quinta-feira, abril 19, 2012
segunda-feira, abril 16, 2012
Debater a poda das árvores ornamentais
| Fotografia de Pedro Macieira |
A Alagamares, associação cultural do concelho de Sintra, organiza no próximo dia 28 de abril, pelas 15 horas, na Sociedade União Sintrense, um colóquio no qual se pretendem abordar os seguintes tópicos:
-podas urbanas e florestais, sua necessidade, oportunidade e meios para as executar;
-preservação de jardins, espécies a introduzir e a eliminar;
-as árvores e as alergias - fantasias e realidades;
-ordenamento arbóreo e audição das comunidades locais.
Uma excelente oportunidade para debater tudo o tem acontecido, nos últimos anos, neste concelho, no que concerne à manutenção de árvores ornamentais.
sábado, abril 14, 2012
Desaparecida em combate
Esta magnífica oliveira, com cerca de 7 metros de perímetro de tronco à altura do peito (P.A.P.), foi fotografada em setembro de 2006, junto a um viveiro de plantas situado à beira da estrada nacional 258, entre o Alvito e a Vidigueira. Foi dada a conhecer, nos primeiros tempos de vida deste blogue, através de um texto publicado a 26 desse mês (ver aqui).
Recordo-me que, na altura, ficámos na dúvida se a oliveira não teria sido transplantada para o local, mas, ingenuamente, apesar de estar à porta de um viveiro, nunca nos passou pela cabeça que pudesse estar à venda.
Infelizmente, passados alguns meses, o Miguel Rodrigues, na imagem, voltou ao local e a oliveira tinha desaparecido. A resposta à nossa pergunta estava dada: este monumento vivo tinha sido vendido!
O proprietário recusou-se a dar pormenores da venda, pelo que, pelo menos em teoria, é bem provável que a árvore tenha saído, inclusivamente, do nosso país.
Como escrevi ontem, um povo que vende árvores com séculos de história, é um povo capaz de vender a sua própria alma. Estas oliveiras possuem um valor biológico, cultural e paisagístico incalculável.
O valor (não apenas biológico, mas também o paisagístico e cultural) que estas árvores possuem in situ não pode, em caso algum, ser replicado num sistema artificial, como num jardim. Cada uma destas árvores, integrada num olival, é um ecossistema que abriga numerosas espécies e, em conjunto, o valor do olival em termos patrimoniais é infinitamente superior, a todos os níveis, à soma das suas partes.
Para conhecer o futuro destes espécimes, após o vandalismo de todo o processo de transplante (com as severas podas da copa e das raízes), passo a citar Bernabé Moya, responsável do departamento de árvores monumentais do município de Valência e uma autoridade na matéria: "Cerca de 50% das oliveiras transplantadas morre ao fim de dois anos e entre 80% a 90% não ultrapassará os 15 anos de vida." (Fonte da informação - aqui).
P.S. - Outra coisa que me preocupa, para além do futuro das oliveiras transplantadas, é o próprio futuro dos agricultores que as vendem ao desbarato às empresas intermediárias do negócio. Quando se acabar o dinheiro da venda das oliveiras irão viver de quê? Ou será que vamos, no futuro, começar a transplantar e a exportar sobreiros ou castanheiros monumentais, por exemplo?
P.S.S. - No texto que cito, de setembro de 2006, mencionava ainda um olival com diversos espécimes notáveis, na localidade de Neves (junto à estrada que liga Serpa a Beja). Estou muito curioso por saber se subsiste ou se, pelo contrário, terá sido, total ou parcialmente, vendido.
sexta-feira, abril 13, 2012
Património a saque
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| Olival da Pêga, Monsaraz (Foto de autor desconhecido) |
Em Espanha, como exemplifiquei há tempos, existem projetos para salvar e rentabilizar oliveiras milenares. Ao invés, no nosso país, persiste a delapidação deste património natural de valor incalculável.
Até quando? Até os portugueses compreenderem que é tão criminoso vender uma oliveira com 1 000 anos, como vender o nosso património histórico edificado. Até os portugueses compreenderem que o valor que estas árvores têm in situ não pode ser replicado quando as mesmas são transplantadas para jardins (já para não falar dos danos que as oliveiras sofrem neste processo e que, em certos casos, conduzem inclusive à sua morte).
Por último, é necessário que os proprietários destas árvores compreendam que, a médio/longo prazo, é mais vantajosa a implementação de projetos que rentabilizem este património (ver novamente o exemplo de Espanha), do que vendê-las, o que gera uma única fonte de rendimento no curto prazo (sendo que a maior fatia do negócio fica para o intermediário, que as compra por um determinado valor para depois as vender pelo dobro ou triplo do preço).
Adenda: sobre este caso passado no concelho de Reguengos de Monsaraz, transcrevo um texto de Jorge Cruz, presidente da direção da Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz (ADIM) e um esclarecimento de José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, enviado à Associação Árvores de Portugal.
"Exmos. Senhores
Assunto: Arranque de Oliveiras Centenárias no Olival da Pêga
A ADIM, Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, usando do seu dever estatutário de estar atenta às questões patrimoniais da freguesia de Monsaraz, teve conhecimento de que estão a ser arrancadas “Oliveiras Centenárias da Zona do Olival da Pega”, uma zona sensível do ponto de vista patrimonial, alargado, que abarca o megalitismo e a paisagem que lhe serve de contexto. Eventualmente com o objectivo de as fazer sair do País, uma vez que, como se pode ver pela imagem anexa, se tratam de exemplares bastante invulgares pela sua dimensão e antiguidade.
Como sabemos, o megalitismo no Concelho de Reguengos apresenta-se como de grande importância patrimonial sendo que o seu contexto paisagístico de envolvente não pode de modo algum ser descontextualizado.
Decorre actualmente o processo de classificação das Antas do Olival da Pega e recentemente o Município de Reguengos até candidatou este contexto paisagístico a “Maravilha da Natureza”, razão pela qual entendemos que acresce às entidades com responsabilidade a urgência em tentar evitar mais uma perda patrimonial que deixará mais pobre o património local.
Assim, solicitamos a todos os que tenham possibilidades de intervir, com os meios ao seu alcance, no sentido que se movimentem e impeçam este lamentável processo de perda patrimonial relevante.
Com os melhores cumprimentos
Pela Direcção da ADIM,
Jorge Cruz
(presidente da Direcção) "
"À Associação Árvores de Portugal,
Como Presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz estou chocado com estas atitudes de alguns particulares que são conjunturalmente detentores dum património secular ou mesmo milenar e que não têm qualquer tipo de visão estratégica para o preservarem e valorizarem.
Igualmente grave é o facto da Administração do Estado não criar nem permitir a criação por parte do Poder Local de instrumentos de gestão do território e deste património compatíveis com o seu interesse público.
No caso concreto, do qual nos foi dado conhecimento por um cidadão belga no início desta semana, trate-se de uma situação que envolve a aparente tentativa dum proprietário em transplantar (e eventualmente transacionar) dois exemplares de oliveiras seculares.
O Olival da Pega tem uma área total de 146 ha e o Município de Reguengos de Monsaraz tentou protegê-lo, desde logo, ao nível o PDM do Concelho. O Governo Português, por resolução do Conselho de Ministros anulou as disposições regulamentares que determinavam a obrigatoriedade de emissão de parecer desta Autarquia sempre que qualquer particular pretendesse alterar a utilização do uso deste território classificado como unidade de vocação cultural – área de interesse cultural (Resolução do Concelho de Ministros nº 10/99). Sem comentários…
Em 2002 foi apresentado formalmente um pedido de Classificação do Olival da Pega (processo entretanto enviado pela extinta Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território para a Direcção Regional de Agricultura do Alentejo). Várias insistências se seguiram ao longo dos anos sem resultados práticos.
Sabemos também que, em 2003, a Direcção Geral de Florestas enviou a um dos proprietários de várias parcelas deste Olival um ofício no sentido de solicitar por escrito a anuência do mesmo à classificação do Olival enquanto interesse público. Como os proprietários são inúmeros e o interesse privado é muito diferente do interesse público, esta não será certamente a forma mais pragmática de concluir este processo. Tanto assim é que ainda hoje não existe classificação.
Em 2009 foi efetuado um novo conjunto de diligências junto da Direcção Regional da Agricultura e Pescas do Alentejo e a Autoridade Nacional Florestal, a qual inicialmente nos informou que “não tinha conhecimento do processo” (7 anos depois…) e posteriormente nos confirmou que o “olival da Pega não se encontra classificado” (isso sabemos todos!).
Iremos, num futuro muito próximo, voltar a tentar que, ao nível da revisão do PDM de Reguengos de Monsaraz, este território seja considerado como área de interesse cultural e criadas as formas de gestão e instrução de processos de intervenção e alteração do uso do solo em todo o espaço deste Olival secular/milenar. Isto, claro está, se tivermos mais sorte do que aquela que tivemos no PDM atualmente em vigor, no qual o Governo não permitiu esta gestão por parte desta Autarquia.
Mantemos, no entanto, ainda algumas expectativas que o interesse público impere e que o Estado, possa concluir rapidamente um processo que foi iniciado com um pedido de classificação formulado pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz intensificado em 2009.
Igualmente muito importante é a sensibilização de todos os cidadãos para que a forma mais expedita de intervir é denunciar este tipo de situações prestando informação precisa do local onde se observa o arranque de oliveiras através da linha telefónica 808 200 520 - SOS AMBIENTE E TERRITÓRIO, a qual está disponível 24h por dia. É a partir desta linha azul que o SEPNA (Serviço da GNR que protege a Natureza) age no terreno para além de informar mensalmente através de relatório a Inspeção-geral do Ambiente e do Ordenamento do Território acerca do andamento dos processos referentes a todas as queixas recebidas.
Pelo nosso lado temos a tarefa diária de tentar sensibilizar os proprietários para não praticarem este tipo de comportamento que lesam definitivamente o Património Natural dum dos melhores locais do Mundo.
Contamos com a Vossa ajuda!...
Cumprimentos.
José Calixto."
quarta-feira, abril 11, 2012
Avenida Portugal
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| Avenida Portugal, Rio Grande (Brasil) - Fotografia de Rodrigo Cardia (Blogue Cão Uivador) |
Do blogue Cão Uivador, partilho o seguinte texto:
"O título informal de “rua mais bonita do mundo” atribuído à Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, tem origem em Portugal. A fama da Gonçalo se deve ao biólogo Pedro Nuno Teixeira Santos, de Covilhã, que edita o blog A Sombra Verde. Em 4 de março de 2008, ele escreveu o texto com o título que hoje é automaticamente associado à rua porto-alegrense – basta fazer uma pesquisa no Google.
Em Rio Grande, onde estive esta semana, há uma avenida que me chamou muito a atenção logo que cheguei. No canteiro central foram plantadas várias árvores, principalmente plátanos, o que torna mais agradável caminhar pelo meio da avenida – tanto que muitas pessoas o fazem.
Logo que comentei sobre a beleza da avenida, soube seu nome: Portugal. E imediatamente lembrei do Pedro e outros portugueses que tanto amam as árvores, como o João Martins, de Loulé, que assim como o Pedro, é sócio da Associação Árvores de Portugal.
Abaixo, algumas fotos que tirei desta bela avenida. E considerando que as folhas das árvores já estão com uma coloração bacana agora em abril, no início do outono, peço ao leitor que imagine como estarão lá pela metade de maio…"
Sobre este texto, algumas notas pessoais, para agradecer, antes de mais, ao Rodrigo Cardia pelo destaque dado à sombra verde. (Sem nunca esquecer que este blogue é uma pequena linha em toda a história da Gonçalo de Carvalho, escrita pelos seus moradores.)
É emocionante ver, do outro lado do Atlântico, o nome de Portugal associado ao verde das árvores. Que pena, deste lado do Atlântico, não haver mais "avenidas Portugal" nas nossas vilas e cidades...
[Obrigado Ricardo. Grande texto...]
terça-feira, março 27, 2012
Salvar o maior poeta de Guilhafonso
| Fotografia de Ricardo Nabais |
Chamar a atenção das autoridades para tentar salvar o maior poeta de Guilhafonso, como lhe chamou Fernando Alves, foi o que mais de 20 pessoas fizeram no sábado passado.
"Está árvore está fortemente ligada à história da minha família, ao local onde nasceu meu bisavô e sob seus galhos e sombras brincou quando criança, antes de vir ao Brasil." Este comentário, escrito do outro lado do Atlântico, ilustra bem o poder que uma árvore pode ter sobre várias gerações, mesmo sobre
aquelas que, provavelmente, só a conhecem de histórias e fotografias.
Salvar uma árvore histórica, com séculos de existência, um marco na paisagem e na vida de tantas pessoas, é o dever da nossa geração. Um dever ético e moral...Não se pode deixar morrer esta árvore sem termos a certeza que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para a salvar.
quarta-feira, março 21, 2012
Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo
| Carvalho negral (Quercus pyrenaica Willd.) - Santana da Azinha (Guarda) |
Eis o que tenho a pedir-vos nos meus oitenta anos: Plantem nesse lugar um plátano, onde o vento enroladinho no sono possa dormir sem sobressaltos; ou uma oliveira, ou um chorão, e à sua roda ponham uma sebe da flor doce e musical de espinheiro branco. Embora tenha pouca ou nenhuma fé seja no que for, a terra ficará mais habitável. Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo. - Eugénio de Andrade
sexta-feira, março 16, 2012
Será um ato fascista gostar de uma árvore?!
| Fotografia de Rivaldo Ribeiro - Blogue Aldeia Mundus |
Do Brasil,da cidade de José Bonifácio, chegou-me um pedido de ajuda. Um pedido de ajuda para divulgar uma ação arboricida.
Apesar do oceano que nos separa, não podia deixar de dar uma resposta positiva a esse pedido. Há uma longa história que liga a Sombra Verde ao Brasil, de onde, aliás, não param de chegar novos leitores a este blogue.
Infelizmente, lá, como por cá, existem casos de desrespeito pela memória coletiva das pessoas e pelo papel que as árvores desempenham na construção dessa mesma memória. Tudo parece ser desculpa para derrubar árvores, sem se considerarem alternativas, sem ouvir as pessoas...
Em José Bonifácio, quem defende as árvores é apelidado pelo poder político como "fascista" ou "nazi", o que revela, acima de tudo, uma profunda ignorância pelo significado dessas palavras e pelas vítimas dessas doutrinas políticas.
É curioso notar as semelhanças no discurso político entre alguns presidentes de câmara portugueses e alguns prefeitos do Brasil: tudo parece desculpável desde que se mandem plantar novas árvores.
A árvore, nas cidades, é vista não como um elemento com história, que constrói a identidade dos lugares e das pessoas que o habitam. Não, para quem manda nas cidades, a árvore é um bem descartável, que serve apenas para fazer marketing verde à medida dos interesses políticos do momento.
quarta-feira, março 14, 2012
"A sombra verde" por Fernando Alves
| Castanheiro de Guilhafonso (Guarda) - Verão de 2007 |
O Sinais, do Fernando Alves, na TSF, falou hoje no castanheiro de Guilhafonso. Pegando nas palavras de Torga, quando falava do velho negrilho de S. Martinho de Anta, Fernando Alves conseguiu dizer o que eu quis e não soube, sobre este magnífico castanheiro.
Um poeta tem a capacidade de nos arrancar à vulgaridade dos dias. Assim é uma árvore monumental, um poeta capaz de marcar a vida de todos os que o viram desenhar a paisagem do sítio onde nasceram, do lugar a que pertencem.
Com caramba, não se pode deixar partir uma árvore com séculos, um poeta dos nossos dias e das nossas horas, sem dar luta! No dia 24 de março, demonstrem que somos pessoas para quem preservar a sua identidade, ainda é uma causa que vale a pena.
Quando perdermos a nossa paisagem, perderemos os nossos referenciais pessoais, os mesmos que fizerem de nós aquilo que somos hoje. Quando perdermos a nossa paisagem, perderemos tudo...
De seguida, o texto, na íntegra, da crónica de Fernando Alves:
"Este blogue dá uma sombra boa. Este blogue dá sombra tal como um certo negrilho dá sombra ao busto do Torga. O Torga considerava que esse negrilho era o único poeta da terra onde nascera.
Há dias, este blogue, "A Sombra Verde", reeditou uma fotografia de 2007, a fotografia do castanheiro de Guilhafonso. Tal como o negrilho do Torga, aquele castanheiro é o maior poeta, talvez o único, de Guilhafonso. O castanheiro de Guilhafonso é uma árvore majestosa, sentada na paisagem, com os seus ramos largos como asas de uma águia imponente que tenha desistido de voar mas não de guardar os caminhos da Guarda.
O blogue A Sombra Verde veio avisar, no fim de Fevereiro, que está a ser preparada uma caminhada em defesa do castanheiro de Guilhafonso. A caminhada está marcada para 24 de Março, é já deste sábado a oito. As inscrições podem ser feitas no núcleo regional da Quercus, na Guarda. Outras instituições, como a Árvores de Portugal e a Associação Transumância e Natureza, apoiam a iniciativa. Uma caminhada. Em defesa de uma árvore secular. Será notícia no Telejornal?
O aviso d'A Sombra Verde já ecoou entre os amigos das árvores. Alguém foi à caixa de comentários do blogue e avisou que a Câmara da Guarda vai garantir a conservação do castanheiro e da área envolvente.
Senhores, estamos a falar do maior castanheiro da Europa. Tem mais de 400 anos. 19 metros de altura, diâmetro de copa de 26 metros.
É por isso que, ao chamar-me para a caminhada de dia 24, este blogue espalha sobre a minha mesa uma sombra que me chama para dentro de um poema de António Ramos Rosa. O poema fala de um homem que esperou/ à sombra de uma árvore/ mudar a direcção/ ao seu pobre destino."
Ouvir a crónica na voz do Fernando Alves (aqui).
Ouvir a crónica na voz do Fernando Alves (aqui).
terça-feira, março 13, 2012
Às vezes...
| Praia dos Salgados - Algarve |
Às vezes, os finais de tarde no Algarve ainda me conseguem surpreender...
Adenda: Se concordarem, assinem a petição que pretende impedir a prospeção de petróleo e de gás natural, ao largo da costa algarvia (aqui). Eu já assinei...
sexta-feira, março 09, 2012
segunda-feira, março 05, 2012
Uma beleza beirã
| Fotografia - Associação Transumância e Natureza |
sábado, março 03, 2012
Gente da minha terra
| Parque Natural da Serra da Estrela - Abril de 2008 |
Há poucos a defender a Serra da Estrela. Há muitos, infelizmente, a destruí-la invocando o interesse público, em favor de interesses privados bem conhecidos.
É desta forma que ao enriquecimento de uns, baseado no paradigma do turismo do alcatrão e do saco de plástico, se opõe a destruição de habitats, da paisagem e o continuado empobrecimento desta região, incapaz de suster a fuga, para outros pontos do país e estrangeiro, dos que aqui nascem.
Porém, o facto de haver poucos a defender a Estrela, não significa que não haja quem o faça de forma persistente e coerente há muitos anos, criticando com coragem e lucidez e, coisa rara noutros casos, propondo soluções alternativas.
Assim sendo, nos 30 anos dos Amigos da Serra da Estrela (ASE) cabe-me apenas dizer: obrigado!
Adenda: O comentário do José Amoreira, autor d'O Cântaro Zangado, levou-me a querer acrescentar esta adenda ao meu texto inicial.
Dizer obrigado aos que defendem a Serra da Estrela, como a ASE e o José Amoreira, não basta. É preciso também incentivar todos aqueles que, como ele, lutam para mudar o estado das coisas na Serra da Estrela. E porquê? Porque é um trabalho difícil, uma vez que os "inimigos" não se limitam a meia dúzia de autarcas ou operadores de turismo.
O problema principal continua na mentalidade de muitas pessoas da região que acreditam e defendem esta mesma lógica de mais alcatrão. Só no concelho da Covilhã, são recorrentes os pedidos de asfaltamento das estradas que permitiriam uma ligação mais direta entre as Cortes do Meio e Unhais da Serra e o maciço central da serra.
Em resumo, e apesar da crise em que estamos, resultado de um país que nas últimas décadas apenas investiu no alcatrão e no betão, tornando-nos ainda mais pobres e endividados, há quem continue a acreditar que serão as estradas que, por artes mágicas, farão de Portugal um país gerador de riqueza.
Na Serra da Estrela, especificamente, as estradas servem apenas para levar mais pressão humana e poluição a zonas ambientalmente sensíveis, aumentando o turismo de passagem, ou seja, o turismo de quem se limita a passear sem sair do carro e que, na melhor das hipóteses, dá dinheiro a ganhar a quem tem o exclusivo da maioria das unidades hoteleiras no maciço central.
Ao contrário, a serra precisa de um turismo de permanência, de quem chegue e depois a descubra lentamente (de bicicleta, a pé, a cavalo,...), distribuindo riqueza por vários operadores de turismo, criando empregos, diversificando a micro economia local.
Por isso, força ASE e força Cântaro Zangado!
quinta-feira, março 01, 2012
Aprender a conhecer as nossas plantas
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| Flora interativa de Portugal: Flora on |
Foi lançada pela Sociedade Portuguesa de Botânica um portal interativo sobre a flora de Portugal, de nome Flora on. É uma excelente iniciativa, com imenso potencial científico e educativo, que permite colmatar, pelo menos em parte, a inexistência de um guia de identificação da nossa flora que seja acessível a todos, nomeadamente à clara maioria dos cidadãos (leigos na matéria).
Há um par de anos, a coleção do jornal Público, sobre as árvores e florestas de Portugal, editou um guia de campo, de boa qualidade, sobre a nossa flora lenhosa. Porém, para um leigo, uma imagem vale bem mais do que 1 000 palavras e, nesse sentido, parece-me que este projeto pode ter uma utilidade acrescida, para quem não domina as terminologias botânicas, ao incluir diversas imagens para cada espécie, retratando diversos aspetos da sua morfologia.
Nota: Embora isso em nada retire mérito a esta louvável iniciativa, pessoalmente preferia que um portal sobre a flora portuguesa se chamasse Flora lusa, por exemplo, em vez de Flora on, com recurso a um anglicismo perfeitamente desnecessário.
domingo, fevereiro 26, 2012
Uma bela manhã em Monchique
Heroísmo ou loucura? Talvez um pouco dos dois e ainda um pouco de amor (às árvores). Eis a receita que levou perto de 40 pessoas a sair da cama bem cedo, para percorrerem um circuito de 4 km que as levou a conhecer as histórias por detrás de algumas das árvores monumentais de Monchique.
Mais pormenores no blogue da Árvores de Portugal.
sábado, fevereiro 25, 2012
Caminhada em defesa do castanheiro de Guilhafonso
| Castanheiro de Guilhafonso no início do passado outono- Fotografia de Ricardo Nabais |
A Árvores de Portugal, a Associação Transumância e Natureza e a Quercus (núcleo regional da Guarda) apoiam a caminhada do próximo dia 24 de março, que visa chamar a atenção dos poderes públicos e da população em geral, para a urgência em salvar o castanheiro de Guilhafonso, no concelho da Guarda. Inscrições: aqui.
P.S. - O castanheiro de Guilhafonso na Sombra Verde, fotografado no verão de 2007.
sábado, fevereiro 18, 2012
Visita às árvores monumentais de Monchique
No próximo dia 26 de fevereiro, domingo, realiza-se um passeio que proporcionará a oportunidade de conhecer de perto vários espécimes arbóreos do concelho de Monchique, classificados como árvores de interesse público.
Uma organização da Almargem, com apoio da Árvores de Portugal e da associação A Nossa Terra, de Monchique. Recorde-se que, seguindo uma ideia inicial da Árvores de Portugal, estas entidades, em conjunto com a Câmara Municipal de Monchique, estão a preparar um conjunto de rotas que visam dar a conhecer o riquíssimo património arbóreo deste concelho algarvio.
Inscrições: 938 771 316 / asantos(arroba)almargem.org
Até domingo...
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Jornadas sobre teixos no norte de Espanha
Jornadas sobre gestão e conservação de teixos e outras árvores históricas. Nos próximos dias 1 e 2 de março, em Gijón, nas Astúrias, no Jardín Botánico Atlántico. Mais informações (aqui).
Emissão do "Biosfera" sobre o sobreiro
Emissão do programa "Biosfera", da RTP2, dedicado aos problemas que afetam o sobreiro. Ver emissão na íntegra (aqui).
domingo, fevereiro 12, 2012
O sobreiro no "Biosfera"
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| Imagem: Biosfera |
Na próxima terça-feira, dia 14, pelas 19 horas, o programa "Biosfera" da RTP 2, emitirá uma reportagem especial sobre o sobreiro e os problemas que afetam a espécie no presente.
Em nome das associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza, que promoveram o processo que conduziu ao reconhecimento do sobreiro como a árvore nacional do nosso país, gravei um pequeno depoimento para esta emissão.
sábado, fevereiro 11, 2012
sexta-feira, fevereiro 10, 2012
A estupidez humana não é relativa...é absoluta
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| Plátanos rolados no concelho de Sintra - Fotografia de Pedro Macieira |
Albert Einstein terá dito que existem apenas duas coisas infinitas, o universo e a estupidez humana. Terá ainda acrescentado ter sérias dúvidas sobre a primeira.
Eu, que em nada me quero comparar ao génio de Einstein, não tenho nenhuma dúvida sobre a segunda, sobretudo quando vejo a forma como, por cá, destruímos, todos os anos, as árvores das nossas vilas e cidades.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Imperdoável
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| Alameda de plátanos - Povoação, São Miguel. Origem das fotos: Amigos para Salvar o Pico Longo |
Se consideram, como eu, que perder este património natural seria um crime imperdoável, juntem-se a mim e assinem a petição em defesa desta magnífica alameda de plátanos. Percam 1 minuto para ajudar a salvar o que levou dezenas de anos a crescer. (Assinar petição em defesa da alameda de plátanos de Povoação.)
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| Alameda de plátanos - Povoação, São Miguel. Origem das fotos: Amigos para Salvar o Pico Longo |
terça-feira, fevereiro 07, 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Resiste Porto Alegre
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| Rua Gonçalo de Carvalho - Porto Alegre, Brasil. Fotografia - TreeHugger |
Dos Estados Unidos ao Chile, a fama da Rua Gonçalo de Carvalho continua a expandir-se. Ela já não é somente a rua mais bonita do mundo; é também "the most beautiful street it in the world" ou "la calle más hermosa del mundo".
Esta fama tem esse outro lado de, no presente, já servir como chamariz para turistas interessados em conhecer a rua, as suas árvores e a sua história. É verdade, turismo baseado na preservação das árvores.
Infelizmente, mesmo em Porto Alegre, os lóbis do futebol, como por cá, movem-se muito bem dentro dos meandros do poder, confundindo os seus interesses com os interesses de uma cidade ou de um país.
Por cá, com a desculpa do Euro 2004, construíram-se estádios inúteis. Em Porto Alegre, a mesma Porto Alegre que declarou a Gonçalo de Carvalho como património ambiental pela riqueza do seu arvoredo e paisagem, decretou-se o corte de dezenas de árvores em nome desse mesmo futebol e do dito progresso que ele arrasta.
Continuo a gostar desse futebol que jogava em miúdo, com os meus amigos, na minha rua. Abomino cada vez mais esse futebol obscuro, essa indústria que destrói tudo o que se atravessa no caminho do seu voraz apetite...Resiste Porto Alegre!
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| Foto - Anita mais verde |
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
terça-feira, janeiro 31, 2012
sexta-feira, janeiro 27, 2012
Troféus de caça
Se há coisa de que eu não gosto são troféus de caça. E, hoje em dia, as oliveiras monumentais, com vários séculos de história, transformaram-se numa espécie de troféu que todos querem ter no seu jardim, quer seja um novo rico, um hotel ou campo de golfe ou mesmo uma fundação, como Serralves.
Que não restem dúvidas, como qualquer pessoa, não me oponho ao transplante de uma oliveira, ou de outra árvore, se estivermos perante uma situação em que a mesma corra o risco de ser destruída devido à construção de uma estrada, de uma barragem ou de outro tipo de infraestrutura. Foi assim, por exemplo, no caso do Alqueva, o que permitiu salvar centenas de árvores. Nada a opor, como é óbvio, quanto à salvação dessas árvores, considerações à parte quanto à utilidade de algumas dessas infraestruturas.
Não é o caso... O que temos aqui é uma marca de azeite que, ao invés de preservar este monumento natural in situ, decidiu embarcar numa campanha de marketing, a pretexto da renovação de um olival, oferecendo esta oliveira para poder ser exibida, qual "troféu de caça" capturado na savana, nos jardins de Serralves.
Que a dita marca de azeite tenha apostado nesta estratégia para promover o seu nome, tentando mesmo passar uma imagem de preservação de um património biológico ímpar, não me surpreende. Mas que a Fundação de Serralves, com provas dadas na forma como cuida das suas árvores, tenha cedido à tentação de ter nos seus jardins esta "jóia", a quem mutilaram as raízes e a copa, para exibir e impressionar os seus visitantes, já me custa mais a compreender e a aceitar.
A Fundação de Serralves, ao contrário de outras instituições, tem obrigação de ter técnicos que saibam compreender que uma árvore milenar é, em si mesmo, um micro habitat, que perde o seu valor biológico e paisagístico, quando sujeito a este tipo de operações.
terça-feira, janeiro 24, 2012
domingo, janeiro 22, 2012
domingo, janeiro 15, 2012
E se...?
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| Fonte da imagem (aqui) |
E se alguém se lembrasse de replicar este exemplo no nosso país, preservando um património natural, paisagístico e cultural único e premiando os proprietários destas árvores, ao invés de intermediários gananciosos? Não é um sonho, pode ser realidade. Ou amamos menos as nossas árvores e o nosso mundo rural, do que os nossos vizinhos espanhóis?
quinta-feira, janeiro 05, 2012
sexta-feira, dezembro 23, 2011
Boas Festas
| Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - concelho de Castelo de Vide, Portalegre |
Ilustrado por este monumental sobreiro, um dos mais velhos e notáveis do nosso país, desejo a todos os leitores deste blogue, amigos das árvores portuguesas, umas Boas Festas.
quinta-feira, dezembro 22, 2011
O sobreiro é um símbolo de Portugal
A 24 de maio de 2007 escrevia o seguinte texto aqui na Sombra Verde:
"Se os blogues têm causas, e a Sombra Verde tem várias, gostaria de adicionar a essa lista a seguinte: ver reconhecida ao sobreiro o estatuto de árvore nacional de Portugal:
- Pela sua distribuição ao longo de todo o território do continente (as ilhas são, em termos botânicos, uma realidade completamente distinta): "O sobreiro é de todas as nossas árvores aquela que se encontra mais largamente distribuída. Encontramo-la no Norte, no solar do castanheiro, do roble e do carvalho-negral; junto ao litoral, do Tejo ao Minho, luta sem proveito nem glória com o pinheiro-bravo; associa-se ao carvalho-português na Estremadura, à azinheira e ao pinheiro-manso no Alentejo e vegeta a par da alfarrobeira nas quentes serras algarvias. (...) Se pusermos de lado as cumeadas de algumas serras ou as vertentes mais frias das montanhas nortenhas verifica-se que, do Minho à campina de Faro, o sobreiro não só vive em boas condições (...), senão ainda suporta o descortiçamento exagerado e as brutais mutilações na ramaria, indicação segura de que no território nacional encontra o seu óptimo ecológico".
Joaquim Vieira Natividade in "Subericultura"
De facto, que outra árvore autóctone podemos encontrar em todo o seu esplendor do coração do Minho à serra e litoral algarvios?
O sobreiro ocupa em Portugal perto de 737 000 hectares (dados do Inventário Florestal Nacional de 2006, não incluindo alguns povoamentos jovens), o que corresponde a cerca de 32% da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental. Note-se que estes valores poderiam ainda ser superiores, não fosse o catastrófico Verão de 2003 em que arderam mais de 40 000 hectares desta espécie.
- Pela sua crucial importância ecológica: pelas inúmeras espécies (vegetais, animais, etc.) que dependem dos habitats dominados pelo sobreiro. Acresce a crucial importância no mundo rural português, sendo das poucas espécies que traz rentabilidade a uma população rural em claro declínio. E todos sabemos que o despovoamento traz consigo a desertificação, a qual é uma das mais sérias ameaças ambientais de parte significativa do território nacional.
Num país que todos os anos sofre o drama dos incêndios, em boa parte devido a uma política que apostou em espécies de crescimento rápido mas que favorecem a propagação das chamas, as florestas de sobreiro constituem verdadeiros corta-fogos naturais.
- Pela sua importância económica e social: o nosso país produz cerca de 200 000 toneladas de cortiça por ano (mais de 50 % do total), sendo o sector corticeiro o único onde Portugal tem uma posição de liderança a nível mundial, desde a matéria-prima até à comercialização, passando pela transformação.
A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo.
O mínimo que podemos fazer é proteger uma árvore que nos dá tanto exigindo tão pouco em troca...talvez apenas um pouco de respeito."
Estava longe de imaginar que, passados mais de quatro anos, assistiria à instituição do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal, por decisão do Parlamento.
É preciso relembrar que este dia só foi possível pela mão dos milhares de portugueses que assinaram uma petição com este objetivo, lançada pelas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza.
Hoje é um dia de festa, mas não nos podemos esquecer que há muito para fazer na defesa do sobreiro e dos seus povoamentos. A classificação do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal é um ponto de partida, não um ponto de chegada...
sábado, dezembro 10, 2011
A tragédia do Redondo
Mais um episódio de ignorância, com algum ódio à mistura. Desta vez no Redondo, perante o olhar complacente de alguns moradores, condenados, agora, a conviver com estes seres deformados.
Uma manhã de trabalho, cerca de dez funcionários, dois tratores e uma empilhadora telescópica.
Mangas arregaçadas, ambiente divertido, bom trabalho, agora é que não cai mais nenhum ramo, não tarda estão viçosas, a rebentar cheias de força, com imensas folhinhas verdes. Porreiro, pá. - Vasco Soeiro
sexta-feira, dezembro 09, 2011
Em São Bento
Estive com o Miguel Rodrigues, em nome da Associação Transumância e Natureza e Árvores de Portugal, no passado dia 7 de dezembro, na Assembleia da República, para sermos ouvidos perante a Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, no âmbito da petição que visa consagrar o sobreiro como a Árvore Nacional de Portugal.
Saímos do parlamento com a convicção que, até ao final do ano, tal desígnio será alcançado com a concordância de todos os grupos parlamentares.
quarta-feira, dezembro 07, 2011
Um país que se resigna à destruição da sua essência
terça-feira, dezembro 06, 2011
Revisitar árvores, a preto e branco (III)
| Alameda de ulmeiros (Ulmus minor Miller) - Guarda |
Publicação original: Os ulmeiros da minha infância.
segunda-feira, novembro 28, 2011
Revisitar árvores, a preto e branco (II)
| Eucalipto seco na estepe do Baixo Alentejo, entre Castro Verde e Entradas |
Publicada originalmente, a cores, em Junho de 2008.
sábado, novembro 26, 2011
Castanheiro de Guilhafonso em risco
Autoridade Florestal Nacional e autoridades municipais da Guarda têm em mãos arranjar uma solução que permita salvar um dos maiores castanheiros da Europa.
sexta-feira, novembro 25, 2011
Revisitar árvores, a preto e branco (I)
| Fotografia tirada entre o Alandroal e a Juromenha (Alentejo) |
Fotografia publicada originalmente, a cores, a acompanhar o texto: Há dias em que uma pessoa se sente só contra o resto do mundo.
quarta-feira, novembro 23, 2011
Um campeão
O extraordinário sobreiro (Quercus suber L.) de Águas de Moura, Palmela. Da página da Autoridade Florestal Nacional:
"É considerado o sobreiro mais produtivo a nível mundial, produzindo cortiça suficiente para o fabrico de 100 mil rolhas de excelente qualidade. Um sobreiro vulgar produz cortiça para 4 mil rolhas de garrafas de vinho."
(Fotografia de Miguel Rodrigues.)
domingo, novembro 20, 2011
Palestra sobre a flora da Serra da Estrela
| Argençana-dos-pastores (Gentiana lutea L.), fotografa no planalto da Torre, em Junho de 2007 |
quinta-feira, novembro 17, 2011
Entre o Águeda e o Douro
Azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) de Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo. Classificada como árvore de interesse público desde Março de 2001.
(Fotografia de Miguel Rodrigues.)
terça-feira, novembro 15, 2011
E pronto, lá me rendi...
E pronto, lá me rendi. Não gosto particularmente do conceito, mas admito que tem inúmeras vantagens para páginas de tipo institucional ou de divulgação.
Assim sendo, este blogue tem, desde ontem, a sua versão no Facebook. Uma oportunidade para (re)descobrir os meus escritos e fotos, aqui e no blogue da Árvores de Portugal.
Assim sendo, este blogue tem, desde ontem, a sua versão no Facebook. Uma oportunidade para (re)descobrir os meus escritos e fotos, aqui e no blogue da Árvores de Portugal.
domingo, novembro 13, 2011
Está quase...
Leiam, na íntegra, o Projeto de Resolução apresentado à Assembleia da República, que visa reconhecer o sobreiro como um símbolo de Portugal.
quinta-feira, novembro 10, 2011
Um dia para as bolotas
| Origem da imagem - bologta, a bolota que tem um blog |
Quem me conhece saberá que, em matéria de maus tratos às árvores, poucas coisas me enfurecem tanto como vê-las maltratadas em ambiente escolar. Em parte, por ser professor, mas, sobretudo, porque no que toca ao amor não podemos ser hipócritas, celebrando o Dia da Árvore num dia para, no seguinte, assistirmos impávidos à mutilação de árvores plantadas pela geração dos nossos pais. Não se pode amar as árvores em dias alternados da semana. Ou se gosta das árvores todos os dias...ou não se gosta!
Para ilustrar a forma como as árvores são maltratadas em tantas escolas por esse país fora, tenho-me socorrido das que conheço melhor, como as da Covilhã, por serem as da minha terra. É assim, infelizmente, na Escola das Palmeiras, sobre a qual já escrevi mais do que uma vez (como neste texto, por exemplo).
Mas seria injusto se não referisse que, no seio desta escola, há também quem ame as árvores (e todos os dias). Alunos e professores que gostam dos nossos carvalhos autóctones e que querem por as demais escolas a semear bolotas. Está tudo no blogue: bologta, a bolota que tem um blog.
Adenda: Curiosamente, ou talvez não, muito perto desta escola fica um dos maiores exemplares de carvalho-negral que conheço, em ambiente urbano, no nosso país.
terça-feira, novembro 08, 2011
Coisas abjetas
Poucas vezes tenho transcrito, na íntegra, o que outros escrevem. Mas, como disse José Duarte de Oliveira Júnior, há todavia certos factos perante os quais é uma vergonha o silêncio. Por isso, reproduzo o texto que o João Martins escreveu sobre mais um abate, sem qualquer explicação, de árvores em Loulé. Para se ler e refletir:
"Terça-feira, 1 de Novembro de 2011, feriado nacional. Diz-me a mãe do meu filho mais velho que tem seis anos que foi ele que lhe fez uma pressão brutal para telefonar ao pai para avisar que estavam a abater mais árvores na cidade de Loulé. Saio de casa e vou direito ao Monumento Duarte Pacheco. A maior parte das árvores estão sinalizadas para intervenção. Uma parte delas vão ser abatidas (algumas já foram no período da manhã) outras vão ser podadas de uma forma que não lembraria ao diabo. Um Vereador da Câmara Municipal de Loulé passea-se por ali a assistir ao exercício de devastação ambiental. Pergunto-lhe se é o vereador que a filha esteve na escola de Almancil. Diz-me que não ficou. Digo-lhe que estou indignado com mais um incompreensível abate de árvores na cidade de Loulé. Diz-me que não me devo dirigir à sua pessoa uma vez que não o conheço de nenhum lado. Respondo-lhe que sei que é vereador e portanto não me interessa se não me conhece, interessa-me sim a forma como os responsáveis políticos gerem os recursos públicos. Aparece de seguida a Gaia Ciência. Eu sou arquitecto paisagista. Posso-lhe explicar. Digo-lhe que há um padrão de abates desde há três anos no concelho que refuta qualquer tipo de explicação cientificamente credível. Esqueci-me de perguntar ao senhor arquitecto se foi ele o responsável pela intervenção desastrosa no Parque Municipal. Espero bem que não tenha sido, não vá eu ficar a perceber que as ciências ambientais na cidade de Loulé andam pela rua da amargura. Fui derrotado pela sábia vereação política e pela sabedoria científica do senhor arquitecto. Desejei-lhes bom feriado e fui-me embora para casa.
Domingo, 6 de Novembro de 2011. Vou comprar o jornal e de novo o abate continua. O cenário agora já é desolador. Ao longe um operário do abate gesticula quando me vê tirar fotografias. Pergunto-lhe se não posso. Diz-me que tenho que ter autorização. Digo-lhe que o fascismo está a chegar mas ainda não chegámos a tanto. Estou em plena rua, o espaço é público (por enquanto) e posso tirar fotografias às arvores abatidas e trituradas que eu bem entender. Continuo a tirar fotografias, quando dou por mim está um empregado da CML a espreitar por detrás de mim para a máquina. Pergunto-lhe se está incomodado com as fotografias. Diz-me que não. Que só não quer que tire fotografias à sua pessoa. Digo-lhe que estando ele atrás de mim ainda não tenho tecnologia fotográfica que tire fotografias em sentido contrário. Passado um bocado tenho quatro ou cinco indivíduos a questionar-me sobre as fotografias e alguns gozam com a minha preocupação ambiental. Vim embora. Não me atrevi a importunar mais tão importante função que tanto contribui para o desenvolvimento sustentável do concelho. Indignados por ali. Nem vê-los." João Martins.
"Terça-feira, 1 de Novembro de 2011, feriado nacional. Diz-me a mãe do meu filho mais velho que tem seis anos que foi ele que lhe fez uma pressão brutal para telefonar ao pai para avisar que estavam a abater mais árvores na cidade de Loulé. Saio de casa e vou direito ao Monumento Duarte Pacheco. A maior parte das árvores estão sinalizadas para intervenção. Uma parte delas vão ser abatidas (algumas já foram no período da manhã) outras vão ser podadas de uma forma que não lembraria ao diabo. Um Vereador da Câmara Municipal de Loulé passea-se por ali a assistir ao exercício de devastação ambiental. Pergunto-lhe se é o vereador que a filha esteve na escola de Almancil. Diz-me que não ficou. Digo-lhe que estou indignado com mais um incompreensível abate de árvores na cidade de Loulé. Diz-me que não me devo dirigir à sua pessoa uma vez que não o conheço de nenhum lado. Respondo-lhe que sei que é vereador e portanto não me interessa se não me conhece, interessa-me sim a forma como os responsáveis políticos gerem os recursos públicos. Aparece de seguida a Gaia Ciência. Eu sou arquitecto paisagista. Posso-lhe explicar. Digo-lhe que há um padrão de abates desde há três anos no concelho que refuta qualquer tipo de explicação cientificamente credível. Esqueci-me de perguntar ao senhor arquitecto se foi ele o responsável pela intervenção desastrosa no Parque Municipal. Espero bem que não tenha sido, não vá eu ficar a perceber que as ciências ambientais na cidade de Loulé andam pela rua da amargura. Fui derrotado pela sábia vereação política e pela sabedoria científica do senhor arquitecto. Desejei-lhes bom feriado e fui-me embora para casa.
Domingo, 6 de Novembro de 2011. Vou comprar o jornal e de novo o abate continua. O cenário agora já é desolador. Ao longe um operário do abate gesticula quando me vê tirar fotografias. Pergunto-lhe se não posso. Diz-me que tenho que ter autorização. Digo-lhe que o fascismo está a chegar mas ainda não chegámos a tanto. Estou em plena rua, o espaço é público (por enquanto) e posso tirar fotografias às arvores abatidas e trituradas que eu bem entender. Continuo a tirar fotografias, quando dou por mim está um empregado da CML a espreitar por detrás de mim para a máquina. Pergunto-lhe se está incomodado com as fotografias. Diz-me que não. Que só não quer que tire fotografias à sua pessoa. Digo-lhe que estando ele atrás de mim ainda não tenho tecnologia fotográfica que tire fotografias em sentido contrário. Passado um bocado tenho quatro ou cinco indivíduos a questionar-me sobre as fotografias e alguns gozam com a minha preocupação ambiental. Vim embora. Não me atrevi a importunar mais tão importante função que tanto contribui para o desenvolvimento sustentável do concelho. Indignados por ali. Nem vê-los." João Martins.
O desprezo que os nossos representantes autárquicos nos devotam é proporcional à indiferença e inércia, perante a vida nas cidades, de muitos cidadãos. Dessa inércia são vítimas não apenas as árvores, mas os próprios cidadãos que se veem privados da qualidade de vida a que têm direito. Ainda que o não saibam.
A um passo de se fazer história
Do blogue Sobreiro - Árvore Nacional de Portugal:
"A petição em defesa do reconhecimento do sobreiro como a árvore nacional de Portugal, enviada recentemente à Assembleia da República, teve o efeito pretendido junto da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar.
Deste modo, foi entregue na Mesa da Assembleia da República, na passada sexta-feira, dia quatro, um projeto de resolução que visa fazer do sobreiro a árvore nacional de Portugal, subscrito por todos os partidos com assento parlamentar. O documento entregue tem como primeiros subscritores todos os membros da Comissão de Agricultura e Mar: Miguel Freitas (PS), Pedro do Ó Ramos (PSD), Abel Batista (CDS), Agostinho Lopes (PCP), José Luís Ferreira (Partido Ecologista Os Verdes), Luís Fazenda (Bloco de Esquerda) e pelo presidente daquela comissão, Vasco Cunha. Este projeto baseia-se na citada petição, uma iniciativa da Associação Árvores de Portugal e da Associação Transumância e Natureza.
Este projeto de resolução deverá ser votado no início de dezembro, ainda no decorrer do Ano Internacional das Florestas, que se celebra até ao final do presente ano.
Estamos prestes a fazer história, a ver reconhecido simbolicamente o papel fulcral do sobreiro na vida do nosso país. Esperemos, com impaciência, mas também com redobrada esperença, a votação, no parlamento, deste projeto de resolução.
Fonte da informação: DiáriOnline/Região Sul"
segunda-feira, novembro 07, 2011
A queda dos gigantes
Um evento único, do qual não há memória. Um par de sequóias* caiu no passado dia 22 de Outubro, por causas ainda por determinar, em pleno "Trilho dos 100 Gigantes", na Sequoia National Forest (Sierra Nevada, Califórnia). Os espécimes estavam unidos na base e tinham uma idade estimada de 1 500 anos.
Um acontecimento triste, mas histórico. Mais de dez séculos de história desabaram em escassos segundos.
* Da espécie Sequoiadendron giganteum (Lindl.) Buchh.
Fonte da notícia: Mail Online
sexta-feira, novembro 04, 2011
Um caso de divã
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| Abate de árvores em Loulé - Fotografia de João Martins |
Em poucos municípios portugueses se terão cortado tantas árvores, nos últimos anos, como em Loulé. Em certos casos com razão, noutros, provavelmente a larga maioria, sem qualquer fundamento técnico. E sempre, ou quase sempre, sem uma explicação para os munícipes, como se cortar árvores fosse sinal de progresso e não tivesse que ser devidamente justificado.
É que mesmo nos casos em que há razão para cortar uma árvore, há sempre, ainda que involuntariamente, uma admissão de culpa. Porque se uma árvore tem que ser cortada por uma degeneração precoce, é porque alguém, a mesma entidade que decide o seu abate, não soube cuidar dela e evitar esse desfecho.
Mais importante do que plantar novas árvores é saber cuidar das que herdámos dos nossos avós: "Os países, como Portugal, preocupados em plantar muitas árvores mas sem a mínima noção de como se cuida delas, são como aqueles pais que têm muitos filhos mas depois não os educam." Blog de Cheiros
P.S. - A denúncia, como sempre, ou quase sempre, é do João Martins. Fazem falta mais pessoas como o João, pessoas que não se calam, pessoas que chateiam quem não gosta de ser incomodado!
quinta-feira, novembro 03, 2011
Milagre junto à torre
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