terça-feira, setembro 06, 2011

Contra o silêncio e a resignação perante a destruição

Santo Amaro de Oeiras - Oeiras

Mata Nacional dos Sete Montes - Tomar

No verão, o abate de árvores é coisa que tem tendência a passar, com mais facilidade, ao lado das notícias, entretidas que andam as televisões a fazer reportagens sobre a chuva que estraga as férias ou as reportagens quase diárias sobre como poupar no regresso às aulas ou sobre a nova febre do ouro.

Sem crise, e ainda mais em tempos de crise, no presente ou no futuro, as árvores serão sempre essenciais nas nossas vidas. Convém não esquecê-lo e não deixar estes arboricídios escapar impunes - Oeiras e Tomar.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Aos que me leem

Para agrado de alguns, desagrado de outros e indiferença da maioria, a partir deste momento, os textos a publicar procurarão respeitar o acordo ortográfico.

sábado, agosto 13, 2011

Uma homenagem sob a forma de flor de cerejeira



Numa pequena cidade perto de Lyon, em França, um compositor se sensibiliza com a tragédia do grande terramoto no Japão, e começa a compor uma música. No Brasil, a floração da cerejeira no começo do inverno em Petrópolis -- cidade histórica da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, inspira uma dupla de cineastas a transformar a flor símbolo do Japão numa homenagem ao povo japonês, algo que eles idealizavam há meses.

Mais informações nesta página.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Passado e presente sem futuro




Já o disse por diversas vezes e volto-o a dizer. Gostar de árvores, em Portugal, é um acto de masoquismo. Gostar de uma árvore ou de um dado bosque é sofrer por antecipação. É um acto de amor com prazo de validade. Cedo demais virá o podador ou o fogo que nos destruirá esse sentimento. Árvores de Portugal.

domingo, julho 31, 2011

Eu sou de Porto Alegre!



A Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, no Brasil, não é a rua mais bonita do mundo apenas pelo impressionante efeito visual do seu imenso túnel verde de tipuanas. Ela é a rua mais bonita do mundo por isso, mas, sobretudo, porque essas árvores foram plantadas a acarinhadas pelos seus moradores, ao longo de várias décadas; ou seja, este túnel verde é resultado do amor, do amor às árvores!

E foi a partir desse amor e dessa luta dos moradores da Gonçalo de Carvalho, que o poder político da cidade se viu obrigado a reconhecer a importância deste património cultural, paisagístico e ambiental, classificando-o e protegendo-o com a força da lei. Embora, como se constata pelo vídeo, lá como por cá, nem sempre a lei  é, por si só, garante da preservação do património. O poder público tem que saber manter esse património para as gerações futuras.

A Gonçalo de Carvalho é a mais bonita história de amor às árvores que conheço. Como diz o meu amigo César Cardia, ela é uma história de inspiração para todos os que amam as árvores, um pouco por todo o mundo. A isso eu só posso responder da seguinte forma: eu sou de Porto Alegre!

sexta-feira, julho 29, 2011

Um pinheiro elitista


Resultado das podas radicais que afectam, por motivos que não consigo compreender, muitos dos pinheiros-mansos algarvios, decidi proclamar o surgimento de uma nova espécie de pinheiro, o "Pinus algarbiensis", que se destaca pelo seu porte deformado e copa raquítica.

Embora se encontrem exemplares destes um pouco por todo o Algarve, esta espécie é particularmente abundante na faixa litoral, entre Albufeira e Vilamoura, denotando uma certa predilecção por empreendimentos turísticos de luxo.

Podemos pois concluir que, para além de feio, este pinheiro é um pouco elitista, não aparentando especial predilecção por se misturar com camadas da população menos favorecidas monetariamente.

quinta-feira, junho 30, 2011

Uma Manhã de Domingo na Companhia das Árvores de Lisboa


A associação Árvores de Portugal organiza, em parceria com a Loja de História Natural, uma visita às árvores de alguns parques e jardins da capital, no próximo dia 10 de Julho (Domingo). A actividade terá início às 9h e 30 minutos no Jardim Braamcamp Freire (Campo dos Mártires), estando o ponto de encontro programado para a parte superior do dito jardim, à sombra da grande bela-sombra do topo Norte do jardim, entre o campo de jogos e o parque infantil (em frente ao número 102 do Campo dos Mártires da Pátria).

A visita é gratuita e terá como guia Rui Pedro Lérias, biólogo com experiência na divulgação do património botânico de Lisboa.


O percurso começará no Jardim do Campo dos Mártires e seguirá até ao Jardim do Príncipe Real, passando pela Avenida da Liberdade e pela Praça da Alegria. Estes espaços incluem um grande número de árvores monumentais e classificadas, algumas desde a década de 1940. Esta é uma oportunidade de ficar a conhecer melhor estas amigas por quem tantas pessoas passam todos os dias.

No final da visita, está programado um almoço convívio com todos os participantes, num restaurante perto do Jardim do Príncipe Real. Será uma excelente oportunidade para nos conhecermos melhor, num ambiente informal, e podermos discutir assuntos relacionados com as árvores e jardins do nosso país ou sobre o funcionamento da nossa associação, o trabalho realizado até ao momento e projectos para o futuro. No entanto, gostaríamos de sublinhar que a participação na visita não implica a obrigatoriedade de participar no dito almoço.

Uma vez que será necessário um mínimo de 15 inscrições para se poder reservar o espaço, as inscrições para o almoço deverão ser feitas, impreterivelmente, até à Quarta-feira anterior, dia 6 de Julho de 2011.
Esta inscrição no almoço inclui a obrigatoriedade de efectuar o respectivo pré-pagamento, no valor de 12,50 €. Este pagamento poderá ser feito por transferência bancária para a conta da Associação Árvores de Portugal no Banco Português de Investimentos (BPI) [NIB:0010 0000 44175960001 91] ou directamente na Loja de História Natural (Rua do Monte Olivete, 40 – Junto ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa).

Contando com a vossa participação, pedimos que nos façam chegar as vossas inscrições, com a brevidade possível, através da nossa página de contacto; na mensagem deverão, obrigatoriamente, mencionar os seguintes dados:
- Nome;
- Caso pretendam, adicionalmente, participar no almoço, deverão mencionar se farão o pagamento através de transferência bancária ou directamente na Loja de História Natural.

Contamos com todos vós! Vemo-nos no dia 10 de Julho…

(Fotografia da autoria de Miguel Rodrigues.)

Adenda: A visita realiza-se independentemente do número de inscrições e condições meteorológicas. Relativamente ao almoço, no caso de não ser atingido o número mínimo de participantes, o dinheiro das pessoas que tiverem pago será devolvido com a máxima brevidade.

quarta-feira, junho 29, 2011

Um imenso disparate

Fonte da imagem: Facebook - Parque Infantil da Mata Municipal


Esta imagem é mais uma, a adicionar às imagens de árvores decepadas nas escolas portuguesas, que ajudam a explicar a dendrofobia nacional: ela é-nos incutida desde pequeninos!

Como se já não fosse infâmia suficiente este vandalismo ambiental ser pago com o dinheiro dos nossos impostos, o mesmo ainda é "justificado" como sendo feito a bem da segurança das pessoas. Desculpem, a bem da segurança das pessoas?!

Recomendo à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), entidade responsável pela fiscalização destes espaços, que invista em livros sobre manutenção de árvores ornamentais. Os técnicos da ASAE não precisarão de muitos minutos de leitura, para descobrir que as árvores roladas, como as deste parque de Vila Viçosa, representam um risco acrescido para os seus frequentadores, por darem origem a rebentos de inserção mais frágil e, por isso, menos resistentes. Acresce o facto de originaram infecções que contribuem igualmente para debilitar as árvores.

Porém, após anos e anos de denúncia destas práticas de terrorismo arbóreo, mais próprias de países do terceiro-mundo, há ainda quem insista, contra todas as evidências científicas, em elogiá-las. Basta para tal acederem à página de onde retirei a fotografia para poderem ler comentários como estes:

"Está lindissimo! E as árvores desbastadas, têm imensas folhas verdes ;)"
"... as árvores, plantas, precisam ser podadas para fortalecerem, no caso dos plátanos o problema poderá surgir se forem mal podados pq pode originar o aparecimento de fungos, não me parece que seja o caso,uma vez que as árvores já têm folhas verdinhas."
"Não as cortaram como eu pensava que ia acontecer , podaram nas porque dizem os entendidos que era mesmo necessário e realmente estou a gostar como as folhas estão a brotar, sãs e saudaveis . As árvores tambem precisam de ser cuidadas e tratradas.

De pouco ou nada vale a ciência contra os "mitos urbanos". Podar faz bem ás árvores porque lhes dá força! Que todos os entendidos na manutenção de árvores ornamentais digam que isso é um imenso disparate, de nada vale contra anos e anos de ódio às árvores.

Os portugueses gostam é disto, de tocos com umas "folhas verdinhas"...

Temos a sombra que merecemos nas nossas vilas e cidades. Um povo triste e inculto, que despreza a beleza da árvore, não merece mais! 

segunda-feira, maio 16, 2011

Mudar mentalidades


A cidade de Braga é um dos casos mais emblemáticos do culto arboricida que prevalece neste país, como denunciei em diversos textos (aqui, por exemplo).

Estou certo que esta palestra ajudará a iniciar um caminho que levará a que, progressivamente, se comecem a mudar algumas mentalidades.

Se estiverem por Braga não deixem de estar presentes, manifestando a vossa voz a favor das árvores

sexta-feira, maio 13, 2011

Sua majestade ameaçada por uma pedreira



Sua majestade, o sobreiro da Corte Grande, em Monchique, um dos maiores sobreiros do Algarve, está ameaçado pela possível instalação de uma pedreira. Pormenores no Árvores de Portugal.

terça-feira, maio 10, 2011

Seminário sobre plantas invasoras

Nos próximos dias 20 e 21 de Maio vai realizar-se, na Mata Nacional do Buçaco, um seminário sobre plantas invasoras.

domingo, maio 08, 2011

O nemátode do pinheiro está a provocar a morte de...azevinhos

Fonte da imagem: QUERCUS
Primeiro, os serviços do Estado falharam, em toda a linha, na contenção do nemátode do pinheiro na sua zona de origem.

Depois, uma vez fora de controlo, o nemátode não precisou de muito tempo para se disseminar para norte, para os pinhais do Centro do país. O Buçaco, infelizmente, não é excepção.

Por último, numa tentativa para o conter, que cheira a desespero, corta-se tudo a direito. Seja um pinheiro ou seja uma espécie protegida, como o azevinho. É assim no Perímetro Florestal do Buçaco, uma área sob (ir)responsabilidade da Autoridade Florestal Nacional.

Mau de mais para ser verdade...(mas é).

sexta-feira, abril 22, 2011

20 minutos, mais coisa, menos coisa...


Vinte minutos, mais coisa, menos coisa, é quanto demora a quem nada percebe de podar uma árvore ornamental, destruir o que levou vinte anos a crescer.


Não há pior arrogância do que a que advém de quem ignora o pouco que sabe e o mal que faz com os seus actos.

É altura de tratar estes actos como aquilo que são, puro vandalismo contra património público. Com a agravante de ser feito a mando de quem deveria proteger esse mesmo património, as autarquias, e, cúmulo dos cúmulos, ser pago com o dinheiro dos contribuintes.

É altura da rolagem das árvores ornamentais ser tratada como um acto criminoso. Já basta! Aceito sugestões, pela pedagogia começo a achar que não chegamos lá...

terça-feira, abril 19, 2011

Perfeito

Covão d'Ametade - Parque Natural da Serra da Estrela

Sem sinal de presença humana...Egoísmo? Cada um tem os seus e os meus, definitivamente, não magoam ninguém.

sexta-feira, abril 15, 2011

Beleza serena


A magnífica canforeira [Cinnamomum camphora (L.) Sieb.] da Escola Superior Agrária de Coimbra, fotografada pelo leitor João Pedro Silva Rodrigues.

Daquelas árvores que nos esgotam a adjectivação...Um suspiro, em silêncio, basta.

Adenda: Classificada desde 1969.

segunda-feira, abril 04, 2011

Vila Viçosa?!




Deplorável e inqualificável! Um acto de vandalismo pago com o dinheiro dos contribuintes e para o qual não há qualquer espécie de justificação técnica. Simplesmente asqueroso!


Fonte da informação e imagens: A Tragédia da Mata de Vila Viçosa (página do Facebook).

domingo, abril 03, 2011

Incrédulo



A magnólia de Monchique, a magnífica, a maior da Europa, está no estado que documenta esta imagem (mais imagens no Parente da Refóias).

Nos intervalos dos futebóis e do descalabro das nossas contas públicas, quem acode ao nosso património natural?


Acabei de notificar a Autoridade Florestal Nacional (AFN) acerca desta situação de que só agora tomei conhecimento.


Adenda: A AFN, em resposta, na pessoa do engenheiro Campos Andrada, fez-me chegar a seguinte informação: "Em resposta ao pedido de esclarecimento sobre o estado geral desta árvore informa-se o resultado da vistoria realizada. 
Foram detectadas algumas fragilidades nesta árvore nomeadamente uma grande ferida no fuste com podridão, a cerca de 6 metros de altura, resultante de uma pernada que apodreceu e caiu. Notam-se manchas negras nalgumas pernadas denunciando a presença de fungos no lenho. Alguns dos ramos inferiores estão secos em virtude do grande ensombramento.

No sentido de tentar atenuar a decrepitude desta árvore, está a ser encarado uma intervenção, a ser executada pela Câmara Municipal de Monchique. Ainda não me fizeram chegar o relatório sobre a natureza das operações que irão ser realizadas
."

Esperemos que a intervenção projectada possa ir a tempo de salvar este tesouro do nosso património arbóreo.

quarta-feira, março 30, 2011

Coisas da minha terra

Ponto 1) No página do Facebook da Câmara da Covilhã anuncia-se uma exposição sobre as árvores e demais vegetação autóctone da Serra da Estrela. Quem não conheça esta gente, até pode pensar que há aqui um genuíno amor à árvore.

Não se pode promover acções de amor à árvore às segundas, terças e quartas e, nos restantes dias da semana, destruí-las com o dinheiro dos contribuintes. Foi o que aconteceu, uma vez mais, no corrente ano, com a atribuição a uma empresa de construção civil, dos trabalhos de manutenção das árvores ornamentais da cidade.

Atribuir a uma empresa de construção civil o trabalho de cuidar das árvores das nossas ruas, é como por um pirómano a vigiar uma floresta! Não se pense que o caso da Covilhã é caso único, longe disso, infelizmente.

Claro que a autarquia serrana pode sempre alegar que agiu no sentido de defender os superiores interesses de todos nós que pagamos impostos, adjudicando essa empreitada à empresa que apresentou a proposta menos onerosa para os cofres municipais.

Claro que a poupança, como nos mostram os tempos que vivemos, deveria ser sempre uma preocupação dos organismos do Estado. Mas coloquemos a questão nos seguintes moldes: se uma empresa de arboricultura concorresse à empreitada para construção de uma estrada, seria a escolhida desde que apresentasse o valor mais baixo? Se não, por que motivo se aceita e se acha normal que quem percebe de demolições e terraplanagens possa podar uma árvore?!


Ponto 2) Na mesma página de Facebook da Câmara da Covilhã refere-se a dada altura.

"Os Espaços Verdes no meio urbano e o seu aspecto reflectem, de certa forma, a mentalidade de cada região. Estes espaços não se limitam a ser elementos meramente decorativos, pois para além de serem locais de descanso e lazer desempenham também diversas funções de extrema importância que sem nos apercebermos fazem parte da vida do Homem.
O facto da cidade da Covilhã ter como pano de fundo a Serra da Estrela, com o crescimento da cidade a paisagem natural que a envolve não é suficiente, é necessário “levar” até à cidade essa paisagem natural. O objectivo é a paisagem envolvente penetrar na cidade de modo contínuo, assumindo diversas formas e funções. Neste contexto a aplicação nos jardins de espécies que dominam na vegetação natural da Serra da Estrela, são essenciais para a formação do “continuun naturale”, como para a constituição da vegetação integrada na estrutura verde urbana."

Sei, de há 5 anos a esta parte, a Câmara da Covilhã planeia um Jardim Botânico com espécies autóctones da Estrela, para o Parque Alexandre Aibéo, na zona mais elevada da cidade.

A ideia é boa e só perca por tardia. Não me verão, como é óbvio, a opor-me a um projecto deste tipo. No entanto, não se confunda a árvore com a floresta.

Criar um espaço verde com espécies autóctones da Serra da Estrela não chega, por si só, para criar a tal continuidade de que fala a publicidade camarária. Seria preciso que houvesse verdadeiros corredores verdes na cidade e que, em todos esses espaços verdes, houvesse uma representatividade da flora nativa.

Foquemos, por exemplo, a nossa atenção nos espaços verdes criados, nos últimos anos, ao abrigo dos programas Polis, na cidade. Têm sido plantados carvalhos? Sim...americanos!

sábado, março 26, 2011

Um significativo passo em frente

O Sobreiro - Pintura da autoria do Rei D. Carlos (1905)

Conheça os motivos que levaram Rui Barreiro, Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, a assinar e a divulgar a petição em favor da classificação do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal.

quinta-feira, março 24, 2011

Rolagem de árvores na auto-estrada




Na área de serviço de Leiria, na A1, de ambos os lados da auto-estrada. Porque a sombra incomoda quem manda...

(Fotografia de João Vaz.)

quinta-feira, março 10, 2011

quarta-feira, março 09, 2011

17 valores

Castanheiros-da-índia (Dublin)

Um conjunto de estudantes de Arquitectura Paisagista acaba de concluir que os castanheiros-da-índia, plantados numa avenida de Aveiro, podem representar um perigo para as pessoas, por causa dos seus frutos. Não sei o que os assustou nestes castanheiros, se foram os espinhos do seu fruto globoso ou se foi o peso das suas sementes, semelhantes (em aspecto e dimensões) aos frutos dos nossos castanheiros.

Sei, isso sim, que tal é absurdo. Como aberrante me parece, muito sinceramente, dar 17 valores a tais conclusões! E se a estes futuros arquitectos fosse dada a possibilidade de estudar os perigos associados às inúmeras araucárias, existentes nos espaços urbanos de Aveiro? Por certo que, dado o peso que as suas pinhas podem atingir, as mandariam abater de seguida. Provavelmente, seriam até agraciados com 20 valores!

Claro que nada disto invalida que se tenha que estudar a escolha das espécies a utilizar nas arborizações urbanas. Claro que nada disto invalida que certas espécies não acarretem incómodos ou mesmo perigos. Mas também é preciso ter consciência que, num país que tem tanta dificuldade em conviver com as árvores, não há uma espécie perfeita, ou seja, quem não gosta de árvores encontrará sempre motivos para a sua ira.

P.S. - Em Dublin, existem centenas de castanheiros-da-índia monumentais. Curiosamente, não vi ninguém, nas ruas ou em parques, protegido por capacetes!

sábado, fevereiro 05, 2011

Manual de imbecilidade



1º) Gastou-se dinheiro dos contribuintes para requalificar uma escola, incluindo a construção de estruturas feitas propositadamente para proteger e preservar as árvores pré-existentes no recinto escolar. Foi no Porto, na Escola Básica e Secundária do Cerco.

2º) De seguida, o Sr. director da Escola incomodou-se com o que, aparentemente, nunca o tinha incomodado anteriormente, ou seja, ter que arranjar alguém para apanhar as folhas das árvores.

3º) Não arranjou dinheiro para contratar quem apanhasse as folhas do chão. Mas arranjou para pagar a alguém para arrasar as árvores da escola.

Um autêntico manual de imbecilidade. Numa escola pública portuguesa... De nada servirá agora, no dia 21 de Março, fazer composições sobre o Dia da Árvore. As palavras são impotentes perante tamanha demonstração de selvajaria.

Agora já sabem onde muitos portugueses aprendem a odiar as árvores: nos bancos de escolas como a Escola do Cerco.

Artigo mais extenso no blogue da Árvores de Portugal. (Fotografia da autoria do arquitecto João Serro.)


sexta-feira, janeiro 14, 2011

Ainda a estupidez do terrorismo arbóreo

Soube que a Câmara Municipal da Covilhã abriu um concurso público para a poda de árvores na cidade. Soube, oficiosamente, que o mesmo foi ganho por uma empresa de construção civil do concelho (corrijam-me se estiver enganado).

Não me interessa, nomeadamente como contribuinte, que a dita empresa tenha sido a que apresentou a proposta com o orçamento mais baixo. Num país normal, qualquer empresa que não tivesse técnicos credenciados para a poda de árvores ornamentais deveria ser proibida de concorrer a estes concursos. Quanto mais ganhá-los!

Ou, por acaso, se uma apresenta de arboricultores apresentasse o preço mais baixo para construir uma estrada, seria a escolhida?!

Não basta, para podar uma árvore, ter funcionários que sabem ligar uma motosserra. É preciso que estes saibam o que fazem, até para a sua própria segurança.

Escusado será dizer que espero o pior para as árvores da minha cidade. Para as que já foram roladas no passado e, infelizmente, também para muitas árvores que ainda não tinham sido descaracterizadas pela ignorância alheia.

O problema não é apenas estético. Apesar de tudo, e a estética é importante numa árvore ornamental, há outros aspectos mais importantes, a começar pela segurança das pessoas, pois é um facto tecnicamente indesmentível que uma árvore mal podada é mais susceptível de originar problemas, como a queda de ramos, em resultado de condições atmosféricas adversas.

Mesmo o pretenso factor de "poupança" que preside a muitas destas escolhas, cai por terra quando se sabe que as árvores roladas acabarão por ver a sua longevidade reduzida, tendo que ser substituídas, a prazo, por novas árvores, com os custos associados a esta substituição.

É assim na Covilhã. É assim, infelizmente, em muitas outras autarquias portuguesas.

Portugal deve ser caso único na Europa Ocidental. Neste país, qualquer um pode constituir uma empresa e ganhar um concurso para podar árvores. Basta ter funcionários que saibam ligar uma motosserra e apresentar o preço mais baixo. Experiência? Competência comprovada? Pormenores!...



quinta-feira, dezembro 30, 2010

Sobreiro - Árvore Nacional de Portugal


Já está criado o blogue de apoio à proposta de classificar o sobreiro como Árvore Nacional de Portugal. Passem por lá a manifestar o vosso apoio.

domingo, dezembro 05, 2010

O que valem os nossos técnicos camarários



Este excerto, sobre o qual não estou autorizado a dar mais detalhes, mostra bem a pequenez da mentalidade de muitos técnicos camarários. Sem mais comentários.

sábado, dezembro 04, 2010

A última oportunidade



A última oportunidade para garantir que a Estradas de Portugal apenas intervirá sobre as árvores em que tal seja estritamente necessário. Sessão pública de esclarecimento: Junta de Freguesia de Colares, dia 6 de Dezembro, pelas 18 horas.

É a primeira vez, tanto quanto sei, que a Estradas de Portugal se presta a uma sessão de esclarecimento sobre a manutenção de árvores sob sua alçada. Seria muito mau, para situações futuras, que a sociedade civil não respondesse com uma presença forte e interventiva.



sábado, novembro 06, 2010

A nossa árvore: o Sobreiro



As asso­ci­a­ções Tran­su­mân­cia e Natu­reza e Árvo­res de Por­tu­gal pre­ten­dem, com o pre­sente comu­ni­cado, lan­çar um movi­mento que visa desen­ca­dear o pro­cesso de atri­bui­ção ao sobreiro do esta­tuto sim­bó­lico de Árvore Naci­o­nal de Portugal.

Para fun­da­men­tar esta pre­ten­são, encontram-se, entre outros, os seguin­tes motivos:

- Por ser uma espé­cie com ampla dis­tri­bui­ção no ter­ri­tó­rio naci­o­nal con­ti­nen­tal, pre­sente desde o Minho ao Algarve, em dife­ren­tes ecos­sis­te­mas natu­rais. O sobreiro ocupa em Por­tu­gal perto de 737 000 hec­ta­res (dados do Inven­tá­rio Flo­res­tal Naci­o­nal de 2006, não incluindo alguns povo­a­men­tos jovens), o que cor­res­ponde a cerca de 32% da área que a espé­cie ocupa no Medi­ter­râ­neo ocidental.

- Pela enorme bio­di­ver­si­dade asso­ci­ada aos habi­tats domi­na­dos pelo sobreiro, incluindo espé­cies em sério risco de extin­ção e com ele­vado esta­tuto de con­ser­va­ção, con­si­de­ra­das pri­o­ri­tá­rias a nível naci­o­nal e internacional.

- Pelo facto dos mon­ta­dos serem um exce­lente exem­plo, de como um sis­tema agro-silvo-pastoril tra­di­ci­o­nal pode ser sus­ten­tá­vel, pre­ser­vando os solos e, desse modo, con­tri­buindo para evi­tar a deser­ti­fi­ca­ção e con­se­quente despovoamento/desordenamento do território.

- Pela cres­cente rele­vân­cia que os bos­ques de sobreiro e os mon­ta­dos, incluindo a bio­di­ver­si­dade asso­ci­ada, estão a con­quis­tar junto de novos sec­to­res, como o sec­tor do turismo, traduzindo-se numa mais-valia para as popu­la­ções locais e para a eco­no­mia naci­o­nal. Sublinhe-se que, na actu­a­li­dade, exis­tem enti­da­des liga­das a este sec­tor de acti­vi­dade, que pre­ten­dem can­di­da­tar o mon­tado a Patri­mó­nio da Huma­ni­dade, com base no reco­nhe­ci­mento de que se trata de um ecos­sis­tema único no mundo.

- Pela sua impor­tân­cia eco­nó­mica e social, resul­tante do facto de Por­tu­gal pro­du­zir cerca de 200 000 tone­la­das de cor­tiça por ano (mais de 50 % do total mun­dial), sendo este sec­tor o único onde o nosso país pos­sui uma posi­ção de lide­rança a nível inter­na­ci­o­nal, desde a matéria-prima até à comer­ci­a­li­za­ção, pas­sando pela trans­for­ma­ção. A perda desta lide­rança repre­sen­ta­ria um des­ca­la­bro eco­nó­mico, social e ambi­en­tal sem para­lelo para o nosso país.

As duas asso­ci­a­ções que subs­cre­vem este docu­mento tudo farão para que, futu­ra­mente, se pos­sam jun­tar a este movi­mento, diver­sas ins­ti­tui­ções naci­o­nais e todos os cida­dãos a título indi­vi­dual que assim o dese­jem, incluindo todos os que, directa ou indi­rec­ta­mente, estão rela­ci­o­na­dos com a cul­tura do sobreiro e com os pro­du­tos e ser­vi­ços que depen­dem desta espé­cie e das for­ma­ções vege­tais que domina, com espe­cial des­ta­que para a indús­tria corticeira.

Esta­mos cien­tes que, ape­sar da vigên­cia do Decreto-Lei n.º 169/2001, há ainda um longo cami­nho a tri­lhar, junto das diver­sas ins­tân­cias da soci­e­dade, para se con­se­guir uma sen­si­bi­li­za­ção que con­duza a uma efec­tiva pre­ser­va­ção desta espé­cie e dos valo­res bio­ló­gi­cos, pai­sa­gís­ti­cos, eco­nó­mi­cos e cul­tu­rais asso­ci­a­dos à mesma.

A clas­si­fi­ca­ção do sobreiro como Árvore Naci­o­nal de Por­tu­gal, pode­ria, em adi­ção ao sim­bo­lismo do acto, aju­dar a tor­nar mais visí­veis os gra­ves pro­ble­mas asso­ci­a­dos, no pre­sente, à cul­tura e pre­ser­va­ção desta espé­cie, con­tri­buindo, desta forma, para aumen­tar a pres­são no sen­tido de se alcan­ça­rem as solu­ções neces­sá­rias para os mesmos.

Algo­dres, 30 de Outu­bro de 2010

Asso­ci­a­ção Tran­su­mân­cia e Natu­reza
Asso­ci­a­ção Árvo­res de Portugal


sexta-feira, outubro 22, 2010

Amigos do Teixo reúnem-se na Serra da Estrela


Realiza-se, na Serra da Estrela, nos próximos dias 5, 6 e 7 de Novembro, a Assembleia Anual da Asociación de Amigos del Tejo y Tejedas.

Mais informações: http://amigosdeltejo.org/
Inscrições: amigosdeltejo(at)gmail.com

sexta-feira, outubro 15, 2010

Uma boa ideia



Passar um fim-de-semana prolongado com árvores:

- No Sábado, dia 30 de Outubro, na Faia Brava, numa iniciativa da Árvores de Portugal e da Associação Transumância e Natureza.

- E, no Domingo e na Segunda-feira, dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, respectivamente, aproveitarem a proximidade geográfica para se deslocarem aos Montes Hermínios e ajudarem os Amigos da Serra da Estrela a reflorestar a mais alta das serras do continente português.



segunda-feira, outubro 04, 2010

Estão convidados...



É já no próximo Sábado, dia 30 de Outubro, que se realiza a actividade Árvo­res e Eco­lo­gia Flo­res­tal da Reserva da Faia Brava (folheto PDF), uma organização conjunta da Árvores de Portugal e da Associação Transumância e Natureza.

Mais informações no blogue da Árvores de Portugal.




domingo, setembro 19, 2010

quarta-feira, setembro 15, 2010

Metro Mondego quera abater 35 plátanos na Lousã

Imagem do jornal "Trevim"

Do leitor Carlos Sêco, da Lousã, recebi uma denúncia relativa à intenção da empresa Metro Mondego, de abater 35 plátanos. A última palavra é da Câmara Municipal da Lousã (CML), mas a mesma, a julgar pelo teor da notícia saída num jornal local, parece ter aceitado, sem mais pedidos de esclarecimentos à empresa em causa, a alegação de que o abate é inevitável.

Se assim é, ou seja, se é efectivamente inevitável, teria a CML que, no mínimo, solicitar à Metro Mondego que fizesse prova do que afirma, nomeadamente através da publicitação de estudos devidamente fundamentados, do ponto de vista técnico, que descartassem qualquer hipótese de salvar ás árvores.

Por outro lado, resta ainda a questão, na eventualidade do abate avançar, de saber que medidas compensatórias exigiu a CML à Metro Mondego. Ou será que não exigiu nenhuma?



Segue o extracto da notícia enviado pelo citado leitor:

"“Sem alternativa”. Foi esta a explicação dada pelo executivo lousanense na reunião de Câmara, realizada no dia 6, para autorizar o abate de 35 plátanos na rua António José de Almeida. Uma medida que manteve o tom de unanimidade em toda a sessão pública de setembro

A autarquia foi informada pela Metro Mondego da necessidade de abate dos plátanos entre a estação da Lousã e a futura estação do Casal do Espírito Santo, no âmbito da execução da obra para implementação do futuro Sistema de Mobilidade do Mondego. “É fundamental o abate para o prosseguimento das obras, lê-se na missiva dirigida à Câmara.

Embora o plátano não seja uma espécie protegida, a medida obriga a uma aprovação da autarquia que, sem margem de manobra, acabou por deliberar unanimemente o abate das árvores, algumas de grande porte. Fernando Carvalho leu o documento aos vereadores e no final deixou escapar que neste contexto a autarquia pouco ou nada pode fazer, para não travar as obras. Por seu lado, o vereador da Floresta, Ricardo Fernandes, sugeriu que no final das obras possa ser plantada uma outra espécie de árvore no local.

Ainda de acordo com a mesma carta, a sociedade responsável pelo projeto só agora detetou que as árvores dificultam o alargamento do canal do metro, impedindo assim a continuidade das obras naquele traçado.

Recorde-se que, em Coimbra, um grupo de cidadãos interpôs uma providência cautelar para impedir

o abate de plátanos na zona central da avenida Emídio Navarro, onde está prevista a passagem do traçado do Metro Mondego. Embora, neste caso, o abate das árvores tenha sido iniciativa da Câmara de Coimbra, alegando que as mesmas estavam a ser atacadas por um fungo."


Ao leitor Carlos Sêco agradeço o envio desta notícia e apelo a que insista, junto da CML, na busca de respostas às dúvidas levantadas por esta intenção que, pela informação disponível, me parece estar longe de estar totalmente esclarecida.


sexta-feira, setembro 03, 2010

A árvore mais alta da Europa?

Fonte da imagem: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

Estive apenas uma vez na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra. Foi na Primavera de 2001, com a companhia do Miguel Rodrigues e, numa altura em que os telemóveis ainda não tiravam fotos e as máquinas digitais ainda eram olhadas de soslaio, não nos pareceu um grande pecado visitá-la sem levar uma convencional máquina fotográfica. Se os remorsos matassem...

A ideia que retenho de Vale de Canas é a de uma catedral povoada por dezenas de eucaliptos colossais, um mundo subtropical e luxuriante, de onde, a qualquer momento, poderia surgir o ser mais inesperado.

Porém, o ser mais invulgar que encontrámos, no fundo do vale, não foi um réptil insólito ou alguma espécie de ave exótica, mas o maior eucalipto da Europa, um magnífico exemplar da espécie Eucalyptus diversicolor F. Muell., com 72 metros de altura (Nota: esta medição data de 2002). Este magnífico eucalipto é não apenas o mais alto do seu género na Europa, mas, muito provavelmente, a árvore mais alta do Velho Continente, tal como referido por Ernesto Goes no "Árvores Monumentais de Portugal".

No entanto, no ano de 2005, a mata foi um dos espaços consumidos pelo grande incêndio que afectou a zona de Coimbra. Durante algum tempo, logo após o incêndio, temi que esta árvore tivesse sido consumida pelas chamas.

Apesar do meu temor, este eucalipto colossal sobreviveu, tal como se pode constatar na fotografia que reproduzo acima, a qual constava da antiga página da Autoridade Florestal Nacional, agora Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Nela é bem visível não apenas as extraordinárias dimensões deste eucalipto (atenta-se na pessoa situada na base da árvore), mas também o perto que as chamas estiveram do mesmo.

Resta-me a esperança de, em breve, poder visitar novamente a Mata de Vale de Canas e poder tirar as fotografias que não pude tirar em 2001, ainda que a paisagem da mata tenha mudado radicalmente.


P.S. - Igualmente extraordinária é uma araucária (Araucaria bidwillii Hook. f.) situada à beira deste eucalipto e que, como este, está classificada como árvore de interesse público desde 2002.


(NOTA: Texto editado em Agosto de 2013.)