¿Qué es un olivo?
Un olivo
es un viejo, viejo, viejo
y es un niño
con una rama en la frente
y colgado en la cintura
un saquito todo lleno
de aceitunas.
Rafael Alberti
Fotografia de Manuela Ramos - O velho ulmeiro de Miguel Torga (S. Martinho de Anta)As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração.
Ruy Belo
Breve Sonata em Sol [UM] (Menor, Claro)
A solidão da árvore sozinha
no campo do verão alentejano
é só mais solitária do que a minha
e teima ali na terra todo o ano
quando nem chuva ou vento já lhe fazem companhia
e o calor é tão triste como o é somente a alegria
Eu passo e passo muito mais que o próprio dia.
Ruy Belo
P.S- Um poema do tamanho da solidão. Um poema que agradeço à Rosa.
O observatório astronómico anda tonto
das estrelas se infiltrarem nos seus tectos,
e os pássaros quedos em céus incorrectos
apodrecem e voam certeiros ao encontro
do desamparo. Os gatos escrevem nomes
de namoros na dor rangida dos bambus,
como se furtiva se prenunciasse a luz
no soalho do crepúsculo. E as enormes
árvores do México e da Nova Zelândia
adoptam o aguaceiro para seu pranto
e têm saudades de avestruzes volantes.
Quero tanto sentar-me à janela, na ânsia
das buganvílias me tecerem um manto
de lábios e drogas e melros flamejantes.
Ainda acredito na árvore.
As árvores
Eu espero, sim, que essas árvores cresçam. Adormeço com elas todas as noites, embalado pela sua sombra. Lembro-as de memória, sobre a relva verde. Lembro as suas folhas, caindo de noite. Mesmo as que ainda não vi, eu espero que cresçam, que me esperem, que me abriguem nesse dia em que mais precisarei delas, ouvindo o ruído do mar não muito longe. Tenho, a cada minuto, saudades dessas árvores.
António Correia de Oliveira
in "A Alma das Árvores"