sexta-feira, fevereiro 10, 2012

A estupidez humana não é relativa...é absoluta

Plátanos rolados no concelho de Sintra - Fotografia de Pedro Macieira

Albert Einstein terá dito que existem apenas duas coisas infinitas, o universo e a estupidez humana. Terá ainda acrescentado ter sérias dúvidas sobre a primeira.

Eu, que em nada me quero comparar ao génio de Einstein, não tenho nenhuma dúvida sobre a segunda, sobretudo quando vejo a forma como, por cá, destruímos, todos os anos, as árvores das nossas vilas e cidades.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Imperdoável

Alameda de plátanos - Povoação, São Miguel. Origem das fotos: Amigos para Salvar o Pico Longo 

Se consideram, como eu, que perder este património natural seria um crime imperdoável, juntem-se a mim e assinem a petição em defesa desta magnífica alameda de plátanos. Percam 1 minuto para ajudar a salvar o que levou dezenas de anos a crescer. (Assinar petição em defesa da alameda de plátanos de Povoação.)


Alameda de plátanos - Povoação, São Miguel. Origem das fotos: Amigos para Salvar o Pico Longo 

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Resiste Porto Alegre

Rua Gonçalo de Carvalho - Porto Alegre, Brasil. Fotografia - TreeHugger

Dos Estados Unidos ao Chile, a fama da Rua Gonçalo de Carvalho continua a expandir-se. Ela já não é somente a rua mais bonita do mundo; é também "the most beautiful street it in the world" ou "la calle más hermosa del mundo".

Esta fama tem esse outro lado de, no presente, já servir como chamariz para turistas interessados em conhecer a rua, as suas árvores e a sua história. É verdade, turismo baseado na preservação das árvores.

Infelizmente, mesmo em Porto Alegre, os lóbis do futebol, como por cá, movem-se muito bem dentro dos meandros do poder, confundindo os seus interesses com os interesses de uma cidade ou de um país.

 Por cá, com a desculpa do Euro 2004, construíram-se estádios inúteis. Em Porto Alegre, a mesma Porto Alegre que declarou a Gonçalo de Carvalho como património ambiental pela riqueza do seu arvoredo e paisagem, decretou-se o corte de dezenas de árvores em nome desse mesmo futebol e do dito progresso que ele arrasta.

Continuo a gostar desse futebol que jogava em miúdo, com os meus amigos, na minha rua. Abomino cada vez mais esse futebol obscuro, essa indústria que destrói tudo o que se atravessa no caminho do seu voraz apetite...Resiste Porto Alegre!

Foto - Anita mais verde

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Troféus de caça



Se há coisa de que eu não gosto são troféus de caça. E, hoje em dia, as oliveiras monumentais, com vários séculos de história, transformaram-se numa espécie de troféu que todos querem ter no seu jardim, quer seja um novo rico, um hotel ou campo de golfe ou mesmo uma fundação, como Serralves.

Que não restem dúvidas, como qualquer pessoa, não me oponho ao transplante de uma oliveira, ou de outra árvore, se estivermos perante uma situação em que a mesma corra o risco de ser destruída devido à construção de uma estrada, de uma barragem ou de outro tipo de infraestrutura. Foi assim, por exemplo, no caso do Alqueva, o que permitiu salvar centenas de árvores. Nada a opor, como é óbvio, quanto à salvação dessas árvores, considerações à parte quanto à utilidade de algumas dessas infraestruturas.

Não é o caso... O que temos aqui é uma marca de azeite que, ao invés de preservar este monumento natural in situ, decidiu embarcar numa campanha de marketing, a pretexto da renovação de um olival, oferecendo esta oliveira para poder ser exibida, qual "troféu de caça" capturado na savana, nos jardins de Serralves.

Que a dita marca de azeite tenha apostado nesta estratégia para promover o seu nome, tentando mesmo passar uma imagem de preservação de um património biológico ímpar, não me surpreende. Mas que a Fundação de Serralves, com provas dadas na forma como cuida das suas árvores, tenha cedido à tentação de ter nos seus jardins esta "jóia", a quem mutilaram as raízes e a copa, para exibir e impressionar os seus visitantes, já me custa mais a compreender e a aceitar.

A Fundação de Serralves, ao contrário de outras instituições, tem obrigação de ter técnicos que saibam compreender que uma árvore milenar é, em si mesmo, um micro habitat, que perde o seu valor biológico e paisagístico, quando sujeito a este tipo de operações.

domingo, janeiro 15, 2012

E se...?

Fonte da imagem (aqui)
Em Espanha, um projeto piloto aposta na valorização e defesa de oliveiras com mais de 400 anos, incluindo exemplares milenares. Em vez de acabarem numa rotunda, no jardim de um hotel ou campo de golfe, enriquecendo os intermediários que as vendem, estas oliveiras serão preservadas, promovendo-se e vendendo-se o seu azeite, como produto de alta qualidade.

E se alguém se lembrasse de replicar este exemplo no nosso país, preservando um património natural, paisagístico e cultural único e premiando os proprietários destas árvores, ao invés de intermediários gananciosos? Não é um sonho, pode ser realidade. Ou amamos menos as nossas árvores e o nosso mundo rural, do que os nossos vizinhos espanhóis?

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Boas Festas

Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - concelho de Castelo de Vide, Portalegre

Ilustrado por este monumental sobreiro, um dos mais velhos e notáveis do nosso país, desejo a todos os leitores deste blogue, amigos das árvores portuguesas, umas Boas Festas.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

O sobreiro é um símbolo de Portugal


A 24 de maio de 2007 escrevia o seguinte texto aqui na Sombra Verde:


"Se os blogues têm causas, e a Sombra Verde tem várias, gostaria de adicionar a essa lista a seguinte: ver reconhecida ao sobreiro o estatuto de árvore nacional de Portugal:

- Pela sua distribuição ao longo de todo o território do continente (as ilhas são, em termos botânicos, uma realidade completamente distinta): "O sobreiro é de todas as nossas árvores aquela que se encontra mais largamente distribuída. Encontramo-la no Norte, no solar do castanheiro, do roble e do carvalho-negral; junto ao litoral, do Tejo ao Minho, luta sem proveito nem glória com o pinheiro-bravo; associa-se ao carvalho-português na Estremadura, à azinheira e ao pinheiro-manso no Alentejo e vegeta a par da alfarrobeira nas quentes serras algarvias. (...) Se pusermos de lado as cumeadas de algumas serras ou as vertentes mais frias das montanhas nortenhas verifica-se que, do Minho à campina de Faro, o sobreiro não só vive em boas condições (...), senão ainda suporta o descortiçamento exagerado e as brutais mutilações na ramaria, indicação segura de que no território nacional encontra o seu óptimo ecológico".

Joaquim Vieira Natividade in "Subericultura"



De facto, que outra árvore autóctone podemos encontrar em todo o seu esplendor do coração do Minho à serra e litoral algarvios?

O sobreiro ocupa em Portugal perto de 737 000 hectares (dados do Inventário Florestal Nacional de 2006, não incluindo alguns povoamentos jovens), o que corresponde a cerca de 32% da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental. Note-se que estes valores poderiam ainda ser superiores, não fosse o catastrófico Verão de 2003 em que arderam mais de 40 000 hectares desta espécie.

- Pela sua crucial importância ecológica: pelas inúmeras espécies (vegetais, animais, etc.) que dependem dos habitats dominados pelo sobreiro. Acresce a crucial importância no mundo rural português, sendo das poucas espécies que traz rentabilidade a uma população rural em claro declínio. E todos sabemos que o despovoamento traz consigo a desertificação, a qual é uma das mais sérias ameaças ambientais de parte significativa do território nacional.

Num país que todos os anos sofre o drama dos incêndios, em boa parte devido a uma política que apostou em espécies de crescimento rápido mas que favorecem a propagação das chamas, as florestas de sobreiro constituem verdadeiros corta-fogos naturais.

- Pela sua importância económica e social: o nosso país produz cerca de 200 000 toneladas de cortiça por ano (mais de 50 % do total), sendo o sector corticeiro o único onde Portugal tem uma posição de liderança a nível mundial, desde a matéria-prima até à comercialização, passando pela transformação.

A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo.

O mínimo que podemos fazer é proteger uma árvore que nos dá tanto exigindo tão pouco em troca...talvez apenas um pouco de respeito
."


Estava longe de imaginar que, passados mais de quatro anos, assistiria à instituição do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal, por decisão do Parlamento.


É preciso relembrar que este dia só foi possível pela mão dos milhares de portugueses que assinaram uma petição com este objetivo, lançada pelas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza.

Hoje é um dia de festa, mas não nos podemos esquecer que há muito para fazer na defesa do sobreiro e dos seus povoamentos. A classificação do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal é um ponto de partida, não um ponto de chegada...


sábado, dezembro 10, 2011

A tragédia do Redondo


Mais um episódio de ignorância, com algum ódio à mistura. Desta vez no Redondo, perante o olhar complacente de alguns moradores, condenados, agora, a conviver com estes seres deformados.
Uma manhã de trabalho, cerca de dez funcionários, dois tratores e uma empilhadora telescópica.
Mangas arregaçadas, ambiente divertido, bom trabalho, agora é que não cai mais nenhum ramo, não tarda estão viçosas, a rebentar cheias de força, com imensas folhinhas verdes. Porreiro, pá. -
Vasco Soeiro

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Em São Bento

Estive com o Miguel Rodrigues, em nome da Associação Transumância e Natureza e Árvores de Portugal, no passado dia 7 de dezembro, na Assembleia da República, para sermos ouvidos perante a Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, no âmbito da petição que visa consagrar o sobreiro como a Árvore Nacional de Portugal.

Saímos do parlamento com a convicção que, até ao final do ano, tal desígnio será alcançado com a concordância de todos os grupos parlamentares.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Um país que se resigna à destruição da sua essência

Foz do Tua - Março de 1996
Tenho para mim como verdade a seguinte constatação: um povo que não consiga impedir a construção da barragem do Tua, que não se revolte com a destruição de um património único, é um povo que não merece o seu país, que não merece Portugal! 

segunda-feira, novembro 28, 2011

sábado, novembro 26, 2011

quarta-feira, novembro 23, 2011

Um campeão


O extraordinário sobreiro (Quercus suber L.) de Águas de Moura, Palmela. Da página da Autoridade Florestal Nacional:
 "É considerado o sobreiro mais produtivo a nível mundial, produzindo cortiça suficiente para o fabrico de 100 mil rolhas de excelente qualidade. Um sobreiro vulgar produz cortiça para 4 mil rolhas de garrafas de vinho."

(Fotografia de Miguel Rodrigues.)

domingo, novembro 20, 2011

Palestra sobre a flora da Serra da Estrela

Argençana-dos-pastores (Gentiana lutea L.), fotografa no planalto da Torre, em Junho de 2007


Sábado, 26 de novembro de 2011, às 16 horas, palestra ilustrada sobre a flora da serra da Estrela, na sede da Campo Aberto, no Porto. Com Paulo Araújo e Maria Carvalho, do blogue Dias com Árvores. Promete!...

quinta-feira, novembro 17, 2011

terça-feira, novembro 15, 2011

E pronto, lá me rendi...

E pronto, lá me rendi. Não gosto particularmente do conceito, mas admito que tem inúmeras vantagens para páginas de tipo institucional ou de divulgação.

Assim sendo, este blogue tem, desde ontem, a sua versão no Facebook. Uma oportunidade para (re)descobrir os meus escritos e fotos, aqui e no blogue da Árvores de Portugal.

domingo, novembro 13, 2011

Está quase...


Leiam, na íntegra, o Projeto de Resolução apresentado à Assembleia da República, que visa reconhecer o sobreiro como um símbolo de Portugal.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Um dia para as bolotas

Origem da imagem - bologta, a bolota que tem um blog

Quem me conhece saberá que, em matéria de maus tratos às árvores, poucas coisas me enfurecem tanto como vê-las maltratadas em ambiente escolar. Em parte, por ser professor, mas, sobretudo, porque no que toca ao amor não podemos ser hipócritas, celebrando o Dia da Árvore num dia para, no seguinte, assistirmos impávidos à mutilação de árvores plantadas pela geração dos nossos pais. Não se pode amar as árvores em dias alternados da semana. Ou se gosta das árvores todos os dias...ou não se gosta!

Para ilustrar a forma como as árvores são maltratadas em tantas escolas por esse país fora, tenho-me socorrido das que conheço melhor, como as da Covilhã, por serem as da minha terra. É assim, infelizmente, na Escola das Palmeiras, sobre a qual já escrevi mais do que uma vez (como neste texto, por exemplo).

Mas seria injusto se não referisse que, no seio desta escola, há também quem ame as árvores (e todos os dias). Alunos e professores que gostam dos nossos carvalhos autóctones e que querem por as demais escolas a semear bolotas. Está tudo no blogue: bologta, a bolota que tem um blog.

Adenda: Curiosamente, ou talvez não, muito perto desta escola fica um dos maiores exemplares de carvalho-negral que conheço, em ambiente urbano, no nosso país.

terça-feira, novembro 08, 2011

Coisas abjetas

Poucas vezes tenho transcrito, na íntegra, o que outros escrevem. Mas, como disse José Duarte de Oliveira Júnior, há todavia certos factos perante os quais é uma vergonha o silêncio. Por isso, reproduzo o texto que o João Martins escreveu sobre mais um abate,  sem qualquer explicação, de árvores em Loulé. Para se ler e refletir:

"Terça-feira, 1 de Novembro de 2011, feriado nacional. Diz-me a mãe do meu filho mais velho que tem seis anos que foi ele que lhe fez uma pressão brutal para telefonar ao pai para avisar que estavam a abater mais árvores na cidade de Loulé. Saio de casa e vou direito ao Monumento Duarte Pacheco. A maior parte das árvores estão sinalizadas para intervenção. Uma parte delas vão ser abatidas (algumas já foram no período da manhã) outras vão ser podadas de uma forma que não lembraria ao diabo. Um Vereador da Câmara Municipal de Loulé passea-se por ali a assistir ao exercício de devastação ambiental. Pergunto-lhe se é o vereador que a filha esteve na escola de Almancil. Diz-me que não ficou. Digo-lhe que estou indignado com mais um incompreensível abate de árvores na cidade de Loulé. Diz-me que não me devo dirigir à sua pessoa uma vez que não o conheço de nenhum lado. Respondo-lhe que sei que é vereador e portanto não me interessa se não me conhece, interessa-me sim a forma como os responsáveis políticos gerem os recursos públicos. Aparece de seguida a Gaia Ciência. Eu sou arquitecto paisagista. Posso-lhe explicar. Digo-lhe que há um padrão de abates desde há três anos no concelho que refuta qualquer tipo de explicação cientificamente credível. Esqueci-me de perguntar ao senhor arquitecto se foi ele o responsável pela intervenção desastrosa no Parque Municipal. Espero bem que não tenha sido, não vá eu ficar a perceber que as ciências ambientais na cidade de Loulé andam pela rua da amargura. Fui derrotado pela sábia vereação política e pela sabedoria científica do senhor arquitecto. Desejei-lhes bom feriado e fui-me embora para casa.

Domingo, 6 de Novembro de 2011. Vou comprar o jornal e de novo o abate continua. O cenário agora já é desolador. Ao longe um operário do abate gesticula quando me vê tirar fotografias. Pergunto-lhe se não posso. Diz-me que tenho que ter autorização. Digo-lhe que o fascismo está a chegar mas ainda não chegámos a tanto. Estou em plena rua, o espaço é público (por enquanto) e posso tirar fotografias às arvores abatidas e trituradas que eu bem entender. Continuo a tirar fotografias, quando dou por mim está um empregado da CML a espreitar por detrás de mim para a máquina. Pergunto-lhe se está incomodado com as fotografias. Diz-me que não. Que só não quer que tire fotografias à sua pessoa. Digo-lhe que estando ele atrás de mim ainda não tenho tecnologia fotográfica que tire fotografias em sentido contrário. Passado um bocado tenho quatro ou cinco indivíduos a questionar-me sobre as fotografias e alguns gozam com a minha preocupação ambiental. Vim embora. Não me atrevi a importunar mais tão importante função que tanto contribui para o desenvolvimento sustentável do concelho. Indignados por ali. Nem vê-los." João Martins.


O desprezo que os nossos representantes autárquicos nos devotam é proporcional à indiferença e inércia, perante a vida nas cidades, de muitos cidadãos. Dessa inércia são vítimas não apenas as árvores, mas os próprios cidadãos que se veem privados da qualidade de vida a que têm direito. Ainda que o não saibam.

A um passo de se fazer história


Do blogue Sobreiro - Árvore Nacional de Portugal:


"petição em defesa do reconhecimento do sobreiro como a árvore nacional de Portugal, enviada recentemente à Assembleia da República, teve o efeito pretendido junto da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar.

Deste modo, foi entregue na Mesa da Assembleia da República, na passada sexta-feira, dia quatro, um projeto de resolução que visa fazer do sobreiro a árvore nacional de Portugal, subscrito por todos os partidos com assento parlamentar. O documento entregue tem como primeiros subscritores todos os membros da Comissão de Agricultura e Mar: Miguel Freitas (PS), Pedro do Ó Ramos (PSD), Abel Batista (CDS), Agostinho Lopes (PCP), José Luís Ferreira (Partido Ecologista Os Verdes), Luís Fazenda (Bloco de Esquerda) e pelo presidente daquela comissão, Vasco Cunha. Este projeto baseia-se na citada petição, uma iniciativa da Associação Árvores de Portugal e da Associação Transumância e Natureza.

Este projeto de resolução deverá ser votado no início de dezembro, ainda no decorrer do Ano Internacional das Florestas, que se celebra até ao final do presente ano.

Estamos prestes a fazer história, a ver reconhecido simbolicamente o papel fulcral do sobreiro na vida do nosso país. Esperemos, com impaciência, mas também com redobrada esperença, a votação, no parlamento, deste projeto de resolução.

Fonte da informação: DiáriOnline/Região Sul"

segunda-feira, novembro 07, 2011

A queda dos gigantes




Um evento único, do qual não há memória. Um par de sequóias* caiu no passado dia 22 de Outubro, por causas ainda por determinar, em pleno "Trilho dos 100 Gigantes", na Sequoia National Forest (Sierra Nevada, Califórnia). Os espécimes estavam unidos na base e tinham uma idade estimada de 1 500 anos.

Um acontecimento triste, mas histórico. Mais de dez séculos de história desabaram em escassos segundos.



* Da espécie Sequoiadendron giganteum (Lindl.) Buchh.

Fonte da notícia: Mail Online

sexta-feira, novembro 04, 2011

Um caso de divã

Abate de árvores em Loulé - Fotografia de João Martins

Em poucos municípios portugueses se terão cortado tantas árvores, nos últimos anos, como em Loulé. Em certos casos com razão, noutros, provavelmente a larga maioria, sem qualquer fundamento técnico. E sempre, ou quase sempre, sem uma explicação para os munícipes, como se cortar árvores fosse sinal de progresso e não tivesse que ser devidamente justificado.

É que mesmo nos casos em que há razão para cortar uma árvore, há sempre, ainda que involuntariamente, uma admissão de culpa. Porque se uma árvore tem que ser cortada por uma degeneração precoce, é porque alguém, a mesma entidade que decide o seu abate, não soube cuidar dela e evitar esse desfecho.

Mais importante do que plantar novas árvores é saber cuidar das que herdámos dos nossos avós: "Os países, como Portugal, preocupados em plantar muitas árvores mas sem a mínima noção de como se cuida delas, são como aqueles pais que têm muitos filhos mas depois não os educam." Blog de Cheiros


P.S. - A denúncia, como sempre, ou quase sempre, é do João Martins. Fazem falta mais pessoas como o João, pessoas que não se calam, pessoas que chateiam quem não gosta de ser incomodado!

quinta-feira, novembro 03, 2011

Milagre junto à torre




  Carvalho-americano (Quercus rubra L.) - Rua do Castelo, Braga

Cada árvore que existe em Portugal é um milagre de sobrevivência. Gostei muito desta frase que um leitor do blogue aqui partilhou há algum tempo.

sábado, outubro 29, 2011

Petição em defesa do sobreiro como símbolo nacional enviada ao parlamento

Sobreiro da Corte Grande, Monchique - Fotografia de Miguel Rodrigues


Do blogue: Sobreiro - Árvore Nacional de Portugal

Na expectativa de ver cumprida, ainda na vigência do Ano Internacional das Florestas, a nossa pretensão de classificar o sobreiro como a árvore nacional de Portugal, decidimos endereçar a nossa petição a Sua Excelência, a Senhora Presidente da Assembleia da República.

Foram enviadas perto de 2 500 assinaturas, recolhidas no formato eletrónico e em papel, acompanhadas pela seguinte missiva:


Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República,

Ao abrigo do disposto na Lei nº 43/90, de 10 de agosto, alterada pela Lei nº 6/93, de 1 de março, pela Lei nº 15/2003, de 4 de junho e pela Lei n.º 45/07 de 24 de agosto, que estabelece o regime do exercício do direito de petição, Pedro Nuno Teixeira Santos, portador do documento de identificação com o número 10 081 573, em nome das associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza, vem entregar a Vossa Excelência, a petição que visa consagrar o sobreiro como a Árvores Nacional de Portugal.
Para fundamentar esta pretensão, encontram-se, entre outros, os seguintes motivos:
- Por ser uma espécie com ampla distribuição no território nacional continental, presente desde o Minho ao Algarve, em diferentes ecossistemas naturais. O sobreiro ocupa em Portugal perto de 737 000 hectares (dados do Inventário Florestal Nacional de 2006, não incluindo alguns povoamentos jovens), o que corresponde a cerca de 32% da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.
- Pela enorme biodiversidade associada aos habitats dominados pelo sobreiro, incluindo espécies em sério risco de extinção e com elevado estatuto de conservação, consideradas prioritárias a nível nacional e internacional.
- Pelo facto dos montados serem um excelente exemplo, de como um sistema agrossilvo-pastoril tradicional pode ser sustentável, preservando os solos e, desse modo, contribuindo para evitar a desertificação e consequente despovoamento/desordenamento do território.
- Pela crescente relevância que os bosques de sobreiro e os montados, incluindo a biodiversidade associada, estão a conquistar junto de novos setores, como o setor do turismo, traduzindo-se numa mais-valia para as populações locais e para a economia nacional. Sublinhe-se que, na atualidade, existem entidades ligadas a este setor de atividade, que pretendem candidatar o montado a Património da Humanidade, com base no reconhecimento de que se trata de um ecossistema único no mundo.
- Pela sua importância económica e social, resultante do facto de Portugal produzir cerca de 200 000 toneladas de cortiça por ano (mais de 50 % do total mundial), sendo este setor o único onde o nosso país possui uma posição de liderança a nível internacional, desde a matéria-prima até à comercialização, passando pela transformação. A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país.
Esta petição, promovida pelas anteriormente mencionadas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza, recolheu mais de duas mil assinaturas e o apoio declarado de diversas estruturas associativas, do setor florestal à defesa do meio ambiente, representativas de amplos setores da sociedade portuguesa.
Reflexo do referido anteriormente e da relevância que a mesma alcançou, a presente petição foi objeto de diversos artigos nos principais órgãos de comunicação social escrita do nosso país, incluindo uma menção na página oficial na Internet do Comité Português para o Ano Internacional das Florestas, iniciativa do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território e do Comité Nacional da Unesco.
Deste modo, no ano em que se celebra a importância das florestas, através das iniciativas enquadradas no Ano Internacional das Florestas, acreditamos que a Assembleia da República se associará a esta causa, através de um projeto de resolução que confirme os objetivos da presente petição.
Assim sendo, estamos certos que a presente petição merecerá de Vossa Excelência a maior consideração.
Com os mais respeitosos cumprimentos,
Silves, 26 de Outubro de 2011



Está nas mãos dos representantes do povo português o destino deste movimento da sociedade civil que se gerou em torno da defesa da importância do sobreiro, e da cortiça, para o nosso país.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Barroco a preto e branco

Tulipeiro (Liriodendron tulipifera L.) - Jardim do Museu dos Biscainhos (Braga)

Uma árvore barroca? Só poderia ser em Braga. Parta à descoberta.

quarta-feira, outubro 19, 2011

A árvore que não dá tulipas

Tulipeiro (Liriodendron tulipifera L.) - Pormenor das folhas

O tulipeiro ou tulipeiro-da-virgínia é uma árvore de folha caduca, com flores solitárias que lembram tulipas, originária do leste dos Estados Unidos.

Em Coimbra, a espécie é conhecida como árvore-do-ponto, designação que derivou da espécie florir na altura dos exames (pontos) dos alunos da universidade local.

domingo, outubro 16, 2011

Os limites da hipocrisia



"Tentamos implementar com eles, fora da sala de aula, o gosto pelas árvores e pela natureza..." - Maria José Magalhães (Conselho Executivo da Escola Básica e Secundária do Cerco - Porto).

Aparentemente, nada haveria de errado com este vídeo sobre a comemoração do dia da árvore, não se desse o caso de esta ser a mesma escola onde, há uns meses, se rolaram várias árvores a pretexto de estas deitarem muitas folhas para o chão.

O caso da Escola do Cerco, no Porto, é um nítido caso de doença bipolar no que concerne à relação com as árvores. Às segundas, quartas e sextas, destroem-se as árvores da escola e, nos restantes dias da semana, plantam-se novos exemplares tentando promover o "gosto pelas árvores e pela natureza".

sábado, outubro 15, 2011

As escolas do futuro?

Escola de Mouriz (Paredes) - Fotografia retirada da página archdaily.com

A escola de Mouriz, em Paredes, pode ser bonita e amiga do ambiente. Mas, como muitas outras escolas por esse país fora, não tem espaço para as árvores.

Gosto de árvores, sobretudo nas escolas. Lamento que continuem a ser consideradas dispensáveis, como se fossem um adorno. As árvores não são uma mera opção estética, são vida e fazem parte da missão de educar. Não perceber isto é não saber o que é uma escola, o que é educar.

sexta-feira, outubro 14, 2011

O mesmo problema dos dois lados do oceano



Dia da Árvore comemorado em Petrópolis, no Brasil, com a coragem e a determinação do Heber Lobato Jr., denunciando o vandalismo das podas radicais.

quinta-feira, outubro 13, 2011

sexta-feira, outubro 07, 2011

E nós? Que vamos deixar aos nossos netos?


De tempos a tempos recebo mensagens de e-mail perguntando-me por livros sobre árvores. Para além dos (bons) guias de campo e das (boas) enciclopédias, que gosto de recomendar, há outro tipo de livros sobre árvores que me arrebata. Os que, apesar de feitos com escassos recursos, transbordam de amor à árvore em cada página. É assim, também, com o livro Árboles Singulares de Turleque y su Entorno.

Turleque, uma pequena povoação da província de Toledo, em Espanha, tem, como qualquer outra povoação, árvores. E quem tem árvores, tem histórias para contar. É isso que faz o autor deste livro, Pedro Antonio Fernández, conta-nos as histórias por detrás das árvores da sua terra natal. Fá-lo com simplicidade, sem nunca ser simples.

Que bom seria se todas as aldeias, vilas e cidades tivessem um narrador para as suas árvores. Um narrador com a sensibilidade do Pedro, com cujas palavras termino este texto:

"Um humilde agricultor deixou-nos o maior choupo da comarca, ao passo que um grupo de inocentes estudantes, no dia da primavera, plantava amoreiras no pátio da escola. E nós? Que vamos deixar aos nossos netos? Oxalá sejam árvores!"

Adenda: Ao Pedro Antonio Fernández, a quem nunca agradeci convenientemente o gentil envio deste livro, a minha vénia e o meu tardio obrigado.

terça-feira, outubro 04, 2011

Interdependências

Fonte da imagem: TreeSpirit Project

Trees purify the air; they also purify the mind . . . if you want to save your world, you must save the trees.

– The Trees of Endor, J.R.R. Tolkien

TreeSpirit Project é, como o nome indica, um projeto que visa celebrar a nossa interdependência com as árvores.  As fotografias são da autoria de Jack Gescheidt.



P.S. -  Esta e outras informações sobre árvores podem ser descobertas no blogue francês: Krapo Arboricole.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Aqui há Papa

Plantação de larícios ((Larix decidua Miller) - Parque Natural da Serra da Estrela (concelho da Covilhã)

Quando a realidade supera a ficção, não há adjetivação que nos ajude a descrever uma situação. Convido-os por isso, e sem mais demoras, a ler um ficheiro (aqui) relativo a um relatório de informação da GNR e respetiva resposta. São dois minutos que valem bem a pena, para nos ajudar a compreender o tipo de povo que somos e a nossa relação doentia com as árvores.

Já conhecia todo o tipo de argumentos para cortar uma árvore. Mas nunca, nem nos meus sonhos mais surreais, esperei ver o Vaticano e um falecido Sumo Pontífice, envolvidos numa espécie de conspiração para cortar árvores na Serra da Estrela. Rir para não chorar...

sábado, setembro 24, 2011

Façam da vossa rua a rua mais bonita do mundo

Imagem do blogue Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho


Quando, em março de 2008, descobri a Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, escrevi um texto intitulado "A rua mais bonita do mundo".

Estava longe de imaginar que esse título causaria o efeito que causou, bastando fazer uma pesquisa na Internet, digitando precisamente a frase: a rua mais bonita do mundo.

Mas convém não perder o sentido do que é essencial e importante. Importante é aquela rua, os seus moradores, a sua luta, a sua história e a sua lição de vida. É isso que deve ser celebrado e servir de exemplo para o resto do mundo.

Como aqui escrevi há tempos, esta rua brasileira é, na minha opinião, a mais bonita do mundo não apenas pela beleza do seu túnel de árvores, mas também pela beleza da luta dos seus moradores. Por isso, por cada tipuana, deveria ser celebrado o nome de quem a plantou e de todos os que as defenderam no passado e defendem no presente, construindo um futuro com maior sustentabilidade ambiental.

Aquela rua não é feita apenas de um rio verde. Ela é feita de pessoas que amam as árvores. É isso que a torna, se não única, pelo menos muito especial. Quando se contar a história desta rua, essa história será feita com nomes, com o nome de todas as pessoas que cresceram sob a sombra verde das tipuanas.

Numa altura em que se discute, nesta cidade do Brasil, um projeto lei que pretende preservar todos os túneis verdes de Porto Alegre, apetece-me replicar as palavras do meu amigo César Cardia, morador na Gonçalo de Carvalho: Façam das suas ruas, também as ruas mais bonitas do mundo.


Adenda: A Gonçalo de Carvalho na televisão brasileira (aqui e aqui).

terça-feira, setembro 20, 2011

Um recanto

Sobreiro (Quercus suber L.) - Braga (São Vítor)

Um recanto de árvores autóctones no coração de Braga. Um sobreiro e três carvalhos. Resistiram ao betão e às podas camarárias. E agora estão classificados.

Obrigado a quem os propôs! A cidade de Braga pode agora ser citada não apenas por casos de arborícidio. Também pode ser dada como exemplo de como as nossas árvores nativas podem ser ornamentais e monumentais.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Com a "verdade" me enganas






A vereadora Madalena Castro, da Câmara Municipal de Oeiras (CMO), justifica, ou melhor, pretende justificar o recente abate de dezenas de árvores em Santo Amaro de Oeiras, com base num relatório de 1995. Sim, não é engano, com base num estudo feito há 16 anos! Estudo esse, aliás, do qual ninguém conhece a autoria ou qualquer outro detalhe técnico.

É caso para perguntar porque esperaram quase 20 anos para cortar as árvores? Das duas uma: ou estas não representavam qualquer perigo para a população (como se constatou ao longo deste período de tempo) ou, se esse perigo estava identificado e não houve acidentes por mero acaso, a CMO foi profundamente negligente.

Sobre o tal estudo, que continuo sem perceber por que não é tornado público, e os ditos problemas fitossanitários das árvores, deixem-me acrescentar o seguinte. Uma coisa é uma árvore ter um problema fitossanitário. Outra coisa, bem distinta, é esse problema não poder ser tratado e colocar em causa, a curto prazo, a sustentabilidade da árvore e, com isso, a segurança das pessoas e bens.

Eu sempre defendi, e defendo, o corte de árvores na via pública quando existem estudos que comprovadamente identificam problemas de sustentabilidade. O que eu não admito é que brinquem com a minha inteligência e boa vontade.


Com franqueza, um estudo de 1995! Teria sido preferível dizer que tinham um estudo feito no início deste ano, já que, de qualquer forma, não tinham vontade (ou intenção) de mostrar o “original”.

domingo, setembro 11, 2011

10 anos

Memorial do atentado de 11 de setembro de 2001 - Nova Iorque  (Fonte da imagem)

"Para o décimo aniversário tudo isto terá coberto de árvores. As famílias terão o seu memorial." - Bill Baroni (diretor-executivo da autoridade portuária de Nova Iorque)


Memorial do atentado de 11 de setembro de 2001 - Nova Iorque  (Fonte da imagem)

Os norte-americanos poderão ter todos os defeitos do mundo, mas são um povo que gosta de árvores.

E a homenagem aos seus mortos do 11 de setembro de 2001 foi feita através da plantação de árvores. Mais de 400 árvores, um pequeno bosque no coração da cidade.

Aqui está uma coisa com a qual nós, portugueses, poderíamos aprender algo. Homenagear as vidas que partiram, com a vida de uma árvore.

P.S. - Não seria justo, não recordar que, também em Madrid, as vítimas do atentado do 11 de março de 2004, foram homenageadas através da criação de um bosque, o Bosque del Recuerdo. Uma árvore por cada uma das 192 vítimas.

quinta-feira, setembro 08, 2011

terça-feira, setembro 06, 2011

Contra o silêncio e a resignação perante a destruição

Santo Amaro de Oeiras - Oeiras

Mata Nacional dos Sete Montes - Tomar

No verão, o abate de árvores é coisa que tem tendência a passar, com mais facilidade, ao lado das notícias, entretidas que andam as televisões a fazer reportagens sobre a chuva que estraga as férias ou as reportagens quase diárias sobre como poupar no regresso às aulas ou sobre a nova febre do ouro.

Sem crise, e ainda mais em tempos de crise, no presente ou no futuro, as árvores serão sempre essenciais nas nossas vidas. Convém não esquecê-lo e não deixar estes arboricídios escapar impunes - Oeiras e Tomar.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Aos que me leem

Para agrado de alguns, desagrado de outros e indiferença da maioria, a partir deste momento, os textos a publicar procurarão respeitar o acordo ortográfico.

sábado, agosto 13, 2011

Uma homenagem sob a forma de flor de cerejeira



Numa pequena cidade perto de Lyon, em França, um compositor se sensibiliza com a tragédia do grande terramoto no Japão, e começa a compor uma música. No Brasil, a floração da cerejeira no começo do inverno em Petrópolis -- cidade histórica da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, inspira uma dupla de cineastas a transformar a flor símbolo do Japão numa homenagem ao povo japonês, algo que eles idealizavam há meses.

Mais informações nesta página.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Passado e presente sem futuro




Já o disse por diversas vezes e volto-o a dizer. Gostar de árvores, em Portugal, é um acto de masoquismo. Gostar de uma árvore ou de um dado bosque é sofrer por antecipação. É um acto de amor com prazo de validade. Cedo demais virá o podador ou o fogo que nos destruirá esse sentimento. Árvores de Portugal.