Se pesquisarem imagens antigas das vossas cidades, encontrarão vários exemplos de árvores roladas, numa demonstração de que a forma como encaramos o papel das árvores nas nossas urbes é um problema cultural com raízes longínquas, ainda longe de estar resolvido.
A imagem destas dezenas de pessoas, abrigadas do sol tórrido por guarda-sóis, com um fundo de árvores decepadas, demonstra bem a irracionalidade destas práticas com que torturamos quem nos deveria proteger, com a sua sombra, do calor angustiante.
Apesar das nossas reservas perante o mundo das redes sociais, reconhecemos a importância que o Facebook tem nos dias de hoje e, sobretudo, na ajuda que este pode prestar na publicitação das actividades da Árvores de Portugal.
Assim sendo, para estarem actualizados quanto às nossas actividades e publicações no blogue, consultem a nossa página no Facebook.
Adenda: A Árvores de Portugal está também no Twitter e no Flickr, no qual pode partilhar as suas melhores fotografias das árvores do nosso país.
José Saramago gostava de dizer que um dos homens mais sábios que conhecera tinha sido o seu avô, pastor e contador de histórias, que, apercebendo-se da chegada da sua hora, se abraçou a todas as árvores com que tinha convivido ao longo da vida.
Não sei se José Saramago teve tempo para se despedir das suas árvores, antes de morrer. Mas sei que todos os que amamos as árvores gostaríamos de ter tempo para, chegada a hora, fazer essa despedida.
O Real Jardín Botánico de Madrid disponibiliza, na sua página, mais de 7 000 ilustrações elaboradas durante a Real Expedición Botánica del Nuevo Reino de Granada (1783-1816) liderada por José Celestino Mutis (Cádis, 1772 - Bogotá, 1808) .
¿Qué es un olivo? Un olivo es un viejo, viejo, viejo y es un niño con una rama en la frente y colgado en la cintura un saquito todo lleno de aceitunas.
Porque, também entre as árvores, a beleza não tem idade... Esta candidata a decana das nossas árvores exala personalidade e sensualidade por cada poro.
Apenas a falta de bondade humana, a poderá privar do próximo milénio. Num país onde tudo parece estar errado, orgulhem-se desta árvore. Por ser velha, por ser bonita, por ser um monumento vivo e por ter sobrevivido a um empreendimento turístico.
A propósito do que se tem passado em Sintra, no corrente ano, no que concerne à poda de árvores ornamentais, a Associação Árvores de Portugal e a Quercus — Associação Nacional de Conservação da Natureza, decidiram emitir um comunicado que pode ser lido no blogue da Árvores de Portugal ou na página oficial da Quercus.
Fotografia retirada do blogue espanhol "Venerables Árboles". Isto é o que se chama, no país vizinho, de gamberrada!
A necessidade de nos afirmarmos, perante os outros, praticando actos idiotas é daquelas coisas que seria de esperar que passasse com a entrada na idade adulta, mas não... Este indivíduo da fotografia, faz-me lembrar todos aqueles que sentem uma compulsiva, e inexplicável, vontade de escrever o seu nome em toda a parte, mesmo que seja no tronco de uma árvore monumental.
Segundo os jornais, um conjunto de autarquias portuguesas aderiu a uma coisa chamada Pacto de Autarcas da União Europeia (UE), no combate às alterações climáticas (ler notícia).
Um dos objectivos a que as autarquias se comprometem, já adivinharam, é a plantar mais árvores...claro!
Um dos municípios portugueses que aderiu foi o de Loures, onde as árvores, mesmo novas, são tratadas da forma que se vê. Palavras para quê, são cidades portuguesas com certeza.
Vamos impedir o poder municipal de Sintra de continuar a ignorar as aspirações justas dos seus munícipes, em usufruir de um ambiente de qualidade. Ou andará o Dr. Fernando Seara tão distraído e preocupado com o futebol, que ainda não reparou no que se passa na sua vila e concelho?
"Esta vaga de destruição em Sintra é revoltante, triste e vergonhosa. Não consigo perceber porque é que esta prática foi, nas ruas aqui mostradas, abandonada há 20/30 anos, tendo-se deixado as tílias e os plátanos recuperar um pouco da sua dignidade, para tudo terminar nesta miséria, uma geração mais tarde. Há algo profundamente errado e perigoso nos serviços de ambiente deste município, que delapida e rapina os bens que foram colocados à sua guarda. Os espaços públicos desta vila tornaram-se um desconforto embaraçoso, uma sucessão lúgubre de lugares a evitar; quanto ao seu título de “Património Mundial” (atribuído pelo valor da sua paisagem cultural!) merece ser seriamente posto em causa."
Carlos Alberto Dayrell foi nomeado Cidadão Honorário de Porto Alegre. Trinta e cinco anos depois, foi reconhecido o valor de quem salvou uma árvore de um abate desnecessário, numa altura em que, no Brasil, impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional.
Trinta e cinco anos depois, a árvore, uma tipuana, permanece de pé, tal como permanece a necessidade urgente de, com coragem, defender as árvores, no Brasil, como por cá, de abates incompreensíveis e podas mutiladoras.
P.S. - Em Porto Alegre, o exemplo de Carlos Alberto Dayrell não foi em vão e, de certeza, terá sido uma forte inspiração para os moradores da Rua Gonçalo de Carvalho.
Poucas vezes li coisa tão acertada, e certeira, sobre as árvores do nosso país:
"Os países, como Portugal, preocupados em plantar muitas árvores mas sem a mínima noção de como se cuida delas, são como aqueles pais que têm muitos filhos mas depois não os educam." Blog de Cheiros.