoso, cobarde, de pura maldade e para o qual, nem a incompetência nem a ignorância, servem de atenuantes.Que não haja dúvidas: não há um único motivo científico, técnico, da razão conhecida dos homens, que justifique a barbárie perpetrada contra estes plátanos...não há um único!

Poderia, mais uma vez, recorrer aos argumentos de pessoas como o Professor Dr. Jorge Paiva, o arquitecto Gonçalo Ribeiro-Telles ou do Dr. Francisco Coimbra, pessoas de competência técnica inatacável nestas questões, mas é impossível fazer ver a razão a quem se recusa a escutar e a ver (o pior cego...)

Acaso estariam aquelas árvores doentes, em risco de tombar sobre a via pública pondo em risco vidas humanas e bens materiais? Onde estão então os relatórios técnicos que comprovem essa situação?Em lado nenhum...porque ainda que alguma das árvores em causa estivesse doente e a necessitar de uma intervenção, a Câmara Municipal da Covilhã ou qualquer das suas Juntas de Freguesia, não dispõe de técnicos habilitados para tal: nem para identificar as referidas doenças, nem para saber como proceder.

Então o que está por detrás destes actos? A conjugação de dois factores perigosos:

- o egoísmo ignóbil de pessoas que se julgam donas da via pública e que pressionam as Juntas de Freguesia e as Câmaras Municipais para podar as árvores, apenas porque estas lhes tapam as vistas de casa; ou porque, sabe-se lá, se sentem incomodados pelas folhas que caiem, talvez pelos dejectos dos pássaros, pelo pólen, pela sombra...eu sei lá por que estupidez mesquinha! Ou porque, pura e simplesmente, têm medo que estas lhes tombem em cima…(já agora, se eu pedir com jeitinho para fazerem uma “poda” destas na Torre de Santo António, também me fazem a vontade?)

- em segundo lugar, estas pessoas sabem que os órgãos autárquicos e os seus eleitos receiam perder um voto que seja; e as câmaras adoram passar a ideia de que zelam pela segurança das pessoas...Acresce um significativo número de funcionários que há que manter ocupados durante o Inverno.

Será necessário relembrar uma vez mais, que o interesse individual de um cidadão não se sobrepõe ao interesse colectivo e que uma das competências mais elementares das estruturas do estado, nomeadamente dos órgãos autárquicos, é a de defender o património colectivo, incluindo o património arbóreo de um concelho?

Será necessário relembrar uma vez mais, que para que uma autarquia defenda eficazmente a segurança dos seus cidadãos e dos seus bens deverá ter obrigatoriamente técnicos credenciados para tal? O que neste caso significa ter técnicos de arboricultura com a formação necessária, não bastando saber como funciona uma moto-serra ou saber podar uma macieira. Já agora, gostava de saber quais os critérios que levam à contratação deste pessoal? Não bastará já de “habilidosos”?

Eu não sei quem ordenou este acto escandaloso, se a Câmara Municipal ou alguma das suas Juntas de Freguesia, mas um crime foi perpetrado. Estou a 500 km de distância e sinto-me envergonhado com os poderes públicos da minha cidade e concelho! Faço por conter a revolta mas não é fácil...Eu tenho o senhor presidente da Câmara Municipal da Covilhã como um homem de bem, inteligente e sensível a estas questões e por isso, quero acreditar que sentirá a mesma revolta interior se por lá passar...e passar por lá não é o mesmo que ver fotografias a 500 km de distância!

Noutro país haveria repercussões e assumir de responsabilidades mas quanto a isso já perdi a ilusão; já vão sendo 33 anos de Portugal....

Senhor presidente, de que serve gastar dinheiro dos contribuintes para fazer novos espaços verdes e plantar árvores se, por outro lado, se mutilam e matam as já existentes? Se estão de consciência tranquila com o trabalho feito então que publicitem esta acção, chamem os órgãos de comunicação social e mostrem-lhes como tratam bem das árvores da cidade. Recolham toda a propaganda turística e façam novos folhetos recheados de fotografias destes plátanos decepados, decerto que irão impressionar positivamente todos os possíveis turistas que queiram vir à Covilhã...

Não vou pedir, como já o fiz no passado, que a autarquia contrate técnicos credenciados na área ou que delegue esses trabalhos em empresas especializadas...vou pedir apenas que nos poupem ao sofrimento de termos que imaginar, a cada ano que passa, quais as árvores que irão ser destruídas: podem-nas todas! De uma vez por todas...as do Jardim Municipal, do Monumento a Nossa Senhora da Conceição, os plátanos de Unhais e os da Estação dos comboios e as dos Penedos Altos...acabe-se logo com todas elas e, a mim, acabem-me com este sofrimento anual! Substituam-nas por árvores de plástico: não crescem e não gastam água!

Obrigado.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Assassinos



Já tinha feito hoje referência a este assunto (através da Máfia da Cova) mas como também recebi da Cova Juliana as fotos tiradas por Pentsi, deixo aqui as provas do crime...aos assassinos (sem aspas) que fizeram este serviço, e sobretudo aos que ordenaram ou autorizaram, apetecia-me tratá-los por filhos da...(mas as mães com certeza que estarão inocentes!)






P.s. - Para quem não consegue localizar o local (e para os que não são da Covilhã) estes cadáveres de árvores situam-se na N230 entre a Covilhã e o Tortosendo. Agradecia que reenviassem este artigo via electrónica, para que em todo o lado se admire como os poderes públicos da Covilhã, eleitos pelo povo, tratam o património arbóreo desta cidade.

Humor parlamentar

A Comissão Eventual para os Fogos Florestais (CEFF) apresentou na semana passada, na Assembleia da República, o relatório da sua actividade. Desse relatório consta a sugestão de que “se deveria aumentar a sensibilização dos cidadãos para a importância do seu envolvimento nos alertas de incêndio”. Ora eu considero isto como extremamente positivo, tendo em conta que alguns desses incêndios podem ter origem nas próprias actividades da CEFF, bastando relembrar que em visita à Peneda-Gerês, em Setembro último, um dos parlamentares desta comissão não se coibiu de fumar e de deitar o cigarro para o chão! (ver aqui).

Por outro lado, no relatório da CEFF, recomenda-se a participação das Forças Armadas na prevenção estrutural e no combate aos incêndios florestais. Concordo com a prevenção, nomeadamente em acções de vigilância em Áreas Protegidas, mas no combate duvido da sua eficácia; parece-me que nos continua a faltar em profissionalismo o que muitas vezes nos sobra em voluntarismo e boas intenções.

Por último, o relatório da CEFF conclui que os resultados de 2006 foram “globalmente positivos”. Esses resultados foram, relembre-se: 75 000 hectares ardidos (dos quais 12 00 em Áreas Protegidas). E isto, não contabilizando o que possui um valor incalculável, isto é, as vidas humanas perdidas e os gravíssimos danos ambientais, como a perda de biodiversidade e de solos, num país dramaticamente afectado pela desertificação. E se todo este panorama merece da CEFF a classificação de globalmente positivo, não quero sequer imaginar o que teria sido do nosso país se as coisas têm corrido, digamos, menos bem!
A verdade é que as coisas, nalguns aspectos, até terão corrido menos-mal porque nos últimos anos foram calcinados centenas de milhar de hectares que continuam a funcionar como zonas tampão. Acresce a milagrosa chuva de final de Agosto que pôs fim a um ciclo infernal de incêndios e, sem a qual, talvez se tivesse ultrapassado, mais uma vez, a barreira dos 100 mil hectares ardidos (interrogo-me, a este propósito, se terá existido aqui algum tipo de intervenção divina em favor do nosso país, um pouco como na história do petroleiro Prestige?...).

A Estância Vodafone (como de facto ela é!)

Da Estrela no seu melhor chegam as verdadeiras imagens que deveriam ilustrar a propaganda da turistrela. A competência no seu melhor....

A estupidez como ela é...

...da Máfia da Cova chegam-nos estas imagens; o crime anda à solta e a ignorância não é desculpa...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Bom fim-de-semana



Cá está (finalmente!) a prometida referência à nossa araucária de Natal, com fotos gentilmente cedidas pela Dilar (do Clube de Fotografia) e pelo Daniel (o nosso Presidente)...Bom fim-de-semana!


1 milhão de sobreiros para as serras algarvias

Foi graças ao meu colega Manuel Ramos que fiquei a conhecer o BlogdaRolha, iniciativa dos alunos da turma 7º C (2005/2006) e 8º B (2006/2007) do Agrupamento Vertical Eng. Duarte Pacheco de Loulé (Projecto de Educação Ambiental da disciplina de Educação Tecnológica).

A ideia destes alunos e professores não podia ser mais simples: promover a recolha de rolhas para posterior reciclagem, com os fundos obtidos a reverter para a Associação dos Produtores Florestais do Caldeirão (para posterior reflorestação da Serra do Caldeirão).

O Manuel Ramos deu a ideia de adoptarmos a ideia aqui na Escola EB 2,3 Dr. Garcia Domingues de Silves e, outras escolas pelo Algarve, poderiam juntar-se a este projecto.

Porque, como ouvi ao José Maria Saraiva (dos Amigos da Serra da Estrela), em entrevista ao "Biosfera" na RTP N, a excelente iniciativa 1 milhão de carvalhos para a Serra da Estrela, poderia e deveria ser extendida a todo o país. Haja vontade...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

O amor (como ele é)


Esta fotografia mostra bem os efeitos negativos que as podas mal executadas têm sobre as árvores. Mais uma vez falamos das vítimas do costume, ou seja, dos plátanos...os portugueses nutrem de facto um "carinho" muito especial por estas árvores!

Estes pobres, situados à beira do "Hotel Brisa Sol" (em Albufeira), provavelmente ainda não perceberam que mal fizeram a Deus! Só me ocorre que talvez começassem a tapar as vistas aos hóspedes dos primeiros andares do hotel, para o magnífico mamarracho que é o Centro Comercial Modelo...Também davam sombra, mas esta parece incomodar muita gente...

O pinheiro da Covilhã



A Covilhã já teve o maior pinheiro-manso (Pinus pinea L.) de Portugal e um dos maiores do Velho Continente!

Situava-se na Quinta do Curto, ou Quinta do Pinheiro, mas infelizmente morreu em consequência de ter sido atingido por raios durante uma trovoada.

A informação e a fotografia vêm referenciadas no livro de Ernesto Goes, "Árvores Monumentais de Portugal": “...era considerado o maior do país, e talvez da europa, (que) tinha 31,25 m de altura e um tronco com 5,75 m de perímetro, quase cilíndrico e despido de ramos até 14,5 m de altura e com um volume de madeira de 32 m3, e cerca de 300 anos...”

P.S.- Atentem bem na proporção entre o tamanho das pessoas na base do tronco e a altura da árvore.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Não há amor como o primeiro

Ao longo dos anos vamos encontrando árvores que não esquecemos; talvez a que mais me impressionou até hoje tenha sido a magnífica árvore da borracha (Ficus macrophylla Desf. ex Pers.) do Jardim Botânico de Coimbra.



No Algarve, o meu primeiro grande amor foi a azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) de S. Brás de Alportel, exemplar classificado desde 1942 e com cerca de 15 m de altura, mais de 4 m de perímetro à altura do peito e uns impressionantes 25 m de diâmetro de copa.




Façam-se à estrada para a contemplar...não será tempo perdido!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Oliveira em S. Brás de Alportel






Nem sempre é o "caçador" que encontra a árvore, por vezes sucede o inverso e foi isso que me aconteceu este fim-de-semana...sem querer encontrei (ou fui encontrado) por esta magnífica oliveira, situada no Lugar dos Tesoureiros (concelho de S. Brás de Alportel), nos jardins de um restaurante/casa de chá.




quinta-feira, janeiro 04, 2007

Terrorismo PIN

Que moral tem o estado português para exigir a terceiros o cumprimento da legislação nacional em termos de ambiente quando, ao abrigo do que agora pomposamente se designa de Projectos de Interesse Nacional (PIN), se autoriza a violação de tudo e mais alguma coisa...

Ver a seguinte notícia da Ecosfera. Público.pt


"A associação Almargem denunciou hoje a destruição da única mancha verde da zona costeira do concelho de Castro Marim, para onde está prevista a construção do empreendimento Verdelago, classificado como Projecto de Interesse Nacional.
Estendendo-se desde a Estrada Nacional 125 até ao mar, o empreendimento – com mais de duas mil camas (hotel, aldeamento, zona de comércio e serviços, estradas e campo de golfe) – deverá abranger 90 hectares de floresta, dunas e charcos temporários. Parte tem a protecção europeia da Rede Natura 2000.
A Almargem alerta que o projecto "implicará a ocupação e inviabilização da totalidade da última das manchas de pinhal-manso do Sotavento, bem como a fragmentação irreversível de habitats", alguns dos quais considerados prioritários pela União Europeia.
A sua construção levará ainda "à desafectação de algumas dezenas de hectares da Reserva Ecológica Nacional", como zonas húmidas para a construção do campo de golfe e a ocupação de áreas agrícolas.
A Avaliação de Impacto Ambiental "limitou-se a reconhecer o projecto como inquestionável" e deu um "parecer favorável condicionado, que de nada valerá àquele troço único do litoral algarvio".
Empreendimento prepara abate de mais de 90 sobreiros e azinheiras
A Almargem pede ao Ministério do Ambiente e à Direcção-Geral de Recursos Florestais para impedirem o abate de mais de 90 sobreiros e azinheiras, espécies protegidas, previsto pelo empreendimento. Segundo a associação, este tem "cerca de quatro vezes mais a capacidade máxima das 600 camas previstas para o sector turístico no Plano Director Municipal [PDM] de Castro Marim".
A associação lembra que "as operações de corte ou arranque de sobreiros e azinheiras, em povoamento ou isolados, apenas podem ter lugar após autorização por parte das autoridades competentes".
"A proposta é simples: o abate puro e simples de uns quantos e incómodos sobreiros, dando assim lugar a mais casas ou no caso de alguns exemplares mais afortunados, um papel de enfeite de pequenos espaços verdes e árvores que ficarão emparedadas entre edifícios com mais de 2 pisos, perdendo assim a sua função que exercem no diversificado ecossistema florestal hoje ali existente".
Nos últimos anos, a faixa marítima do concelho de Castro Marim, que se estende por 3,5 quilómetros, tem vindo a ser ocupada por empreendimentos urbano-turísticos que "ocuparam e fragmentaram uma área considerável da mancha florestal conhecida como Pinhal do Gancho e que constitui o prolongamento ocidental da Mata Nacional das Dunas de Vila Real de Santo António (Mata de Monte Gordo)".
"Do pouco que resta, a área do empreendimento VerdeLago constitui a última grande mancha verde contínua de toda esta região litoral e, como tal, a prioridade deveria ser a sua preservação e não o contrário", conclui.


Má sorte nascer-se árvore no Algarve...a menos que se nasça palmeira!

terça-feira, janeiro 02, 2007

Ensaio sobre a cegueira

Começou a época da poda camarária pela Covilhã e esta "podite" aguda já fez vítimas, nomeadamente no Largo de S. João de Malta, Avenida 25 de Abril e zona do Bairro da Estação. Infelizmente, não trouxe a máquina fotográfica, mas sei que quando cá voltar não me vão faltar exemplos deste terrorismo doentio contra as árvores.

Na última edição do Notícias da Covilhã, sob o título "Tradições de Natal preservadas no Paul" é relatado que (talvez como prenda de Natal), uma empresa ao serviço da câmara municipal executou mais um desbaste (que o próprio autor da notícia classifica como radical) em várias árvores daquela vila.
Mais se acrescenta que este tipo de poda é exigida por uns. Resta saber quem são os uns? Serão os que se sentem incomodados pela sombra ou por não poderem ver a marquise em alumínio do vizinho? Serão os que se sentem incomodados pelo chilrear dos pássaros ou talvez pelos excrementos que largam sobre os automóveis? (e todos sabemos que o amor dos portugueses por carros supera em muito o que se sentem por pássaros ou arvoredos).
Depois também temos aqueles que simplesmente têm medo de que as árvores tombem em dias de temporal e, vai daí, entra em cena a moto-serra... segundo esta esperteza saloia pode-se concluir que "árvore bem podada fica melhor agarrada".

Ficaria mal se eu dissesse que o interesse individual de um cidadão (que tem todo o direito a não gostar de árvores) não se sobrepõe à defesa do património colectivo (no qual se inclui o património natural)? O receio a perder um voto sobrepõe-se à defesa do património arbóreo do concelho que é uma das responsabilidades de uma autarquia?

Como já me vão faltando os argumentos, deixo aqui os de Francisco Coimbra (ex- Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Arboricultura) publicados no Jornal da Mealhada a 27/03/2002, no artigo intitulado "A propósito das "podas" da Avenida Dr. Manuel Lousada... SE AS ÁRVORES FALASSEM!!!" (e que transcrevo a partir do blogue Dias sem Árvores):

"As árvores que dignificam as nossas praças e avenidas e embelezam os nossos jardins e parques são um elemento essencial de qualidade de vida, autênticos oásis no "deserto" que são tantos dos nossos espaços urbanos actuais. E, no entanto, é por demais evidente a ainda quase absoluta ausência de sensibilidade para o papel da Árvore em Meio Urbano. (...)
De facto, é inacreditável como certos preconceitos sobre a poda de árvores ornamentais estão arreigados nos responsáveis pela sua gestão e manutenção. É frequente ouvirmos dizer, como justificação, que as "podas" radicais, ou "rolagens", rejuvenescem e fortalecem as árvores, ou que são a única forma económica de controlar a sua altura e perigosidade... quando, na verdade, devia dizer-se de uma poda o mesmo que de um árbitro: - tanto melhor quanto menos se der por ela! (...)
1. A poda drástica rejuvenesce a árvore?- NÃO! (...) O facto de, após uma operação traumática, as árvores apresentarem uma rebentação intensa- como tentativa "desesperada" de repor a copa inicial - não significa rejuvenescimento, mas sim um "canto-de-cisne", à custa da delapidação das suas reservas energéticas.(...)
2. Fortalece-a? - NÃO, a poda radical é um acto traumatizante e debilitante, uma porta aberta às enfermidades. (...)
3. Torna-a menos perigosa? -NÃO, estas "podas" induzem a formação, nos bordos das zonas de corte, de rebentos de grande fragilidade mecânica, pois têm uma inserção anormal e superficial no tronco. (...)
4. É a única forma de a controlar em altura? - NÃO, a quebra da hierarquia -que estava estabelecida entre os ramos naturalmente formados - permite o desenvolvimento de novos ramos de forte crescimento vertical, mas agora de uma forma desorganizada e muito mais densa! (...)
5. É mais barata? - NÃO, se a gestão do património arbóreo for pensada a médio e longo prazo!
(...
)"

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Um mundo perfeito

Pegando no texto que Miguel Sousa Tavares (MST) escreveu para a última edição do Expresso, sob o título "50 desejos para Portugal", vou também eu formular alguns desejos para o próximo ano...


Para o país:

- Aproveito o desejo n.º 1 do MST, na íntegra, "Que houvesse finalmente uma política de ordenamento do território, que fosse clara, definitiva e igual para todos, sem excepções legais como os Projectos de Interesse Nacional e outras batotas que tal. Que cada um soubesse, de uma vez por todas, onde se pode e onde não se pode construir".
- Aprovo também o desejo n. º 10 "Que se evitasse a "algarvização" projectada para o Alqueva, o Douro, a costa alentejana, a ria Formosa, a ria de Alvor e o litoral oeste", ao que eu acrescento, para a Serra da Estrela.
- E reformulo o desejo n.º 26, aproveitando a sugestão de MST de colocar o arquitecto Ribeiro Telles como ministro da Agricultura e o engenheiro Carlos Pimenta como ministro do Ambiente, ao que acrescento a arquitecta Helena Roseta num ministério específico para a requalificação das cidades.

E agora, mais especificamente, os meus votos pessoais (uns mais realistas e outros, quiçá todos, um pouco utópicos)...

Para a Covilhã:

- Que se começasse por respeitar a RAN e a REN, não emitindo a câmara municipal alvarás de construção aos Domingos e em violação das leis da República; como exemplo, para o futuro, transformação da Quinta do Freixo num Parque Urbano para usufruto de todos os covilhanenses;
- Que se colocasse um travão à expansão desordenada da cidade em terrenos com elevado potencial agrícola e que, por cada fogo autorizado na parte baixa da cidade, o respectivo promotor imobiliário recuperasse condignamente 3 habitações na zona antiga da cidade (condignamente implica recuperar as casas e torná-las habitáveis e atractivas para os jovens...não é apenas recuperar as fachadas).
- Multiplicação exponencial dos ecopontos pela cidade e pelo concelho e o lançamento de campanhas cívicas que apelassem à separação dos resíduos;
- Fim das "podas camarárias" e a entrega dos serviços de manutenção dos espaços verdes a empresas que não mutilassem o património arbóreo da cidade e do concelho; aos funcionários municipais com tendência para o "arboricídio e podite aguda" seria atribuída a função de ajudar a erradicar os milhares de hectares invadidos por mimosas em todo o concelho;
- Auxílio, dentro das competências de uma câmara municipal, para que a Associação de Produtores Florestais do Paul pudesse estender a sua acção ou pelo menos os seus ensinamentos, à gestão florestal de todo o concelho;
- Que 100 % dos esgotos da Covilhã fossem tratados convenientemente e que o presidente da câmara tivesse a humildade democrática de explicar aos cidadãos do concelho que o elegeram, em que é que a privatização de 49 % das Águas da Covilhã vai ajudar à gestão desse património inalienável que é a gestão da água;
- que os covilhanenses se reconciliassem com a Serra da Estrela.

Para a Serra da Estrela:

- Fim da concessão à Turistrela e julgamento dos seus responsáveis por danos contra o património de todos;
- Erradicação de todos os mamarrachos da Serra a começar pelo "elefante branco" a que alguns chamam de Skyparque;
- Que o engenheiro Carlos Pimenta, enquanto ministro do Ambiente, tivesse plenos poderes para fazer nas Penhas da Saúde aquilo que no passado fez na Nave de Santo António.
- Limitação do trânsito na estrada que liga os Piornos à Lagoa Comprida (como já se faz, actualmente, na estrada que atravessa a Mata de Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês); quando estivessem construídas as alternativas de ligação entre as duas vertentes da Serra, aquela deveria ser permanentemente encerrada ao trânsito automóvel;
- Reflorestação urgente da Serra, em particular das zonas mais sujeitas à erosão; que se fizessem acordos com os pastores da Serra sobre quais os terrenos para pastoreio e quais os terrenos a florestar e que aqueles solicitassem sempre o auxílio de técnicos competentes para questões relativas à renovação dos pastos;
- Que se começasse a trabalhar, com seriedade e urgência, na classificação do Vale Glaciar do Zêzere como Património da Humanidade;
- Que a gestão do turismo fosse entregue a pessoas que percebessem quais as características da nossa Serra que deveriam ser valorizadas para a diferenciar, positivamente, dos destinos do turismo de massas;
- Finalmente...o mais utópico: que o Parque Natural tivesse meios, humanos e materiais, para finalmente começar a proteger a Serra!


Para o Algarve:

- Nem mais um campo de golfe; e que os que existem fossem obrigados a usar água tratada, provenientes de ETAR, para a rega;
- Demolição de 90 % do que se construiu depois dos anos 60 em Armação de Pêra, Praia da Rocha, Quarteira, etc.
- Aproveitando a sugestão de MST: que por cada empreendimento turístico aprovado fossem demolidos dois já existentes;
- Demolição de todas as habitações feitas em cima de falésias e cordões dunares...todas implica mesmo daqueles que são poderosos e não apenas de pescadores;
- Nem mais um eucalipto em Monchique e reflorestação da Serra com sobreiros e outras espécies autóctones; e por cada palmeira plantada pelas câmaras municipais tivessem que ser plantadas 5 árvores autóctones.
- Para Albufeira, em particular: que parassem de regar os relvados da cidade pelo menos nos dias de Inverno em que chove!
- Para Silves, em particular: que o Polis deixasse de destruir o património da cidade!
- E, finalmente, a mais utópica: que os responsáveis pela destruição nos últimos 40 anos de uma das regiões mais bonitas do mundo fossem julgados e, pasme-se, que inclusivamente fossem dados como culpados.

A minha árvore de Natal

O meu colega Manuel Ramos chamou-me a atenção para o facto de não ter feito nenhuma referência à árvore de Natal da nossa escola...foi de facto um deslize imperdoável da minha parte! Andei a adiar, a adiar, e acabei por vir do Algarve sem lhe ter tirado nenhuma fotografia! Afinal, trata-se da mais alta árvore de Natal das escolas portuguesas [a árvore em questão é uma araucária, Araucaria heterophylla (Salisb.) Franco, existente no pátio principal da Escola Dr. Garcia Domingues de Silves).

Fica aqui a ligação, enviada pelo Manuel, para a notícia do Barlavento online e, quanto a mim, prometo corrigir este lapso logo que regresse à escola.

Bom ano para todos com um abraço especial à boa gente de Silves!