terça-feira, dezembro 02, 2008

Os sobreiros do Tortosendo - Artigo de opinião no "Diário XXI"

A edição de ontem do "DiárioXXI", dia 1 de Dezembro, publica um artigo de opinião de minha autoria, sobre a situação das duas obras, em terrenos com sobreiros, na freguesia do Tortosendo (Covilhã).

Este artigo resume o meu pensamento sobre as duas situações, quer a da Zona Industrial do Tortosendo, quer a do Bairro do Cabeço.

O referido texto reúne com conjunto de questões, que considero pertinentes, sobre os contornos de ambas as situações.
Reforço que apenas me limito a colocar algumas dúvidas e que me abstenho de fazer acusações à Câmara Municipal da Covilhã (CMC). A menos que se entenda que fazer perguntas é o mesmo que fazer acusações!

A única afirmação "mais polémica" é quando me refiro à continuação das obras, no caso do Bairro do Cabeço, após o auto da GNR. No entanto, foi o próprio presidente da autarquia quem, em declarações ao "DiárioXXI" de 24 de Novembro, referiu: "(...)Eu quero lá saber da Autoridade Florestal Nacional, eu quero saber daquilo que vejo e daquilo que vêem as pessoas que lá estão com bom senso, afirmou. Agora um indivíduo qualquer que está não sei onde vem dizer-me que uma ramagem de geração espontânea, porque o vento projectou as sementes, pode contar [como sobreiro]. Conte lá o que quiser, disse, garantindo que as obras irão continuar e que os sobreiros adultos serão mantidos".


Segue o referido artigo de opinião de minha autoria:

" A necessidade deste artigo surge no seguimento de dois comunicados emitidos pela "Quercus - Associação Nacional da Conservação da Natureza", a propósito das intenções da Câmara Municipal da Covilhã (CMC) face a dois terrenos com sobreiros, espécie protegida pelo Decreto-lei n.º 169/2001, localizados na freguesia do Tortosendo.

A “Quercus”, apelidada pelo Presidente da CMC como um “negócio” e como tendo posições “reaccionárias”, não é formada por um bando de malfeitores. Estamos a falar de uma das mais antigas associações ambientalistas portugueses que, em 1992, recebeu o Prémio Global 500 das Nações Unidas e o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Desconheço, e caso esteja equivocado agradecia a correcção, qualquer condenação desta associação em tribunal, por qualquer caso de gestão danosa ou de opinião produzida por algum dos seus dirigentes.
Gostaria de declarar que nunca fui, não sou e nunca serei colaborador, sócio ou dirigente da "Quercus". Igualmente, não possuo familiares, amigos ou simples conhecidos como membros desta associação de defesa do ambiente. De igual modo, é nula a minha ligação a qualquer partido político ou de qualquer familiar residente neste concelho.

Mas sou natural da Covilhã e eleitor neste concelho. E como a CMC insiste em não responder à dita associação, faço minhas as respectivas perguntas, com a esperança de receber uma resposta clara e inequivocamente esclarecedora por parte dos responsáveis camarários.

Assim sendo, a uma câmara municipal, estrutura pertencente à orgânica do Estado e dirigida pelos que foram eleitos democraticamente pelos cidadãos portugueses, não se pede muito. Pede-se, no mínimo, o essencial: que cumpra e faça cumprir as leis da República. Não se pede que goste ou concorde com as mesmas.

Um executivo camarário tem, como uma das suas obrigações, responder a todas as questões suscitadas pelos cidadãos do seu concelho, quer seja através dos membros da assembleia municipal, por interpelação directa dos cidadãos ou, indirectamente, através dos órgãos de comunicação social.

Eu sei que às vezes é "aborrecido" ter que dar explicações e que é mais fácil apelidar de "reaccionária" a atitude de quem se limita, no uso dos seus legítimos direitos constitucionais, a questionar o poder autárquico.
A uma Câmara pede-se um mínimo de humildade democrática e que nunca esqueça que os que a dirigem são simples funcionários do Estado que, de forma transitória e de acordo com a vontade das urnas, têm como principal função representar o povo.

Deste modo e relativamente às obras num terreno na zona do Bairro do Cabeço, gostaria que a Câmara Municipal me esclarecesse nos seguintes pontos:

- A CMC sabe que decorre ainda um recurso que visa anular a decisão do secretário de Estado da Administração Local, a qual permitiu à Câmara expropriar o terreno. Desta forma, pelo menos no plano das hipóteses, o terreno pode reverter à posse dos antigos proprietários. Desta forma, considera a CMC legítimo que se esteja a proceder a obras que estão a alterar irremediavelmente a estrutura do dito terreno?
Dito de outra forma: caso os anteriores proprietários vençam o referido recurso e outros que possam existir e recuperem a posse do referido terreno, poderá a CMC garantir em absoluto que não terá que pagar nenhuma indemnização aos mesmos, com recurso ao dinheiro dos contribuintes, por alteração definitiva das características desse terreno?

- Com que base jurídica justifica a CMC a continuação das obras no local, após ter sido levantado um Auto de Notícia por contra-ordenação, emitido pela GNR, por abate de diversos sobreiros jovens, sabendo a CMC que a continuação das referidas obras pode implicar o abate de outros exemplares jovens e a danificação irreversível do sistema radicular dos exemplares adultos?

- Neste ponto, coloco duas questões para outras tantas instituições: sabendo da continuação das obras no local, qual será a atitude da GNR face ao avanço das mesmas? Sabendo do referido abate de sobreiros e sabendo que a CMC não tem autorização para tal, qual será a atitude da Autoridade Florestal Nacional?


Temos depois as intenções da CMC face a um terreno com 83,9 hectares, maioritariamente integrados na Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN) e nos quais existe um povoamento de 3 000 sobreiros. A justificação da CMC tem oscilado entre a necessidade de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo (ZIT) e a necessidade de encontrar um terreno para a instalação de um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN).

Assim sendo, surgem algumas questões:

- Como duvido que existe um único projecto industrial que necessite de uma área de 84 hectares, de quantas intenções de investimento estamos a falar? São investimentos garantidos ou meras intenções de possíveis investimentos futuros?

- Qual o motivo pelo qual não se utilizam os terrenos que o actual Plano Director Municipal do Concelho define como de “uso industrial”, precavendo uma possível ampliação da ZIT?

- Foram estudadas outras alternativas de localização para estes investimentos, nomeadamente para o referido projecto PIN? Se sim, está a CMC em condições de tornar públicos esses estudos?

- E, por último, está a CMC em condições de provar a falsidade da notícia do “Diário XXI” de 13 de Outubro último, que referia ter a CMC solicitado ao Núcleo Florestal de Castelo Branco a autorização para cortar estes sobreiros?

- E, para finalizar, sendo verdade o referido no “Diário XXI” de 13 de Outubro último, qual foi a sustentação jurídica da CMC para pedir o abate de sobreiros num terreno que não é de sua propriedade?

Atente-se que, em nenhum ponto deste texto, dirijo qualquer acusação à CMC ou ao seu Presidente. Limito-me a colocar várias questões, como cidadão eleitor deste concelho, as quais considero de particular importância para o futuro da Covilhã".


Pedro Nuno Teixeira Santos



segunda-feira, dezembro 01, 2008

De novo, a "época da estupidez"

Se a cada Verão que começa temo pelas árvores que morrerão queimadas, a cada Inverno temo pelas que cairão às mãos de podas incompetentes.

Chamo "época da estupidez" a esta fase do ano em que assistimos à mutilação de árvores que levaram dezenas de anos a crescer, às mãos de pessoas sem a mínima credencial técnica para este tipo de intervenção.

Fui informado, há alguns dias, da abertura de um concurso público para a poda de árvores ornamentais no concelho da Covilhã.

Como é evidente, temo o pior! E porquê? Porque suponho que o factor decisivo, no referido concurso, volte a ser o "factor preço".
Foi desta forma que o anterior concurso público, neste concelho, foi ganho por uma empresa local do sector das obras públicas! O resultado desastroso ficou à vista de todos...

Receio, pelos motivos expostos, que o mesmo se volte a repetir e que a poda de dezenas de árvores volte a ficar nas mãos de pessoas que nada percebem de arboricultura e de manutenção de árvores ornamentais.

O "factor preço" apenas pode ser levado em linha de consideração quando se comparam as propostas de duas ou mais empresas de igual grau de competência técnica. Ou será que, por hipótese, se uma empresa de arboricultura concorresse à construção de uma estrada ganharia o respectivo concurso público, caso apresentasse a proposta mais barata?

Deste modo, onde aparentemente existem boas medidas de poupança dos dinheiros públicos por parte das câmaras municipais, existem decisões danosas a médio e longo prazo.
Estas árvores, podadas de forma radical e incorrecta, irão ter uma longevidade menor e, desta forma, terão que ser substituídas por novos exemplares pagos, como é evidente, com o dinheiro de todos nós.
Acresce que as árvores podadas de forma desajustada, devido a ficarem mais fragilizadas e sujeitas a doenças, podem cair com maior facilidade sobre a via pública podendo, deste modo, dar origem a graves acidentes.

A cada novo Inverno, assistimos como o dinheiro dos contribuintes portugueses é colocado ao serviço da destruição do património arbóreo dos diversos municípios.

Mas a destruição das árvores na Covilhã já começou como atestam as duas imagens que se seguem, captadas no recinto do monumento a Nossa Senhora da Conceição.

À entrada do dito espaço pede-se "respeito". E ele, de facto, parece existir: não se observa lixo de espécie alguma e, aparentemente, qualquer acto de destruição. Puro engano... As árvores são a única coisa que não é digna desse mesmo tratamento de respeito.
Efectivamente, a única excepção, o único acto de vandalismo cometido em todo o recinto foi para com algumas tílias.

Desconheço qual o "pecado" que as condenou ao presente martírio! Não serão as árvores filhas de Deus?






Termino com a imagem de outras tílias existentes no mesmo recinto e que não sofreram a mesma humilhação. Para que se tenha um termo de comparação da asneira cometida por quem, de árvores e de amor, nada percebe!

sexta-feira, novembro 28, 2008

quarta-feira, novembro 26, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte V)

A Câmara Municipal da Covilhã (CMC) tem tentado, de alguma forma, justificar o injustificável no que concerne aos sobreiros do Cabeço do Tortosendo com o argumento de que está a plantar alguns milhares de sobreiros, nas freguesias do Sarzedo e Dominguiso, como forma de compensação perante as árvores que deseja abater.

Note-se bem que a CMC não possui, na actualidade, qualquer autorização, por parte da Autoridade Florestal Nacional, que lhe permita abater sobreiros no terreno do Cabeço do Tortosendo.


Resta-me, perante a aparente passividade dos demais órgãos do Estado responsáveis na matéria, face ao avanço das obras no dito terreno, fazer as seguintes observações:

1º) Se eu assaltar um banco e distribuir 10% do meu roubo por uma instituição de solidariedade social, tal não apaga as consequências legais do meu assalto. Dito por outras palavras, a CMC aparentemente pretende "justificar" uma situação menos clara de abate de sobreiros no Tortosendo, plantando sobreiros noutros pontos do concelho.

Quer esta metáfora do assalto ao banco dizer apenas que, o facto de a Câmara estar disposta a proteger os sobreiros adultos no terreno e estar a promover novas plantações noutros locais do concelho, não anula a violação à lei que conduziu ao levantamento de um auto por parte da GNR.

Efectivamente, a CMC, independentemente de ser a actual proprietária do terreno, o que não está em causa, não possui autorização da Autoridade Florestal Nacional para cortar qualquer exemplar .


2º) Pelo que foi exposto anteriormente, o facto de a Câmara estar a proteger os sobreiros adultos decorre da lei que os protege. Ou seja, a CMC não nos está a fazer nenhum favor ao não cortar esses exemplares.
Ou será que estão à espera que lhes agradeçamos por estarem a cumprir as leis do país?!

3º) Por outro lado, convirá lembrar que a propriedade dos terrenos do Cabeço do Tortosendo não está resolvida em definitivo; ou seja, decorre ainda nos tribunais um recurso, interposto pelos anteriores proprietários, que visa anular a decisão do secretário de Estado da Administração Local que permitiu, à CMC, avançar com o processo de expropriação.

Resumindo (e corrijam-se se estiver enganado): pelo menos em "teoria", é ainda possível que um tribunal faça reverter, para os anteriores proprietários, a posse do dito terreno. Tal facto deveria ser suficiente para que, num acto de decência democrática, a CMC se abstivesse de efectuar obras que desvirtuassem as características do terreno.

4º) Por último, gostava muito de saber se as plantações do Sarzedo e do Dominguiso se enquadram nalgum plano de reflorestação, a cargo de alguma associação de produtores florestais, ou se as mesmas se encontram a ser feitas sem o adequado suporte técnico de engenheiros florestais?

terça-feira, novembro 25, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte IV) - As declarações do Sr. Presidente e as "garotices"

Da edição de ontem do "DiárioXXI":

“Há lá umas ramagens que só com boa vontade excessiva é que se chama àquilo um sobreiro”, declarou sexta-feira o presidente da Câmara da Covilhã a propósito da polémica entrada de máquinas no parque de S. Miguel, no Tortosendo, que levou a Equipa de Protecção da Natureza e Ambiente (EPNA) da GNR a levantar um auto de notícia, por contra-ordenação, à autarquia.
O auto foi levantado porque a Câmara da Covilhã ainda não possui autorização da Autoridade Florestal Nacional (AFN) para abate de um povoamento de sobreiros constituído por 364 árvores, das quais 311 são sobreiros jovens e 53 adultos.

“Não há memória que tenha havido plantações nos últimos 30 anos”, disse Carlos Pinto. “Como é que nasceram, quem é que os plantou, quem é que os identificou”, questionou o autarca à margem da reunião da Assembleia Municipal extraordinária realizada sexta-feira.
O autarca assegura que mais de 90 por cento dos sobreiros não têm mais de 10 centímetros e nasceram por geração espontânea, desvalorizando assim o facto da Unidade de Gestão Florestal do Pinhal Interior Sul, em Castelo Branco, ter contado e marcado os sobreiros para abate. “Há lá sementes de sobreiros, junto a outros que se desenvolveram que não têm espaço de crescimento” disse Carlos Pinto. “Eu quero lá saber da Autoridade Florestal Nacional, eu quero saber daquilo que vejo e daquilo que vêem as pessoas que lá estão com bom senso”, afirmou. “Agora um indivíduo qualquer que está não sei onde vem dizer-me que uma ramagem de geração espontânea, porque o vento projectou as sementes, pode contar [como sobreiro]. Conte lá o que quiser”, disse, garantindo que as obras irão continuar e que os sobreiros adultos serão mantidos.

“[As obras] Não têm de parar”, disse o autarca, acrescentando que os sobreiros existentes “não chegam a 70 e vão ser conservados porque os conservamos no projecto”.
O projecto do parque de S. Miguel, orçado em 374 mil euros, está aprovado e a expropriação do terreno mereceu declaração de utilidade pública por parte do secretário do Estado da Administração Local, Eduarda Cabrita. “Eu penso que o secretário de Estado antes de dar a utilidade pública tem informações dos seus serviços sobre se há lá um monumento nacional, se lá está o Mosteiro da Batalha, se há lá uns sobreiros. Tudo isso”, sublinhou Carlos Pinto.
“Somos uma câmara que tem um título de utilidade pública, obra concursada com visto de Tribunal de Contas e fundos para utilizar: não é qualquer autoridade que se permite perturbar esse processo”, disse Carlos Pinto. “De maneira que, ponham-se à tabela, porque não há impunidade para quem provoca uma espécie de alarme social sem uma fundamentação séria”, concluiu, ameaçando levar o caso aos tribunais.



Considero que, após declarações deste teor, me resta acrescentar uma vez mais: É isto, Portugal!...


P.S. - No blogue Máfia da Cova alguém decidiu fazer um comentário falso, utilizando o meu nome, acerca de uma notícia sobre este mesmo assunto.

Um bocadinho mais de coragem, por parte de todos, e este país seria um pouco mais decente...



segunda-feira, novembro 24, 2008

Começar bem a semana...



(...) Com mais uma promessa: o plátano (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) de Santa Eulália, nas proximidades de Elvas.

É uma árvore magnífica que, mesmo à distância, marca o perfil da aldeia...Uma árvore por inteiro!

Situa-se num parque infantil, entre a praça de touros e a GNR local, e a sua presença preenche e confere personalidade a todo o espaço.

Este parque infantil é diferente dos demais... Nada das habituais árvores raquíticas, feias e incapazes da menor das sombras quando o estio aperta.

Uma árvore, uma árvore basta, para dar beleza e dignidade ao espaço.


P.S. - Espreitar este plátano no Inverno.


sexta-feira, novembro 21, 2008

Árvores Monumentais de Espanha


O leitor Bruno Quinhones teve a gentileza de me enviar um conjunto de "ligações", relativas a uma obra sobre as árvores monumentais de Espanha.

Parece-me um trabalho magnífico que, infelizmente, ainda não tive oportunidade para explorar devidamente...Porque as coisas boas são para partilhar, penso que a melhor forma de agradecer ao Bruno o seu gesto é tornar essa informação acessível a todos os leitores da "sombra". Obrigado. (Ver os ficheiros: 1, 2 e 3. Nota: Os ficheiros são em formato pdf e, dado o respectivo tamanho e tendo em conta as diferentes velocidades de ligação à internet, poderão levar alguns minutos a ser transferidos).


Por outro lado, o Paulo Almeida enviou-me uma informação relativa a uma acção de reflorestação que decorrerá, amanhã e no Domingo, na Serra de Monchique. Ver o seguinte texto:

"A Fundação Kangyur Rinpoche vem por este meio convidá-la (o) a participar no próximo fim-de-semana de trabalho voluntário (22 e 23 de Novembro), "SPA- Floresta", no C. da Águia, Monchique.

Temos a tarefa de plantar cerca de 700 árvores:
- 500 alfarrobeiras
- 200 pinheiros mansos

Falámos da importância deste trabalho, no equilíbrio do planeta Terra.
Deste modo, toda a ajuda neste processo é preciosa.

Temos muitas árvores para plantar!

Apelamos mais uma vez à vossa participação e que entrem em contacto com a Dulce Alcobia por telemóvel: 968059244 (até 6ª feira)"

Peço desculpa por estar a transmitir a informação em "cima da hora" mas estou certo que, se estiverem interessados, conseguirão ainda assegurar a participação...A ajuda para plantar árvores nunca é demais!

Por último, e de acordo com o "DiárioXXI" de 18 de Novembro, a empresa "Epson", através do programa "Epson Gardunha Biodiversity Initiative", irá auxiliar na restauração da biodiversidade numa área de 20 hectares da Serra da Gardunha. Dependendo da avaliação feita da iniciativa, a área de intervenção poderá ser aumentada no futuro.


quinta-feira, novembro 20, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte III)



A julgar pela imagem, retirada do blogue "Um torto de blog...", aparentemente continuam as obras no Cabeço do Tortosendo.

De que serviu o auto levantado à Câmara pela GNR? Será que já foi feita a prometida vistoria ao local, pelos técnicos da Autoridade Florestal Nacional?

Fica, uma vez mais, o comunicado da Quercus. Nas palavras do Presidente da Câmara da Covilhã, uma "organização reaccionária"!

É isto, Portugal...

Outono a Sul

É Outono nas imensas planícies do Sul...




Um Outono com cores de terra...





Um Outono feito de tons dourados...





E onde as paisagens bucólicas, de final de tarde, ganham um outro sentido.





Um Outono feito dos tons verdes do montado, salpicado pelo amarelo das alamedas de plátanos que desenham as estradas...





E ainda das cores quentes das vinhas...





Também a Sul é Outono.

quarta-feira, novembro 19, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte II)


O "Diário XXI", na sua edição de hoje, retoma o assunto dos sobreiros do Cabeço do Tortosendo (Covilhã).


A notícia refere que, na sequência das obras do passado dia 13 de Novembro, a GNR levantou um auto à Câmara Municipal da Covilhã (CMC) por abate ilegal de sobreiros, uma vez que a Autoridade Florestal Nacional (ANF) não emitiu qualquer despacho autorizando tal iniciativa camarária.

Entretanto, o presidente da ANF terá solicitado uma vistoria ao local para verificar os efeitos da referida acção da CMC.

Resta saber se, o Presidente da Câmara da Covilhã, irá qualificar de "reaccionária" a atitude da GNR e da ANF por estarem a exigir o cumprimento da lei, tal como qualificou a Quercus quando esta se pronunciou sobre o caso dos 3 000 sobreiros da Zona Industrial do Tortosendo.


Também sobre este caso do Cabeço do Tortosendo já foi emitido um comunicado da Quercus que, de seguida, reproduzo:

"A Câmara Municipal da Covilhã está a promover o novo Parque de Feiras de S. Miguel, no Bairro do Cabeço no Tortosendo, próximo da Covilhã, onde existe um povoamento florestal misto com pinheiros e mais de 360 sobreiros. O terreno com cerca de 25 230 metros quadrados em que a autarquia promoveu a expropriação, apresentava condicionantes legais ao ordenamento do território, tendo já sido alvo de uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco pelo antigo proprietário. Nos termos da alínea a) do n.º 2 do artigo 2º do Decreto Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio, o qual restringe as autorizações para corte ou arranque em povoamentos de sobreiros e azinheiras, só é permitida a conversão de área de povoamento de sobreiros quando seja visada a realização de empreendimentos de imprescindível utilidade pública e quando não existem alternativas de localização, como acontece em outras zonas junto do Bairro do Cabeço no Tortosendo. No início da semana passada, a Quercus foi alertada de que estavam a iniciar as obras no parque de S. Miguel com abate de sobreiros, sem que o mesmo estivesse autorizado. Foi de imediato alertado o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente - SEPNA da GNR para fiscalizar, o qual detectou o abate ilegal de diversos sobreiros jovens no povoamento pelo empreiteiro da Câmara Municipal da Covilhã, tendo sido levantado um Auto de Notícia por contra-ordenação.

A Quercus exige que Autoridade Florestal Nacional salvaguarde os sobreiros

Temos conhecimento que ainda não existe uma declaração de imprescindível utilidade pública para abate dos sobreiros, no entanto, esperamos que esta pretensão seja negada pela Autoridade Florestal Nacional, dado que existem alternativas de localização fora de povoamentos de sobreiros e cabe ao promotor encontrá-las. Enquanto isso não acontecer, os serviços da Autoridade Florestal Nacional devem suspender o processo da Declaração da Imprescindível Utilidade Pública devido às condicionantes legais, impedindo o abate de sobreiros. A Quercus responsabiliza a Câmara Municipal da Covilhã por iniciar uma obra num terreno com um povoamento de sobreiros sem ter autorização para aí intervir, devendo a autarquia suspender de imediato a obras, que decorriam até ao início desta semana no terreno. Caso a Câmara Municipal da Covilhã não suspenda a obra, a Quercus pondera o recurso à via judicial para salvaguarda do povoamento de sobreiros protegido".

Lisboa, 19 de Novembro de 2008 (A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e Núcleo Regional de Castelo Branco)



terça-feira, novembro 18, 2008

O promissor plátano de Arronches

Plátano (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) - Arronches


Uma árvore magnífica e, ainda por cima, no pátio de uma escola! Todas as escolas deveriam ter árvores assim...

Crianças que aprendam a brincar à sombra de verdadeiras árvores, como este plátano, acredito que serão, enquanto adultos, menos tolerantes com os arboricídios nas cidades.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Debate sobre árvores ornamentais

Irá decorrer em Loulé, no próximo dia 24 de Novembro, um debate subordinado ao tema "Espaços Verdes e Árvores Ornamentais", numa organização da associação ambientalista Almargem.

O evento, com a presença do arquitecto Fernando Pessoa, decorrerá no Auditório da Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen, a partir das 17 h e 30 min.

sábado, novembro 15, 2008

Há dias em que uma pessoa se sente só contra o resto do mundo

Alentejo, Novembro de 2008

Esta publicação esteve para ter apenas o título e a imagem. Mas não resisti...

Aparentemente, vou abrir um precedente falando de algo que, directa ou indirectamente, não parece estar relacionado com o mundo das árvores. Mas apenas "aparentemente"...

A verdade é que se as pessoas não me respeitarem como professor, não me respeitarão como pessoa e ser humano. Sem ser respeitado, de nada me servem as linhas que escrevo neste blogue, independentemente dos assuntos que aborde.

Acresce que eu não seria a pessoa que sou, incluindo o muito que amo as árvores, sem os professores que tive enquanto aluno. E, de entre todos eles, um em especial... O Professor, assim mesmo com "pê" maiúsculo, Jorge Paiva!

Todos os dias os professores salvam vidas...Penso na minha colega a quem uma aluna, com graves problemas emocionais por ter perdido um familiar, agradeceu por, literalmente, a ter mantido agarrada à vida.

Todos os dias há pequenas histórias como estas que morrem, onde têm que morrer, no anonimato.

Afinal de contas, os professores não são super-heróis. Há bons e maus profissionais como em todas as classes. Mas deixem-me desabafar que, apesar de todos os desânimos e frustrações, a maioria gosta do que faz e gosta mais de estar dentro de uma sala de aulas do que estar na sala de professores.

Resta então conhecer as causas da nossa revolta...

Com certeza que há coisas erradas neste modelo de avaliação dos professores que nos querem impor.

Como se pode querer rigor científico e pedagógico, quando pessoas de uma determinada área científica têm que avaliar pessoas de áreas científicas distintas (e, muitas vezes, com mais qualificações académicas)?

Como se pode acreditar num sistema que afecta a avaliação dos professores à taxa de abandono escolar, como se esta dependesse do “professor fazer o pino na sala de aula” e não de complexos factores económicos e sociais que escapam ao seu controlo?

Como se pode acreditar num sistema de avaliação que relaciona, de forma directa, a qualidade de um professor com os resultados dos alunos? Será um professor de Matemática duma escola de Lisboa, onde boa parte dos seus alunos tem explicações, melhor do que um colega do Interior rural do país, onde os alunos não dispõem das mesmas condições facilitadoras do sucesso?

Evidentemente que não estou a defender a “teoria dos professores coitadinhos”, teoria que não suporto, pois nem sempre os alunos que possuem melhores condições à partida são aqueles que alcançam melhores resultados.

E porquê?! Precisamente porque, por melhor que o professor seja, há certos factores humanos imprevisíveis que ele não consegue controlar. Explico de outra forma: um médico pode prescrever a medicação correcta a um paciente mas, de seguida, não o irá acompanhar diariamente para verificar se ele toma os medicamentos de forma correcta.
Logo, se o doente não tomar os medicamentos e não melhorar, o médico não pode, obviamente, ser responsabilizado. Isto deveria ser fácil de entender, mas pelos vistos não é…

Logo, um professor deve ser avaliado, não pelo facto de um seu determinado aluno ter tido negativa, mas por todas as estratégias que utilizou para evitar esse desfecho.

E, sejamos brutalmente sinceros e honestos, não é assistindo a 3 aulas de 45 minutos, num ano lectivo, que se retiram conclusões sobre as qualidades e defeitos de um professor.

Dito isto, esta avaliação é apenas mais um instrumento de uma “política de cosmética”, uma encenação, uma farsa burlesca montada apenas para manobrar a opinião pública, tentando passar a ideia de que o “governo se preocupa com a qualidade do ensino”.

Por amor de Deus, poupem-me à hipocrisia! Se querem melhorar a qualidade dos meus métodos de ensino, mandem à minha escola alguém de reconhecida competência científica e pedagógica que me assista a várias aulas; e que depois me diga tudo aquilo em que eu posso melhorar para ser melhor professor e ajudar os meus alunos.
Mas não me enviem mais das inspecções, como a que tivemos o ano passado na minha escola, em que a única coisa errada que detectaram é que “faltam muitos papéis”.

Ah, os papéis! Tudo no ensino em Portugal se parece resolver com mais um papel…Uma ficha, uma grelha, uma planificação, um plano, etc. Servem de alguma coisa?! Não importa! O que importa é que estejam nos dossiês. Para quê? Para nos protegermos…Para nos protegermos dos pais, dos recursos, da inspecção, …

Os professores estão cansados desta “política de medo” e querem recuperar um pouco da sua auto-estima e do amor pelo simples acto de ensinar.

E não toleram que se queira aplicar à avaliação de professores, a mesma política que o ministério tem aplicado para resolver os muitos problemas do ensino em Portugal: facilitismo!

O ministério insiste em mascarar as deficiências do nosso sistema de ensino baixando, de forma evidente e cientificamente inquestionável, o nível de exigência dos exames nacionais, de forma a conseguir resultados que impressionem a opinião pública. Tudo em nome da tal cosmética...

Evidentemente que o falhanço e o erro do ministério foi pensar que os professores iriam tolerar e engolir este mesmo princípio, aplicado à avaliação do seu desempenho; o pensamento deles foi o de sempre: “os professores preenchem a grelha, não resmungam pois estão habituados e porque vão vender a sua honra profissional a troco de um Bom…”

Pois bem, enganaram-se! Até porque a avaliação é apenas a gota que fez transbordar o copo.

Por isso, por mais que o ministério nos queira “corromper”, comprando a nossa rendição a troco da simplificação do sistema de avaliação, os professores não irão ceder. Porque o que está em causa são anos e anos de “políticas de facilitismo” e de “burocratizar para nada resolver”.

É essencial que a sociedade portuguesa compreenda que se está a viver um momento histórico único, o momento em que se decide sobre a credibilidade do ensino público português.

Não é apenas a ministra e a sua equipa que estão em causa, nem sequer a famigerada “avaliação docente”, mas sim anos e anos de políticas que estão a levar ao fundo o nosso ensino e, com ele, o próprio futuro da nação.

Se desistirmos, a história não terá contemplações para nós, pois teremos desperdiçado a oportunidade de mudar o rumo dos acontecimentos e permitir que o ensino público tenha futuro em Portugal.

O capitão Salgueiro Maia, a propósito da situação que se vivia em Portugal antes do 25 de Abril, terá dito um dia: “Há o estado da democracia, há o estado da ditadura e há o estado a que tudo isto chegou!”

Assim está o estado da educação neste momento. É do futuro dos nossos filhos e do nosso país que se trata e de não de uma simples embirração com a ministra do sector ou um prurido a qualquer forma de avaliação.


No geral, não tenho razões para acreditar que haja mais corrupção, incompetência ou mediocridade entre os professores, do que na restante sociedade portuguesa. Bem pelo contrário!

Dêem-nos paz para trabalhar e um pouco de respeito, se faz favor.

Obrigado.


P.S. - Ao que parece, ontem, dois secretários de Estado terão insinuado ser os professores os instigadores das lamentáveis manifestações de alguns alunos, com recurso ao arremesso de ovos.
Sei bem que a maioria dos professores, pessoas com um mínimo de educação e sem qualquer vocação para bandidos, se limita a "instigar" os seus alunos a estudar e a que compreendam que para ter sucesso na vida é necessário muito esforço e dedicação.

Alguns, mais ousados, "instigam" os seus alunos a pensar pela sua própria cabeça e a tentar mudar o mundo. No final de uma determinada aula de Formação Cívica, como aqui escrevi na altura, disse a uma aluna que "uma única pessoa pode mudar o mundo".

Espero não lhe ter mentido. E, se o fiz, foi sem intenção e peço desculpa por acreditar em utopias...


P.S.S. - Decidi não abrir a "caixa de comentários" para este texto, pois ele é, sobretudo, um desabafo de carácter pessoal. E para não gerar aqui uma "discussão" à volta dos temas específicos da educação, desviando a atenção das outras causas da "sombra verde".

Mais do que nunca, obrigado pela paciência de lerem os meus escritos...

quinta-feira, novembro 13, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?!

Fotografia "DiárioXXI"


A GNR impediu, na passada segunda-feira, o avanço de uma obra da responsabilidade da Câmara Municipal da Covilhã (CMC), no Cabeço do Tortosendo. Em causa está o facto das mesmas porem em causa um povoamento de cerca de 360 sobreiros.

A situação é denunciada na edição de hoje, 13 de Novembro, do "DiárioXXI"*.

* A hiperligação é para a página do jornal; os leitores deverão ter o cuidado de seleccionar a edição de 13 de Novembro para aceder à referida notícia.


Vou tentar, de forma resumida, explicar o que está em causa numa situação que já tinha levantado num texto de Agosto passado.

A CMC pretende construir um parque de feiras na freguesia do Tortosendo. Não vou discutir prioridades, uma vez mais, embora me pareça altamente discutível que, em tempos de profunda crise económica, se invista na construção de instalações permanentes para uma feira que se realiza um dia por ano.
Por certo que, com um pouco de imaginação, se encontrariam outras prioridades para a freguesia, mas se o Estado central gastou milhões em estádios de futebol que estão às moscas, suponho que uma Câmara possa fazer o mesmo em relação a um recinto de feiras que terá uma tão escassa utilização.

Mas "aceitemos" as obras e as prioridades de quem nos representa! Pois bem, com tantos terrenos disponíveis, a CMC decidiu escolher um com centenas de sobreiros. Uma vez mais, excelente pontaria!

No entanto, a verdade é que a CMC é a actual proprietária legal do terreno em causa, na sequência de um processo de expropriação. Porém, sobre esta decisão do Secretário de Estado da Administração Local, Eduardo Cabrita, decorre ainda um recurso nos tribunais.
Esta acção, interposta pelos anteriores proprietários do terreno, pressupõe que, pelo menos em teoria, será ainda possível fazer reverter a posse dos mesmos.

Este facto deveria, por si só, fazer com que a autarquia da Covilhã, apesar de ser a legítima proprietária dos ditos terrenos, se abstivesse de efectuar intervenções de fundo nos mesmos, pelo menos até todo o processo jurídico estar concluído.

No entanto, a CMC decidiu solicitar a autorização para o abate dos sobreiros. De parte, parecem ter ficado as intenções de transplantar parte das árvores, tal como afirmado no passado.
No entanto, e até ao presente momento, não foi emitida a declaração de imprescindível utilidade pública, a qual permitiria o abate dos sobreiros.

Apesar do referido no parágrafo anterior, a CMC decidiu avançar com as obras, aparentemente apenas para cortar alguns pinheiros...

Como é evidente, assiste-me o direito de questionar sobre o que poderia ter acontecido se, fruto de uma denúncia, a GNR não tivesse suspendido as referidas obras.

E escusado será dizer que para matar um sobreiro não é preciso cortá-lo. A destruição parcial das raízes derivada da movimentação de solos é mais do que suficiente...

Sobre o modo de actuar da minha autarquia já não me restam mais comentários...Sobram-me 3 questões, para outros tantos destinatários:

- Para o senhor Secretário de Estado da Administração Local: com que fundamentos legais considerou justificável a expropriação de um terreno com mais de 3 centenas de sobreiros?

- Para a Autoridade Florestal Nacional (AFN): sabendo das intenções da CMC para o dito terreno e sabendo que sobre a posse dos mesmos decorre ainda um recurso, com que base legal poderá a AFN justificar uma hipotética autorização para o abate dos sobreiros? Terá a acção da CMC, na passada segunda-feira, influência directa sobre essa decisão?

- Para a GNR: na sequência da acção realizada na passada segunda-feira, foi levantado algum auto à CMC e/ou à empresa de construção em causa? Se não, porquê?



Nota importante: este caso, embora situado na mesma freguesia (Tortosendo), é totalmente independente da situação dos 3 000 sobreiros denunciada em Outubro passado.

terça-feira, novembro 11, 2008

Vontade de conhecer...

Imagem retirada do blogue Gonçalo Cultural


(...) O Carvalho Grande* de Gonçalo (Guarda).


* Muito provavelmente, um carvalho-negral
(Quercus pyrenaica Willd.)

segunda-feira, novembro 10, 2008

1 milhão de sementes para o Vale do Côa



- 1 milhão de sementes para o Vale do Côa. Organização: Associação Transumância e Natureza.

- Petição contra teleférico que pode por em causa parte significativa da Laurissilva madeirense (Património Mundial Natural da UNESCO desde Dezembro de 1999). Obviamente, já assinei!

- Piódão recebe 15 mil árvores.

- Alunos plantam árvores no Paul da Serra: "...a realização destas acções de arborização não se limita à plantação das árvores por si só, já que a monitorização do desenvolvimento das plantas é outro dos aspectos a ter em conta neste tipo de iniciativa". Agrada-me!

- Câmara de Lobos ataca "praga das palmeiras"; o mesmo no Funchal. O problema estende-se por todo o país, de Norte a Sul, e ameaça as ilhas. A situação é grave... Disseram-me que os tratamentos preventivos são quase um "acto de desespero" e que o problema teve origem na importação de palmeiras "infectadas".
Com tantos exemplos do passado, continua a não se aprender nada! Haverá alguém, ou alguma instituição, responsável pelo controlo da importação de plantas exóticas? Não deveria ser obrigatório um período de quarentena? Se sim, quem garante o seu efectivo cumprimento? Não seria preferível a importação de sementes de modo a evitar este tipo de "surpresas"?

- Algumas notícias sobre o sobreiro e a indústria da cortiça, as quais agradeço ao Luís Gil: World Wide Fund for Nature (WWF) promove a cortiça na Assembleia-geral do Forest Stewardship Council; por outro lado, o sector corticeiro associou-se à WWF no lançamento da Rede Ibérica de Comércio Florestal.
Por último, enquanto em Portugal qualquer desculpa parece ser aceitável para abater uns milhares de sobreiros, em San Juan, Argentina, o sobreiro parece ser uma aposta com futuro.

- O "país dos cedros" está em acelerado processo de desertificação.

- Jornadas sobre dendro-geomorfologia em Toledo (Espanha).

- Do blogue A Morteira: o livro "Cipreses Monumentales Patrimonio del Mediterráneo" irá ser apresentado na terça-feira, 11 de Novembro, no Real Jardín Botánico del Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), em Madrid.

- Os "Amigos del Tejo" estiveram reunidos em Pereda de Ancares (Espanha), de 7 a 9 de Novembro, na sua terceira assembleia anual. No futuro, existe a possibilidade do encontro se realizar em Portugal. Seria uma excelente oportunidade para se trocarem experiências e informação sobre a situação da espécie na Península Ibérica.

- Uma série de notícias sobre árvores via Ondas 3: Traçado proposto para o IC2 irá amputar parte da Mata do Choupal (Coimbra);
Na Andaluzia: Ecologistas en Acción contra a plantação de eucaliptos em áreas circundantes do Parque Nacional de Doñana e, por outro lado, lançam a temporada 2008/2009 da campanha "Un Andaluz, Un Árbol".
Por último:
40 milhões de árvores para o Ruanda.

- Do Sargaçal: Árvores funcionam como "ar condicionado" da natureza.


Nota: Estas listas de "hiperligações" consomem-me tempo de que não disponho e retiram-me espaço para outro tipo de textos na "sombra...". Assim, e de futuro, haverá apenas algumas chamadas de atenção esporádicas para notícias sobre árvores.
Na "blogosfera" já há quem faça, e muito bem, este acompanhamento de notícias sobre árvores, como o Octávio no Ondas 3 e o Rui no Sargaçal.
Obrigado.

domingo, novembro 09, 2008

Se tudo pudesse ser perfeito (como uma manhã de Outono)

A encosta da Covilhã na manhã do passado Domingo...





Castanheiro (Castanea sativa Mill.)

Agário-das-moscas ou mata-moscas [Amanita muscaria (L. ex fr.) Hooker]


Faia (Fagus sylvatica L.)

sábado, novembro 08, 2008

Praia Verde? Não, "Praia Castanha"!

Um dia, não muito distante, todo o litoral algarvio será um imenso "muro de betão"!

É mais uma história... Mais do mesmo turismo massificado que não preserva o que poderia fazer do Algarve um destino único no mundo: a sua natureza!

Quando tudo for betão, o Algarve será apenas "mais um" destino de praia no Mundo, sem nada que o diferencie pela qualidade.

É pena que, após tantos atentados, se persista no erro. Um dia será tarde demais...


Digam adeus à Praia Verde e aos seus pinhais.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Poema das folhas secas de plátano

Plátano (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) - Portalegre


As folhas dos plátanos
desprendem-se e lançam-se na aventura do espaço,
e os olhos de uma pobre criatura
comovidos as seguem.
São belas as folhas dos plátanos
quando caem, nas tardes de Novembro
contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
Ondulam como os braços da preguiça
no indolente bocejo.
Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
traçam erres e esses, ciclóides e volutas,
no espaço escrevem com o pecíolo breve,
numa caligrafia requintada, o nome que se pensa,
e seguem e regressam,
dedilhando em compassos sonolentos
a música outonal do entardecer.
São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
Eram lisas e verdes no apogeu
da sua juventude em clorofila,
mas agora, no outono de si mesmas,
o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
deixou-se trespassar por afiados ácidos.
A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
vestiu-se de burel,
de um tom que não é cor,
nem se sabe dizer que nome tenha,
a não ser o seu próprio,
folha seca de plátano.
A secura do Sol causticou-a de rugas,
um castanho mais denso acentuou-lhe os nervos,
e esta real e pobre criatura
vendo o solo coberto de folhas outonais
medita no malogro das coisas que a rodeiam:
dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
os olhos, a beleza.

António Gedeão
(poema retirado do blogue Botânica nas Ilhas)



P.S. - Na imagem que acompanha o poema, o espectacular plátano
(Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) de Portalegre, classificado como árvore de interesse público desde 1939.


quarta-feira, novembro 05, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

Confiança restaurada...



A sequóia [Sequoiadendron giganteum (Lindl.) Buchh.], situada no centro do Sabugal, foi (finalmente) classificada como árvore de interesse público, no passado dia 11 de Agosto de 2008.

O sentimento é, obviamente, de alegria e até de algum "alívio" por ver esta magnífica árvore protegida. Numa única palavra:
Obrigado!




P.S. - Em Abril último, interrogava-me sobre a demora na resposta ao pedido de classificação que tinha solicitado para esta árvore e ainda para outros dois magníficos exemplares arbóreos: o carvalho-alvarinho de Aldeias (Gouveia) e o castanheiro da aldeia da Malcata.
Recordo que este pedido à Autoridade Florestal Nacional (anteriormente denominada Direcção-Geral dos Recursos Florestais) tinha sido feito há cerca de um ano.

A surpresa chegou a semana passada sob a forma de uma carta do Ministério da Agricultura. A mesma referia a classificação da sequóia do Sabugal, ao mesmo tempo que referia que as duas outras árvores aguardam ainda a autorização dos respectivos proprietários. O que esperemos que aconteça em breve, pois em causa está a protecção e salvaguarda de um dos carvalhos com maior volume de copa e um dos castanheiros mais grossos do país.


Esta carta restaurou a minha "confiança" no processo de classificação de árvores. Após esta experiência positiva, aguardam os serviços da Autoridade Florestal Nacional muitos outros pedidos de classificação...


terça-feira, outubro 28, 2008

E espera



Um azevinho aguarda na Secundária Manuel Gomes de Almeida (Espinho), desde a passada manhã de sexta-feira, para ser transplantado...E espera!

Notícia e imagem do Ondas 3.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Eu sou reaccionário! E com muito gosto...


A emissão de hoje do "Portugal em Directo"*, programa da RTP1, passou uma reportagem sobre o caso dos 3 000 sobreiros do Tortosendo (Covilhã), situados em 83 hectares de terrenos das Reservas Agrícola e Ecológica Nacionais. Recorde-se que a autarquia local quer destruir esta mancha de sobreiros, com uma justificação que varia entre a necessidade de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo e a necessidade de instalar um Projecto de Interesse Nacional (PIN) que "ninguém" conhece!

* A reportagem pode ser vista no início do programa (começa ao segundo minuto e tem a duração aproximada de 2 minutos e meio).


Sobre as declarações do Sr. Presidente da Câmara da Covilhã não há novidades! São as mesmas que analisei neste texto: "E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (3ª Parte) - As declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã."

Basicamente, o Sr. Presidente não justifica porque necessita abater 3 000 sobreiros para ampliar a Zona Industrial do Tortosendo, quando existem terrenos previstos, no Plano Director Municipal, para esse mesmo efeito.

O Sr. Presidente também não explica porque foi pedido, ao Núcleo Florestal de Castelo Branco, a autorização para cortar estes sobreiros quando a Câmara não é a proprietária dos terrenos em causa. E esta constatação, por si só, coloca duas questões:
- Será que a Câmara da Covilhã desconhece que não pode solicitar o corte de sobreiros localizados num terreno particular?
- Será que a Câmara da Covilhã desconhece que a suspensão do PDM não concede uma autorização automática para abater sobreiros, ou seja, não anula os efeitos do Decreto-lei n.º 169/2001 (tal como sublinhado pelo ministro do Ambiente)?



Estranho bastante toda esta pressa em cortar os sobreiros quando, na referida reportagem da RTP1, se refere que a Câmara da Covilhã ainda não assegurou os meios financeiros (6 milhões de euros para infra-estruturas) necessários à ampliação da referida zona industrial. Nesse caso, porquê esta urgência em cortar os sobreiros?!

O Sr. Presidente nada explica, como é habitual...E, do que diz, metade é para insultar a "Quercus", a quem acusa de ser uma "instituição reaccionária". E porquê? Porque, pasme-se, a "Quercus" pediu que se cumprisse a lei!

Nesse caso, se querer que se cumpra a lei é ser "reaccionário", é com orgulho que me assumo como tal!


Gostaria ainda de dizer que as lamentáveis declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, não anulam o igualmente lamentável silêncio de quase toda a oposição.

Por outro lado, quero reafirmar que nunca fui, não sou e, com um grande grau de probabilidade, nunca serei sócio da "Quercus".




P.S. - Sobre a reportagem da RTP não resisto a fazer 3 rápidas considerações:

1º) Pelo que depreendi de outros órgãos de comunicação social, as declarações do Presidente da Câmara da Covilhã foram recolhidas no mesmo dia em que esteve presente, na universidade local, o ministro do Ambiente. Este produziu declarações sobre este caso, as quais foram reproduzidas pelo "DiárioXXI" e pela "Rádio Cova da Beira".
Assim sendo, por que motivo a RTP não reproduziu as afirmações do ministro do Ambiente?! Não as recolheu ou não as considerou relevantes?

2º) Em segundo lugar, acho extraordinário que o jornalista da RTP faça uma reportagem de 2 minutos e meio sobre este caso, fale sobre "milhares de sobreiros", mas sem nunca precisar que se trata de uma mancha com 3 000 sobreiros!

3º) Por último, o mesmo jornalista refere que os terrenos em causa se situam, "segundo a Quercus", na Reserva Ecológica Nacional (REN) e na Reserva Agrícola Nacional (RAN). Segundo a "Quercus"?! Não, os terrenos são REN e RAN segunda as leis da República. As mesmas que a Câmara da Covilhã tem obrigação de conhecer e de cumprir!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Incompatibilidades




Definitivamente, a Feira de Santa Iria e as árvores do Largo de S. Francisco, na cidade de Faro, parecem ser incompatíveis.

Este ano, pelo menos de forma aparente, as árvores não sofreram novas podas; até porque depois da "poda de adaptação"* do ano passado, as mesmas adquiriram o porte raquítico pretendido pela intervenção da autarquia local.

* "Poda de adaptação" às dimensões das tendas nas quais as árvores ficam aprisionadas durante os dias de duração do certame.


A imagem que acompanha este texto, mostra a única utilidade que os organizadores e participantes na feira parecem encontrar nas ditas árvores: um "meio" para expor os produtos à venda!

As árvores, ridicularizadas de forma (in)voluntária, resistem na dignidade que lhes resta...

P.S. - Peço desculpa pela pouca qualidade da fotografia que acompanha estes texto, a qual se deve ao facto da mesma ter sido tirada com um telemóvel.

terça-feira, outubro 21, 2008

As árvores fazem amigos



A revista "al Gharb", na sua última edição, inclui um artigo sobre o projecto "Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo".

O projecto editorial "al Gharb", dirigido por Carlos Campaniço, "aspira a evocar, valorizar e mostrar o património cultural, civilizacional, histórico-antropológico, geográfico e natural do Algarve".

Por outro lado, o "Árvores Monumentais..." vai ser um dos protagonistas de um documentário, de autoria de Olivia Blyth, centrado na temática do sobreiro e da cortiça.
Este projecto da Olivia, já baptizado de "À sombra do sobreiro", pretende alertar as pessoas para a importância ecológica, económica e cultural do sobreiro e das actividades económicas a ele associadas.

Eu e o Miguel aproveitamos o presente texto para agradecer ao Carlos e à Olivia e, adicionalmente, para desejar os maiores sucessos para os respectivos projectos.


P.S. - As gravações para o documentário "À sombra do sobreiro" criaram a oportunidade para matar saudades de Sua Majestade, o sobreiro da Corte Grande (na imagem).

sábado, outubro 18, 2008

Não serão as árvores filhas de Deus?


- Câmara de Faro embarga abate de pinheiros em terreno da Diocese do Algarve destinado a uma urbanização.

- Mais amigos das árvores: Indivíduos Notáveis.

- Arranque de árvores provoca polémica em São Marcos (Sintra).

- Quando as árvores se tornam perigosas pelos maus tratos que sofrem.

- Hospital da Covilhã oferece uma árvore por cada nascimento. Boas intenções ou "verdadeiras" boas notícias?! Sendo a Covilhã uma cidade onde a poda de árvores ornamentais foi, em anos recentes, adjudicada a uma empresa do sector da construção, não será de temer que estes bebés nunca venham a usufruir, em adultos, da sombra destas árvores?!

- Mais uma "requalificação" que implica o abate de árvores (em Viseu).

- A eléctrica açoriana (EDA) "justifica" o corte de mais de meia centena de árvores numa propriedade privada, em São Miguel, como forma de garantir a segurança da rede. As árvores não existiriam no local previamente à instalação da rede eléctrica?

- Caloiros do Instituto Politécnico de Beja plantam árvores e limpam mata. Praxe abusiva ou praxe "ambientalmente correcta"?!

-
A Associação Transumância e Natureza (ATN), ONGA com sede em Figueira de Castelo Rodrigo, e o Colectivo Germinal estão a organizar dois campos de trabalho voluntariado para a reflorestação da Reserva da Faia Brava, que irão decorrer dias 24,25 e 26 de Outubro e dias 7,8 e 9 de Novembro.

- Árvores para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

- Ministro brasileiro do Ambiente surpreendido pelo corte de árvores no Palácio do Planalto, em Brasília.
Ainda no Brasil, mas no Paraná, um homem foi condenado a pagar 171,5 mil reais pelo abate de mais de 300 araucárias.
Por último, um fungo ainda não identificado está a dizimar árvores da espécie Senna siamea (Lam.) H.Irwin & Barneby, no Rio de Janeiro.

- Possíveis implicações de alterações climáticas no crescimento de árvores e como, este facto, poderá igualmente produzir efeitos a médio/longo prazo na regulação do clima (via Sargaçal).

- E, para finalizar, uma "árvore que abraça flores" (via Maria Pudim) e uma pergunta/reflexão: "Por que motivo os botânicos não gostam de árvores" (?)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Se não posso ser português de 1ª, deixem-me ser espanhol!

De entre todas as coisas que (ainda) me apetece desabafar acerca da pretendida expansão da Zona Industrial do Tortosendo, a expensas da destruição de 3 000 sobreiros, há algo que não consigo conter mais...Ter descoberto que para além da existência de "portugueses de primeira" e de "segunda", existem, igualmente, "sobreiros de primeira e de segunda"!

Estivessem em causa "meia-dúzia" de sobreiros nos arredores de Lisboa e teríamos as televisões e os jornais nacionais a investigar o caso. Mas 3 000 sobreiros no Interior de Portugal são uma ninharia, uma insignificância.

Pura e simplesmente, não existem porque não são notícia! Ou, dito de outra forma, não são notícia porque não existem...

Bem sei que nos "corredores do poder e da grande comunicação social" ninguém lê o "DiárioXXI" e, muito menos, este blogue e todos os outros que noticiaram este caso (e a cujos autores agradeço profundamente...).

Mas, com diabos, a Quercus emitiu um comunicado a denunciar este caso! Um comunicado a referir a intenção de uma autarquia querer ampliar uma zona industrial a expensas de um terreno com milhares de sobreiros, situado, simultaneamente, na Reserva Agrícola Nacional e na Reserva Ecológica Nacional. E isto apesar de, nas imediações desta zona industrial, existirem outros terrenos, sem as referidas condicionantes ambientais, previstos para a dita ampliação.

Será por serem "apenas" 3 milhares de árvores?! Será por se situarem nessa "terra de ninguém" que é o Interior de Portugal?!

Da próxima vez, vou denunciar o caso ao El País. Se não posso ter os direitos de um "português de primeira", deixem-me ser espanhol!

Adenda: Um homem barricou-se hoje numa sala do tribunal da Covilhã. Evidentemente, foi notícia! As televisões adoram estes episódios da "vida real"... E os 3 000 sobreiros?! Nada, são lixo dispensável!

quinta-feira, outubro 16, 2008

E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (4ª Parte) - As declarações do ministro do Ambiente


Confrontado com as intenções da Câmara Municipal da Covilhã, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, declarou ontem (14 Outubro): "Essa suspensão [do PDM] não permite o abate dos sobreiros, mal de nós se assim fosse! O sobreiro está muito protegido em Portugal, com uma malha de protecção muito, muito apertada. Portanto, o que quer que se entenda fazer aí, independentemente da suspensão do PDM, tem de passar por uma malha de licenciamento ambiental, seja o que for. (...) O derrube de sobreiros em Portugal precisa de uma declaração de utilidade pública; que eu saiba, ainda não foi emitida (não na fase de suspensão do PDM, mas quando se fizerem lá acções concretas). E, portanto, a seu tempo, isso será com certeza acautelado."


As declarações do Sr. ministro, confesso, foram um pouco mais incisivas do que esperava! Mas fiquei mais aliviado? Não, claro que não!

Afinal de contas, o Sr. ministro do Ambiente tem assento no Conselho de Ministros que decidiu a suspensão do PDM da Covilhã.

Saberá o Sr. ministro, que o PDM da Covilhã que ajudou a suspender já previa terrenos de uso industrial para a ampliação da Zona Industrial do Tortosendo, os quais não implicavam o abate destes sobreiros?

Saberá o Sr. ministro, que o PDM da Covilhã que ajudou a suspender, define os terrenos onde se situam estes 3 000 sobreiros, como "espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental"?

Agora que o Sr. ministro sabe que no dito terreno existem 3 000 sobreiros, teria votado novamente a favor da suspensão do PDM da Covilhã?

Saberá o Sr. ministro, que a Câmara da Covilhã, apesar de não ser proprietária dos terrenos, já requereu o respectivo abate?

Conhecerá o Sr. ministro do Ambiente, os antecentes da Câmara da Covilhã no chamado caso da "Quinta do Freixo"?! Situação em que a Câmara permitiu o início da construção de uma urbanização em terrenos incluídos na Reserva Agrícola Nacional ( e isto apesar de todos os avisos da Direcção-Regional de Agricultura da Beira Interior)?



Afirma o Sr. ministro que "o derrube de sobreiros em Portugal precisa de uma declaração de utilidade pública (...) quando se fizerem acções concretas". E que "acções concretas" são essas? E se a Câmara da Covilhã decidir tomar a "acção concreta" de começar a cortar os sobreiros?


P.S. - As fontes das declarações citadas do ministro do Ambiente são a "Rádio Cova da Beira" e o "DiárioXXI".


P.S.S. - Outra conclusão importante de todo este processo é que existem, em Portugal, dois tipos de sobreiros: os do litoral e os do interior. Fossem 20 sobreiros em Lisboa e as televisões já estariam a fazer "manchetes"!

E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (3ª Parte) - As declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã

Sobreiro na Zona Industrial do Tortosendo (Covilhã)

Confrontado com o comunicado da Quercus sobre as intenções da Câmara Municipal da Covilhã face ao abate de 3 000 sobreiros, eis a reacção do próprio Presidente da autarquia, em declarações proferidas ontem (14 de Outubro): "A Quercus age quase sempre com posições reaccionárias, que é o que caracteriza essa associação. Como sabem a Quercus é um negócio e, portanto, tem pouca credibilidade na Câmara da Covilhã. Nós vamos fazer tudo de acordo com a lei, estamos a cumprir a lei e só gente ignorante é que pensa que se pode andar a construir diferentes fases em diferentes sítios em relação às quais nem sequer dão alternativa.
O processo tem de arrancar no próximo ano, porque nós já temos terrenos comprometidos para diversas iniciativas e, para além disso, o próprio Conselho de Ministros decidiu há 15 dias que estávamos perante uma necessidade absoluta de desbloqueamento daqueles terrenos (...) há projectos PIN que muito possivelmente serão decididos para ali se instalarem centenas de postos de trabalho, portanto eu acho que estas organizações [Quercus] são perfeitamente irresponsáveis quando se colocam em posições de sobranceria."


1º) Para o Sr. Carlos Pinto, discordar dele, revela um espírito reaccionário e ignorante...Desculpe, a Covilhã merece mais e melhor!

Merece um Presidente que dê explicações e que não insulte a nossa inteligência! Por isso, basta do discurso das "forças de bloqueio", das "pessoas estão primeiro que as florinhas e os animaizinhos" e, sobretudo, de querer transmitir implicitamente a ideia que destruir 3 000 sobreiros é essencial para o concretizar de projectos de investimento no concelho.

Sabendo que o sobreiro é uma espécie protegida por lei em Portugal, e que as preocupações ambientais são uma parte importante do marketing empresarial nos dias que correm (ainda que com muita hipocrisia associada), qual será a empresa e o empresário que quererá ficar associado a esta "mancha" ambiental?

Que tipo de empresas e de empresários está a Covilhã interessada em atrair para o concelho?

Qual a empresa que vislumbrará vantagens competitivas em se instalar num concelho, associado a um folhetim ambiental e à respectiva má publicidade, e em que o seu Presidente se refere a respeitadas associações nacionais de defesa do ambiente*, como sendo "reaccionárias" e um "negócio"?! Qual será o empresário que quererá aparecer na "fotografia" ao lado de um autarca que não hesita em sacrificar terrenos com tantas limitações agrícolas e ambientais?

* Em 1992, a Quercus recebeu o Prémio Global 500 das Nações Unidas e o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.



2º) O Presidente da Câmara da Covilhã (CMC) não tem que referir o nome das empresas, ou mesmo os respectivos sectores de actividade, que estão interessadas em investir no concelho. Afinal de contas, o segredo (ainda) é a alma do negócio!

O que o Sr. Presidente tem que explicar é bem mais simples: porque é que são necessários 83 hectares de terreno, ligeiramente mais do que a actual área da Zona Industrial do Tortosendo (ZIT), que é de 81 hectares**? Afinal, de quantas empresas e de quantos PIN estamos a falar?

** De acordo com as informações do próprio "site" da CMC.


Que alternativas de localização foram estudadas para estes investimentos? Onde estão e quem executou esses estudos de localização? Por que motivo foram abandonadas essas localizações? Por que motivo não se utilizam, para a expansão da ZIT, os terrenos circundantes à mesma e definidos no actual PDM, como sendo de uso industrial?

No fundo tudo se resume a esta simples e singela dúvida: existindo nas imediações da ZIT terrenos definidos no PDM, para a respectiva ampliação, porquê esta obsessão e fixação com estes 83 hectares que estão integrados nas Reservas Agrícola e Florestal?

Dificilmente se poderiam escolher terrenos com mais condicionantes...Se eu acreditasse em "teorias da conspiração", até acreditaria que se está aqui a criar um "caso" de forma propositada!


P.S. - As fontes das declarações citadas do Presidente da CMC são a "Rádio Cova da Beira "e o "DiárioXXI".