São 13 fotos, mas poderiam ser o dobro ou o triplo...
É igualmente verdade que este problema da falta de qualidade na manutenção das árvores em espaço urbano está longe de ser um exclusivo do nosso país. Basta atravessar a fronteira para verificar que em Espanha, por exemplo, o panorama não é mais animador. Mas com o mal dos outros...
Mas há um motivo concreto pelo qual mencionei o nome da cidade onde captei estas imagens. Braga não é uma cidade qualquer, é uma das maiores urbes do nosso país.
Uma cidade não deve ser grande apenas no número de habitantes ou na dimensão da sua malha urbana. Uma urbe da dimensão de Braga deve ter uma massa crítica actuante, capaz de exercer uma vigilância activa sobre as políticas municipais que influenciam, directa ou indirectamente, a qualidade de vida na cidade.
As elites não devem servir apenas para gerar e sustentar opções culturais mais ou menos alternativas. Cultura não é apenas música ou cinema independentes (coisas que também me agradam muito). Cultura é também qualidade de vida e, para tal, é imprescindível uma prática que proteja e saiba cuidar dos espaços verdes e das árvores das cidades.
É em cidades como Braga, Coimbra, Porto ou Lisboa, por exemplo, que a mudança deve começar. É nas maiores cidades, com maior vivência cultural, com as maiores academias e universidades, e com os mais influentes órgãos de comunicação social, que devem surgir as elites que se revoltem contra a forma como a árvore é desprezada no nosso país.
E que, em consequência, exijam do poder político local outra atitude face à árvore no espaço urbano. Este só mudará a sua actuação se sentir essa pressão da opinião pública no sentido de uma efectiva mudança na forma como se planeia a arborização das ruas e, posteriormente, na forma como é feita a respectiva manutenção.
Porque a mudança só é possível com o conhecimento, é nas cidades onde este conhecimento está mais acessível, nomeadamente através das universidades e dos técnicos que aí existem, que ela deverá começar.
É altura da manutenção das árvores ser competência exclusiva de arboricultores certificados. Em causa estão não apenas questões estéticas mas a segurança de todos nós e dos nossos bens, pois estas intervenções desastrosas debilitam as árvores pondo em risco, desta forma, a segurança de todos os cidadãos.
Através destas imagens compreende-se melhor porque " (...) em meio urbano, as árvores ficam particularmente frágeis raramente ultrapassando os 60 a 80 anos de vida".
Penso que todos concordaremos que está na altura de por um ponto final a estes "monstros urbanos". Tenhamos um pouco mais de amor ao nosso país, às nossas cidades e às árvores que nelas tentam (sobre)viver.













