segunda-feira, setembro 26, 2011

Aqui há Papa

Plantação de larícios ((Larix decidua Miller) - Parque Natural da Serra da Estrela (concelho da Covilhã)

Quando a realidade supera a ficção, não há adjetivação que nos ajude a descrever uma situação. Convido-os por isso, e sem mais demoras, a ler um ficheiro (aqui) relativo a um relatório de informação da GNR e respetiva resposta. São dois minutos que valem bem a pena, para nos ajudar a compreender o tipo de povo que somos e a nossa relação doentia com as árvores.

Já conhecia todo o tipo de argumentos para cortar uma árvore. Mas nunca, nem nos meus sonhos mais surreais, esperei ver o Vaticano e um falecido Sumo Pontífice, envolvidos numa espécie de conspiração para cortar árvores na Serra da Estrela. Rir para não chorar...

sábado, setembro 24, 2011

Façam da vossa rua a rua mais bonita do mundo

Imagem do blogue Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho


Quando, em março de 2008, descobri a Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, escrevi um texto intitulado "A rua mais bonita do mundo".

Estava longe de imaginar que esse título causaria o efeito que causou, bastando fazer uma pesquisa na Internet, digitando precisamente a frase: a rua mais bonita do mundo.

Mas convém não perder o sentido do que é essencial e importante. Importante é aquela rua, os seus moradores, a sua luta, a sua história e a sua lição de vida. É isso que deve ser celebrado e servir de exemplo para o resto do mundo.

Como aqui escrevi há tempos, esta rua brasileira é, na minha opinião, a mais bonita do mundo não apenas pela beleza do seu túnel de árvores, mas também pela beleza da luta dos seus moradores. Por isso, por cada tipuana, deveria ser celebrado o nome de quem a plantou e de todos os que as defenderam no passado e defendem no presente, construindo um futuro com maior sustentabilidade ambiental.

Aquela rua não é feita apenas de um rio verde. Ela é feita de pessoas que amam as árvores. É isso que a torna, se não única, pelo menos muito especial. Quando se contar a história desta rua, essa história será feita com nomes, com o nome de todas as pessoas que cresceram sob a sombra verde das tipuanas.

Numa altura em que se discute, nesta cidade do Brasil, um projeto lei que pretende preservar todos os túneis verdes de Porto Alegre, apetece-me replicar as palavras do meu amigo César Cardia, morador na Gonçalo de Carvalho: Façam das suas ruas, também as ruas mais bonitas do mundo.


Adenda: A Gonçalo de Carvalho na televisão brasileira (aqui e aqui).

terça-feira, setembro 20, 2011

Um recanto

Sobreiro (Quercus suber L.) - Braga (São Vítor)

Um recanto de árvores autóctones no coração de Braga. Um sobreiro e três carvalhos. Resistiram ao betão e às podas camarárias. E agora estão classificados.

Obrigado a quem os propôs! A cidade de Braga pode agora ser citada não apenas por casos de arborícidio. Também pode ser dada como exemplo de como as nossas árvores nativas podem ser ornamentais e monumentais.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Com a "verdade" me enganas






A vereadora Madalena Castro, da Câmara Municipal de Oeiras (CMO), justifica, ou melhor, pretende justificar o recente abate de dezenas de árvores em Santo Amaro de Oeiras, com base num relatório de 1995. Sim, não é engano, com base num estudo feito há 16 anos! Estudo esse, aliás, do qual ninguém conhece a autoria ou qualquer outro detalhe técnico.

É caso para perguntar porque esperaram quase 20 anos para cortar as árvores? Das duas uma: ou estas não representavam qualquer perigo para a população (como se constatou ao longo deste período de tempo) ou, se esse perigo estava identificado e não houve acidentes por mero acaso, a CMO foi profundamente negligente.

Sobre o tal estudo, que continuo sem perceber por que não é tornado público, e os ditos problemas fitossanitários das árvores, deixem-me acrescentar o seguinte. Uma coisa é uma árvore ter um problema fitossanitário. Outra coisa, bem distinta, é esse problema não poder ser tratado e colocar em causa, a curto prazo, a sustentabilidade da árvore e, com isso, a segurança das pessoas e bens.

Eu sempre defendi, e defendo, o corte de árvores na via pública quando existem estudos que comprovadamente identificam problemas de sustentabilidade. O que eu não admito é que brinquem com a minha inteligência e boa vontade.


Com franqueza, um estudo de 1995! Teria sido preferível dizer que tinham um estudo feito no início deste ano, já que, de qualquer forma, não tinham vontade (ou intenção) de mostrar o “original”.

domingo, setembro 11, 2011

10 anos

Memorial do atentado de 11 de setembro de 2001 - Nova Iorque  (Fonte da imagem)

"Para o décimo aniversário tudo isto terá coberto de árvores. As famílias terão o seu memorial." - Bill Baroni (diretor-executivo da autoridade portuária de Nova Iorque)


Memorial do atentado de 11 de setembro de 2001 - Nova Iorque  (Fonte da imagem)

Os norte-americanos poderão ter todos os defeitos do mundo, mas são um povo que gosta de árvores.

E a homenagem aos seus mortos do 11 de setembro de 2001 foi feita através da plantação de árvores. Mais de 400 árvores, um pequeno bosque no coração da cidade.

Aqui está uma coisa com a qual nós, portugueses, poderíamos aprender algo. Homenagear as vidas que partiram, com a vida de uma árvore.

P.S. - Não seria justo, não recordar que, também em Madrid, as vítimas do atentado do 11 de março de 2004, foram homenageadas através da criação de um bosque, o Bosque del Recuerdo. Uma árvore por cada uma das 192 vítimas.

quinta-feira, setembro 08, 2011

terça-feira, setembro 06, 2011

Contra o silêncio e a resignação perante a destruição

Santo Amaro de Oeiras - Oeiras

Mata Nacional dos Sete Montes - Tomar

No verão, o abate de árvores é coisa que tem tendência a passar, com mais facilidade, ao lado das notícias, entretidas que andam as televisões a fazer reportagens sobre a chuva que estraga as férias ou as reportagens quase diárias sobre como poupar no regresso às aulas ou sobre a nova febre do ouro.

Sem crise, e ainda mais em tempos de crise, no presente ou no futuro, as árvores serão sempre essenciais nas nossas vidas. Convém não esquecê-lo e não deixar estes arboricídios escapar impunes - Oeiras e Tomar.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Aos que me leem

Para agrado de alguns, desagrado de outros e indiferença da maioria, a partir deste momento, os textos a publicar procurarão respeitar o acordo ortográfico.

sábado, agosto 13, 2011

Uma homenagem sob a forma de flor de cerejeira



Numa pequena cidade perto de Lyon, em França, um compositor se sensibiliza com a tragédia do grande terramoto no Japão, e começa a compor uma música. No Brasil, a floração da cerejeira no começo do inverno em Petrópolis -- cidade histórica da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, inspira uma dupla de cineastas a transformar a flor símbolo do Japão numa homenagem ao povo japonês, algo que eles idealizavam há meses.

Mais informações nesta página.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Passado e presente sem futuro




Já o disse por diversas vezes e volto-o a dizer. Gostar de árvores, em Portugal, é um acto de masoquismo. Gostar de uma árvore ou de um dado bosque é sofrer por antecipação. É um acto de amor com prazo de validade. Cedo demais virá o podador ou o fogo que nos destruirá esse sentimento. Árvores de Portugal.

domingo, julho 31, 2011

Eu sou de Porto Alegre!



A Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, no Brasil, não é a rua mais bonita do mundo apenas pelo impressionante efeito visual do seu imenso túnel verde de tipuanas. Ela é a rua mais bonita do mundo por isso, mas, sobretudo, porque essas árvores foram plantadas a acarinhadas pelos seus moradores, ao longo de várias décadas; ou seja, este túnel verde é resultado do amor, do amor às árvores!

E foi a partir desse amor e dessa luta dos moradores da Gonçalo de Carvalho, que o poder político da cidade se viu obrigado a reconhecer a importância deste património cultural, paisagístico e ambiental, classificando-o e protegendo-o com a força da lei. Embora, como se constata pelo vídeo, lá como por cá, nem sempre a lei  é, por si só, garante da preservação do património. O poder público tem que saber manter esse património para as gerações futuras.

A Gonçalo de Carvalho é a mais bonita história de amor às árvores que conheço. Como diz o meu amigo César Cardia, ela é uma história de inspiração para todos os que amam as árvores, um pouco por todo o mundo. A isso eu só posso responder da seguinte forma: eu sou de Porto Alegre!

sexta-feira, julho 29, 2011

Um pinheiro elitista


Resultado das podas radicais que afectam, por motivos que não consigo compreender, muitos dos pinheiros-mansos algarvios, decidi proclamar o surgimento de uma nova espécie de pinheiro, o "Pinus algarbiensis", que se destaca pelo seu porte deformado e copa raquítica.

Embora se encontrem exemplares destes um pouco por todo o Algarve, esta espécie é particularmente abundante na faixa litoral, entre Albufeira e Vilamoura, denotando uma certa predilecção por empreendimentos turísticos de luxo.

Podemos pois concluir que, para além de feio, este pinheiro é um pouco elitista, não aparentando especial predilecção por se misturar com camadas da população menos favorecidas monetariamente.

quinta-feira, junho 30, 2011

Uma Manhã de Domingo na Companhia das Árvores de Lisboa


A associação Árvores de Portugal organiza, em parceria com a Loja de História Natural, uma visita às árvores de alguns parques e jardins da capital, no próximo dia 10 de Julho (Domingo). A actividade terá início às 9h e 30 minutos no Jardim Braamcamp Freire (Campo dos Mártires), estando o ponto de encontro programado para a parte superior do dito jardim, à sombra da grande bela-sombra do topo Norte do jardim, entre o campo de jogos e o parque infantil (em frente ao número 102 do Campo dos Mártires da Pátria).

A visita é gratuita e terá como guia Rui Pedro Lérias, biólogo com experiência na divulgação do património botânico de Lisboa.


O percurso começará no Jardim do Campo dos Mártires e seguirá até ao Jardim do Príncipe Real, passando pela Avenida da Liberdade e pela Praça da Alegria. Estes espaços incluem um grande número de árvores monumentais e classificadas, algumas desde a década de 1940. Esta é uma oportunidade de ficar a conhecer melhor estas amigas por quem tantas pessoas passam todos os dias.

No final da visita, está programado um almoço convívio com todos os participantes, num restaurante perto do Jardim do Príncipe Real. Será uma excelente oportunidade para nos conhecermos melhor, num ambiente informal, e podermos discutir assuntos relacionados com as árvores e jardins do nosso país ou sobre o funcionamento da nossa associação, o trabalho realizado até ao momento e projectos para o futuro. No entanto, gostaríamos de sublinhar que a participação na visita não implica a obrigatoriedade de participar no dito almoço.

Uma vez que será necessário um mínimo de 15 inscrições para se poder reservar o espaço, as inscrições para o almoço deverão ser feitas, impreterivelmente, até à Quarta-feira anterior, dia 6 de Julho de 2011.
Esta inscrição no almoço inclui a obrigatoriedade de efectuar o respectivo pré-pagamento, no valor de 12,50 €. Este pagamento poderá ser feito por transferência bancária para a conta da Associação Árvores de Portugal no Banco Português de Investimentos (BPI) [NIB:0010 0000 44175960001 91] ou directamente na Loja de História Natural (Rua do Monte Olivete, 40 – Junto ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa).

Contando com a vossa participação, pedimos que nos façam chegar as vossas inscrições, com a brevidade possível, através da nossa página de contacto; na mensagem deverão, obrigatoriamente, mencionar os seguintes dados:
- Nome;
- Caso pretendam, adicionalmente, participar no almoço, deverão mencionar se farão o pagamento através de transferência bancária ou directamente na Loja de História Natural.

Contamos com todos vós! Vemo-nos no dia 10 de Julho…

(Fotografia da autoria de Miguel Rodrigues.)

Adenda: A visita realiza-se independentemente do número de inscrições e condições meteorológicas. Relativamente ao almoço, no caso de não ser atingido o número mínimo de participantes, o dinheiro das pessoas que tiverem pago será devolvido com a máxima brevidade.

quarta-feira, junho 29, 2011

Um imenso disparate

Fonte da imagem: Facebook - Parque Infantil da Mata Municipal


Esta imagem é mais uma, a adicionar às imagens de árvores decepadas nas escolas portuguesas, que ajudam a explicar a dendrofobia nacional: ela é-nos incutida desde pequeninos!

Como se já não fosse infâmia suficiente este vandalismo ambiental ser pago com o dinheiro dos nossos impostos, o mesmo ainda é "justificado" como sendo feito a bem da segurança das pessoas. Desculpem, a bem da segurança das pessoas?!

Recomendo à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), entidade responsável pela fiscalização destes espaços, que invista em livros sobre manutenção de árvores ornamentais. Os técnicos da ASAE não precisarão de muitos minutos de leitura, para descobrir que as árvores roladas, como as deste parque de Vila Viçosa, representam um risco acrescido para os seus frequentadores, por darem origem a rebentos de inserção mais frágil e, por isso, menos resistentes. Acresce o facto de originaram infecções que contribuem igualmente para debilitar as árvores.

Porém, após anos e anos de denúncia destas práticas de terrorismo arbóreo, mais próprias de países do terceiro-mundo, há ainda quem insista, contra todas as evidências científicas, em elogiá-las. Basta para tal acederem à página de onde retirei a fotografia para poderem ler comentários como estes:

"Está lindissimo! E as árvores desbastadas, têm imensas folhas verdes ;)"
"... as árvores, plantas, precisam ser podadas para fortalecerem, no caso dos plátanos o problema poderá surgir se forem mal podados pq pode originar o aparecimento de fungos, não me parece que seja o caso,uma vez que as árvores já têm folhas verdinhas."
"Não as cortaram como eu pensava que ia acontecer , podaram nas porque dizem os entendidos que era mesmo necessário e realmente estou a gostar como as folhas estão a brotar, sãs e saudaveis . As árvores tambem precisam de ser cuidadas e tratradas.

De pouco ou nada vale a ciência contra os "mitos urbanos". Podar faz bem ás árvores porque lhes dá força! Que todos os entendidos na manutenção de árvores ornamentais digam que isso é um imenso disparate, de nada vale contra anos e anos de ódio às árvores.

Os portugueses gostam é disto, de tocos com umas "folhas verdinhas"...

Temos a sombra que merecemos nas nossas vilas e cidades. Um povo triste e inculto, que despreza a beleza da árvore, não merece mais! 

segunda-feira, maio 16, 2011

Mudar mentalidades


A cidade de Braga é um dos casos mais emblemáticos do culto arboricida que prevalece neste país, como denunciei em diversos textos (aqui, por exemplo).

Estou certo que esta palestra ajudará a iniciar um caminho que levará a que, progressivamente, se comecem a mudar algumas mentalidades.

Se estiverem por Braga não deixem de estar presentes, manifestando a vossa voz a favor das árvores