Mostrar mensagens com a etiqueta Podas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Podas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, junho 29, 2011

Um imenso disparate

Fonte da imagem: Facebook - Parque Infantil da Mata Municipal


Esta imagem é mais uma, a adicionar às imagens de árvores decepadas nas escolas portuguesas, que ajudam a explicar a dendrofobia nacional: ela é-nos incutida desde pequeninos!

Como se já não fosse infâmia suficiente este vandalismo ambiental ser pago com o dinheiro dos nossos impostos, o mesmo ainda é "justificado" como sendo feito a bem da segurança das pessoas. Desculpem, a bem da segurança das pessoas?!

Recomendo à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), entidade responsável pela fiscalização destes espaços, que invista em livros sobre manutenção de árvores ornamentais. Os técnicos da ASAE não precisarão de muitos minutos de leitura, para descobrir que as árvores roladas, como as deste parque de Vila Viçosa, representam um risco acrescido para os seus frequentadores, por darem origem a rebentos de inserção mais frágil e, por isso, menos resistentes. Acresce o facto de originaram infecções que contribuem igualmente para debilitar as árvores.

Porém, após anos e anos de denúncia destas práticas de terrorismo arbóreo, mais próprias de países do terceiro-mundo, há ainda quem insista, contra todas as evidências científicas, em elogiá-las. Basta para tal acederem à página de onde retirei a fotografia para poderem ler comentários como estes:

"Está lindissimo! E as árvores desbastadas, têm imensas folhas verdes ;)"
"... as árvores, plantas, precisam ser podadas para fortalecerem, no caso dos plátanos o problema poderá surgir se forem mal podados pq pode originar o aparecimento de fungos, não me parece que seja o caso,uma vez que as árvores já têm folhas verdinhas."
"Não as cortaram como eu pensava que ia acontecer , podaram nas porque dizem os entendidos que era mesmo necessário e realmente estou a gostar como as folhas estão a brotar, sãs e saudaveis . As árvores tambem precisam de ser cuidadas e tratradas.

De pouco ou nada vale a ciência contra os "mitos urbanos". Podar faz bem ás árvores porque lhes dá força! Que todos os entendidos na manutenção de árvores ornamentais digam que isso é um imenso disparate, de nada vale contra anos e anos de ódio às árvores.

Os portugueses gostam é disto, de tocos com umas "folhas verdinhas"...

Temos a sombra que merecemos nas nossas vilas e cidades. Um povo triste e inculto, que despreza a beleza da árvore, não merece mais! 

segunda-feira, abril 04, 2011

Vila Viçosa?!




Deplorável e inqualificável! Um acto de vandalismo pago com o dinheiro dos contribuintes e para o qual não há qualquer espécie de justificação técnica. Simplesmente asqueroso!


Fonte da informação e imagens: A Tragédia da Mata de Vila Viçosa (página do Facebook).

quinta-feira, março 24, 2011

Rolagem de árvores na auto-estrada




Na área de serviço de Leiria, na A1, de ambos os lados da auto-estrada. Porque a sombra incomoda quem manda...

(Fotografia de João Vaz.)

sábado, fevereiro 05, 2011

Manual de imbecilidade



1º) Gastou-se dinheiro dos contribuintes para requalificar uma escola, incluindo a construção de estruturas feitas propositadamente para proteger e preservar as árvores pré-existentes no recinto escolar. Foi no Porto, na Escola Básica e Secundária do Cerco.

2º) De seguida, o Sr. director da Escola incomodou-se com o que, aparentemente, nunca o tinha incomodado anteriormente, ou seja, ter que arranjar alguém para apanhar as folhas das árvores.

3º) Não arranjou dinheiro para contratar quem apanhasse as folhas do chão. Mas arranjou para pagar a alguém para arrasar as árvores da escola.

Um autêntico manual de imbecilidade. Numa escola pública portuguesa... De nada servirá agora, no dia 21 de Março, fazer composições sobre o Dia da Árvore. As palavras são impotentes perante tamanha demonstração de selvajaria.

Agora já sabem onde muitos portugueses aprendem a odiar as árvores: nos bancos de escolas como a Escola do Cerco.

Artigo mais extenso no blogue da Árvores de Portugal. (Fotografia da autoria do arquitecto João Serro.)


sexta-feira, janeiro 14, 2011

Ainda a estupidez do terrorismo arbóreo

Soube que a Câmara Municipal da Covilhã abriu um concurso público para a poda de árvores na cidade. Soube, oficiosamente, que o mesmo foi ganho por uma empresa de construção civil do concelho (corrijam-me se estiver enganado).

Não me interessa, nomeadamente como contribuinte, que a dita empresa tenha sido a que apresentou a proposta com o orçamento mais baixo. Num país normal, qualquer empresa que não tivesse técnicos credenciados para a poda de árvores ornamentais deveria ser proibida de concorrer a estes concursos. Quanto mais ganhá-los!

Ou, por acaso, se uma apresenta de arboricultores apresentasse o preço mais baixo para construir uma estrada, seria a escolhida?!

Não basta, para podar uma árvore, ter funcionários que sabem ligar uma motosserra. É preciso que estes saibam o que fazem, até para a sua própria segurança.

Escusado será dizer que espero o pior para as árvores da minha cidade. Para as que já foram roladas no passado e, infelizmente, também para muitas árvores que ainda não tinham sido descaracterizadas pela ignorância alheia.

O problema não é apenas estético. Apesar de tudo, e a estética é importante numa árvore ornamental, há outros aspectos mais importantes, a começar pela segurança das pessoas, pois é um facto tecnicamente indesmentível que uma árvore mal podada é mais susceptível de originar problemas, como a queda de ramos, em resultado de condições atmosféricas adversas.

Mesmo o pretenso factor de "poupança" que preside a muitas destas escolhas, cai por terra quando se sabe que as árvores roladas acabarão por ver a sua longevidade reduzida, tendo que ser substituídas, a prazo, por novas árvores, com os custos associados a esta substituição.

É assim na Covilhã. É assim, infelizmente, em muitas outras autarquias portuguesas.

Portugal deve ser caso único na Europa Ocidental. Neste país, qualquer um pode constituir uma empresa e ganhar um concurso para podar árvores. Basta ter funcionários que saibam ligar uma motosserra e apresentar o preço mais baixo. Experiência? Competência comprovada? Pormenores!...



segunda-feira, agosto 23, 2010

Árvores de produção

Pollard Birches (Vincent van Gogh)

Como escrevi na resposta a um comentário, de um texto anterior, muitas árvores são mal podadas, porque as empresas que executam esses trabalhos não possuem técnicos qualificados para tal tarefa. O que, por sua vez, deriva do facto das autarquias atribuírem essas empreitadas às empresas que apresentam o orçamento mais baixo, mesmo que se trate de empresas que nada têm a ver com árvores e espaços verdes, em detrimento dos verdadeiros profissionais do sector.

Mas esse nem seria o verdadeiro problema, se os cidadãos, posteriormente, se revoltassem com a forma como as árvores das suas cidades são podadas. No entanto, por ignorância, a maioria das pessoas, apesar de gostarem de árvores, acham estas podas normais e até essenciais para a sobrevivência e vigor das mesmas.

Este facto, no meu entendimento, tem uma explicação muito simples, que tem a ver com a cultura europeia, nomeadamente na dimensão do nosso relacionamento com o mundo rural. Na nossa cultura, as árvores são vistas, quase que exclusivamente, há centenas e centenas de anos, como elementos produtivos. Ou seja, a árvore na cidade é vista como se fosse uma extensão da árvore no campo, onde esta necessita de ser podada para fornecer aquilo que o ser humano precisa, quer seja um determinado fruto, quer seja madeira, por exemplo.

Este conceito de árvore de produção (ou "pollard" em terminologia inglesa) está muito bem representado neste quadro de Van Gogh, que representa o aspecto típico de uma árvore num campo agrícola europeu.

O verdadeiro problema é que as árvores nas cidades têm outra função e não necessitam desse tipo de podas: Porque é que, simplesmente, não as abatem? (texto do blogue da Árvores de Portugal.)


terça-feira, agosto 17, 2010

Sobre a imbecilidade humana



Petrópolis (Brasil). Mas podia ser em muitas outras cidades, não apenas da América Latina, mas também da, supostamente evoluída, Velha Europa.

Adenda: mais informações sobre este caso de Petrópolis.

quarta-feira, maio 12, 2010

Contra a infâmia à solta nas ruas de Sintra



A pro­pó­sito do que se tem pas­sado em Sin­tra, no cor­rente ano, no que con­cerne à poda de árvo­res orna­men­tais, a Asso­ci­a­ção Árvo­res de Por­tu­gal e a Quer­cus — Asso­ci­a­ção Naci­o­nal de Con­ser­va­ção da Natu­reza, deci­di­ram emi­tir um comunicado que pode ser lido no blogue da Árvores de Portugal ou na página oficial da Quercus.

segunda-feira, maio 03, 2010

Plantar árvores para aliviar a consciência

Imagem do blogue Gambozino


Segundo os jornais, um conjunto de autarquias portuguesas aderiu a uma coisa chamada Pacto de Autarcas da União Europeia (UE), no combate às alterações climáticas (ler notícia).

Um dos objectivos a que as autarquias se comprometem, já adivinharam, é a plantar mais árvores...claro!





Um dos municípios portugueses que aderiu foi o de Loures, onde as árvores, mesmo novas, são tratadas da forma que se vê. Palavras para quê, são cidades portuguesas com certeza.

sábado, janeiro 16, 2010

Perigosas e erradas tradições






Se a manutenção das árvores é matéria que deveria ser objecto do maior rigor em qualquer cidade, deveria assumir particular importância em localidades históricas como Sintra (nas imagens, da autoria de uma leitora deste blogue).

Não se pode des­li­gar o patri­mó­nio cons­truído do patri­mó­nio natu­ral. Não per­ce­ber isto é não com­pre­en­der as cidades.

Para ler no Árvores de Portugal.



sexta-feira, novembro 27, 2009

E a seguir, José, que árvores vais mandar cortar?

Jardim de Santos - Fotografia da Rosa


O que se passa em Lisboa, as pessoas perderam o juízo e embarcaram numa fúria arboricida?

Primeiro, surgiu a intenção da Câmara Municipal de Lisboa (CML) instalar uma casa em metal sobre uma tipuana classificada no Jardim de Santos. A ninguém ocorreu consultar o Decreto-Lei n.º 28468/38, de 15 de Fevereiro, e aquilo que o mesmo diz sobre as medidas de protecção a exemplares classificados. A ninguém ocorreu questionar os serviços técnicos da Autoridade Florestal Nacional (AFN) ou outros técnicos em arboricultura, sobre os efeitos da instalação da dita estrutura sobre a árvore e o constante movimento de pessoas a subir à mesma.

Aliás, estou plenamente convicto que a CML se está perfeitamente borrifando para os técnicos da AFN e para o Decreto-Lei n.º 28468/38. O que lhes interesse é o pretenso chique da modernidade que a ExperimentaDesign distribuirá sobre o espaço, como se fossem pozinhos de magia...

E se os ramos da árvore não aguentarem o peso da estrutura e das pessoas? Pormenores, o que interessa é o brilho do design!


Fotografia do blogue Lisboa S.O.S.

Em segundo lugar, temos o abate, já concretizado, de dezenas de laranjeiras, na Praça de Alvalade, apenas para prolongar uma calçada em lioz. Árvores saudáveis, que não colidiam com nenhuma estrutura urbana.


Mais uma vez, pretensos valores estéticos ditaram o abate de árvores. Pormenores diria a CML.

Fotografia de Leonor Areal

Por último temos o inenarrável caso do Príncipe Real e das árvores que estão a ser abatidas no seu jardim. Primeiro eram 20, agora serão perto de meia centena. Primeiro era porque estavam em más condições mas, afinal, parece que algumas estavam apenas mal formadas, ou seja, eram feias...coitadas!

Diz o assessor de imprensa do Sr. vereador dos Espaços Verdes que o projecto foi aprovado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Pessoalmente, só ficaria sossegado se o mesmo tivesse sido aprovado por técnicos de arboricultura, ou será que estes não existem numa cidade com as universidades e os institutos que Lisboa tem?!

Termino pois com a pergunta que faço no título deste texto, dirigida ao Sr. vereador dos Espaços Verdes da CML, José Sá Fernandes: E a seguir, José, que árvores vais mandar cortar?


quinta-feira, novembro 26, 2009

Mais um ano. Mais do mesmo.




Imagens do blogue Rapoula do Côa

Chegou a altura do ano em que as autarquias, Câmaras e Juntas, gastam dinheiro dos contribuintes para nos fazerem o "favor" de nos defender das árvores.

Está aberta a época de caça às árvores! Olhem bem para as árvores cuja beleza vos enche os dias, pois podem não sobreviver a este Outono/Inverno...

terça-feira, novembro 24, 2009

Arboricídio em Oeiras




Na Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras, foram abatidas mais de 100 árvores porque, segundo o arquitecto Luís Cabral, responsável pela requalificação do espaço, havia exemplares:

a) Infestantes;
b) Mal formados;
c) De folha persistente;
d) Localizados em locais onde é necessário edificar novos edifícios.


Vamos à análise dos pretensos motivos que justificariam tamanho barbárie:

Admito que não se pode ser preso por ter e por não ter cão. E eu que já, por tantas vezes, defendi que as espécies invasoras deveriam ser eliminadas dos espaços públicos, não critico esta opção (por princípio, pois admito excepções se estivermos a falar de exemplares notáveis).
Por este motivo, não me oponho a que, progressivamente, se vão substituindo estas espécies, existentes em jardins de edifícios públicos.

No entanto, tendo em conta que foram abatidas 120 árvores (!!!), não me deixo de questionar sobre quantas, destas árvores, seriam invasoras? Como não me deixo de interrogar sobre se este caso de Oeiras foi excepcional ou se, a partir de agora, todas as espécies invasoras existentes em jardins de escolas, ou de outros edifícios públicos, serão abatidas?


Obviamente, passando a outro argumento, é compreensível que se transplantassem os exemplares que colidissem com a construção de novos edifícios, dentro do recinto escolar. Admito mesmo que fosse impossível transplantar alguns desses exemplares, mas a decisão de as abater, pura e simplesmente, sem ponderar o transplante, mostra bem o valor que foi dado às árvores que existiam na escola.

Os restantes argumentos com que se pretendeu justificar este arboricídio são indecorosos! Abater árvores porque estão mal formadas é absurdo. As árvores não se querem perfeitas, querem-se seguras. Logo, ou bem que as árvores tinham problemas fitossanitários, que punham em sério risco os elementos da comunidade escolar, ou a decisão de as abater por não estarem muito perfeitinhas foi perfeitamente fútil.
Como fútil foi a decisão de abater árvores porque eram de folha persistente. Sim, é certo que as árvores de folha caduca têm a vantagem de renovar a folhagem, permitindo a passagem da luz solar no Inverno, mas pretende-se, como esse argumento, justificar o abate de árvores com dezenas de anos? Apenas porque eram de folha perene?!

Não satisfeito com esta argumentação, o Sr. arquitecto pretende que aceitemos o arboricídio de mais de uma centena de exemplares, com dezenas de anos, acenando com a plantação de novas árvores. O Sr. arquitecto acha uma chatice isto das árvores serem velhas e feias.

Chique a valer é plantar novas árvores, mais de acordo aos gostos do autor do projecto de requalificação. A história, essa, apaga-se ao som da motossera!

Deste modo, o arquitecto Luís Cabral ignorou o valor do pequeno ecossistema formado por esta centena de árvores no jardim desta escola, como ignorou o seu valor patrimonial e o valor sentimental que as mesmas tinham para dezenas de pessoas que estudaram e trabalharam neste lugar, ao longo dos anos.


Tudo isto foi feito em nome de uma requalificação para fazer nascer a escola do século XXI. Medo! A escola do século XXI está entregue à mais pura das ignorâncias, desrespeitadora da sua própria história e identidade.


P.S. - Esta situação é, para mim, tanto mais absurda quanto o arquitecto Luís Cabral foi o autor do Jardim do Lago, na Covilhã, obra em que soube aproveitar as velhas árvores da quinta onde o referido jardim foi implantado. Elogiei-o por isso e mantenho esses elogios.
Lamento apenas a aparente mudança de opinião do arquitecto face à preservação do arvoredo pré-existente.

O único argumento verdadeiramente válido para abater uma árvore é a sua falta de sustentabilidade e, logo, o risco da mesma cair e poder provocar danos, humanos ou materiais. É sintomático que este argumento não tenha sido referido, como justificativo, para abater nenhum dos 120 exemplares.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Desenvolvimentos no caso da rolagem de choupos em Ponta de Barca


HPIM2167.JPG (image)
A propósito do texto "A loucura à solta em Ponte da Barca", recebi hoje uma amável mensagem do Sr. José Pontes que, deduzo, seja um dos responsáveis do Gabinete de Protecção Civil de Ponte da Barca.

Segue a mensagem do Sr. José Pontes:

"De facto e como deve compreender o corte e a monda das árvores do Choupal e largo do Côrro, é uma medida que qualquer responsável ou cidadão gostaria de não ter de tomar. Como sabe, e na consequência dos últimos temporais várias foram as árvores no nosso concelho que caíram, tendo sido as de esta área pela sua sensibilidade a mais evidente.

Um relatório datado de 2001, solicitado na sequência das intempéries do Inverno 2000/2001, relatório esse da responsabilidade da firma "Planeta das Árvores" e elaborado pelos técnicos Gerard Passola e Serafim Riem, apontava para uma listagem de árvores a abater e uma listagem de árvores que necessitavam de intervenção urgente.


Como entretanto o trabalho apontado no relatório, não foi executado, e porque ao longo do tempo, ia acontecendo o derrube sistemático de galhos de árvores com alguma dimensão, independentemente das condições climatéricas, pondo em perigo a vida dos cidadão, sobretudo numa zona onde o acesso pedonal é constante, solicitamos no ano de 2008 novo estudo à referida firma, cujo relatório apontava para as seguintes tarefas:

1 - Desmontagem controlada dos 120 exemplares de choupos.
2 - Extracção e trituração dos troncos do raízame de cerca de 120 choupos abatidos, até 50 cm de profundidade.

3 - Fornecimento e plantação de 75 freixos (Fraxinus Angustifolia) com cerca de 2,5 a 3 m de altura.


Face ao exposto e à responsabilidade que nestas circunstâncias são atribuidas aos responsáveis pela Protecção Civil do Município, não nos restava outra alternativa senão efectuar, no mínimo trabalhos que acautelasse a segurança dos cidadãos.


Por último, como deve calcular, trata-se para nós de uma situação difícil mas que obrigava a uma intervenção célere para que os prejuízos até ao momento registados não venham a incluir vítimas humanas. Trata-se ainda de um local, onde o edificado existente a jusante da Ponte, para quem entra no sentido Norte - Sul, é de muita fraca qualidade, prejudicado ainda com o armazém junto ao rio Vade e que agora fica muito mais visível.


Com esta operação, poderemos avaliar se é possível fazer uma reconverção das espécies sem ter de efectuar um corte radical e não pondo em causa a segurança das pessoas.


Na esperança que esta comunicação permita ficar com uma avaliação do problema, grato pela sua atenção e preocupação,


Com os melhores cumprimentos
,
José Pontes."



Segue a minha opinião:

Caríssimo José Pontes,

Antes de mais, agradeço o cuidado do contacto e os esclarecimentos dados.

Repare bem no que eu escrevi no meu texto sobre este caso:"(...) E, obviamente, em caso de ser detectada algum exemplar com pouca sustentabilidade, proceder ao seu imediato abate e substituição por outra árvore."

Dito por outras palavras, eu não contesto que, por vezes e em nome da segurança das pessoas, se tenham que cortar árvores.
Que fique bem claro, eu não dou mais valor a uma árvore do que à segurança de uma pessoa.

Eu sou amigo pessoal do Serafim Riem e se foi a empresa dele que fez o estudo que refere, não vou ser eu a contestar o diagnóstico relativo à necessidade de cortar diversas árvores. Não pela amizade que nos une, mas pela competência que reconheço à sua empresa.
Mas então, com toda a franqueza, tivessem cortado imediatamente as árvores pela base e plantado outras. Logo em 2001...

O que não é admissível, na minha opinião, é esta situação intermédia, em que as árvores foram roladas. A mensagem que se passa às pessoas é errada e, naturalmente, as pessoas têm dificuldade em perceber.

O que aqui falhou, se me permite opinar, foi a vossa forma de proceder. Esse relatório da "Planeta das Árvores" deveria ter sido divulgado amplamente, nomeadamente na comunicação social local e regional, e aí as pessoas perceberiam a necessidade de cortar as árvores e substituí-las por outras.


Não duvido que a vossa intenção tenha sido a melhor, mas infelizmente a solução que vocês adoptaram tem dois problemas:

a) Não resolveu o problema em definitivo, pois as árvores continuam a necessitar de ser abatidas;
b) No entretanto, deixaram estes "postes" que revoltam as pessoas, tendo prestado um mau serviço à própria imagem de quem visita Ponte da Barca e se depara com esta situação.

Por vezes, as soluções intermédias, ainda que bem intencionadas, são as piores.

Agradecido pela atenção, sempre ao dispor.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Teixeira Santos.



sexta-feira, setembro 04, 2009

A loucura à solta em Ponte da Barca


As imagens que se seguem foram tiradas, em Ponte da Barca, por um leitor do "Dias com Árvores".

Relata esse leitor que em Ponte da Barca existia um belo choupal...

Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves

Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves


Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves

Qual o motivo para tamanha barbaridade? O de sempre, a ignorância!

Tudo terá começado com a queda de alguns exemplares no último Inverno, o que, inevitavelmente, constitui sempre o álibi perfeito para justificar posteriores arboricídios.

Como já aqui escrevi, por diversas vezes, num país onde grassa o desleixo é uma sorte que não ocorram mais acidentes com quedas de árvores, dado o abandono de muitos arvoredos, por um lado, e a forma deficiente como se faz a manutenção das árvores nas cidades, por outro.

Sai caro a uma Câmara, a uma Junta de Freguesia ou a qualquer outra entidade, pagar a uma empresa especializada em arboricultura para examinar os arvoredos em espaço público e, desta forma, evitar ao máximo a possibilidade de acidentes deste tipo.

Sim, eu sei, esses serviços são caros. É por isso que as Câmaras atribuem esses serviços a outras empresas, ainda que sejam especializadas noutras áreas, como a construção civil, e que, por esse motivo, pouco ou nada saibam de árvores.
Mas levam menos dinheiro pelo serviço, justificam-se eles... E na hora de escolher, entre a segurança das pessoas e os foguetórios, está bem de ver qual é a opção da maioria dos nossos autarcas.

Mas cometido o primeiro erro, ou seja, não prevenir este tipo de situações, logo de seguida cometem outro erro ainda mais grave.
Ao menos poderiam ter aprendido com o primeiro erro e, após a queda de uma ou mais árvores, finalmente optarem pelos serviços de uma empresa competente na área, que pudesse avaliar o estado das restantes árvores.

Era isso o que deveria ter sido feito nesta situação e em todas as similares, pedir a avaliação de cada uma das árvores restantes, a uma empresa de arboricultura.
E, obviamente, em caso de ser detectada algum exemplar com pouca sustentabilidade, proceder ao seu imediato abate e substituição por outra árvore.

Mas não, pedir isto, pedir um comportamento normal e responsável, é pedir de mais a uma autarquia portuguesa: "O quê, mandar vir os maluquinhos das árvores?! Isso é caro e não dá votos...Vamos mostrar às pessoas que nos preocupamos com a sua segurança, vamos rolar todas as árvores!"

E assim foi...Não interessa que todas as restantes árvores pudessem estar plenamente saudáveis. Numa decisão baseada na mais pura das arrogâncias, rolaram-se, da forma que as imagens documentam, dezenas de árvores. É este o preço da ignorância... E por certo que ainda haverá pessoas agradecidas.

Esquecem-se essas pessoas que estas podas radicais transformam árvores saudáveis em exemplares mais frágeis, aumentando o risco de, no futuro, ocorrerem situações de quedas de ramos ou árvores.

Não se morre da doença mas morre-se da cura...


P.S. - Apesar de já ter relatado dezenas de casos similares, admito que este me provocou uma especial repugnância.
Após alguns segundos a olhar para as fotografias, consegui perceber o porquê desse sentimento.

É que ao contrário do que acontece com a maioria das fotografias de situações similares que aqui denunciei, nestas imagens são visíveis pessoas.

São visíveis pessoas sentadas, a conviver, numa floresta de árvores mortas e estropiadas. E essa é uma imagem verdadeiramente perturbadora.


sábado, junho 27, 2009

De Espanha nem bom vento...nem boa poda! (III)

Teixos (Taxus baccata L.) vítimas de atentado ambiental - Chanos (província de Zamora, Espanha) - Imagem recebida através da Asociación de Amigos del Tejo


Não será possível criminalizar este tipo de atentados contra as árvores monumentais, as quais são, em simultâneo, parte do património biológico e do património cultural das comunidades em que estão inseridas?


terça-feira, junho 16, 2009

Os choupos (novamente)

O António, do blogue "Dispersamente...", teme pelo futuro de alguns choupos no centro de Leiria.

Com razão, teme que a habitual desculpa do mau estado fitossanitário das árvores, esconda o desejo de requalificar um espaço à custa das vítimas do costume, ou seja, as árvores.
O António receia, e como eu o compreendo, que esta situação seja a repetição de um filme que já vimos tantas vezes nas cidades portuguesas e no qual, para se justificar a plantação de mais árvores, se abatem exemplares com dezenas de anos (ver este exemplo em Albufeira).

Naturalmente que se forem tornados públicos relatórios técnicos, elaborados por credenciados técnicos de arboricultura, que fundamentem a necessidade de abater estas árvores por motivos de segurança pública, eu serei o primeiro a concordar com o seu abate*.

Deste modo, aguardamos as devidas explicações em nome da confiança, cada vez mais difícil de sustentar, em quem governa as nossas autarquias.

Como noutras situações anteriores, exige-se o conhecimento do que se esconde por detrás deste caso em Leiria: uma genuína vontade de proteger os cidadãos e os seus bens, sustentada tecnicamente, ou apenas mais uma requalificação urbana de contornos arboricidas.





* Nos últimos dias assistimos à queda de uma árvore com graves consequências. O caso ocorreu em Aveiro, no Parque Infante D. Pedro e, curiosamente, envolveu um choupo.

Vou ser sincero. Dado o estado de abandono de muito do nosso arvoredo, ao qual há que adicionar as podas radicais feitas indiscriminadamente, que debilitam as árvores e as tornam mais propensas a quedas, admiro-me como estes casos não ocorrem com maior frequência.

O que me assusta são declarações como as do vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal de Aveiro, a propósito deste caso, ao admitir a necessidade de proceder "a uma poda mais profunda" (ver "Diário das Beiras").

Não, Sr. vereador. Isso é a última coisa que as árvores do Parque Infante D. Pedro necessitam.

O que é necessário é uma avaliação rigorosa do seu estado fitossanitário, da qual, admito, pode resultar a necessidade de abater algumas árvores.
Pelo contrário, podar de forma radical e apressada, sem qualquer aconselhamento técnico, só tornará estes casos mais prováveis no futuro.