quinta-feira, julho 02, 2009

Novidades da Árvores de Portugal


Enquanto não chega a página oficial da Associação Árvores de Portugal, podem ir satisfazendo a vossa curiosidade no Flickr e no Twitter.

No Flickr, foram criados 2 grupos:

- O primeiro destinado a partilhar imagens de árvores da nossa geografia.

- O segundo destinado a partilhar imagens do seminário "Árvores Monumentais - Importância e Conservação".

sábado, junho 27, 2009

O país onde o betão "recupera" as árvores


A Almargem, através deste comunicado, veio denunciar a destruição da copa de várias dezenas de azinheiras e sobreiros na Quinta da Ombria, em Loulé.

Por outro lado, o director deste empreendimento afirmou, em declarações ao "Barlavento online", que esta poda radical serviu para "recuperar" as árvores!

Está visto, a acreditar no referido director, que este foi mais um caso de altruísmo por parte dos senhores do betão, ou seja, uma daquelas requalificações onde um empreendimento turístico ajudou a valorizar a natureza (ver aqui outro exemplo de suposto altruísmo para com as árvores na Quinta da Bolota, Albufeira).


P.S. - Recorde-se que o projecto da Quinta da Ombria, situado entre as freguesias de Tôr e Querença (concelho de Loulé), tem estado envolvido em polémica desde o início, entre a União Europeia e Portugal, por suspeitas de desrespeito da directiva Habitats.
Este projecto prevê a construção de perto de 2 mil camas e de um campo de golfe numa área de conservação da natureza de importância comunitária, em plena zona de infiltração do aquífero Querença-Silves (o maior da região algarvia).


De Espanha nem bom vento...nem boa poda! (III)

Teixos (Taxus baccata L.) vítimas de atentado ambiental - Chanos (província de Zamora, Espanha) - Imagem recebida através da Asociación de Amigos del Tejo


Não será possível criminalizar este tipo de atentados contra as árvores monumentais, as quais são, em simultâneo, parte do património biológico e do património cultural das comunidades em que estão inseridas?


terça-feira, junho 23, 2009

Até já, no Sabugal

Explorar imagem do Sabugal (Wikimapia)



O seminário "Árvores Monumentais - Importância e Conservação" decorrerá nas instalações do Auditório/Museu Municipal, no Largo de S. Tiago, na cidade do Sabugal (consultar legenda da imagem).

Lá vos esperamos, amigos das árvores, às 13h 30 min. da próxima quinta-feira, dia 25.


P.S. - A melhor referência que posso dar sobre a localização do auditório municipal, é que se encontra na vizinhança da minha sequóia! Promete, não acham?


Contra o arboricídio nas cidades

Imagem do blogue "Dias com Árvores"

No Porto, como em São Paulo, há quem se queira perpetuar à custa da destruição do património arbóreo.


Na língua de Camões e de Drummond de Andrade, depois do verbo podar, nenhum verbo será tão perigoso para uma árvore como o verbo requalificar.


Imagem do blogue "Árvores Vivas em Nossas Vidas"

terça-feira, junho 16, 2009

Os choupos (novamente)

O António, do blogue "Dispersamente...", teme pelo futuro de alguns choupos no centro de Leiria.

Com razão, teme que a habitual desculpa do mau estado fitossanitário das árvores, esconda o desejo de requalificar um espaço à custa das vítimas do costume, ou seja, as árvores.
O António receia, e como eu o compreendo, que esta situação seja a repetição de um filme que já vimos tantas vezes nas cidades portuguesas e no qual, para se justificar a plantação de mais árvores, se abatem exemplares com dezenas de anos (ver este exemplo em Albufeira).

Naturalmente que se forem tornados públicos relatórios técnicos, elaborados por credenciados técnicos de arboricultura, que fundamentem a necessidade de abater estas árvores por motivos de segurança pública, eu serei o primeiro a concordar com o seu abate*.

Deste modo, aguardamos as devidas explicações em nome da confiança, cada vez mais difícil de sustentar, em quem governa as nossas autarquias.

Como noutras situações anteriores, exige-se o conhecimento do que se esconde por detrás deste caso em Leiria: uma genuína vontade de proteger os cidadãos e os seus bens, sustentada tecnicamente, ou apenas mais uma requalificação urbana de contornos arboricidas.





* Nos últimos dias assistimos à queda de uma árvore com graves consequências. O caso ocorreu em Aveiro, no Parque Infante D. Pedro e, curiosamente, envolveu um choupo.

Vou ser sincero. Dado o estado de abandono de muito do nosso arvoredo, ao qual há que adicionar as podas radicais feitas indiscriminadamente, que debilitam as árvores e as tornam mais propensas a quedas, admiro-me como estes casos não ocorrem com maior frequência.

O que me assusta são declarações como as do vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal de Aveiro, a propósito deste caso, ao admitir a necessidade de proceder "a uma poda mais profunda" (ver "Diário das Beiras").

Não, Sr. vereador. Isso é a última coisa que as árvores do Parque Infante D. Pedro necessitam.

O que é necessário é uma avaliação rigorosa do seu estado fitossanitário, da qual, admito, pode resultar a necessidade de abater algumas árvores.
Pelo contrário, podar de forma radical e apressada, sem qualquer aconselhamento técnico, só tornará estes casos mais prováveis no futuro.

segunda-feira, junho 15, 2009

É no Sabugal que os amigos se encontram com as árvores



Voltaram os "Dias com Árvores"! E, de repente, a blogosfera ficou um pouco menos solitária para os que gostam de árvores.

Até ao Sabugal....



P.S. - Curiosos por saber onde fica a árvore da fotografia? Para conhecer este e outros tesouros do nosso património arbóreo, continuem atentos às novidades da Árvores de Portugal.


quarta-feira, junho 10, 2009

Um bom par de razões para ir ao Sabugal


A pergunta pode parecer tonta mas, ainda assim, vou arriscar...Porquê ir ao Sabugal assistir a um seminário sobre árvores monumentais?

O que poderá levar alguém, no seu perfeito juízo, a trocar o ar condicionado da sua cidade por uma incursão no mais profundo do interior português?

A resposta é bem simples de ser dada, pelo menos por quem, como eu, gosta de árvores e de, constantemente, procurar conhecer mais sobre elas.


Nos próximos dias 25 e 26 de Junho teremos a oportunidade de ver reunidos, num único local, alguns dos maiores especialistas do Velho Continente em árvores monumentais, com destaque para Susana Lerena que, em Espanha, lidera um projecto que já catalogou mais de 3 milhares de exemplares monumentais e para Ted Green, um dos maiores especialistas britânicos em árvores históricas.


Sim, eu sei, é no Sabugal! Bem sei que era mais cómodo se fosse em Lisboa ou no Porto, mas as pessoas que constituíram a Associação Árvores de Portugal acreditam que o nosso país não se resume a uma estreita faixa ao longo do litoral e que, a terra que alberga um dos maiores castanheiros e uma das maiores sequóias do país, será o cenário ideal para acolher os defensores e entusiastas das árvores.


Há ainda a questão do preço, bem sei...

Mas deixem-me fazer uma comparação, ainda que não seja a mais feliz.
As pessoas que gostam de futebol, por exemplo, não podem querer ver um grande jogo da Liga dos Campeões ao preço de um jogo da "Liga dos Últimos".

As pessoas têm que procurar compreender que para uma associação recém-formada, ainda que com o apoio de uma Câmara Municipal e o patrocínio de uma empresa, não é fácil organizar um evento destes e fazer face a determinados custos.


Mas regressemos ao essencial. Para quem gosta de árvores este será um momento único e difícil de repetir no futuro, i
ndependentemente do que esse mesmo futuro reserve à Árvores de Portugal.
Perdê-lo será quase imperdoável...Não se pode gostar de árvores e não aproveitar o privilégio de passear, por entre castanheiros centenários, ouvindo as deliciosas histórias de Ted Green.


Sabemos que é uma aposta arriscada, mas acreditamos que há, em Portugal, homens e mulheres que amam os gigantes verdes deste país.
Pois bem, é altura de unirmos esforços na sua defesa, é altura de dar a cara por elas.

Elas merecem bem este pequeno sacrifício...Venham ao Sabugal, celebrar a ÁRVORE.


E, de passo, aprender um pouco mais sobre elas, com o seguinte conjunto de oradores convidados:


Jorge Paiva
- Licenciado em Ciências Biológicas e Doutorado em Biologia, aposentado, tendo sido investigador principal no Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra.
Como professor convidado leccionou, entre outras, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, nos Departamentos de Biologia das Universidade de Aveiro e da Madeira e no Departamento de Recursos Naturais e Medio Ambiente da Universidade de Vigo (Espanha).

A sua actividade em defesa do ambiente foi já distinguida com diversos prémios:
- Prémio Nacional da Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza), em 1993;
- Menções honrosas nos Prémios Nacionais do Ambiente “Fernando Pereira”, conferidas pela Confederação Nacional das Associações de Defesa do Ambiente, em 2001 e 2002.
- Prémio “Carreira” da Confederação Nacional das Associações de Defesa do Ambiente, em 2005.

Publicou, até à actualidade, mais de cinco centenas de trabalhos sobre fitotaxonomia, palinologia e ambiente.
O total de comunicações proferidas em diversas conferências, reuniões científicas, congressos, simpósios ou acções pedagógicas já supera o milhar.


- Susana Domínguez Lerena - Engenheira florestal e fotógrafa da natureza, trabalhou durante mais de 10 anos em investigação no âmbito da regeneração vegetal, ao mesmo tempo que desempenhou uma intensa acção de divulgação no campo da investigação científica e da educação ambiental.

Os seus artigos científicos, ou de âmbito mais generalista, têm sido publicados em revistas de prestígio como a "Forest Ecology and Management", "Plant and Soil", "National Geographic" e ainda nos dois principais diários espanhóis: o "El País" e o "El Mundo".

Colaborou em diversos espaços de divulgação em estações de rádio e canais de televisão do país vizinho. Por duas vezes, obteve o prémio jornalístico "Montero de Burgos" pelos seus artigos de divulgação florestal.


É autora das obras "Árboles de Nuestros Bosques" e "Los Secretos de los Árboles", além de ser co-autora de diversas publicações e exposições fotográficas sobre árvores.

Na actualidade dirige o projecto de catalogação, conservação e divulgação das árvores monumentais de Espanha, Árboles, Leyendas Vivas, o qual já referenciou milhares de exemplares notáveis por toda a geografia espanhola.
Alguns destes mais de 3 milhares de exemplares monumentais serviram de base à publicação dum livro com o mesmo nome do projecto "Árboles, Leyendas Vivas", o qual reuniu 100 das maiores e mais antigas árvores do país vizinho.


- Ted Green - "The Ancient Tree Man", como é conhecido em Inglaterra, é uma das personalidades mais influentes, no Reino Unido, no campo da conservação das árvores monumentais e históricas, tendo sido um dos membros fundadores do Ancient Tree Forum.
No decurso dos últimos 20 anos, Ted Green tem ajudado a mudar a forma como as árvores velhas são vistas pela sociedade britânica, passando de ruínas inúteis e perigosas a tesouros históricos e biológicos.
Foi conselheiro da English Nature, agência governamental britânica de conservação da natureza, entre 1990 e 2006. Foi igualmente conselheiro da Casa Real na gestão de diversas propriedades da Coroa Britânica (nomeadamente do Windsor Great Park).
Trabalhou em Fitopatologia na Universidade de Londres sendo, actualmente, um frequente orador da especialidade e, não raras vezes, escreve em publicações da área.
Devido ao seu valoroso trabalho de defesa e divulgação das árvores históricas do Reino Unido foi agraciado com um título MBE (Member of the British Empire).
É ainda um dos autores, em conjunto com Jill Butler, do blogue "Jill and Ted's tree-mendous adventure".

- Paulo Ventura Araújo - Professor e investigador, no campo da Matemática, na Faculdade de Ciências do Porto.
Foi um dos autores do blogue "Dias com Árvores", em conjunto com Maria Pires de Carvalho e Manuela Delgado Leão Ramos, com as quais publicou os livros "Um Porto de Árvores" e "À Sombra de Árvores com História".
É também autor de algumas das fotografias constantes do "Guia de Campo: As Árvores e os Arbustos de Portugal Continental" publicado na Colecção "Árvores e Florestas de Portugal", da responsabilidade editorial do jornal "Público".
Com base nos textos escritos no "Dias com Árvores" publicou recentemente o livro "A Árvore de Natal do Senhor Ministro", livro que irá apresentar no Sabugal.




Por último, convém ainda sublinhar a palestra de António Dargent de Campos Andrada, um dos responsáveis máximos, dentro da Autoridade Florestal Nacional, pelo processo de classificação de árvores.
Entre outros aspectos, este técnico abordará os critérios de avaliação que determinam a classificação de um dado exemplar e falará sobre a necessidade de alterar a legislação que rege as árvores de interesse público.

sábado, junho 06, 2009

SEMINÁRIO “ÁRVORES MONUMENTAIS – IMPORTÂNCIA E CONSERVAÇÃO” (Actualização do programa)


Gostaríamos de chamar a atenção para o facto do programa do Seminário "Árvores Monumentais - Importância e Conservação", a realizar no Sabugal, nos próximos dias 25 e 26 de Junho, ter sido enriquecido com uma palestra a cargo do Professor Jorge Paiva, sob o título "As Árvores e a Vida", e com a apresentação do livro "A Árvore de Natal do Senhor Ministro" a cargo de Paulo Araújo, co-autor do blogue "Dias com Árvores".


Cumprimentos da Direcção da,

Associação ÁRVORES DE PORTUGAL




SEMINÁRIO “ÁRVORES MONUMENTAIS – IMPORTÂNCIA E CONSERVAÇÃO” - SABUGAL - 25 e 26 de Junho de 2009



QUINTA-FEIRA, 25 DE JUNHO

13h30 - Recepção dos participantes no evento.

14h00 - Sessão de abertura - Saudação de boas vindas aos participantes pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

14h15 - "As Árvores e a Vida" pelo Professor Jorge Paiva.
"Castanheiros Notáveis do Concelho do Sabugal" por Laura Alves (Câmara Municipal do Sabugal) e Serafim Riem (Planeta das Árvores).
"Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo" por Miguel Rodrigues (Associação Árvores de Portugal) e Pedro Teixeira Santos (Associação Árvores de Portugal).
"TEMA A DEFINIR" (Eng.º Campos Andrada da Autoridade Florestal Nacional).

15h30 - "Leyendas Vivas de los Bosques Españoles" por Susana Domínguez Lerena (Proyecto Árboles Leyendas Vivas).

16h30 - Intervalo/Pausa para café.

16h45 - "Monumental Trees" por Ted Green e Jill Butler (The Woodland Trust).

19h00 - Apresentação do livro "A Árvore de Natal do Senhor Ministro" por Paulo Araújo.

19h10 - Encerramento dos trabalhos do dia.



SEXTA-FEIRA, 26 DE JUNHO

09h00 - Saída de campo para visita, durante o período matinal, a castanheiros notáveis do concelho do Sabugal. No decurso da visita, será realizada uma oficina prática sobre metodologias de medição de árvores.


Para efectuar inscrição: CLIQUE AQUI.





Para mais informações contacte:

Nélia Vasco, Tel.: 271 75 10 42
Laura Alves, Tel.: 96 10 13 552
Fax: 271 753 408

sábado, maio 30, 2009

Os choupos



Está a finalizar a época do ano em que algumas espécies de choupos, particularmente o híbrido Populus x canadensis Moench, libertam a substância sedosa, semelhante a algodão, que serve de suporte à propagação das sementes.


Escusado será dizer que começa a época em que me desdobro na sua defesa, dentro da minha escola, e em vários textos e comentários que vou deixando neste e noutros blogues.

Em relação aos choupos da minha escola estou mesmo ciente que se não fosse por receio ao que eu poderia fazer, já os teriam cortado. Mas será que isto resolveria o crescente problema das alergias? Serão estes choupos os "maus da fita" e eliminados das nossas cidades, desapareceriam os problemas respiratórios característicos desta altura do ano? A resposta é, claramente, não!

Sim, é certo que estes filamentos dos choupos podem causar problemas quando em grande quantidade. Cito a alergologista Maria da Graça Castel-Branco, em declarações ao "Jornal de Notícias": "(...)têm um efeito irritativo quando entram em contacto com os olhos, a boca e o nariz, provocando comichão na face e nos olhos e irritação nasal."

No entanto, sabemos que a libertação destes filamentos dos choupos coincide com o período de libertação de pólen por parte de centenas de espécies, incluindo as gramíneas. E eis o que diz novamente a alergologista Maria da Graça Castel-Branco: "Entre Março e Maio (...) é o período em que maiores quantidades dessas substâncias (dos choupos) estão no ar, salientando, porém, que é o pólen das gramíneas (ervas selvagens), mais agressivo, o responsável pela maior parte das alergias em Portugal."

Está visto que abater milhares de choupos não resolveria o problema e erradicar as gramíneas é impossível por vários motivos, incluindo o facto das gramíneas não incluírem apenas "ervas selvagens" mas também as plantas que são a base da nossa alimentação, como o trigo, o centeio ou o milho, por exemplo.

Mas se o verdadeiro problema estivesse no pólen, ou em qualquer outra substância libertada pelas plantas, há muito que as populações rurais teriam fugido dos campos e da orla das florestas para se refugiarem nas cidades!

Sabemos bem que o que provoca o êxodo das populações rurais para as cidades é tudo menos a fuga ao pólen e às alergias. Sabemos que é nas cidades, precisamente pela menor qualidade do ar, que são mais frequentes as doenças do foro respiratório.

Nas cidades, as árvores são o nosso melhor aliado contra essa poluição, a principal responsável pelos crescentes problemas de alergias entre as populações urbanas.
Relembro as palavras de Ana Todo Bom, presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia, ao "Diário de Coimbra" (notícia de Maio de 2007) e onde a mesma comprovava que as causas das alergias não estavam apenas na libertação de pólen, frutos e sementes pelas plantas mas que, apesar de se assistir a um aumento das reacções alérgicas, era "a poluição resultante do tráfego automóvel que exponenciava" este mesmo efeito alérgico.

Resumindo: cortar árvores não resolve o problema, apenas o agrava. Evidentemente que, de futuro, se deverão evitar plantar nas cidades espécies que libertem pólen, ou outras substâncias, com elevada alerginicidade.

Mas não contem comigo para assinar por baixo em favor de uma campanha arboricida para abater todos os choupos deste país. Até porque se quiséssemos abater todas as árvores que, potencialmente, podem provocar alergias, teríamos que alargar a lista, de acordo com a avaliação feita pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia, aos áceres, bétulas, ciprestes, carvalhos (inclui azinheiras e sobreiros), castanheiros-da-índia, nogueiras, oliveiras, pinheiros, cedros, plátanos, teixos, tílias, ulmeiros e salgueiros.

Ficaríamos com um deserto nas cidades e, ironicamente, mais susceptíveis à poluição automóvel, ou seja, mais susceptíveis a padecer de alergias e outros problemas de saúde.

É isto que pretendemos, embarcar numa espécie de "caça às bruxas" na forma de árvores, abatendo tudo o que liberte pólen ou outras substâncias para a atmosfera? E os pobres coitados que vivem no campo?! Terão que vir morar para as cidades?
E os índios que persistem em tentar sobreviver na imensidão da floresta Amazónica, conhecerão eles os perigos do pólen que os rodeia por todo o lado? Ou deveremos ensinar-lhes os benefícios do Zyrtec?!


Haja bom senso...Andem mais a pé, aumentem os espaços verdes nas cidades e deixem os choupos morrer de velhos!*



* Curiosamente, estes choupos híbridos, apesar do seu rápido crescimento que os tornou populares, são árvores com uma longevidade muito reduzida.

terça-feira, maio 26, 2009

Invasoras em livro



"Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras de Portugal Continental" - De leitura obrigatória, o guia editado pela Universidade de Coimbra, da autoria de Elizabete Marchante, Helena Freitas e Hélia Marchante, sobre plantas invasoras no nosso país.

A equipa do projecto INVADER possui, adicionalmente a este livro, um conjunto de materiais pedagógicos para divulgação deste problema, especificamente elaborados a pensar nas escolas do ensino básico.
Para quem duvida da importância das escolas na luta contra este problema, pode (re)ler esta notícia do jornal "Público", sobre a recente acção do clube de ciências da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, em Odemira.

Para mais informações e pedido de materiais para uso escolar, não hesitem em contactar: invader(at)ci.uc.pt


quinta-feira, maio 21, 2009

Ruído na paisagem




(Pudesse a realidade ser corrigida com a facilidade de um programa de tratamento de imagem, limpando o "ruído" de um urbanismo desastroso e centrando a nossa atenção no essencial).


terça-feira, maio 19, 2009

terça-feira, maio 12, 2009

Árvores de Portugal - O início de uma aventura (II)


A "Árvores de Portugal" não nasceu contra ninguém, mesmo contra os que insistem em maltratar as árvores. Nasceu a favor das árvores e dos que as protegem.

A nossa acção procurará ser sempre pedagógica, valorizando aspectos e exemplos positivos de defesa e valorização da árvore. Mas desenganem-se os que vislumbram aqui uma menor vontade de denunciar os atropelos cometidos contra as mesmas no nosso país.

O nascimento desta associação surge na sequência de se ter constatado que a Sociedade Portuguesa de Arboricultura (SPA) chegou, infelizmente, ao fim do seu trajecto.

Tal não significa que nos assumamos como herdeiros da SPA ou que queiramos prosseguir o trabalho que esta vinha desempenhando, nos exactos moldes. Significa apenas que, tendo-se constatado da inviabilidade de desenvolver certos projectos no seio da SPA, não restava outra alternativa senão criar uma nova estrutura de defesa do património arbóreo nacional.



Desta forma, concluiu-se que é necessário existir uma voz própria de defesa da árvore, não apenas do seu papel na cidade, mas também da sua importância no equilíbrio de diversos tipos de ecossistemas naturais.

Tal constatação não invalida o reconhecimento do valoroso papel que muitas associações ambientalistas têm desempenhado nesta tarefa.
E refiro-me não apenas a associações de âmbito nacional, como a Quercus, mas também a organizações de âmbito regional. Cito apenas 3 exemplos:

- Os Amigos da Serra da Estrela e a campanha "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela";
- A Almargem e o seu trabalho "Vamos conhecer as árvores monumentais do concelho de Loulé";
- A Associação Transumância e Natureza e o concurso "Em busca da maior árvore" do distrito da Guarda.


Servem estes exemplos para sublinhar que o surgimento de uma associação específica para proteger a árvore, não significa que queiramos o exclusivo da sua defesa.

Pelo contrário, procuraremos trabalhar em conjunto com todas as organizações que partilhem connosco os objectivos enunciados de promoção e defesa do património arbóreo de Portugal.

Esta vontade de trabalhar em parceria estende-se às associações existentes, bem como a outras que possam surgir entretanto, como a já anunciada Associação Portuguesa de Arboricultura Moderna.


Esta é uma tarefa que precisa da ajuda de todos. É altura de dar a cara...


sábado, maio 09, 2009

Árvores de Portugal - O início de uma aventura...




Árvores de Portugal. Este é o nome de uma associação que acabou de nascer, resultado do amor que um grupo de amigos, um grupo de homens e mulheres de bom coração, nutre pelas árvores.

Para além do amor à árvore, une-nos o desinteresse em utilizar este sentimento, e este projecto que agora se inicia, como forma de promoção pessoal.

Muito haverá a dizer nos próximos tempos sobre esta associação. Fica, de momento, uma breve apresentação e a divulgação do seminário "Árvores Monumentais - Importância e Conservação".

Este seminário será a nossa primeira iniciativa pública e terá lugar no Sabugal, nos próximos dias 25 e 26 de Junho. Obrigado.


"A Associação Árvores de Portugal é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, criada no corrente ano, no nosso país.


Os nossos principais objectivos são a protecção e a dignificação da árvore. No caso das árvores ornamentais, em contexto urbano, pretendemos promover a divulgação de metodologias correctas para a sua manutenção.

Em relação às árvores monumentais, será criado um catálogo nacional que servirá de base para acções que visem divulgar e proteger este riquíssimo património.


Adicionalmente, iremos pugnar pela salvaguarda do património arbóreo nacional em sentido mais abrangente, nomeadamente dos últimos bosques com dominância de espécies autóctones, montados de sobreiro e de outras quercíneas e de olivais centenários.

Neste particular, pretendemos estar atentos e denunciar, dentro dos limites legalmente estabelecidos, situações onde o suposto interesse público possa servir de justificativo para atentados ao património arbóreo de Portugal.

De carácter não menos importante, pretende ser a nossa acção pedagógica, junto dos portugueses e portuguesas de todas as idades, visando promover a reaproximação das pessoas à Árvore.

A criação deste laço afectivo, entre as pessoas e as árvores, será um dos nossos principais desideratos, procurando envolver a sociedade civil, nos seus diversos graus etários, nos vários projectos que realizaremos.


No seguimento dos objectivos enunciados, a primeira actividade pública que iremos levar a cabo será a organização de um seminário, sob o título de “Árvores Monumentais – Importância e Conservação”, o qual irá decorrer no Sabugal, nos próximos dias 25 e 26 de Junho, de acordo com a programação:


QUINTA-FEIRA, 25 DE JUNHO

13h30 - Recepção dos participantes no evento.

14h00 - Sessão de abertura - Saudação de boas vindas aos participantes pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

14h15 - "Castanheiros Notáveis do Concelho do Sabugal" por Laura Alves (Câmara Municipal do Sabugal) e Serafim Riem (Planeta das Árvores).

"Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo" por Miguel Rodrigues (Associação Árvores de Portugal) e Pedro Teixeira Santos (Associação Árvores de Portugal).

- "TEMA A DEFINIR" (Autoridade Florestal Nacional).

15h30 - "Leyendas Vivas de los Bosques Españoles" por Susana Domínguez Lerena (Proyecto Árboles Leyendas Vivas).

16h30 - Intervalo/Pausa para café.

16h45 - "Monumental Trees" por Ted Green e Jill Butler (The Woodland Trust).

19h00 - Encerramento dos trabalhos do dia.


SEXTA-FEIRA, 26 DE JUNHO

09h00 - Saída de campo para visita, durante o período matinal, a castanheiros notáveis do concelho do Sabugal. No decurso da visita, será realizada uma oficina prática sobre metodologias de medição de árvores."



NOTA IMPORTANTE:

Para mais informações sobre este seminário, por favor contactar:

Nélia Vasco, tel: 271 75 10 42
Laura Alves, tel: 96 10 13 552
Fax: 271 753 408

Ficha de inscrição (aqui).





P.S. - A Árvores de Portugal irá dispor brevemente de uma página na internet. Entretanto, qualquer questão deverá ser endereçada para:

Associação Árvores de Portugal
Rua Alexandre Herculano, n.º 371 4º Andar Dtº
4 000-055 Porto
Tel:22 200 24 72 Fax:22 208 74 55

E-mail: arvoresdeportugal(at)gmail.com

Coisas d'Árvores

Coisas d'Árvores - Ciclo de conferências sobre a árvore (organização da Câmara Municipal de Sintra).

Notícia do blogue Sintra, acerca de.


P.S. - É apenas de lamentar que a Câmara de Sintra não adeque a teoria à prática.

quarta-feira, abril 29, 2009

Hábitos doentios







Duas fotografias que falam por si...

A primeira, da autoria da Júlia, mostra a contradição flagrante entre o plátano classificado de Portalegre e os monstros disformes, da mesma espécie, que o enquadram.

A segunda, da autoria do Paulo, por ter sido tirada diante de um dos mais importantes monumentos nacionais, o Mosteiro da Batalha, acentua a dificuldade do nosso povo em lidar com as árvores em espaço público.


Vai sendo tempo de passar das palavras à acção. Alguém tem que iniciar um processo que ponha fim a isto.

Mas só será bem sucedido quem tiver a consciência que, mudar os hábitos doentios que permitem estes atentados, levará gerações a alterar. Quem ordena estes massacres conta com poderosos aliados: a indiferença, o desconhecimento e a inércia da maioria de nós.

Veja-se o flagrante caso de Portalegre, patente na primeira fotografia. Enquanto as pessoas considerarem normal ter, nas suas ruas, árvores desfiguradas e exemplares colossais, como o que se observa na imagem, nada de significativo mudará.

Sou dos que acredita que as sociedades não mudam de cima para baixo, mas em sentido inverso. Enquanto as pessoas não se reconciliarem com as árvores e não criarem com elas uma relação de dependência afectiva, nenhuma lei ou decreto mudará este estado de coisas.

À medida que foram migrando para as cidades e obtendo alguns sinais de riqueza, tradutores de uma suposta sofisticação citadina, os portugueses foram-se desligando das suas raízes rurais, nutrindo pelas mesmas um alheamento que roça a vergonha nas mesmas.

É quase como se, para se ser moderno, fosse necessário eliminar todos os sinais exteriores de ligação ao campo e à natureza, como as árvores. É altura de denunciar esta mentalidade pseudo-moderna, patente em tantas requalificações urbanas pagas com o dinheiro dos nossos impostos.

É altura das pessoas se reconciliarem com as árvores e com o seu papel nas cidades.

A mudança pode levar anos, mas pode começar hoje...


sábado, abril 25, 2009

Identificada nova espécie de acácia africana

Flor de Acacia fumosa - Fotografia elmundo.es (Science)

O botânico sueco Mats Thulin identificou uma nova espécie arbórea do género Acacia (Fabaceae), capaz de atingir os 6 metros e com distintivas flores rosas, na região de Ogaden (Leste da Etiópia).

Mats Thulin baptizou esta nova espécie com o nome de Acacia fumosa.

Na era do Google Earth e do GPS subsistem ainda muitas maravilhas da natureza por identificar e novas espécies por descrever.

(Resumo da descoberta na Science)


quinta-feira, abril 23, 2009

Um país de cobardes (II)


Depois do Montijo, agora foi em Alcochete... Algo está profundamente errado com a nossa sociedade, onde a impunidade abre portas ao assumir do pior que há em nós.

A cobardia saiu, em definitivo, à rua. Vergonha!



Depois dos plátanos injectados com ácido no Montijo, agora é em Alcochete que estas árvores centenárias estão a ser alvo de tentativa de destruição através de envenenamento.

Este é um exemplo de falta de civismo e de desprezo pela natureza. As árvores da Av. D. Manuel I , em Alcochete, sofreram um ataque e continuarão a sofrer enquanto não forem apanhados os autores. Segundo uma denúncia anónima ao Jornal de Alcochete (JA), foram feitos furos com cerca de 12 centímetros de profundidade no sopé das árvores centenárias e está a ser injectado ácido ou outra substância venenosa para as tentar matar. Depois de injectar o interior dos plátanos, os buracos em volta do tronco são cuidadosamente tapados com rolhas de cortiça provavelmente para não se fecharem com pó ou terra. Será por medo que as árvores causem alergias, será porque as folhas destes plátanos quando caem no chão incomodam alguém ou será puro vandalismo?

Questionado pelo JA sobre a situação, na passada quinta-feira, o vereador Luís Rodrigues, responsável pela Divisão de Ambiente e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Alcochete, afirmou não estar ocorrente do assunto mas que iria averiguar o sucedido.

O ataque aos plátanos já foi sentido no Montijo há cerca de dois meses. Em todas as árvores junto às piscinas municipais foi feito um furo junto à raiz e introduzido ácido no seu interior para danificar a árvore ou até levá-la à morte. “A câmara participou o caso a PSP e enviou os serviços técnicos ao local para avaliar a perfuração”, contou o vereador Nuno Canta. Segundo o responsável pelo Departamento de Obras e Meio Ambiente da Câmara Municipal do Montijo, “apesar do ataque sofrido, os plátanos estão a reagir bem e os técnicos municipais acreditam que conseguirão sobreviver”. As árvores “hoje estão em condições, mas não quer dizer que não lhe tenham tirado alguns anos de vida”, sublinha.

Os plátanos são folhosas de grande porte geralmente apreciadas pela sombra que proporcionam na Primavera e no Verão. “Ao contrário do que as pessoas pensam, estas árvores limpam o ar de poeiras, atenuam a circulação de pólen e mais, amenizam a temperatura do ar”, explica o vereador Nuno Canta. “Para termos uma cidade mais saudável, as árvores são elementos fundamentais para um ambiente urbano com maior qualidade de vida, e atentar contra isso é atentar contra a nossa própria vida”, acrescenta.

Susana Lage (Jornal de Alcochete)

quarta-feira, abril 22, 2009

O carvalho do Sr. Teixeira e outras histórias (II)

O relato iniciado na semana passada conclui-se hoje no exacto sítio onde começou, ou seja, em Curitiba, no Paraná (Brasil).

Foi de lá que me escreveu o Mauricio, descrevendo as suas deambulações pelo Sul do Brasil em busca de carvalhos e outras árvores do Velho Continente, levadas por levas sucessivas de emigrantes.

Passeando pela cidade, o Mauricio descobriu, no Campus da Universidade Federal do Paraná, uma árvore muito especial.



Tão especial que foi declarada pelo município de Curitiba, através do Decreto 921/2001, como sendo uma árvore imune de corte. Não é uma árvore qualquer, é um sobreiro!



Como frisa o nosso amigo brasileiro, o crescimento deste sobreiro é parcialmente condicionado pelas demais árvores que o rodeiam.



No entanto, como notou o Mauricio, o facto deste sobreiro ter como vizinho um pinheiro-do-pará ou pinheiro-do-paraná* [Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze], tem o maior significado: "(...) dá um certo ar de confraternização entre os nossos dois países, e poderia muito bem representar a integração entre o elemento indígena do Brasil (os guaranis, que se alimentavam do fruto da araucária) e o elemento colonizador (os portugueses, que exploram a cortiça)".

* Apesar do seu nome vulgar, esta espécie é, na realidade, uma araucária. Também conhecida pela designação de uri, termo de origem indígena, esta espécie é nativa do Brasil, sendo a árvore símbolo do estado do Paraná.





Mas a viagem pelas árvores de Curitiba não ficaria completa sem a referência a outro conjunto de exemplares imunes de corte.



Trata-se de um conjunto de 5 castanheiros plantados do lado oposto da rua, relativamente ao local onde se situa o sobreiro anteriormente descrito.

O Mauricio refere que estes castanheiros formam um conjunto de elevado interesse, o que levou inclusivamente à sua protecção, mas adianta que estas árvores deverão ser relativamente jovens, por comparação com outros exemplares de maior porte existentes em Curitiba e noutros pontos da região.
Adianta ainda que a espécie é relativamente frequente, por todo o Sul do país, por acção directa dos portugueses que se estabeleceram naquelas terras.



E foi um pouco desta herança que o Mauricio quis partilhar connosco.

Um pouco da nossa cultura vive sob a forma de árvores. Pessoalmente, não me ocorre melhor herança de uma geração para as seguintes... Agrada-me sobretudo a associação de Portugal e da sua cultura com as árvores e lamento que isto não ocorra mais vezes.


Peço desculpa ao Mauricio pelo facto dos meus textos não fazerem justiça à emotividade com que me relatou as suas descobertas, em Curitiba.


(Do outro lado do Atlântico, o amor às árvores continua vivo. O Sr. Teixeira pode continuar a descansar, para toda a eternidade, à sombra do seu carvalho centenário...)



segunda-feira, abril 20, 2009

De Espanha nem bom vento...nem boa poda! (II)

Almería (Andaluzia, Espanha) - Abril 2009


O mal dos outros não nos deve consolar... Mas convém sublinhar que o problema do desrespeito pela árvore está longe de ser um exclusivo lusitano.


quinta-feira, abril 16, 2009

Um país de cobardes





No Montijo, como um pouco por todo o lado, a cobardia cívica anda à solta. Pela calada, quando ninguém vê, revelamos a pequenez e a mesquinhez dentro de nós.

De um país onde se abandonam os animais de estimação como quem abandona um brinquedo, não se poderia esperar uma atitude de maior dignidade face à árvore.

Assim, da forma mais ignóbil que se possa imaginar, alguém tentou matar um conjunto de plátanos, injectando os mesmos com ácido.

De nada interessa o papel da árvore na cidade, que vai muito além do plano estético e que inclui a melhoria do microclima local (com impacto na redução dos consumos energéticos) ou a redução da poluição atmosférica (responsável pelo aparecimento e agravamento de várias doenças, incluindo as alergias).


No fundo, o que queremos são cidades sem árvores nos passeios: aumenta-se o espaço para o estacionamento (em cima do próprio passeio), acaba-se com o aborrecimento das folhas que entopem as sarjetas e afastam-se, de uma vez por todas, os pássaros e as borradelas em cima dos automóveis, o bem mais precioso do lusitano e pelo qual todos os sacrifícios são válidos.

Não nos esqueçamos que, no nosso país, ninguém valoriza uma pessoa que goste de árvores mas que ande a pé. Por oposição, um energúmeno capaz de injectar ácido numa árvore mas que conduza um carrão alemão, tem tudo para ser um herói no bairro.

As pessoas têm liberdade para não gostar de árvores, para implicar com elas e querer que as mesmas sejam cortadas. Mas ao menos tenham a dignidade e a coragem de dar a cara e de formalizarem, às claras, a vossa vontade junto da respectiva Câmara ou Junta de Freguesia.

Nestes dias que correm, a crise não é apenas económica, mas também de valores. Por estes dias, a vida está facilitada para a cobardia...


quarta-feira, abril 15, 2009

Gente que não se conforma

Imagem retirada do blogue Sintra, acerca de


Dois textos que aconselho vivamente sobre a temática da nossa desastrosa relação com as árvores, no seio do espaço urbano.

O primeiro desses textos, sob o título "Amputação anual de árvores", pode ser lido no blogue Sintra, acerca de.
(Nota: É de Sintra a fotografia que acompanha este texto, onde a "podite" desfigurou várias árvores que, fruto da classificação da vila como Património Mundial, julgava estarem a salvo deste horrendo e triste espectáculo que nos deveria envergonhar a todos. Puro engano!).


O segundo texto, da autoria de Bernardino Guimarães, sob o título "Vegetalizar ou mineralizar (para o Dia da Árvore)", pode ser lido no blogue Peregrino.

terça-feira, abril 14, 2009

O carvalho do Sr. Teixeira e outras histórias (I)

Recebi há tempos um curiosíssimo e-mail do Sul do Brasil, mais propriamente de Curitiba, de alguém que partilha comigo, e com muitos dos leitores deste blogue, um imenso amor às árvores.

Foi assim que conheci o Mauricio Valle, pelo interesse comum nas árvores que nos rodeiam.

No Sul de Portugal, onde os Invernos são mais amenos, é possível encontrar algumas espécies ornamentais com origem no Brasil, como a bela-sombra e a paineira, apesar de não serem tão frequentes como outras espécies sul-americanas, caso do jacarandá e da tipuana.

Por outro lado, no Sul do Brasil, onde o clima se aproxima mais dos padrões europeus, é possível encontrar algumas espécies do Velho Continente, levadas por sucessivos fluxos migratórios de europeus em direcção a terras de Vera Cruz.

E foi esta viagem transatlântica de algumas das árvores mais comuns da nossa paisagem, que levou o Mauricio a escrever-me...

Tudo começou com um passeio do Mauricio por Curitiba e com a descoberta de uma árvore, cujas folhas despertaram nele a maior das curiosidades.
Uns meses depois, o Mauricio encontrou, na biblioteca local, a resposta à sua curiosidade: tratava-se da folha de um carvalho europeu, o nosso alvarinho ou roble (Quercus robur L.).

Mas, longe de ter visto a sua curiosidade saciada, esta descoberta apenas aguçou o seu interesse pela descoberta e identificação de carvalhos. Foi assim que ele descobriu, em Curitiba, vários exemplares de alvarinho, mas também um Quercus cerris L. (cujo nome em português poderia ser "carvalho-da-turquia") e ainda vários carvalhos da América do Norte (Quercus rubra L., Quercus palustris Muenchh e Quercus coccinea Muenchh); curiosamente, estas são igualmente as espécies de carvalhos norte-americanos mais plantadas em Portugal.

A ocorrência de carvalhos europeus não se restringe a Curitiba, no estado do Paraná, e segundo refere o Mauricio é possível encontrá-los um pouco por todo o Sul do país, em particular no estado mais meridional do Brasil, o Rio Grande do Sul.

Esta situação está relacionada com factores climáticos e com o facto deste ter sido o destino preferencial dos imigrantes com origem na Alemanha e na Polónia, que procuraram terras brasileiras em finais do século XIX, e que terão sido os principais responsáveis pela introdução de carvalhos na flora ornamental do Brasil.


No geral, estes carvalhos têm um porte reduzido mas um gigante esperava o Mauricio bem perto das suas origens familiares.

Carvalho monumental (Quercus sp.) - Nordeste do estado do Rio Grande do Sul (Brasil)

Foi numa viagem ao nordeste do estado do Rio Grande do Sul, bem perto do local onde nasceu o seu avô, que o Mauricio encontrou o maior de todos os carvalhos que já pôde observar no Brasil, o fantástico exemplar ilustrado na imagem anterior.

Apesar de todos os seus esforços, pouco mais conseguiu saber, junto dos habitantes locais, sobre este belíssimo carvalho que, presumivelmente, será um roble.

O único facto que conseguiu apurar é que o mesmo terá sido plantado, há muitos e bons anos, por um senhor de apelido Teixeira, imigrante ou descendente de imigrantes portugueses. Provavelmente, há bem mais de um século, a julgar pelas dimensões dessa majestosa árvore.

Sabendo como o apelido Teixeira é comum no Norte de Portugal, não me custa imaginar um português saudoso do seu Minho ou Beira natal, a tentar recriar, no além-mar, as paisagens da terra que o viu nascer. Mas isto já é a minha imaginação a construir um filme...

Pudesse o Sr. Teixeira vir de novo a este mundo, a terras do Rio Grande do Sul, e ficaria profundamente orgulhoso do momento em que decidiu por uma bolota na terra que o acolheu.




E é um pouco desse amor que o Mauricio tenta recriar nos vasos da sua varanda...

O amor do Sr. Teixeira pelos carvalhos sobreviveu ao passar das gerações e continua vivo em cada pessoa que coloca uma bolota enterrada num vaso.

(Continua...)

domingo, abril 12, 2009

Curso sobre invasoras lenhosas


Estão abertas as inscrições para o "Curso de Iniciação à Identificação, Gestão e Combate de Invasoras Lenhosas", uma organização da Academia Florestal, que irá decorrer de acordo com a seguinte calendarização:

Lisboa: 14, 15 e 16 de Maio.
Coimbra: 21, 22 e 23 de Maio.
Viana do Castelo: 28, 29 e 30 de Maio (sujeito a confirmação).


Notícia: Floresta do Interior

sábado, abril 11, 2009

Pequenos milagres




Há tempos tive oportunidade de publicitar a oferta que o Rúben Vilas Boas fez de um conjunto de árvores para adopção.

O Francisco Carvalho aceitou o desafio e acolheu estas árvores. 21 árvores! O castanheiro da imagem prova como a operação teve sucesso e como o amor às árvores propicia estes pequenos milagres.

sexta-feira, abril 10, 2009

Identificada nova e perigosa invasora em Portugal

Salvinia molesta D.S. Mitchell - Fotografia de Troy Evans (Eastern Kentucky University, EUA)

Tomei conhecimento, através de uma notícia da edição online do Público, da presença em território nacional de uma perigosa invasora, Salvinia molesta D.S. Mitchell, com origem na América do Sul.

Esta planta aquática, nos últimos 70 anos, expandiu a sua área de distribuição, em particular para zonas tropicais e subtropicais, estando identificada a sua presença em África, na Ásia, na América do Norte e na Austrália.

A sua introdução em Portugal resulta do desconhecimento e da forma como continuamos a introduzir novas espécies, nomeadamente a partir de viveiros, sem pensar nas possíveis consequências futuras de tal acto.
Este caso demonstra ainda a forma pouco célere como o ICNB lida com estes casos, provavelmente por falta de meios (não me atrevo, sequer a supor, que seja por falta de vontade).

Mas este caso da introdução da Salvinia em território nacional tem ainda um lado positivo, como poderão constatar lendo a referida notícia, pois demonstra como a sociedade civil, desde que devidamente informada, pode ser essencial na divulgação e ajuda no controlo do problema das invasoras.

Não existe nenhuma lei que resulte se a população não estiver informada e não colaborar na sua implementação e cumprimento. Façam a vossa parte após lerem esta notícia: divulguem a existência da Salvinia molesta D.S. Mitchell em território nacional e alertem acerca dos gravíssimos problemas ambientais e económicos que a sua propagação descontrolada poderá representar para o nosso país. Obrigado.


P.S. - Alguns exemplos da muita informação disponível em língua inglesa, na internet, sobre a Salvinia:

- Invasive.org (Center for Invasive Species and Ecosystem Health) - descrição sumária da espécie, fotografias e ligações para outras páginas com informação adicional;

- The Biological Resources Discipline (BRD) of the U.S. Geological Survey (USGS) - descrição da espécie e folheto informativo (pdf);

- US Army Corps of Engineers (Enginneer Research and Development Center) - relatório sobre a ecologia da espécie e estratégias para o respectivo controlo (pdf).


quinta-feira, abril 09, 2009

Medronheiros monumentais






Magníficos exemplares arbóreos de medronheiro (Arbutus unedo L.) que o Rafael Carvalho, autor do Arquitectura D'ouro, descobriu e fotografou em Aldeia de Cima, no concelho de Armamar.

segunda-feira, abril 06, 2009

O autarca modelo?!

Li a notícia que se segue um par de vezes e a minha alma continua incrédula...Leiam, por favor, e tirem as vossas próprias conclusões:

A Câmara de Guimarães anunciou hoje que está a denunciar às forças policiais todos os autarcas que cortem ou podem árvores sem autorização municipal.

Segundo disse à Lusa o presidente da autarquia, o socialista António Magalhães, "todos autarcas que, sem autorização escrita dos técnicos da câmara, cortem ou podem árvores em locais públicos, serão alvo de um processo de contra-ordenação por parte da Policia Municipal".

Daniel Rodrigues, o presidente da Junta de Ronfe, foi o primeiro autarca a ter que responder judicialmente por ter mandado cortar diversas árvores junto ao cemitério local.

Os autarcas das freguesias de Gondar e Vermil, segundo António Magalhães, são os próximos.

"As raízes das árvores estavam a destruir o passeio e a colocar em risco a segurança do muro do cemitério que ameaçava ruir", sustentou Daniel Rodrigues contactado pela Lusa.

No entanto, nenhum argumento parece convencer o presidente da câmara vimaranense que, para os próximos quinze dias, tem já marcadas acções de sensibilização ambientais para os autarcas das 69 freguesias que compõe o município.

"Em tempo de eleições, os presidentes das juntas sofrem mais pressões por parte dos moradores, alegando que as folhas das árvores estão a sujar as casas ou as ruas, que podem provocar incêndios ou que as raízes estão a destruir os passeios", reconhece, todavia, António Magalhães.

"A mensagem que estamos a passar aos autarcas é que os votos não valem nada quando comparados com o respeito pelo meio ambiente", salientou.

Dentro do seu próprio partido, António Magalhães já informou os actuais autarcas socialistas que, se algum trocar "árvores por votos, deixará automaticamente de ser candidato pelo PS a qualquer junta de freguesia".

Esta é também uma forma de responder, disse, às críticas locais de que as contra-ordenações são apenas dirigidas a autarcas não socialistas.

As autarquias de Ronfe e Vermil têm executivos liderados pelo PSD.

A junta de Gondar é gerida pela CDU.

"Vejo os autarcas preocupados com muros e passeios. Um muro volta a fazer-se mas uma árvore demora dezenas de anos a crescer", acrescentou António Magalhães.

As contra-ordenações vão agora seguir os trâmites normais.

"Cortar árvores é crime perante a lei, portanto os autarcas que o fizeram terão a punição que o tribunal indicar", defendeu o presidente da Câmara de Guimarães.

Notícia da Lusa, retirada da página da RTP


P.S. - Para que se compreenda melhor a "origem" da questão, aconselhava a leitura do texto (incluindo o comentário deixado por um leitor): Prepotência e bom senso.


sexta-feira, abril 03, 2009

Projecto de luta contra invasoras na Serra da Estrela

O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e a Associação de Freguesias da Serra da Estrela, constituída pelas Freguesias de Teixeira, Alvoco da Serra, Loriga, Cabeça, Sazes da Beira e Valezim estão a preparar uma candidatura para limpeza e destruição de invasoras lenhosas (Mimosas - Acacia dealbata Link).

Notícia do blogue Loriga.

segunda-feira, março 30, 2009

Plantar bosques



"Um homem terá, pelo menos, dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana, quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará".

David Elton Trueblood


Projecto "Plantar Bosques" - Uma iniciativa resultante da colaboração entre o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), a Autoridade Nacional Florestal, a Agência Portuguesa do Ambiente, o Corpo Nacional de Escutas e a Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza).


Notícia recebida via Maria Pudim.

sábado, março 28, 2009

III Jornadas da Biologia da Conservação



A Associação Aldeia e o Município de Seia/Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) estão a organizar as III Jornadas da Biologia da Conservação, que decorrerão nas instalações deste Centro, em Seia, nos dias de 4 e 5 de Abril.

Neste evento, além da apresentação de comunicações orais de oradores convidados, realizar-se-á uma excursão à serra da Estrela que inclui a visita a alguns dos locais mais emblemáticos do PNSE, ao Centro Interpretativo da Torre e ao CERVAS, centro de recuperação de animais selvagens localizado em Gouveia.

Através deste encontro pretende-se reunir especialistas portugueses e espanhóis e todos os interessados na área da Biologia da Conservação, de modo a fomentar a partilha de informação e conhecimentos, lançando novas metas e propostas de trabalho futuro.

sexta-feira, março 27, 2009

O assassinato de uma lagoa

Não está directamente relacionado com árvores. Mas, mesmo assim, há outros crimes perante os quais o silêncio é impossível.

Não são apenas as ribeiras...Também as lagoas, mesmo as que albergam uma biodiversidade assinalável, estão a saque. O negócio de privados como justificativo para um crime ecológico em nome do interesse público.



terça-feira, março 24, 2009

Gritem a plenos pulmões...

Laranjeiras (Citrus sp.) - Faro

Há quem prefira o Algarve típico do mês de Agosto, as filas e a confusão sob um sol inclemente... Eu prefiro-o por estes dias.

Gritem a plenos pulmões ao vento que passa, deixando que a vossa voz se misture com o mais belo dos aromas que a natureza produz. O milagre ocorreu de novo...As laranjeiras estão em flor!

domingo, março 22, 2009

Retrato da árvore em Portugal (de volta à realidade)



Ontem foi o "Dia da Árvore". Foi o dia das boas intenções, de centenas de árvores plantadas.

No dia seguinte, convém lembrar que muitas das autarquias que patrocinam esses actos são as mesmas que permitem situações como a da imagem.

Esta árvore permanece morta há quase dois anos numa rua de Albufeira, perante a indiferença de todos. E não é caso único...

Este retrato faz parte do quotidiano das cidades portuguesas. Como se muda? Passando das palavras aos actos. Cuidar de forma adequada das árvores das nossas ruas deve ser prioritário a plantar novas, sobretudo quando tal se resume a um acto de mero "marketing verde".


P.S. - Ainda ontem, na edição do Público (no suplemento "Local Lisboa"), se relatava mais uma requalificação à portuguesa, desta feita no concelho de Oeiras: abate de árvores saudáveis com o justificativo de plantar mais árvores! O contribuinte paga...

sábado, março 21, 2009

Ainda o "Dia da Árvore"

Uma ideia de apadrinhamento de árvores que nos chega de Penamacor. Ainda que, como muitas outras iniciativas que povoam este dia, possa ser acusada de alguma ingenuidade e de ser inconsequente ou irrelevante. Ainda que se insista em plantar árvores na Primavera.
Porque este dia também é feito de ideias e de sonhos, ainda que utópicos...



Um outro projecto. Este não está relacionado com o "Dia da Árvore", mas pretende juntar os mais novos aos mais velhos no estudo da biodiversidade dos montados: Projecto Saberes e Ambiente (uma organização da associação Aldeia).

Por último, o contributo da Viver Serra (Associação para a Protecção e o Desenvolvimento das Serras do Barlavento Algarvio) para este dia, sob a forma de um texto que resume muita da importância da árvore e das florestas.

No dia da poesia e das árvores (mesmo das que vivem depois da morte)

Fotografia de Manuela Ramos - O velho ulmeiro de Miguel Torga (S. Martinho de Anta)



Al olmo viejo, hendido por el rayo
y en su mitad podrido,
con las lluvias de abril y el sol de mayo,
algunas hojas verde le han salido.
¡El olmo centenario en la colina
que lame el Duero! Un musgo amarillento
le mancha la corteza blanquecina
al tronco carcomido y polvoriento.
No será, cual los alamos cantores
que guardan el camino y la ribera,
habitado de pardos ruiseñores.
Ejército de hormigas en hilera
va trepando por él, y en sus entrañas
hunden sus telas grises las arañas.
Antes que te derribe, olmo del Duero,
con su hacha el leñador, y el carpintero
te convierta en melena de campana,
lanza de carro o yugo de carreta;
antes que, rojo en el hogar, mañana
ardas, de alguna misera caseta
al borde de un camino;
antes que te descuaje un torbellino
y tronche el soplo de las sierras blancas;
antes que el río hacia la mar te empuje,
por valles y barrancas,
olmo, quiero anotar en mi cartera
la gracia de tu rama verdecida.
Mi corazón espera
también hacia la luz y hacia la vida,
otro milagro de la primavera.

Antonio Machado

sexta-feira, março 20, 2009

BARK Festival



"Trees and woods are enmeshed in our cultural life and have always inspired artists, writers, musicians, photographers. BARK! is a reflection of the feelings we have for trees now, at a time when we need them more than ever".

BARK Festival: Um evento criado para celebrar a árvore e a sua importância cultural. De 13 a 25 de Abril em Shaftesbury (Dorset), no Reino Unido.


P.S. - Descoberta via Cores da Terra.