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quarta-feira, junho 29, 2011

Um imenso disparate

Fonte da imagem: Facebook - Parque Infantil da Mata Municipal


Esta imagem é mais uma, a adicionar às imagens de árvores decepadas nas escolas portuguesas, que ajudam a explicar a dendrofobia nacional: ela é-nos incutida desde pequeninos!

Como se já não fosse infâmia suficiente este vandalismo ambiental ser pago com o dinheiro dos nossos impostos, o mesmo ainda é "justificado" como sendo feito a bem da segurança das pessoas. Desculpem, a bem da segurança das pessoas?!

Recomendo à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), entidade responsável pela fiscalização destes espaços, que invista em livros sobre manutenção de árvores ornamentais. Os técnicos da ASAE não precisarão de muitos minutos de leitura, para descobrir que as árvores roladas, como as deste parque de Vila Viçosa, representam um risco acrescido para os seus frequentadores, por darem origem a rebentos de inserção mais frágil e, por isso, menos resistentes. Acresce o facto de originaram infecções que contribuem igualmente para debilitar as árvores.

Porém, após anos e anos de denúncia destas práticas de terrorismo arbóreo, mais próprias de países do terceiro-mundo, há ainda quem insista, contra todas as evidências científicas, em elogiá-las. Basta para tal acederem à página de onde retirei a fotografia para poderem ler comentários como estes:

"Está lindissimo! E as árvores desbastadas, têm imensas folhas verdes ;)"
"... as árvores, plantas, precisam ser podadas para fortalecerem, no caso dos plátanos o problema poderá surgir se forem mal podados pq pode originar o aparecimento de fungos, não me parece que seja o caso,uma vez que as árvores já têm folhas verdinhas."
"Não as cortaram como eu pensava que ia acontecer , podaram nas porque dizem os entendidos que era mesmo necessário e realmente estou a gostar como as folhas estão a brotar, sãs e saudaveis . As árvores tambem precisam de ser cuidadas e tratradas.

De pouco ou nada vale a ciência contra os "mitos urbanos". Podar faz bem ás árvores porque lhes dá força! Que todos os entendidos na manutenção de árvores ornamentais digam que isso é um imenso disparate, de nada vale contra anos e anos de ódio às árvores.

Os portugueses gostam é disto, de tocos com umas "folhas verdinhas"...

Temos a sombra que merecemos nas nossas vilas e cidades. Um povo triste e inculto, que despreza a beleza da árvore, não merece mais! 

quarta-feira, março 09, 2011

17 valores

Castanheiros-da-índia (Dublin)

Um conjunto de estudantes de Arquitectura Paisagista acaba de concluir que os castanheiros-da-índia, plantados numa avenida de Aveiro, podem representar um perigo para as pessoas, por causa dos seus frutos. Não sei o que os assustou nestes castanheiros, se foram os espinhos do seu fruto globoso ou se foi o peso das suas sementes, semelhantes (em aspecto e dimensões) aos frutos dos nossos castanheiros.

Sei, isso sim, que tal é absurdo. Como aberrante me parece, muito sinceramente, dar 17 valores a tais conclusões! E se a estes futuros arquitectos fosse dada a possibilidade de estudar os perigos associados às inúmeras araucárias, existentes nos espaços urbanos de Aveiro? Por certo que, dado o peso que as suas pinhas podem atingir, as mandariam abater de seguida. Provavelmente, seriam até agraciados com 20 valores!

Claro que nada disto invalida que se tenha que estudar a escolha das espécies a utilizar nas arborizações urbanas. Claro que nada disto invalida que certas espécies não acarretem incómodos ou mesmo perigos. Mas também é preciso ter consciência que, num país que tem tanta dificuldade em conviver com as árvores, não há uma espécie perfeita, ou seja, quem não gosta de árvores encontrará sempre motivos para a sua ira.

P.S. - Em Dublin, existem centenas de castanheiros-da-índia monumentais. Curiosamente, não vi ninguém, nas ruas ou em parques, protegido por capacetes!

sábado, fevereiro 05, 2011

Manual de imbecilidade



1º) Gastou-se dinheiro dos contribuintes para requalificar uma escola, incluindo a construção de estruturas feitas propositadamente para proteger e preservar as árvores pré-existentes no recinto escolar. Foi no Porto, na Escola Básica e Secundária do Cerco.

2º) De seguida, o Sr. director da Escola incomodou-se com o que, aparentemente, nunca o tinha incomodado anteriormente, ou seja, ter que arranjar alguém para apanhar as folhas das árvores.

3º) Não arranjou dinheiro para contratar quem apanhasse as folhas do chão. Mas arranjou para pagar a alguém para arrasar as árvores da escola.

Um autêntico manual de imbecilidade. Numa escola pública portuguesa... De nada servirá agora, no dia 21 de Março, fazer composições sobre o Dia da Árvore. As palavras são impotentes perante tamanha demonstração de selvajaria.

Agora já sabem onde muitos portugueses aprendem a odiar as árvores: nos bancos de escolas como a Escola do Cerco.

Artigo mais extenso no blogue da Árvores de Portugal. (Fotografia da autoria do arquitecto João Serro.)


sexta-feira, janeiro 14, 2011

Ainda a estupidez do terrorismo arbóreo

Soube que a Câmara Municipal da Covilhã abriu um concurso público para a poda de árvores na cidade. Soube, oficiosamente, que o mesmo foi ganho por uma empresa de construção civil do concelho (corrijam-me se estiver enganado).

Não me interessa, nomeadamente como contribuinte, que a dita empresa tenha sido a que apresentou a proposta com o orçamento mais baixo. Num país normal, qualquer empresa que não tivesse técnicos credenciados para a poda de árvores ornamentais deveria ser proibida de concorrer a estes concursos. Quanto mais ganhá-los!

Ou, por acaso, se uma apresenta de arboricultores apresentasse o preço mais baixo para construir uma estrada, seria a escolhida?!

Não basta, para podar uma árvore, ter funcionários que sabem ligar uma motosserra. É preciso que estes saibam o que fazem, até para a sua própria segurança.

Escusado será dizer que espero o pior para as árvores da minha cidade. Para as que já foram roladas no passado e, infelizmente, também para muitas árvores que ainda não tinham sido descaracterizadas pela ignorância alheia.

O problema não é apenas estético. Apesar de tudo, e a estética é importante numa árvore ornamental, há outros aspectos mais importantes, a começar pela segurança das pessoas, pois é um facto tecnicamente indesmentível que uma árvore mal podada é mais susceptível de originar problemas, como a queda de ramos, em resultado de condições atmosféricas adversas.

Mesmo o pretenso factor de "poupança" que preside a muitas destas escolhas, cai por terra quando se sabe que as árvores roladas acabarão por ver a sua longevidade reduzida, tendo que ser substituídas, a prazo, por novas árvores, com os custos associados a esta substituição.

É assim na Covilhã. É assim, infelizmente, em muitas outras autarquias portuguesas.

Portugal deve ser caso único na Europa Ocidental. Neste país, qualquer um pode constituir uma empresa e ganhar um concurso para podar árvores. Basta ter funcionários que saibam ligar uma motosserra e apresentar o preço mais baixo. Experiência? Competência comprovada? Pormenores!...



segunda-feira, agosto 23, 2010

Árvores de produção

Pollard Birches (Vincent van Gogh)

Como escrevi na resposta a um comentário, de um texto anterior, muitas árvores são mal podadas, porque as empresas que executam esses trabalhos não possuem técnicos qualificados para tal tarefa. O que, por sua vez, deriva do facto das autarquias atribuírem essas empreitadas às empresas que apresentam o orçamento mais baixo, mesmo que se trate de empresas que nada têm a ver com árvores e espaços verdes, em detrimento dos verdadeiros profissionais do sector.

Mas esse nem seria o verdadeiro problema, se os cidadãos, posteriormente, se revoltassem com a forma como as árvores das suas cidades são podadas. No entanto, por ignorância, a maioria das pessoas, apesar de gostarem de árvores, acham estas podas normais e até essenciais para a sobrevivência e vigor das mesmas.

Este facto, no meu entendimento, tem uma explicação muito simples, que tem a ver com a cultura europeia, nomeadamente na dimensão do nosso relacionamento com o mundo rural. Na nossa cultura, as árvores são vistas, quase que exclusivamente, há centenas e centenas de anos, como elementos produtivos. Ou seja, a árvore na cidade é vista como se fosse uma extensão da árvore no campo, onde esta necessita de ser podada para fornecer aquilo que o ser humano precisa, quer seja um determinado fruto, quer seja madeira, por exemplo.

Este conceito de árvore de produção (ou "pollard" em terminologia inglesa) está muito bem representado neste quadro de Van Gogh, que representa o aspecto típico de uma árvore num campo agrícola europeu.

O verdadeiro problema é que as árvores nas cidades têm outra função e não necessitam desse tipo de podas: Porque é que, simplesmente, não as abatem? (texto do blogue da Árvores de Portugal.)


quinta-feira, agosto 19, 2010

Como funciona a política em Portugal

Há um par de anos que a Câmara Municipal da Covilhã (CMC) cobiça um terreno com mais de 3 milhares de sobreiros, situado em Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN).

A cobiça é tanta que, segundo uma notícia de um jornal local, publicada a 13 de Outubro de 2008, e nunca desmentida, a CMC chegou a pedir, aos serviços regionais da Autoridade Florestal Nacional, autorização para cortar os mencionados sobreiros.
Sim, é isso mesmo que o leitor acabou de ler, a CMC pediu autorização para cortar sobreiros que estavam num terreno que não lhe pertencia e que, na actualidade, continua a não pertencer, tanto quanto é do conhecimento público.

E qual é o motivo que leva a CMC a ambicionar a posse destes terrenos? A justificação da CMC tem oscilado entre a necessidade de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo e a necessidade de encontrar um terreno para a instalação de um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN).

Deste PIN, curiosamente, nunca mais ninguém ouvir falar e quanto à ampliação da referida zona industrial, convém relembrar estes dois "pequenos" pormenores:

- Em primeiro lugar, na actualidade, a própria CMC reconhece que 25% da área da referida zona industrial ainda está livre, não adiantando nenhum caso concreto de intenções reais de investimento que justifiquem a necessidade de ocupar esse espaço vago, quanto mais ocupar espaço suplementar.
- Eu concordo que uma autarquia deva ser previdente, sabendo antever o futuro, e acautelando a expansão física de uma área industrial. É por isso mesmo que volto a questionar a CMC, tal como há dois anos, nos seguintes moldes:
qual o motivo pelo qual não se utilizam os terrenos que o actual Plano Director Municipal (PDM) do Concelho da Covilhã já define como de “uso industrial”, precavendo, precisamente, uma possível ampliação da zona industrial do Tortosendo?


Entretanto, passaram dois anos e, tal como referi anteriormente, nunca mais ninguém ouviu falar do tal "misterioso" PIN, nem de nenhuma empresa que tivesse deixado de investir na Covilhã por falta de terreno.
Mas a CMC não dorme e, nos bastidores, junto da Administração Central, continuou a tentar obter a autorização para, suponho que através de uma expropriação, se apoderar do cobiçado terreno.

Eis quando, através do jornal Urbi et Orbi, sou confrontado com a notícia que a Administração Central travou esta intenção da CMC. Porém, se lermos atentamente as entrelinhas desta notícia, perceberemos bem que a CMC está a um passo de conseguir, com o beneplácito do governo, o que há muito ambiciona:

- Diz a referida notícia que, na última assembleia municipal, o Presidente da CMC citou uma conversa telefónica tida com a Secretária de Estado do Ordenamento do Território, nos seguintes moldes: "
(...) havia por ali uns sobreiros e mais umas coisas, que por ela até aprovava aquilo, mas não pode ser”.

Isto é, a Senhora Secretária de Estado do Ordenamento do Território, sublinho do Ordenamento do Território, acha uma ninharia e uma maçada um terreno pertencer à RAN e à REN e ter para "ali uns sobreiros". Que, por sinal, são 3 milhares!

Será que a Senhora Secretária de Estado, sublinho, novamente, do Ordenamento do Território, questionou a CMC sobre a existência de alternativas para ampliar a referida zona industrial, nomeadamente sobre os terrenos que o PDM da Covilhã já define para esse mesmo efeito?

- Mas a cereja em cima do bolo está no início da dita notícia, no qual, e segundo o Presidente da CMC, a Senhora Secretária de Estado terá dito: "(...) para esperar mais um ano para que o plano de pormenor daquela zona retire a área de reserva ecológica e o parque possa ter a terceira fase".
Dito por outras palavras, este chumbo é transitório e apenas serve para o governo passar uma ideia de rigor e de empenho no cumprimento da lei. Entretanto, arranja-se um compasso de espera para contornar "os sobreiros e mais umas coisas" e a CMC consegue o que quer.

Deve ser isto que os políticos profissionais chamam de "realpolitik"!


quarta-feira, julho 28, 2010

Dias de canícula

Imagem do blogue Covilhã Cidade Neve


Se pesquisarem imagens antigas das vossas cidades, encontrarão vários exemplos de árvores roladas, numa demonstração de que a forma como encaramos o papel das árvores nas nossas urbes é um problema cultural com raízes longínquas, ainda longe de estar resolvido.

A imagem destas dezenas de pessoas, abrigadas do sol tórrido por guarda-sóis, com um fundo de árvores decepadas, demonstra bem a irracionalidade destas práticas com que torturamos quem nos deveria proteger, com a sua sombra, do calor angustiante.

segunda-feira, abril 19, 2010

A soberba humana

O Presidente da CM de Machico, a pedido de um cónego, cortou dois tis [Ocotea foetens (Aiton) Benth. & Hook.f.,], espécie protegida da Laurissilva endémica da ilha da Madeira, porque, pasme-se, interferiam com a estética da igreja matriz (ler notícia na íntegra).

O autarca, porque não tem outro tipo de argumentos, nomeadamente do tipo racional, escuda-se na arrogância do populismo do tipo "quero, posso e mando": "Não vamos deixar de fazer as coisas porque há meia dúzia de indivíduos que entendem que uma árvore é a coisa mais importante do mundo."

Lendo com atenção a notícia, subtilmente percebe-se que as árvores em causa padeciam de uma outra característica que, na actualidade, e em dita terra, parece ser um pecado mortal: tinham sido mandadas plantar, no passado, por um executivo de outra cor política!

Do Cónego Martins, autor do pedido para o abate dos dois tis, como homem da Igreja, esperava-se que compreendesse que as árvores também são obra de Deus. Esperava-se do mesmo, a humildade de compreender que estas, em nada, diminuem a obra humana . E que não alimentasse o falso conflito entre o património edificado e o natural, como se estes não se complementassem e, pelo contrário, fossem incompatíveis.


Em Machico, para se cortarem árvores, basta que os dois homens mais influentes da terra estejam em sintonia nas suas concepções estéticas.
E a opinião das outras pessoas da terra? A tal "meia dúzia" de indivíduos que gostam de árvores? Pois bem, não é relevante e não interessa para nada. "As coisas têm que ser feitas", disse o autarca. Deve ser isto a democracia, digo eu!


As árvores não serão a coisa mais importante do mundo, como disse o Presidente da CM de Machico. Mas não merecem ser cortadas por motivos tão fúteis, em nome da soberba humana.




sexta-feira, novembro 27, 2009

E a seguir, José, que árvores vais mandar cortar?

Jardim de Santos - Fotografia da Rosa


O que se passa em Lisboa, as pessoas perderam o juízo e embarcaram numa fúria arboricida?

Primeiro, surgiu a intenção da Câmara Municipal de Lisboa (CML) instalar uma casa em metal sobre uma tipuana classificada no Jardim de Santos. A ninguém ocorreu consultar o Decreto-Lei n.º 28468/38, de 15 de Fevereiro, e aquilo que o mesmo diz sobre as medidas de protecção a exemplares classificados. A ninguém ocorreu questionar os serviços técnicos da Autoridade Florestal Nacional (AFN) ou outros técnicos em arboricultura, sobre os efeitos da instalação da dita estrutura sobre a árvore e o constante movimento de pessoas a subir à mesma.

Aliás, estou plenamente convicto que a CML se está perfeitamente borrifando para os técnicos da AFN e para o Decreto-Lei n.º 28468/38. O que lhes interesse é o pretenso chique da modernidade que a ExperimentaDesign distribuirá sobre o espaço, como se fossem pozinhos de magia...

E se os ramos da árvore não aguentarem o peso da estrutura e das pessoas? Pormenores, o que interessa é o brilho do design!


Fotografia do blogue Lisboa S.O.S.

Em segundo lugar, temos o abate, já concretizado, de dezenas de laranjeiras, na Praça de Alvalade, apenas para prolongar uma calçada em lioz. Árvores saudáveis, que não colidiam com nenhuma estrutura urbana.


Mais uma vez, pretensos valores estéticos ditaram o abate de árvores. Pormenores diria a CML.

Fotografia de Leonor Areal

Por último temos o inenarrável caso do Príncipe Real e das árvores que estão a ser abatidas no seu jardim. Primeiro eram 20, agora serão perto de meia centena. Primeiro era porque estavam em más condições mas, afinal, parece que algumas estavam apenas mal formadas, ou seja, eram feias...coitadas!

Diz o assessor de imprensa do Sr. vereador dos Espaços Verdes que o projecto foi aprovado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Pessoalmente, só ficaria sossegado se o mesmo tivesse sido aprovado por técnicos de arboricultura, ou será que estes não existem numa cidade com as universidades e os institutos que Lisboa tem?!

Termino pois com a pergunta que faço no título deste texto, dirigida ao Sr. vereador dos Espaços Verdes da CML, José Sá Fernandes: E a seguir, José, que árvores vais mandar cortar?


terça-feira, novembro 24, 2009

Arboricídio em Oeiras




Na Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras, foram abatidas mais de 100 árvores porque, segundo o arquitecto Luís Cabral, responsável pela requalificação do espaço, havia exemplares:

a) Infestantes;
b) Mal formados;
c) De folha persistente;
d) Localizados em locais onde é necessário edificar novos edifícios.


Vamos à análise dos pretensos motivos que justificariam tamanho barbárie:

Admito que não se pode ser preso por ter e por não ter cão. E eu que já, por tantas vezes, defendi que as espécies invasoras deveriam ser eliminadas dos espaços públicos, não critico esta opção (por princípio, pois admito excepções se estivermos a falar de exemplares notáveis).
Por este motivo, não me oponho a que, progressivamente, se vão substituindo estas espécies, existentes em jardins de edifícios públicos.

No entanto, tendo em conta que foram abatidas 120 árvores (!!!), não me deixo de questionar sobre quantas, destas árvores, seriam invasoras? Como não me deixo de interrogar sobre se este caso de Oeiras foi excepcional ou se, a partir de agora, todas as espécies invasoras existentes em jardins de escolas, ou de outros edifícios públicos, serão abatidas?


Obviamente, passando a outro argumento, é compreensível que se transplantassem os exemplares que colidissem com a construção de novos edifícios, dentro do recinto escolar. Admito mesmo que fosse impossível transplantar alguns desses exemplares, mas a decisão de as abater, pura e simplesmente, sem ponderar o transplante, mostra bem o valor que foi dado às árvores que existiam na escola.

Os restantes argumentos com que se pretendeu justificar este arboricídio são indecorosos! Abater árvores porque estão mal formadas é absurdo. As árvores não se querem perfeitas, querem-se seguras. Logo, ou bem que as árvores tinham problemas fitossanitários, que punham em sério risco os elementos da comunidade escolar, ou a decisão de as abater por não estarem muito perfeitinhas foi perfeitamente fútil.
Como fútil foi a decisão de abater árvores porque eram de folha persistente. Sim, é certo que as árvores de folha caduca têm a vantagem de renovar a folhagem, permitindo a passagem da luz solar no Inverno, mas pretende-se, como esse argumento, justificar o abate de árvores com dezenas de anos? Apenas porque eram de folha perene?!

Não satisfeito com esta argumentação, o Sr. arquitecto pretende que aceitemos o arboricídio de mais de uma centena de exemplares, com dezenas de anos, acenando com a plantação de novas árvores. O Sr. arquitecto acha uma chatice isto das árvores serem velhas e feias.

Chique a valer é plantar novas árvores, mais de acordo aos gostos do autor do projecto de requalificação. A história, essa, apaga-se ao som da motossera!

Deste modo, o arquitecto Luís Cabral ignorou o valor do pequeno ecossistema formado por esta centena de árvores no jardim desta escola, como ignorou o seu valor patrimonial e o valor sentimental que as mesmas tinham para dezenas de pessoas que estudaram e trabalharam neste lugar, ao longo dos anos.


Tudo isto foi feito em nome de uma requalificação para fazer nascer a escola do século XXI. Medo! A escola do século XXI está entregue à mais pura das ignorâncias, desrespeitadora da sua própria história e identidade.


P.S. - Esta situação é, para mim, tanto mais absurda quanto o arquitecto Luís Cabral foi o autor do Jardim do Lago, na Covilhã, obra em que soube aproveitar as velhas árvores da quinta onde o referido jardim foi implantado. Elogiei-o por isso e mantenho esses elogios.
Lamento apenas a aparente mudança de opinião do arquitecto face à preservação do arvoredo pré-existente.

O único argumento verdadeiramente válido para abater uma árvore é a sua falta de sustentabilidade e, logo, o risco da mesma cair e poder provocar danos, humanos ou materiais. É sintomático que este argumento não tenha sido referido, como justificativo, para abater nenhum dos 120 exemplares.

terça-feira, novembro 17, 2009

Poderá o amor matar uma árvore?



No seguimento do seminário sobre conservação de árvores monumentais realizado em Madrid, e divulgado aqui, uma reflexão interessante que aconselho a ler: Amores que Matam Árvores (texto em língua espanhola).


Nota pessoal: a falta de civismo pode matar uma árvore ou, no mínimo, danificá-la (ver a imagem do plátano monumental, situado em Monchique, que acompanha este texto). Não discordo.

No entanto, a meu ver, tal constatação deverá levar-nos a educar as pessoas no sentido de modificar as suas atitudes para com as árvores e a acautelar a protecção de alguns espécimes, em particular, mais sensíveis à pressão humana. Mas não nos deverá levar nunca a esconder todas as árvores em cercados, longe dos olhares humanos.

Só se ama o que se conhece. Se é inegável que o "excesso de popularidade" pode danificar uma árvore, não deixa de ser menos verdade que a divulgação dos exemplares monumentais é essencial para a causa da defesa da importância do património arbóreo. Em Espanha como em Portugal.



sexta-feira, setembro 04, 2009

A loucura à solta em Ponte da Barca


As imagens que se seguem foram tiradas, em Ponte da Barca, por um leitor do "Dias com Árvores".

Relata esse leitor que em Ponte da Barca existia um belo choupal...

Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves

Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves


Ponte da Barca - Fotos de Jorge Alves

Qual o motivo para tamanha barbaridade? O de sempre, a ignorância!

Tudo terá começado com a queda de alguns exemplares no último Inverno, o que, inevitavelmente, constitui sempre o álibi perfeito para justificar posteriores arboricídios.

Como já aqui escrevi, por diversas vezes, num país onde grassa o desleixo é uma sorte que não ocorram mais acidentes com quedas de árvores, dado o abandono de muitos arvoredos, por um lado, e a forma deficiente como se faz a manutenção das árvores nas cidades, por outro.

Sai caro a uma Câmara, a uma Junta de Freguesia ou a qualquer outra entidade, pagar a uma empresa especializada em arboricultura para examinar os arvoredos em espaço público e, desta forma, evitar ao máximo a possibilidade de acidentes deste tipo.

Sim, eu sei, esses serviços são caros. É por isso que as Câmaras atribuem esses serviços a outras empresas, ainda que sejam especializadas noutras áreas, como a construção civil, e que, por esse motivo, pouco ou nada saibam de árvores.
Mas levam menos dinheiro pelo serviço, justificam-se eles... E na hora de escolher, entre a segurança das pessoas e os foguetórios, está bem de ver qual é a opção da maioria dos nossos autarcas.

Mas cometido o primeiro erro, ou seja, não prevenir este tipo de situações, logo de seguida cometem outro erro ainda mais grave.
Ao menos poderiam ter aprendido com o primeiro erro e, após a queda de uma ou mais árvores, finalmente optarem pelos serviços de uma empresa competente na área, que pudesse avaliar o estado das restantes árvores.

Era isso o que deveria ter sido feito nesta situação e em todas as similares, pedir a avaliação de cada uma das árvores restantes, a uma empresa de arboricultura.
E, obviamente, em caso de ser detectada algum exemplar com pouca sustentabilidade, proceder ao seu imediato abate e substituição por outra árvore.

Mas não, pedir isto, pedir um comportamento normal e responsável, é pedir de mais a uma autarquia portuguesa: "O quê, mandar vir os maluquinhos das árvores?! Isso é caro e não dá votos...Vamos mostrar às pessoas que nos preocupamos com a sua segurança, vamos rolar todas as árvores!"

E assim foi...Não interessa que todas as restantes árvores pudessem estar plenamente saudáveis. Numa decisão baseada na mais pura das arrogâncias, rolaram-se, da forma que as imagens documentam, dezenas de árvores. É este o preço da ignorância... E por certo que ainda haverá pessoas agradecidas.

Esquecem-se essas pessoas que estas podas radicais transformam árvores saudáveis em exemplares mais frágeis, aumentando o risco de, no futuro, ocorrerem situações de quedas de ramos ou árvores.

Não se morre da doença mas morre-se da cura...


P.S. - Apesar de já ter relatado dezenas de casos similares, admito que este me provocou uma especial repugnância.
Após alguns segundos a olhar para as fotografias, consegui perceber o porquê desse sentimento.

É que ao contrário do que acontece com a maioria das fotografias de situações similares que aqui denunciei, nestas imagens são visíveis pessoas.

São visíveis pessoas sentadas, a conviver, numa floresta de árvores mortas e estropiadas. E essa é uma imagem verdadeiramente perturbadora.


sexta-feira, agosto 14, 2009

O teixo de Seia

Teixo (Taxus baccata L.) - Seia


Os jardins do Museu do Brinquedo, em Seia, albergam um teixo (Taxus baccata L.), com uma idade estimada de 300 anos, classificado como árvore de interesse público.

Com perto de 3 metros de perímetro de tronco à altura do peito será, de entre os exemplares ornamentais desta espécie conhecidos no nosso país, um dos mais grossos.

Apetece-me saudar o romantismo visionário de quem soube, no passado, escolher para o seu jardim uma das nossas espécies arbóreas mais bonitas e, hoje em dia, tão ameaçada nos seus habitats naturais.

Estes visionários de há 2 ou 3 séculos souberam legar-nos este património, foi o seu contributo para o futuro.
E nós, que legado saberemos deixar às gerações vindouras? Acredito que, na melhor das hipóteses, saberemos cuidar deste e de outros teixos que o tempo acarinhou até aos nossos dias.

E será este património que os nosso filhos irão receber, estes mesmos teixos. Porque hoje já ninguém planta teixos nos seus jardins.
E porque os haveriam de plantar se ninguém os conhece, se ninguém se interessa por conhecer as maravilhas do que resta do nosso património natural? Como no tempo do Eça, chique a valer é o que vem lá de fora!


segunda-feira, julho 20, 2009

Obviamente, não me deixo intimidar pela cobardia do anonimato


Em Março passado, escrevi o texto "O assassinato de uma ribeira" sobre as obras numa linha de água que atravessa o perímetro urbano de Albufeira.

Criticava, e critico, o encanamento de mais uma linha de água numa zona tão sensível a cheias; criticava a poda violenta feita a diversas árvores nas margens da ribeira e criticava a Câmara Municipal de Albufeira (CMA) por ter autorizado o início das obras sem o devido licenciamento.
Esta situação levou a que a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve embargasse a obra, de acordo com a edição do jornal "Público" de 4 de Março último. Ainda de acordo com a referida notícia, a ARH exigia que fosse tornado público o estudo que demonstrasse que estas obras não teriam impactos no aumento do risco de cheias no centro antigo de Albufeira.


Desconheço o que aconteceu, no decurso destes meses, entre a ARH e a CMA em relação a este caso e se a CMA entregou o referido estudo. Sei apenas, o que é visível para todos os que passam no local, que as obras prosseguem a bom ritmo.


Mas eis quando o texto que escrevi em Março passado começa a suscitar novo interesse, talvez pelo nervosismo próprio deste período pré-eleitoral que se aproxima.

Deste modo, após uma troca interessante de argumentos com os estimados e simpáticos amigos do "Ecogrupo", recebo um primeiro comentário anónimo, no Sábado de manhã, no referido texto: "não liguem a professores frustados (sic) e grupos de ambientalistas."

Posteriormente, no Sábado à noite entre as 22:07 e as 22:26, qual pandemia, foram deixados vários comentários anónimos na "sombra verde". O estimado anónimo, responsável pelas mesmas, fez questão de usar diversos nomes, alguns dos quais bem sugestivos (como "ultra levure"), e de deixar esses comentários em textos diferentes.

O objectivo foi claro, ou seja, querer dar-me a entender que tinham sido feitos por mais do que uma pessoa. Como se fosse plausível que surgissem, num blogue que raramente tem comentários anónimos, qual milagre da multiplicação, seis anónimos no espaço de 19 minutos!
Ainda por cima, para azar deste anónimo, o meu contador de visitas registou um número muito escasso de visitas entre as 10 e as 11 da noite...Nesse espaço de tempo, porém, houve um visitante recorrente que o meu contador de visitas localizou na zona de Portimão.


Apesar de não ter autorizado a publicação destes comentários, por serem de manifesto mau gosto, não resisto a partilhar os que foram deixados no referido texto:

Sábado às 22:07, por "ultra levure": "Quando por aqui passei e vi isto não podia de deixar de escrever. Sombra de uns caganeiras."
Sábado às 22:26 por "Cidadão de Albuhera": "Mas afinal quem é a personagem que vem falar mal de ALBUFEIRA ??????? Quem é esta personagem ,que titulo traz nessa boca mal cheirosa ????? O que pretende ,uma presidencia ou uma casa de xadrex ????????????????"

Mas ontem, Domingo pelas 22:46, surgiu, em nome da "Camara Mucipal (sic) de Albufeira" o mais curioso dos comentários: "Em nome da Camara de Albufeira será V.Exª,notificado pelas suas afirmações proferidas colocando a integridade do Presidente deste Municipio."

Reparem no zelo do funcionalismo público português capaz de enviar notificações às 11 da noite de um Domingo! Só se lamentam os erros ortográficos e o recorrente anonimato que ofende tão nobre instituição.

O que diriam os juristas da CMA se soubessem que alguém anda a escrever mensagens intimidatórias da liberdade de expressão, utilizando o nome da referida instituição?

Uma coisa é certa. Irei continuar a escrever, independentemente de quem se sinta incomodado e independentemente de quem continua a aproveitar-se do anonimato para destilar o seu ódio pela liberdade de pensamento e de expressão.


terça-feira, junho 16, 2009

Os choupos (novamente)

O António, do blogue "Dispersamente...", teme pelo futuro de alguns choupos no centro de Leiria.

Com razão, teme que a habitual desculpa do mau estado fitossanitário das árvores, esconda o desejo de requalificar um espaço à custa das vítimas do costume, ou seja, as árvores.
O António receia, e como eu o compreendo, que esta situação seja a repetição de um filme que já vimos tantas vezes nas cidades portuguesas e no qual, para se justificar a plantação de mais árvores, se abatem exemplares com dezenas de anos (ver este exemplo em Albufeira).

Naturalmente que se forem tornados públicos relatórios técnicos, elaborados por credenciados técnicos de arboricultura, que fundamentem a necessidade de abater estas árvores por motivos de segurança pública, eu serei o primeiro a concordar com o seu abate*.

Deste modo, aguardamos as devidas explicações em nome da confiança, cada vez mais difícil de sustentar, em quem governa as nossas autarquias.

Como noutras situações anteriores, exige-se o conhecimento do que se esconde por detrás deste caso em Leiria: uma genuína vontade de proteger os cidadãos e os seus bens, sustentada tecnicamente, ou apenas mais uma requalificação urbana de contornos arboricidas.





* Nos últimos dias assistimos à queda de uma árvore com graves consequências. O caso ocorreu em Aveiro, no Parque Infante D. Pedro e, curiosamente, envolveu um choupo.

Vou ser sincero. Dado o estado de abandono de muito do nosso arvoredo, ao qual há que adicionar as podas radicais feitas indiscriminadamente, que debilitam as árvores e as tornam mais propensas a quedas, admiro-me como estes casos não ocorrem com maior frequência.

O que me assusta são declarações como as do vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal de Aveiro, a propósito deste caso, ao admitir a necessidade de proceder "a uma poda mais profunda" (ver "Diário das Beiras").

Não, Sr. vereador. Isso é a última coisa que as árvores do Parque Infante D. Pedro necessitam.

O que é necessário é uma avaliação rigorosa do seu estado fitossanitário, da qual, admito, pode resultar a necessidade de abater algumas árvores.
Pelo contrário, podar de forma radical e apressada, sem qualquer aconselhamento técnico, só tornará estes casos mais prováveis no futuro.

sábado, maio 30, 2009

Os choupos



Está a finalizar a época do ano em que algumas espécies de choupos, particularmente o híbrido Populus x canadensis Moench, libertam a substância sedosa, semelhante a algodão, que serve de suporte à propagação das sementes.


Escusado será dizer que começa a época em que me desdobro na sua defesa, dentro da minha escola, e em vários textos e comentários que vou deixando neste e noutros blogues.

Em relação aos choupos da minha escola estou mesmo ciente que se não fosse por receio ao que eu poderia fazer, já os teriam cortado. Mas será que isto resolveria o crescente problema das alergias? Serão estes choupos os "maus da fita" e eliminados das nossas cidades, desapareceriam os problemas respiratórios característicos desta altura do ano? A resposta é, claramente, não!

Sim, é certo que estes filamentos dos choupos podem causar problemas quando em grande quantidade. Cito a alergologista Maria da Graça Castel-Branco, em declarações ao "Jornal de Notícias": "(...)têm um efeito irritativo quando entram em contacto com os olhos, a boca e o nariz, provocando comichão na face e nos olhos e irritação nasal."

No entanto, sabemos que a libertação destes filamentos dos choupos coincide com o período de libertação de pólen por parte de centenas de espécies, incluindo as gramíneas. E eis o que diz novamente a alergologista Maria da Graça Castel-Branco: "Entre Março e Maio (...) é o período em que maiores quantidades dessas substâncias (dos choupos) estão no ar, salientando, porém, que é o pólen das gramíneas (ervas selvagens), mais agressivo, o responsável pela maior parte das alergias em Portugal."

Está visto que abater milhares de choupos não resolveria o problema e erradicar as gramíneas é impossível por vários motivos, incluindo o facto das gramíneas não incluírem apenas "ervas selvagens" mas também as plantas que são a base da nossa alimentação, como o trigo, o centeio ou o milho, por exemplo.

Mas se o verdadeiro problema estivesse no pólen, ou em qualquer outra substância libertada pelas plantas, há muito que as populações rurais teriam fugido dos campos e da orla das florestas para se refugiarem nas cidades!

Sabemos bem que o que provoca o êxodo das populações rurais para as cidades é tudo menos a fuga ao pólen e às alergias. Sabemos que é nas cidades, precisamente pela menor qualidade do ar, que são mais frequentes as doenças do foro respiratório.

Nas cidades, as árvores são o nosso melhor aliado contra essa poluição, a principal responsável pelos crescentes problemas de alergias entre as populações urbanas.
Relembro as palavras de Ana Todo Bom, presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia, ao "Diário de Coimbra" (notícia de Maio de 2007) e onde a mesma comprovava que as causas das alergias não estavam apenas na libertação de pólen, frutos e sementes pelas plantas mas que, apesar de se assistir a um aumento das reacções alérgicas, era "a poluição resultante do tráfego automóvel que exponenciava" este mesmo efeito alérgico.

Resumindo: cortar árvores não resolve o problema, apenas o agrava. Evidentemente que, de futuro, se deverão evitar plantar nas cidades espécies que libertem pólen, ou outras substâncias, com elevada alerginicidade.

Mas não contem comigo para assinar por baixo em favor de uma campanha arboricida para abater todos os choupos deste país. Até porque se quiséssemos abater todas as árvores que, potencialmente, podem provocar alergias, teríamos que alargar a lista, de acordo com a avaliação feita pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia, aos áceres, bétulas, ciprestes, carvalhos (inclui azinheiras e sobreiros), castanheiros-da-índia, nogueiras, oliveiras, pinheiros, cedros, plátanos, teixos, tílias, ulmeiros e salgueiros.

Ficaríamos com um deserto nas cidades e, ironicamente, mais susceptíveis à poluição automóvel, ou seja, mais susceptíveis a padecer de alergias e outros problemas de saúde.

É isto que pretendemos, embarcar numa espécie de "caça às bruxas" na forma de árvores, abatendo tudo o que liberte pólen ou outras substâncias para a atmosfera? E os pobres coitados que vivem no campo?! Terão que vir morar para as cidades?
E os índios que persistem em tentar sobreviver na imensidão da floresta Amazónica, conhecerão eles os perigos do pólen que os rodeia por todo o lado? Ou deveremos ensinar-lhes os benefícios do Zyrtec?!


Haja bom senso...Andem mais a pé, aumentem os espaços verdes nas cidades e deixem os choupos morrer de velhos!*



* Curiosamente, estes choupos híbridos, apesar do seu rápido crescimento que os tornou populares, são árvores com uma longevidade muito reduzida.

quarta-feira, abril 29, 2009

Hábitos doentios







Duas fotografias que falam por si...

A primeira, da autoria da Júlia, mostra a contradição flagrante entre o plátano classificado de Portalegre e os monstros disformes, da mesma espécie, que o enquadram.

A segunda, da autoria do Paulo, por ter sido tirada diante de um dos mais importantes monumentos nacionais, o Mosteiro da Batalha, acentua a dificuldade do nosso povo em lidar com as árvores em espaço público.


Vai sendo tempo de passar das palavras à acção. Alguém tem que iniciar um processo que ponha fim a isto.

Mas só será bem sucedido quem tiver a consciência que, mudar os hábitos doentios que permitem estes atentados, levará gerações a alterar. Quem ordena estes massacres conta com poderosos aliados: a indiferença, o desconhecimento e a inércia da maioria de nós.

Veja-se o flagrante caso de Portalegre, patente na primeira fotografia. Enquanto as pessoas considerarem normal ter, nas suas ruas, árvores desfiguradas e exemplares colossais, como o que se observa na imagem, nada de significativo mudará.

Sou dos que acredita que as sociedades não mudam de cima para baixo, mas em sentido inverso. Enquanto as pessoas não se reconciliarem com as árvores e não criarem com elas uma relação de dependência afectiva, nenhuma lei ou decreto mudará este estado de coisas.

À medida que foram migrando para as cidades e obtendo alguns sinais de riqueza, tradutores de uma suposta sofisticação citadina, os portugueses foram-se desligando das suas raízes rurais, nutrindo pelas mesmas um alheamento que roça a vergonha nas mesmas.

É quase como se, para se ser moderno, fosse necessário eliminar todos os sinais exteriores de ligação ao campo e à natureza, como as árvores. É altura de denunciar esta mentalidade pseudo-moderna, patente em tantas requalificações urbanas pagas com o dinheiro dos nossos impostos.

É altura das pessoas se reconciliarem com as árvores e com o seu papel nas cidades.

A mudança pode levar anos, mas pode começar hoje...


quinta-feira, abril 16, 2009

Um país de cobardes





No Montijo, como um pouco por todo o lado, a cobardia cívica anda à solta. Pela calada, quando ninguém vê, revelamos a pequenez e a mesquinhez dentro de nós.

De um país onde se abandonam os animais de estimação como quem abandona um brinquedo, não se poderia esperar uma atitude de maior dignidade face à árvore.

Assim, da forma mais ignóbil que se possa imaginar, alguém tentou matar um conjunto de plátanos, injectando os mesmos com ácido.

De nada interessa o papel da árvore na cidade, que vai muito além do plano estético e que inclui a melhoria do microclima local (com impacto na redução dos consumos energéticos) ou a redução da poluição atmosférica (responsável pelo aparecimento e agravamento de várias doenças, incluindo as alergias).


No fundo, o que queremos são cidades sem árvores nos passeios: aumenta-se o espaço para o estacionamento (em cima do próprio passeio), acaba-se com o aborrecimento das folhas que entopem as sarjetas e afastam-se, de uma vez por todas, os pássaros e as borradelas em cima dos automóveis, o bem mais precioso do lusitano e pelo qual todos os sacrifícios são válidos.

Não nos esqueçamos que, no nosso país, ninguém valoriza uma pessoa que goste de árvores mas que ande a pé. Por oposição, um energúmeno capaz de injectar ácido numa árvore mas que conduza um carrão alemão, tem tudo para ser um herói no bairro.

As pessoas têm liberdade para não gostar de árvores, para implicar com elas e querer que as mesmas sejam cortadas. Mas ao menos tenham a dignidade e a coragem de dar a cara e de formalizarem, às claras, a vossa vontade junto da respectiva Câmara ou Junta de Freguesia.

Nestes dias que correm, a crise não é apenas económica, mas também de valores. Por estes dias, a vida está facilitada para a cobardia...


domingo, março 22, 2009

Retrato da árvore em Portugal (de volta à realidade)



Ontem foi o "Dia da Árvore". Foi o dia das boas intenções, de centenas de árvores plantadas.

No dia seguinte, convém lembrar que muitas das autarquias que patrocinam esses actos são as mesmas que permitem situações como a da imagem.

Esta árvore permanece morta há quase dois anos numa rua de Albufeira, perante a indiferença de todos. E não é caso único...

Este retrato faz parte do quotidiano das cidades portuguesas. Como se muda? Passando das palavras aos actos. Cuidar de forma adequada das árvores das nossas ruas deve ser prioritário a plantar novas, sobretudo quando tal se resume a um acto de mero "marketing verde".


P.S. - Ainda ontem, na edição do Público (no suplemento "Local Lisboa"), se relatava mais uma requalificação à portuguesa, desta feita no concelho de Oeiras: abate de árvores saudáveis com o justificativo de plantar mais árvores! O contribuinte paga...

quinta-feira, março 19, 2009

Monstros urbanos

Seguem-se imagens de uma cidade portuguesa. Um "Museu dos Horrores", um "Tratado do Disparate" no que concerne à manutenção das árvores ornamentais!

São 13 fotos, mas poderiam ser o dobro ou o triplo...






























A cidade é Braga. Na realidade, imagens como estas poderiam ser obtidas na maioria, para não dizer na totalidade, dos concelhos do nosso país.

É igualmente verdade que este problema da falta de qualidade na manutenção das árvores em espaço urbano está longe de ser um exclusivo do nosso país. Basta atravessar a fronteira para verificar que em Espanha, por exemplo, o panorama não é mais animador. Mas com o mal dos outros...

Mas há um motivo concreto pelo qual mencionei o nome da cidade onde captei estas imagens. Braga não é uma cidade qualquer, é uma das maiores urbes do nosso país.

Uma cidade não deve ser grande apenas no número de habitantes ou na dimensão da sua malha urbana. Uma urbe da dimensão de Braga deve ter uma massa crítica actuante, capaz de exercer uma vigilância activa sobre as políticas municipais que influenciam, directa ou indirectamente, a qualidade de vida na cidade.

As elites não devem servir apenas para gerar e sustentar opções culturais mais ou menos alternativas. Cultura não é apenas música ou cinema independentes (coisas que também me agradam muito). Cultura é também qualidade de vida e, para tal, é imprescindível uma prática que proteja e saiba cuidar dos espaços verdes e das árvores das cidades.

É em cidades como Braga, Coimbra, Porto ou Lisboa, por exemplo, que a mudança deve começar. É nas maiores cidades, com maior vivência cultural, com as maiores academias e universidades, e com os mais influentes órgãos de comunicação social, que devem surgir as elites que se revoltem contra a forma como a árvore é desprezada no nosso país.
E que, em consequência, exijam do poder político local outra atitude face à árvore no espaço urbano. Este só mudará a sua actuação se sentir essa pressão da opinião pública no sentido de uma efectiva mudança na forma como se planeia a arborização das ruas e, posteriormente, na forma como é feita a respectiva manutenção.


Porque a mudança só é possível com o conhecimento, é nas cidades onde este conhecimento está mais acessível, nomeadamente através das universidades e dos técnicos que aí existem, que ela deverá começar.

É altura da manutenção das árvores ser competência exclusiva de arboricultores certificados. Em causa estão não apenas questões estéticas mas a segurança de todos nós e dos nossos bens, pois estas intervenções desastrosas debilitam as árvores pondo em risco, desta forma, a segurança de todos os cidadãos.

Através destas imagens compreende-se melhor porque " (...) em meio urbano, as árvores ficam particularmente frágeis raramente ultrapassando os 60 a 80 anos de vida".

Penso que todos concordaremos que está na altura de por um ponto final a estes "monstros urbanos". Tenhamos um pouco mais de amor ao nosso país, às nossas cidades e às árvores que nelas tentam (sobre)viver.