quinta-feira, abril 29, 2010

Marcadas!



Em Sintra, uma vez mais! Por favor, assinem e divulguem a petição em defesa das árvores de Sintra.

Vamos impedir o poder municipal de Sintra de continuar a ignorar as aspirações justas dos seus munícipes, em usufruir de um ambiente de qualidade. Ou andará o Dr. Fernando Seara tão distraído e preocupado com o futebol, que ainda não reparou no que se passa na sua vila e concelho?

Recordo as palavras do Pedro Arrabaça, num comentário deixado no blogue da Árvores de Portugal:

"Esta vaga de des­trui­ção em Sin­tra é revol­tante, triste e ver­go­nhosa. Não con­sigo per­ce­ber por­que é que esta prá­tica foi, nas ruas aqui mos­tra­das, aban­do­nada há 20/30 anos, tendo-se dei­xado as tílias e os plá­ta­nos recu­pe­rar um pouco da sua dig­ni­dade, para tudo ter­mi­nar nesta misé­ria, uma gera­ção mais tarde. Há algo pro­fun­da­mente errado e peri­goso nos ser­vi­ços de ambi­ente deste muni­cí­pio, que dela­pida e rapina os bens que foram colo­ca­dos à sua guarda. Os espa­ços públi­cos desta vila tornaram-se um des­con­forto emba­ra­çoso, uma suces­são lúgu­bre de luga­res a evi­tar; quanto ao seu título de “Patri­mó­nio Mun­dial” (atri­buído pelo valor da sua pai­sa­gem cul­tu­ral!) merece ser seri­a­mente posto em causa."


terça-feira, abril 27, 2010

Herói involuntário por amor às árvores



Carlos Alberto Dayrell foi nomeado Cidadão Honorário de Porto Alegre. Trinta e cinco anos depois, foi reconhecido o valor de quem salvou uma árvore de um abate desnecessário, numa altura em que, no Brasil, impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional.

Trinta e cinco anos depois, a árvore, uma tipuana, permanece de pé, tal como permanece a necessidade urgente de, com coragem, defender as árvores, no Brasil, como por cá, de abates incompreensíveis e podas mutiladoras.




P.S. - Em Porto Alegre, o exemplo de Carlos Alberto Dayrell não foi em vão e, de certeza, terá sido uma forte inspiração para os moradores da Rua Gonçalo de Carvalho.

terça-feira, abril 20, 2010

Poucas vezes...

Poucas vezes li coisa tão acertada, e certeira, sobre as árvores do nosso país:

"Os países, como Portugal, preocupados em plantar muitas árvores mas sem a mínima noção de como se cuida delas, são como aqueles pais que têm muitos filhos mas depois não os educam." Blog de Cheiros.

segunda-feira, abril 19, 2010

A soberba humana

O Presidente da CM de Machico, a pedido de um cónego, cortou dois tis [Ocotea foetens (Aiton) Benth. & Hook.f.,], espécie protegida da Laurissilva endémica da ilha da Madeira, porque, pasme-se, interferiam com a estética da igreja matriz (ler notícia na íntegra).

O autarca, porque não tem outro tipo de argumentos, nomeadamente do tipo racional, escuda-se na arrogância do populismo do tipo "quero, posso e mando": "Não vamos deixar de fazer as coisas porque há meia dúzia de indivíduos que entendem que uma árvore é a coisa mais importante do mundo."

Lendo com atenção a notícia, subtilmente percebe-se que as árvores em causa padeciam de uma outra característica que, na actualidade, e em dita terra, parece ser um pecado mortal: tinham sido mandadas plantar, no passado, por um executivo de outra cor política!

Do Cónego Martins, autor do pedido para o abate dos dois tis, como homem da Igreja, esperava-se que compreendesse que as árvores também são obra de Deus. Esperava-se do mesmo, a humildade de compreender que estas, em nada, diminuem a obra humana . E que não alimentasse o falso conflito entre o património edificado e o natural, como se estes não se complementassem e, pelo contrário, fossem incompatíveis.


Em Machico, para se cortarem árvores, basta que os dois homens mais influentes da terra estejam em sintonia nas suas concepções estéticas.
E a opinião das outras pessoas da terra? A tal "meia dúzia" de indivíduos que gostam de árvores? Pois bem, não é relevante e não interessa para nada. "As coisas têm que ser feitas", disse o autarca. Deve ser isto a democracia, digo eu!


As árvores não serão a coisa mais importante do mundo, como disse o Presidente da CM de Machico. Mas não merecem ser cortadas por motivos tão fúteis, em nome da soberba humana.




quinta-feira, abril 15, 2010

Palestra sobre plantas invasoras




Uma organização conjunta da Árvores de Portugal e da Almargem. Na Sala da Assem­bleia Muni­ci­pal de Loulé, dia 16 de Abril pelas 15h00, com a presença de Elizabete Marchante, do projecto INVADER.


NOTA: A entrada é gratuita e não é necessária qualquer pré-inscrição.

sábado, abril 10, 2010

Em busca das raízes

Fotografia de Juliana Gatti

A Juliana Gatti, autora do blogue Árvores Vivas, do Brasil, andou por terras beirãs à procura das suas raízes.

No decurso dessa procura, acabou por tropeçar no magnífico castanheiro (Castanea sativa Mill.) de Guilhafonso.

Árvore classificada de interesse público há quase 30 anos, este castanheiro estará, certamente, entre os maiores da Europa.

sábado, abril 03, 2010

Requalificar = Destruir



As duas primeiras imagens deste texto referem-se ao que está a acontecer, por estes dias, no Parque Municipal de Loulé. Podem ler mais sobre esta "requalificação" no blogue da Árvores de Portugal, num texto assinado pelo Miguel Rodrigues.



Nesse texto, tive oportunidade de escrever o seguinte comentário:

"Há aqui duas coi­sas que me cau­sam per­tur­ba­ção, a pri­meira ao nível das inten­ções por detrás deste tipo de pro­jec­tos, ditos de “requa­li­fi­ca­ção”, e a segunda, obvi­a­mente, ao nível do modo como as obras são imple­men­ta­das no terreno.

Desde logo, incomoda-me, e não con­sigo com­pre­en­der, juro que não con­sigo, esta neces­si­dade, per­ma­nente e pre­mente, de requa­li­fi­car tudo o que é jar­dim, por esse país fora. Parece que a um jar­dim, para atrair as pes­soas, já não basta ter árvo­res e som­bras. Isso é passado…Agora, ao que parece, os jar­dins têm que ser moder­nos, o que implica a cons­tru­ção de uma série de equi­pa­men­tos, tudo à conta da ampu­ta­ção do espaço para o verde.

Outra coisa que roça o sur­real é esta queixa de um jar­dim ter excesso de ensom­bra­mento! Mas que diabo é o excesso de ensom­bra­mento num jar­dim?! Não é para dar som­bra que se plan­tam as árvo­res? Não será esse o objec­tivo de um par­que, espe­ci­al­mente numa cidade com clima medi­ter­râ­nico, com cen­te­nas de horas de sol por ano?

Eu diria que o pro­blema das ruas e dos jar­dins em Por­tu­gal é pre­ci­sa­mente o oposto, ou seja, a insu­fi­ci­ên­cia de som­bras deri­vada do hábito de estar­mos per­ma­nen­te­mente a rolar as árvo­res orna­men­tais. Fruto des­sas prá­ti­cas sel­va­gens, as nos­sas árvo­res urba­nas mais não têm do que copas raquí­ti­cas, nunca che­gando a atin­gir o seu desíg­nio: maravilharem-nos com o perí­me­tro de fres­cura das suas sombras.

E o que acon­tece quando, num par­que, estas esca­pam a tão triste fim e che­gam ao seu estado adulto, com a forma que a natu­reza lhes deu? Mal­va­das que dão muita som­bra e é pre­ciso podá-las…ou resol­ver logo o pro­blema pela base e cortá-las! Excesso de ensom­bra­mento?! Não con­sigo parar de pen­sar no absurdo deste argumento.


Dublin

De repente, lembro-me dos jar­dins da Irlanda. Num país com escasso número de dias de sol, onde um dia de Agosto de céu enco­berto e 20ºC é um exce­lente dia de Verão, e penso como seria ridi­cu­la­ri­zada a ideia de se que­rer cor­tar as árvo­res dos jar­dins por excesso de ensombramento.

Lembro-me de um mag­ní­fico jar­dim no cen­tro de Dublin, com árvo­res enor­mes, com pes­soas almo­çando sobre os rel­va­dos, apro­vei­tando a escassa luz de um dia de verão irlan­dês, e nada de mini­gol­fes ou de par­ques de des­por­tos radi­cais a que­brar a paz e o sos­sego daquela pausa ves­per­tina. Que tam­bém por lá haverá par­ques de des­por­tos radi­cais ou mini­gol­fes, não duvido, mas não às cus­tas de ampu­tar espa­ços verdes.


Dublin

O único equi­pa­mento extra­va­gante que esse par­que tinha era um coreto, onde uma banda tocava perante deze­nas de pes­soas que faziam tempo, após o almoço, para regres­sa­rem ao tra­ba­lho e perante turis­tas, como eu, que se ques­ti­o­na­vam por­que tal ima­gem não seria pos­sí­vel num jar­dim português.

Existe uma qual­quer fobia que afasta uma mai­o­ria de por­tu­gue­ses dos nos­sos par­ques, um qual­quer incó­modo no con­tacto com o verde da natu­reza. É ridí­culo pensar-se que as pes­soas pas­sa­rão a fre­quen­tar um par­que por­que se cimen­tam os cami­nhos ou que se sen­ti­rão mais segu­ras com ilu­mi­na­ção cénica, por debaixo das copas das árvores.

A segu­rança cria-se com guar­das que zelem por quem fre­quenta esses jar­dins e que impeça actos de van­da­lismo; os hábi­tos de visi­tar e usu­fruir de um par­que não são fáceis de criar, mas podem-se orga­ni­zar even­tos cul­tu­rais, por exem­plo, que criem uma rotina de visita a esses espa­ços. Ou a ins­ta­la­ção de cir­cui­tos de manu­ten­ção, de baixo impacto visual, que fomen­tem a prá­tica desportiva.

E depois há todos os outros por­tu­gue­ses. Aquela mino­ria, à qual per­tenço, e à qual bas­tam as árvo­res num jar­dim; e a mai­o­ria, a qual nunca irá a um jar­dim a menos que aí esta­ci­o­nem um cen­tro comercial!

Mas há ainda o segundo lado desta ques­tão, ou seja, o modo como as obras estão a ser fei­tas. Acaso foi estu­dado o efeito que a aber­tura des­tas valas terá na saúde e, logo, na segu­rança, des­tas árvo­res? Foi feito algum estudo sobre esta maté­ria? Se sim, qual o nome da enti­dade que o exe­cu­tou e quais as suas con­clu­sões? Foram pro­pos­tas medi­das de mini­mi­za­ção para o impacto das mes­mas nas árvo­res e na paisagem?

Claro que haverá sem­pre o argu­mento que as obras tinham que ser fei­tas assim e que não podiam ser fei­tas de outra maneira. Fale­mos então de custos/benefícios.

Será que os pre­ten­sos efei­tos bené­fi­cos que esta inter­ven­ção trará ao Par­que de Loulé com­pen­sa­rão os danos cau­sa­dos? Se sim, dêem-me um exem­plo, em Por­tu­gal ou no estran­geiro, um único exem­plo, de uma inter­ven­ção em que o corte de árvo­res ou a cons­tru­ção de mini­gol­fes, tenham tor­nado um par­que mais seguro e mais visitado.

Acaso alguém ima­gina um cená­rio de guerra como este, no nova-iorquino Cen­tral Park? Alguém ima­gina os nova-iorquinos a aplau­di­rem o corte de árvo­res e a verem o seu par­que esven­trado por maqui­na­ria pesada?

O Par­que de Loulé, como a mai­o­ria dos nos­sos jar­dins mais anti­gos, pre­ci­sam de duas coi­sas muito sim­ples: jar­di­nei­ros, que os cui­dem e evi­tem a ima­gem de des­leixo cau­sada pelo cres­ci­mento de matos e infes­tan­tes, bem como a acu­mu­la­ção de lixo, e de vigi­lan­tes, que os tor­nem em locais mais segu­ros, de dia ou de noite, para quem os frequenta.

Toda a moder­nice que estas ditas “requa­li­fi­ca­ções” encer­ram não é mais do que saloi­ice pegada de quem não conhece os gran­des jar­dins e par­ques do mundo.

Excesso de ensom­bra­mento?! Francamente…"

quarta-feira, março 31, 2010

Três anos em luta pelas árvores de Loulé

Imagem do blogue Sebastião


A 17 de Maio de 2007 publicava, aqui na Sombra Verde, o primeiro texto dedicado ao abate de árvores no concelho de Loulé.

Foi o primeiro de vários textos, dedicados não apenas a questionar o porquê desses abates, como também a denunciar podas abusivas, como a que sofreu a araucária do Convento do Espírito Santo, que marcava o perfil da cidade.

Passados 3 anos, e muitas dezenas de árvores abatidas, são muitas as perguntas que continuam sem resposta. Por exemplo, no texto que cito, de Maio de 2007, questionava qual tinha sido a entidade técnica responsável pela análise do estado fitossanitário das árvores abatidas, nesse caso, na Avenida José Mealha.
Neste espaço de tempo, a Câmara Municipal de Loulé (CML), que se saiba, nunca deu qualquer justificação aos seus munícipes para o abate destas e de muitas outras árvores. Nunca explicou se existe algum plano para os espaços verdes da cidades, planeado e executado por técnicos credíveis ou se, pelo contrário, as intervenções vão sendo pensadas e executadas em cima do joelho, ao sabor de uma maré destrutiva, servindo um ideal estético de contornos arboricidas.

Há cerca de 3 semanas, e tendo por base a busca de motivos para uma intervenção no Parque Municipal, mais uma de contornos muito duvidosos, o Miguel Rodrigues, que comigo pertence aos quadros directivos da Árvores de Portugal, teve ocasião de questionar um responsável da Divisão de Projectos, da CML, sobre os motivos para todos estes abates.
Nenhum documento, se é que algum existe, nos foi dado a conhecer que pudesse fundamentar, de alguma forma, estas intervenções nos espaços verdes do concelho. Apenas a informação, algo vaga, que a CML solicita, previamente a este tipo de intervenções, o parecer de um engenheiro agrónomo.

Estudos para cada uma das árvores abatidas? Bom, se os há, não nos foram mostrados e continuamos, e provavelmente continuaremos sempre, sem saber se haveria motivos para cortar estas árvores.

Claro que a conversa do Miguel Rodrigues ocorreu antes de imaginarmos a surpresa , de muito mau gosto, que a CML tinha reservado para a véspera e para o próprio Dia da Árvore: o corte de 16 tílias, no coração da cidade!


Uma vez mais, e após mais esta ocorrência, o Miguel Rodrigues, em nome da Árvores de Portugal, deslocou-se à CML, em busca da verdade. Desta vez, foi, inclusivamente, recebido pelo próprio Vice-Presidente da autarquia.
Deste modo, foi possível saber que para este caso, e apenas para este, foi pedido um estudo a uma empresa de arboricultura, ou seja, a uma empresa com técnicos e equipamentos próprios para fazer o diagnóstico do estado fitossanitário de árvores ornamentais.

O Miguel Rodrigues consultou o estudo, que faz, não uma análise global das tílias, mas uma análise individualizada do estado fitossanitário, para cada um dos exemplares em causa. Ficou-se a saber, deste modo, que, das 16 árvores cortadas, 12 apresentavam sérios riscos para a segurança de pessoas e bens.

Como já escrevi anteriormente, a CML pode, e deve, ser criticada neste caso das tílias, da Praça da República, pelos seguintes factos:

a) Não divulgou os resultados do estudo, permitindo que as pessoas pudessem ter questionado, de forma directa, os próprios autores do documento em causa, de forma a compreenderem os riscos envolvidos caso se tomasse a opinião de preservar as tílias;

b) Deste modo, a decisão de cortar as árvores foi mantida em segredo, com o intuito óbvio de não criar polémicas, como se isso fosse mais importante que os sentimentos das pessoas face a estas árvores. As pessoas deveriam ter sido informadas e preparadas para a inevitabilidade deste desfecho.

c) Pelo contrário, optou-se pela arrogância do "quero, posso e mando", com o supremo mau gosto, quase a roçar a provocação, do corte das árvores ter ocorrido no fim-de-semana em que se celebrava, precisamente, o Dia da Árvore.

d) Por último, a autarquia não explicou, e continua sem explicar, os motivos porque decidiu, adicionalmente, abater 4 tílias que não apresentavam qualquer perigo para a segurança dos transeuntes.

No entanto, o pormenor mais significativo do dito relatório é quando o mesmo sublinha que, se não tivesse sido a incorrecta manutenção destas árvores, com podas desadequadas, não se teria chegado ao estado de degradação que ditou a necessidade de proceder ao corte destes exemplares.
Percebe-se melhor agora o incómodo da CML em divulgar este estudo técnico, pois no mesmo está escrito, preto no branco, a sua culpa neste desfecho. Se as árvores não podiam ser salvas foi porque a autarquia delas não soube cuidar.

Curiosamente, no tal texto de Maio de 2007, perguntava precisamente: "Para além de todas as questões ambientais inerentes a estes abates, será que uma correcta gestão do património arbóreo não seria também proveitosa para o erário público?" Dito por outras palavras, se as árvores fossem tratadas com profissionalismo, ao longo dos anos, não seria necessário, às câmaras municipais, proceder sistematicamente ao seu abate e substituição por novos exemplares, como neste caso de Loulé. Para além dos custos ambientais e paisagísticos, poupava-se o dinheiro dos contribuintes.


Claro que o corte destas 16 tílias, dada a sua idade e localização, acabou por ter um impacto muito maior do que o corte das dezenas de exemplares, no concelho, que o precedeu. Mas o pior deste caso é que, uma vez que a CML, no passado, nunca deu explicações aos seus munícipes sobre os cortes de árvores no concelho, agora que existe um estudo tecnicamente credível, muitas pessoas recusam-se a aceitar os resultados do mesmo.

E isto é que é particularmente grave, pois demonstra o divórcio dos cidadãos de quem os representa e governa. Tal só levará a que, no futuro, os cidadãos se distanciem cada vez mais das políticas para a sua cidade, com o efeito agravante de deixar quem manda na autarquia mais livre para implementar os seus desígnios.

Porque, verdade seja dita, a Câmara de Loulé, como qualquer autarquia deste país, sabe que conta com o apoio de uma larga maioria de cidadãos que, independentemente da sua cor política, odeia as árvores e apoia qualquer acto arboricida. É triste, mas tem que ser recordado que, em 2008, o professor António Rocha lançou um manifesto em defesa das árvores de Loulé que teve 66 assinaturas...sessenta e seis!

É esta passividade e cumplicidade da sociedade civil que alimenta a arrogância de quem manda e que cauciona, por omissão, muitos dos seus actos. No entanto, inconformados com esta situação e prontos a lutar contra o desânimo, um grupo de cidadãos de Loulé decidiu mostrar o seu descontentamento, no passado Sábado, ao Presidente da autarquia, Dr. Seruca Emídio, aproveitando a passagem do Presidente da República, Professor Cavaco Silva, pelo concelho onde nasceu.

Esse grupo de cidadãos, que inclui o António Rocha (autor do blogue Sebastião), o João Martins (autor do blogue Movimento Apartidário da Cidade de Loulé) e o Hélder Faustino Raimundo (autor do blogue Contra>Senso) decidiu convidar a Associação Árvores de Portugal , na minha pessoa a na do Miguel Rodrigues, a juntar-se a esse protesto simbólico. Aceitámos por ser um protesto em defesa das árvores e por ser um protesto apartidário.

Deste modo, em nome de todos os cidadãos de Loulé, tive ocasião de entregar ao Senhor Presidente da República, o documento que poderão ler, na íntegra, na blogue da Árvores de Portugal. Uma cópia do mesmo foi, obviamente, entregue igualmente ao autarca de Loulé.

Ao Presidente da República agradecemos a amabilidade que demonstrou em querer ouvir as razões da nossa indignação e, deste modo, ter criado as condições para que as pudéssemos transmitir, na primeira pessoa, ao Presidente da CML. Por seu lado, o Presidente da autarquia, a quem também agradecemos a atenção de nos ouvir, teve o cuidado de prestar algumas justificações mas que, mesmo tendo em conta que aquele não era o momento para conversas exaustivas e demoradas, nos parecem claramente insuficientes:

a) Sobre o facto das tílias terem sido cortadas no Dia da Árvore, foi-nos dito que a urgência desses abates foi ditada precisamente pelo conteúdo do dito relatório técnico. Situação que contestei, pois o relatório foi concluído em Novembro passado.
Logo, se os técnicos tivessem descrito uma situação de perigo iminente, o corte deveria ter sido imediato. Como tal não foi feito, presume-se que a necessidade de abater as 12 tílias não era urgente, pelo que o período de tempo que decorreu após a entrega do dito documento deveria ter servido para a sua divulgação/discussão.

b) Precisamente sobre a falta de divulgação deste relatório, o Senhor Presidente da CML esclareceu-nos que o mesmo tinha sido dado a conhecer aos comerciantes da Praça da República. Sem desprimor para os ditos comerciantes, tive ocasião de relembrar o Senhor Presidente da autarquia que estes representam uma ínfima parte dos cidadãos do concelho.

c) Sobre os motivos para todos os outros abates ocorridos, nestes 3 últimos anos, na cidade e no concelho, nada foi dito. Nem sobre a já citada intervenção no Parque Municipal da cidade, que decorre na actualidade.
Deste modo, continuamos sem saber qual a estratégia e a fundamentação, se é que existem, para todas estas intervenções nas árvores e espaços verdes municipais.


Deste modo, e para que esta acção não tenha sido em vão, cabe aos cidadãos de Loulé continuar a pressionar os seus representantes na Assembleia Municipal, de modo a obter as respostas necessárias por parte do Executivo Municipal. É aos louletanos que cabe mostrar o seu descontentamento. Só eles e apenas eles poderão conseguir uma mudança de rumo na forma como estas questões têm sido tratadas, no concelho.




P.S. - Algumas questões adicionais:

1º) A Árvores de Portugal irá manifestar, brevemente, a sua opinião sobre as obras de remodelação no Parque Municipal de Loulé.

2º) A Árvores de Portugal defende que a gestão das árvores ornamentais deve ser feita, em exclusivo, por empresas ou técnicos com formação em arboricultura. Deste modo, a menos que alguém nos prove a falta de idoneidade e de competência técnica da empresa que efectuou a análise das tílias da Praça da República, continuaremos a defender, como credíveis, as conclusões do citado estudo técnico.

3º) A Árvores de Portugal, em conjunto com a Almargem, acordou realizar, num espaço da autarquia, uma palestra sobre espécies invasoras, no próximo dia 16 de Abril.
Sobre este assunto, queremos reafirmar que, como é por demais evidente, tal facto não condiciona a nossa isenção e liberdade.
Por outro lado, como não confundimos o Executivo Municipal com a autarquia em si, enquanto instituição, não vemos motivos para anular esta iniciativa e privar os louletanos de aceder a uma palestra que nos parece extremamente importante.



quinta-feira, março 25, 2010

Perder uma árvore é como perder alguém que se ama

Relato, na primeira pessoa, de uma tília derrubada. Por Graça Gomes:

"A "minha" tília foi derrubada.

Depois de várias investidas frustradas, conseguiram deitá-la ao chão. Já antes a tinham decepado, cortando-lhe dois imponentes ramos.

E em toda esta história destaca-se este gigante de tronco grosso e braços levantados ao céu que, heroicamente, resistiu, enquanto teve forças, às investidas do tempo e do homem.

Suportou os rigores de muitos invernos e os verões escaldantes queimaram-lhe as folhas. O luar, branco inundou-a de luz, tantas vezes, e tornou mais brilhantes as folhas prateadas a que a tília dava vida.

Olho para o tronco retalhado, espalhado pelo chão, e vem-me à memória o meu pai e um madeireiro interessado na compra, já lá vão uns anos, --dou-lhe cem contos pela árvore. Mas o meu pai respondeu, ofendido e determinado: nem por mil contos a venderia!

Porque a nossa tília sempre acompanhou, do alto da sua ramagem e dos muitos, muitos anos, a minha família, durante cinco gerações. Viveu as nossas alegrias e chorou, connosco, quando a desgraça nos bateu à porta.

Plantada pelo meu bisavô, Francisco Bernardo Pimenttel, num lugar alto, donde avistava todo o casario, assistiu ao desenrolar das vidas desta gente e ao nascer do sol nos "Outeiros".

Olho para o chão, novamente. Ali está o tronco retalhado, cheio de seiva, e as memórias são brutalmente dolorosas:

Ali está de novo o meu pai, a organizar a lenha para o Inverno, debaixo da tília, que o protegia e lhe ouvia os queixumes. E como eles conversavam nessas tardes de Primavera e Outono...

... Nem por mil contos a venderia!

Ela era parte da nossa família, era nossa. Durante mais, muito mais de um século foi tratada e acarinhada.

Era com muito cuidado que lhe tirávamos meia dúzia de flores para o chá.

Olho para o chão, mais uma vez, onde ela continua desfeita, retalhada, vencida pelo homem.

As recordações atingem-me como raios fulminantes e eu não consigo libertar-me delas.

Oiço a sª Amélia Lavrador, a sª Amélia da Praça, dizer: Quando a tília está em flor, a Praça fica com um cheiro que até dá gosto.

A Primavera está cá. Desta vez, na Praça, não vão sentir aquele cheirinho de flor de tília, e ela, a tília, jamais verá aparecer o sol nos Outeiros. O meu pai, já há muitos anos, que não procura o abrigo dos seus ramos para preparar a lenha para o Inverno.

E ela está vencida, derrotada, retalhada, espalhada pelo chão.

Antes de tombar, dizem, elevou uma prece aos céus, pedindo um sono suave e tranquilo para aqueles que foram a sua família e que acompanhou, de ramos curvados, à última morada."

sábado, março 20, 2010

No dia que deveria ser das árvores...




Motivos de tristeza, para todos os que amamos as árvores, continuam a surgir em vários pontos do país: Loulé, Sintra e Trancoso.

Em breve, no blogue da Árvores de Portugal, haverá uma referência a estes casos, que continuam a fazer do nosso país, um país selvagem no que concerne à manutenção das árvores ornamentais nas nossas cidades.



Petição por Monsanto

Pela defesa do pulmão de Lisboa: www.gopetition.com/online/34872.html

quinta-feira, março 11, 2010

A Árvore do Centenário



"O projecto «A Árvore do Centenário» desenvolvido pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República com o Ministério da Educação – Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, com o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território – Instituto Nacional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e com o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas – Autoridade Florestal Nacional, tem por objectivo promover, divulgar e apoiar iniciativas relacionadas com a preservação do património florestal nacional, lançando o desafio para a identificação global deste património, acompanhado por uma evocação histórica que deverá ser assinalada pela plantação de árvores a nível nacional.": http://arvore.centenariorepublica.pt/

sábado, fevereiro 20, 2010

Faça-se sócio da Árvores de Portugal



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