sexta-feira, abril 03, 2009

Projecto de luta contra invasoras na Serra da Estrela

O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e a Associação de Freguesias da Serra da Estrela, constituída pelas Freguesias de Teixeira, Alvoco da Serra, Loriga, Cabeça, Sazes da Beira e Valezim estão a preparar uma candidatura para limpeza e destruição de invasoras lenhosas (Mimosas - Acacia dealbata Link).

Notícia do blogue Loriga.

segunda-feira, março 30, 2009

Plantar bosques



"Um homem terá, pelo menos, dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana, quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará".

David Elton Trueblood


Projecto "Plantar Bosques" - Uma iniciativa resultante da colaboração entre o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), a Autoridade Nacional Florestal, a Agência Portuguesa do Ambiente, o Corpo Nacional de Escutas e a Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza).


Notícia recebida via Maria Pudim.

sábado, março 28, 2009

III Jornadas da Biologia da Conservação



A Associação Aldeia e o Município de Seia/Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) estão a organizar as III Jornadas da Biologia da Conservação, que decorrerão nas instalações deste Centro, em Seia, nos dias de 4 e 5 de Abril.

Neste evento, além da apresentação de comunicações orais de oradores convidados, realizar-se-á uma excursão à serra da Estrela que inclui a visita a alguns dos locais mais emblemáticos do PNSE, ao Centro Interpretativo da Torre e ao CERVAS, centro de recuperação de animais selvagens localizado em Gouveia.

Através deste encontro pretende-se reunir especialistas portugueses e espanhóis e todos os interessados na área da Biologia da Conservação, de modo a fomentar a partilha de informação e conhecimentos, lançando novas metas e propostas de trabalho futuro.

sexta-feira, março 27, 2009

O assassinato de uma lagoa

Não está directamente relacionado com árvores. Mas, mesmo assim, há outros crimes perante os quais o silêncio é impossível.

Não são apenas as ribeiras...Também as lagoas, mesmo as que albergam uma biodiversidade assinalável, estão a saque. O negócio de privados como justificativo para um crime ecológico em nome do interesse público.



terça-feira, março 24, 2009

Gritem a plenos pulmões...

Laranjeiras (Citrus sp.) - Faro

Há quem prefira o Algarve típico do mês de Agosto, as filas e a confusão sob um sol inclemente... Eu prefiro-o por estes dias.

Gritem a plenos pulmões ao vento que passa, deixando que a vossa voz se misture com o mais belo dos aromas que a natureza produz. O milagre ocorreu de novo...As laranjeiras estão em flor!

domingo, março 22, 2009

Retrato da árvore em Portugal (de volta à realidade)



Ontem foi o "Dia da Árvore". Foi o dia das boas intenções, de centenas de árvores plantadas.

No dia seguinte, convém lembrar que muitas das autarquias que patrocinam esses actos são as mesmas que permitem situações como a da imagem.

Esta árvore permanece morta há quase dois anos numa rua de Albufeira, perante a indiferença de todos. E não é caso único...

Este retrato faz parte do quotidiano das cidades portuguesas. Como se muda? Passando das palavras aos actos. Cuidar de forma adequada das árvores das nossas ruas deve ser prioritário a plantar novas, sobretudo quando tal se resume a um acto de mero "marketing verde".


P.S. - Ainda ontem, na edição do Público (no suplemento "Local Lisboa"), se relatava mais uma requalificação à portuguesa, desta feita no concelho de Oeiras: abate de árvores saudáveis com o justificativo de plantar mais árvores! O contribuinte paga...

sábado, março 21, 2009

Ainda o "Dia da Árvore"

Uma ideia de apadrinhamento de árvores que nos chega de Penamacor. Ainda que, como muitas outras iniciativas que povoam este dia, possa ser acusada de alguma ingenuidade e de ser inconsequente ou irrelevante. Ainda que se insista em plantar árvores na Primavera.
Porque este dia também é feito de ideias e de sonhos, ainda que utópicos...



Um outro projecto. Este não está relacionado com o "Dia da Árvore", mas pretende juntar os mais novos aos mais velhos no estudo da biodiversidade dos montados: Projecto Saberes e Ambiente (uma organização da associação Aldeia).

Por último, o contributo da Viver Serra (Associação para a Protecção e o Desenvolvimento das Serras do Barlavento Algarvio) para este dia, sob a forma de um texto que resume muita da importância da árvore e das florestas.

No dia da poesia e das árvores (mesmo das que vivem depois da morte)

Fotografia de Manuela Ramos - O velho ulmeiro de Miguel Torga (S. Martinho de Anta)



Al olmo viejo, hendido por el rayo
y en su mitad podrido,
con las lluvias de abril y el sol de mayo,
algunas hojas verde le han salido.
¡El olmo centenario en la colina
que lame el Duero! Un musgo amarillento
le mancha la corteza blanquecina
al tronco carcomido y polvoriento.
No será, cual los alamos cantores
que guardan el camino y la ribera,
habitado de pardos ruiseñores.
Ejército de hormigas en hilera
va trepando por él, y en sus entrañas
hunden sus telas grises las arañas.
Antes que te derribe, olmo del Duero,
con su hacha el leñador, y el carpintero
te convierta en melena de campana,
lanza de carro o yugo de carreta;
antes que, rojo en el hogar, mañana
ardas, de alguna misera caseta
al borde de un camino;
antes que te descuaje un torbellino
y tronche el soplo de las sierras blancas;
antes que el río hacia la mar te empuje,
por valles y barrancas,
olmo, quiero anotar en mi cartera
la gracia de tu rama verdecida.
Mi corazón espera
también hacia la luz y hacia la vida,
otro milagro de la primavera.

Antonio Machado

sexta-feira, março 20, 2009

BARK Festival



"Trees and woods are enmeshed in our cultural life and have always inspired artists, writers, musicians, photographers. BARK! is a reflection of the feelings we have for trees now, at a time when we need them more than ever".

BARK Festival: Um evento criado para celebrar a árvore e a sua importância cultural. De 13 a 25 de Abril em Shaftesbury (Dorset), no Reino Unido.


P.S. - Descoberta via Cores da Terra.

quinta-feira, março 19, 2009

Monstros urbanos

Seguem-se imagens de uma cidade portuguesa. Um "Museu dos Horrores", um "Tratado do Disparate" no que concerne à manutenção das árvores ornamentais!

São 13 fotos, mas poderiam ser o dobro ou o triplo...






























A cidade é Braga. Na realidade, imagens como estas poderiam ser obtidas na maioria, para não dizer na totalidade, dos concelhos do nosso país.

É igualmente verdade que este problema da falta de qualidade na manutenção das árvores em espaço urbano está longe de ser um exclusivo do nosso país. Basta atravessar a fronteira para verificar que em Espanha, por exemplo, o panorama não é mais animador. Mas com o mal dos outros...

Mas há um motivo concreto pelo qual mencionei o nome da cidade onde captei estas imagens. Braga não é uma cidade qualquer, é uma das maiores urbes do nosso país.

Uma cidade não deve ser grande apenas no número de habitantes ou na dimensão da sua malha urbana. Uma urbe da dimensão de Braga deve ter uma massa crítica actuante, capaz de exercer uma vigilância activa sobre as políticas municipais que influenciam, directa ou indirectamente, a qualidade de vida na cidade.

As elites não devem servir apenas para gerar e sustentar opções culturais mais ou menos alternativas. Cultura não é apenas música ou cinema independentes (coisas que também me agradam muito). Cultura é também qualidade de vida e, para tal, é imprescindível uma prática que proteja e saiba cuidar dos espaços verdes e das árvores das cidades.

É em cidades como Braga, Coimbra, Porto ou Lisboa, por exemplo, que a mudança deve começar. É nas maiores cidades, com maior vivência cultural, com as maiores academias e universidades, e com os mais influentes órgãos de comunicação social, que devem surgir as elites que se revoltem contra a forma como a árvore é desprezada no nosso país.
E que, em consequência, exijam do poder político local outra atitude face à árvore no espaço urbano. Este só mudará a sua actuação se sentir essa pressão da opinião pública no sentido de uma efectiva mudança na forma como se planeia a arborização das ruas e, posteriormente, na forma como é feita a respectiva manutenção.


Porque a mudança só é possível com o conhecimento, é nas cidades onde este conhecimento está mais acessível, nomeadamente através das universidades e dos técnicos que aí existem, que ela deverá começar.

É altura da manutenção das árvores ser competência exclusiva de arboricultores certificados. Em causa estão não apenas questões estéticas mas a segurança de todos nós e dos nossos bens, pois estas intervenções desastrosas debilitam as árvores pondo em risco, desta forma, a segurança de todos os cidadãos.

Através destas imagens compreende-se melhor porque " (...) em meio urbano, as árvores ficam particularmente frágeis raramente ultrapassando os 60 a 80 anos de vida".

Penso que todos concordaremos que está na altura de por um ponto final a estes "monstros urbanos". Tenhamos um pouco mais de amor ao nosso país, às nossas cidades e às árvores que nelas tentam (sobre)viver.


segunda-feira, março 16, 2009

De (e para) uma amiga


Dragoeiros (Dracaena draco L.) - Madeira [Fotografias de Natividade Lemos]


Espelho


E eis que do tronco
rompem-se os brotos:
um verde mais novo da relva
que o coração acalma:
o tronco parecia já morto,
vergado no barranco.

E tudo me sabe a milagre;
e eu sou aquela água de nuvens
que hoje reflecte nas poças
mais azul seu pedaço de céu,
aquele verde que se racha da casca
e que tampouco ontem à noite existia.


Salvatore Quasimodo



quinta-feira, março 12, 2009

Árvores monumentais da Madeira

Imagens do livro "Árvores Monumentais e Emblemáticas da Madeira", editado pela Direcção Regional de Florestas da Madeira - Disponível online na página da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais.



Na Região Autónoma da Madeira o decreto que protege os recursos florestais é o Decreto Legislativo Regional n.º 35/2008/M, em vigor desde 14 de Agosto de 2008.


Em relação a este texto sobre as árvores da Madeira, e ao texto anterior sobre as árvores monumentais dos Açores, gostaria de acrescentar que, não sendo jurista, desconheço o âmbito de aplicação de certas leis da nossa República.

Deste modo, para além dos Decretos Legislativos Regionais referidos nestes dois textos, desconheço se o Decreto-Lei n.º 28468/38, de 15 de Fevereiro, relativo à classificação de árvores monumentais, se aplicará ao nível das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

terça-feira, março 10, 2009

Árvores monumentais dos Açores

Araucárias monumentais - Madalena do Pico (Açores) - Fotografia de Vera Jorge


No continente português a classificação de árvores como sendo de interesse público é determinada pelo Decreto-Lei n.º 28468/38, de 15 de Fevereiro.


Na Região Autónoma dos Açores o diploma que regula a classificação e conservação de bens de interesse cultural é o Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto.

O património classificado dos Açores está dividido em duas categorias distintas: Imóveis de Interesse Público e Imóveis de Interesse Municipal. O referido Decreto Legislativo Regional permite que possam também ser classificadas, em cada uma das classes anteriormente referidas, as árvores que possuam relevante interesse histórico ou grande relevância cultural.

A lista do património classificado nos Açores está disponível nesta página da Wikipédia. Na mesma é possível verificar a existência de diversos exemplares arbóreos classificados, nomeadamente no concelho da Horta (Faial).

domingo, março 08, 2009

Prepotência e bom senso

Uma notícia do "Jornal de Notícias" que não resisto a partilhar...


"A Câmara de Guimarães vai instaurar uma contra-ordenação à Junta de Freguesia de Ronfe por corte indevido de árvores.

Em causa estão quatro árvores que a Junta decidiu abater por alegadamente estarem a danificar passeios. "Uma asneira crassa" diz o autarca António Magalhães.

A Junta de Freguesia de Ronfe (uma das nove vilas do concelho) decidiu abater quatro árvores que estavam junto ao cemitério local. Segundo o autarca de Ronfe, Daniel Rodrigues, as raízes das árvores estavam a destruir os passeios junto ao cemitério. E por isso, decidiu abatê-las.

A Polícia Municipal de Guimarães esteve no local. O autarca Daniel Rodrigues diz que tentou contactar com o presidente da Câmara mas que tal não foi possível, tendo então decidido avançar com o corte, assumindo a responsabilidade numa informação escrita enviada à Câmara Municipal de Guimarães.

"Fui ao local e não gostei do que vi. Estamos a falar de árvores que tinham mais de 20 anos, umas foram cortadas rentes, o que constitui uma asneira crassa, porque demora anos a repor; outras foram cortadas de maneira pouco ortodoxa", disse o autarca, no final da última reunião camarária.

O abate ou poda de árvores é da competência da Câmara e não pode ser decidida de forma ligeira. "Não se pode fazer mal à Natureza que já é muito castigada".


Por uma vez, gostava de dar o benefício da dúvida ao autarca de Guimarães e elogiar mais o seu civismo e consciência ambiental, do que criticar a prepotência de um Presidente de Junta que, sem consultar qualquer técnico, decidiu abater várias árvores com mais de 20 anos.


sábado, março 07, 2009

Projecto Montado



"A gestão tradicional dos montados permitia combinar dois objectivos importantes: produção agrícola e conservação. No entanto, estes ecossistemas têm vindo a sofrer alterações na sua forma de gestão, como consequência de alterações tecnológicas, económicas e das políticas agrícolas comunitárias. Estas alterações na gestão dos montados têm conduzido à degradação física e microbiológica dos solos (...) Apesar de serem ecossistemas agro-silvo pastoris sustentados, os montados foram recentemente considerados sistemas ameaçados, quer pela intensificação, quer pela extensificação do uso do solo, comprometendo os objectivos mais importantes da gestão do terreno: a produção e a conservação." - Projecto Montado (Universidade de Coimbra).

sexta-feira, março 06, 2009

O cedro de Aldeia do Bispo

Cedro (Cedrus sp.) - Aldeia do Bispo (Sabugal), fotografia de Nelson Lima

Uma árvore magnífica, apesar de aparentar ter a flecha danificada, para descobrir numa nova incursão nos tesouros naturais do concelho do Sabugal.

quinta-feira, março 05, 2009

O assassinato de uma ribeira



Como sabemos que um país bateu no fundo em termos de legalidade democrática? Quando uma câmara municipal, neste caso a de Albufeira, se sente com à vontade suficiente para iniciar uma obra para a qual não tinha licenciamento.

Como pode ser visto pelas imagens que acompanham este texto, em poucos dias a Câmara Municipal de Albufeira arrasou dezenas de árvores nas margens de uma ribeira que atravessa a cidade e, após ter destruído toda a vegetação das margens, começou a encanar o dito curso de água.





A obra foi, entretanto, embargada pela Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve que, compreensivelmente, e segundo a edição de ontem do "Público", exige que seja tornado público o estudo (caso este exista!) que demonstre que estas obras não terão impactos no aumento do risco de cheias no centro antigo de Albufeira (a jusante deste troço da ribeira).

Uma das justificações do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Albufeira para toda a destruição, visível nas imagens, é particularmente tocante: "A água da ribeira não tinha qualidade e a linha de água estava transformada numa lixeira". Que é como quem diz, estes senhores até nos estão a fazer um favor, "requalificando ambientalmente" esta ribeira.

Fica também patente uma brilhante solução para todo o lixo que se acumula nas ribeiras deste país: encana-se a água! Quando todas as ribeiras deste país estiverem encanadas, acabam-se as linhas de água poluídas. Como é que ninguém se lembrou antes desta solução miraculosa?

E as ribeiras encanadas responsáveis pelo agravamento de tantas cheias em zonas urbanas do nosso país? Pormenores....Viva o progresso!




Claro que a Sr.ª presidente da ARH chega a admitir que a Câmara de Albufeira pode ter que "repor a situação". Coisa que eu pagava para ver, sobretudo a reposição da copa das dezenas de árvores decepadas e destruídas.


No fundo, todos sabemos como estes casos acabam e como a "política de terra queimada" continua a compensar no nosso país. Provavelmente, e com o previsível levantamento do embargo, a Câmara de Albufeira até poderá vir a ganhar tempo com este avançar das obras, por comparação com o que teria sucedido caso tivesse seguido todos os preceitos da lei.


Por estes dias, e a propósito do assassinato de Nino Vieira, oiço falar que a Guiné-Bissau é um Estado falhado. Com todas as diferenças, entre ambos os países e as situações descritas, apetece-me perguntar o que é Portugal?

Um país onde vigora a mais completa das impunidades, onde as Câmaras Municipais, órgãos do Estado que deveriam fazer cumprir as leis da República, cometem os maiores atropelos à legalidade, é o quê?


P. S. - Num país dito sério, por oposição a um Estado falhado, um presidente de Câmara que, de forma consciente, permitisse o avanço de obras sem licenciamento seria exonerado de forma célere; digamos que seria uma exoneração ao estilo "simplex"!

quarta-feira, março 04, 2009

Proposto novo regime de protecção para património verde de Lisboa

Foi proposto, pelo Partido Comunista, um novo regulamento municipal para protecção das árvores e arbustos da cidade de Lisboa. Ler notícia no Público.


ADENDA: Esta proposta do Partido Comunista vale o que vale... Apesar de ser uma proposta interessante, encerra a contradição típica dos partidos políticos portugueses, ou seja, defendem na oposição o que não cumprem no poder. Veja-se o caso dos sobreiros de Setúbal, autarquia comunista (1330 sobreiros propostos para abate a troco de mais mega-urbanizações, num país com milhares de casas novas para venda, para mais um centro comercial e, cereja em cima do bolo, mais um estádio de futebol).

No entanto, regresso a este assunto das árvores de Lisboa, para analisar o contraste entre a forma como olhamos, no nosso país, para as árvores antigas e a forma como estas são respeitadas e acarinhadas noutros países.

Meditem sobre o que está escrito neste folheto da Câmara Municipal de Lisboa sobre as árvores, em particular esta passagem: "A maior parte das espécies ornamentais vive menos de 100 anos. Na realidade, em meio urbano, as árvores ficam particularmente frágeis raramente ultrapassando os 60 a 80 anos de vida". Agora comparem com este texto sobre o Central Park, de Nova Iorque, e tirem as vossas próprias conclusões.

Novidades na varanda






Três azevinhos e uma laranjeira (para superar algumas desilusões na minha varanda).

terça-feira, março 03, 2009

Descobrir novos caminhos (desenhando)

No próximo dia 21 de Março, nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, festeja-se o equinócio da Primavera.

É a "Festa Desenho e Paisagem", dirigida a todas as idades e com entrada livre.

Para mais informações visitem a página da Gulbenkian ou da Associação Traços na Paisagem.

sábado, fevereiro 28, 2009

Reflexões sobre a natureza da vida

"A origem do mundo" de Gustave Courbet (Musée D' Orsay - Paris) - Fotografia de lapinot (retirada do blogue Avenida Central)

Árvore descaracterizada por poda radical (Braga, Inverno de 2008)


Nunca me deixará de surpreender como a celebração da vida incomoda muito mais gente do que a supressão e mutilação dessa mesma vida.



P. S. - Foi em Braga mas, sejamos honestos, poderia ter sido noutro sítio qualquer...


sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Publicidade enganosa (Actualização)

Acerca do texto publicado na passada segunda feira, sob o título "Publicidade enganosa", queria proceder à seguinte actualização:

Recebi um amável e-mail de Alexandrina Pipa, coordenadora do Projecto "Green Cork" da Quercus, explicando-me que irão averiguar a situação, caso a caso, procedendo à remoção dos sobreiros que estejam secos e à plantação, nos jardins do respectivo centro comercial, dos sobreiros que se encontrem sãos. Obrigado.

De novo, a "época amarela"









Mais do que o passado, deve-nos interessar o futuro. Mais do saber como chegámos aqui, será decisivo compreender como poderemos sair deste estado de coisas. Mas claro, aprendendo com as lições do passado.

E será que no nosso país, em termos de invasoras, aprendemos alguma coisa com o passado?

Claro que é interessante analisar a acção do Estado em termos de apoio à investigação nesta área e no combate efectivo à expansão de espécies invasoras/reconversão de zonas invadidas.

Apesar dos aspectos evocados no parágrafo anterior, considero que todas estas medidas serão sempre desconexas se não alterarmos, de forma profunda, a nossa ocupação do território.

Pelo menos no caso de muitas espécies invasoras, como é o caso da mimosa (Acacia dealbata Link), o avanço na área ocupada tem sido favorecido pelo abandono da agricultura e da exploração florestal.
É esta forma cada vez mais desadequada como ocupamos o nosso território e o exploramos, em termos agrícolas e florestais, que favorece um cada vez maior desleixo na paisagem, visível no avanço imparável das espécies invasoras.

Também o desleixo que votamos à limpeza das bermas faz destes espaços, onde a luz é um bem abundante, territórios preferenciais de avanço para muitas espécies que encontram neste factor, a quantidade de luz, um factor preferencial em termos de concorrência com as espécies nativas. Tal é o caso da referida mimosa, aquela que será, provavelmente, a mais agressiva das invasoras presentes no território continental.

[Observe-se nas imagens como as mimosas se concentram na berma das estradas (primeira imagem) e nas orlas de pinhais abandonados, favorecidas da abundância de luz].

No entanto, continuo a insistir que a primeira batalha a ganhar é a da informação. As pessoas que frequentem este blogue e outros de temática semelhante, fazem parte de um microcosmos que, por vezes, não se apercebe da pouca informação que existe sobre este assunto na sociedade portuguesa.

E isto é profundamente dramático, numa sociedade onde qualquer pessoa pode comprar sementes pela internet, as quais chegam a casa dessas pessoas em envelopes que, por certo, não levantarão as menores suspeitas. Acrescem as sementes e as plantas que entram, todos os dias, em território nacional pelas diferentes fronteiras do país.

Qualquer pessoa pode, de forma inconsciente, contribuir para agravar este problema. E não preciso de dar exemplos relativos a espécies que ainda não estão presentes no nosso país e que poderiam revelar-se como invasoras.
Mesmo em relação às espécies que estão referidas na legislação nacional como sendo invasoras, que fracção da nossa população tem conhecimento das mesmas? Num país onde as mimosas aparecem em folhetos turísticos e continuam a inspirar raids fotográficos ou, para dar um exemplo insular, as hortênsias são a imagem de marca dos Açores, muito há ainda a fazer em termos de disseminar a informação.

Claro que a informação não elimina por si só este problema. No entanto, a partir do momento em que as pessoas estejam informadas, diminuiremos drasticamente o número daqueles que continuam a propagá-las por simples ignorância do problema.

Restarão apenas aqueles que o fazem por negligência ou por fins económicos...Ora eu quero acreditar que estes serão em muito menor número do que aqueles que o fazem por mero desconhecimento da situação.

Sem vencermos esta primeira batalha da disseminação da informação e do conhecimento, nunca venceremos as seguintes que serão bem mais árduas e demoradas de vencer.


Para saber mais sobre este problema:

- Plantas Invasoras em Portugal.
- DAISIE (Delivering Alien Invasive Species Inventories for Europe) (Nota: O projecto europeu DAISIE não se limita às questões relacionadas com a Botânica).


Para conhecer projectos nacionais de luta contra as plantas invasoras/reconversão de zonas invadidas:

- Recuperação ecológica do Cabeço Santo.
- Recuperação do património natural na Serra do Açor (o controlo da Acacia dealbata Link).

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

O sindicato das árvores

Cartoon de El Roto - Imagem retirada do blogue "La memoria del bosque"

"As árvores devem ser cortadas quando são novas porque, caso contrário, crescem e tornam-se reivindicativas".

Como dizia o meu amigo Serafim, no outro dia, o que faz falta é um "sindicato das árvores" para as defender...

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Night and day







(...) Night and day, you are the one
Only you beneath the moon or under the sun
Whether near to me, or far
It's no matter darling where you are
I think of you...

Cole Porter



Será possível, a um homem, amar uma montanha como quem ama uma mulher?



(Nota: a primeira fotografia é de minha autoria e foi tirada no dia 24 de Janeiro; a segunda e espectacular imagem foi tirada, por Pedro Seixo Rodrigues, na noite de 9 de Fevereiro. A descoberta deste magnífico trabalho devo-a à leitura do Cântaro Zangado).

terça-feira, fevereiro 24, 2009

O assassinato de um gigante

Fotografia de Apatxe (Panoramio)

A imagem anterior ilustra a Fayona de Eiros, uma faia (Fagus sylvatica L.) monumental que se situava na povoação de Eiros (Astúrias), no máximo da sua grandiosidade de mais de dois séculos de idade.

E a imagem seguinte, do passado mês de Janeiro, mostra este mesmo gigante tombado perante o olhar incrédulo de várias pessoas...

Fotografia "La Crónica Verde"

Apressaram-se os que culparam a força do vento e a desproporção das suas dimensões. O que ninguém soube dizer foi porque ventos mais fortes, no passado, se revelaram incapazes de a derrubar...Ou porque a referida desproporção não afectou a sua solidez durante tantas décadas. Numa única pergunta: porquê agora?

A verdade é que um reputado especialista em árvores, José Plumed, descobrira em 2005 que a mesma estava infectada por um fungo cujo alastrar, muito provavelmente, fora acelerado pela abertura de um caminho junto à mesma, provocando uma amputação de parte do sistema radicular da árvore. (Notícia completa: La Crónica Verde)

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Publicidade enganosa

Como é evidente, nada me move contra o projecto de reciclagem Green Cork (uma iniciativa da Quercus).

O problema é que em certos centros comerciais, para chamar a atenção para este projecto, foram colocados sobreiros dentro de vasos. Até aqui nada de especial, excepto...Excepto pelo facto de ter sido alertado, pela segunda vez, para a morte destes sobreiros envasados (desta vez, segundo denúncia de um leitor deste blogue, ocorreu no Picoas Plaza).

Esta situação, seja ela responsabilidade da Quercus ou da administração dos centros comerciais, em nada favorece a imagem desta campanha. Também me parece que não se pode desculpabilizar esta situação apenas porque estes sobreiros provêm de viveiros, pois muito mal estaríamos se alguém os tivesse ido buscar a uma qualquer mata!

O que não faz sentido é uma campanha de reciclagem de rolhas de cortiça, com cujos fundos se pretende financiar campanhas de reflorestação com sobreiros, ser publicitada com árvores que são deixadas morrer pela mais pura e completa das negligências.


P.S. - Como forma de sossegar alguns espíritos mais sensíveis à crítica...Sim, esta situação foi comunicada, via correio electrónico, para: quercus(at)quercus.pt e lisboa(at)quercus.pt

ADENDA: Recebi um amável e-mail de Alexandrina Pipa, coordenadora do Projecto "Green Cork" da Quercus, explicando-me que irão averiguar a situação, caso a caso, procedendo à remoção dos sobreiros que estejam secos e à plantação, nos jardins do respectivo centro comercial, dos sobreiros que se encontrarem sãos. Obrigado.

As cidades transformadas em árvores


Rome - Lee Jang Sub (via Territorius)