quinta-feira, outubro 16, 2008

E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (4ª Parte) - As declarações do ministro do Ambiente


Confrontado com as intenções da Câmara Municipal da Covilhã, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, declarou ontem (14 Outubro): "Essa suspensão [do PDM] não permite o abate dos sobreiros, mal de nós se assim fosse! O sobreiro está muito protegido em Portugal, com uma malha de protecção muito, muito apertada. Portanto, o que quer que se entenda fazer aí, independentemente da suspensão do PDM, tem de passar por uma malha de licenciamento ambiental, seja o que for. (...) O derrube de sobreiros em Portugal precisa de uma declaração de utilidade pública; que eu saiba, ainda não foi emitida (não na fase de suspensão do PDM, mas quando se fizerem lá acções concretas). E, portanto, a seu tempo, isso será com certeza acautelado."


As declarações do Sr. ministro, confesso, foram um pouco mais incisivas do que esperava! Mas fiquei mais aliviado? Não, claro que não!

Afinal de contas, o Sr. ministro do Ambiente tem assento no Conselho de Ministros que decidiu a suspensão do PDM da Covilhã.

Saberá o Sr. ministro, que o PDM da Covilhã que ajudou a suspender já previa terrenos de uso industrial para a ampliação da Zona Industrial do Tortosendo, os quais não implicavam o abate destes sobreiros?

Saberá o Sr. ministro, que o PDM da Covilhã que ajudou a suspender, define os terrenos onde se situam estes 3 000 sobreiros, como "espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental"?

Agora que o Sr. ministro sabe que no dito terreno existem 3 000 sobreiros, teria votado novamente a favor da suspensão do PDM da Covilhã?

Saberá o Sr. ministro, que a Câmara da Covilhã, apesar de não ser proprietária dos terrenos, já requereu o respectivo abate?

Conhecerá o Sr. ministro do Ambiente, os antecentes da Câmara da Covilhã no chamado caso da "Quinta do Freixo"?! Situação em que a Câmara permitiu o início da construção de uma urbanização em terrenos incluídos na Reserva Agrícola Nacional ( e isto apesar de todos os avisos da Direcção-Regional de Agricultura da Beira Interior)?



Afirma o Sr. ministro que "o derrube de sobreiros em Portugal precisa de uma declaração de utilidade pública (...) quando se fizerem acções concretas". E que "acções concretas" são essas? E se a Câmara da Covilhã decidir tomar a "acção concreta" de começar a cortar os sobreiros?


P.S. - As fontes das declarações citadas do ministro do Ambiente são a "Rádio Cova da Beira" e o "DiárioXXI".


P.S.S. - Outra conclusão importante de todo este processo é que existem, em Portugal, dois tipos de sobreiros: os do litoral e os do interior. Fossem 20 sobreiros em Lisboa e as televisões já estariam a fazer "manchetes"!

E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (3ª Parte) - As declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã

Sobreiro na Zona Industrial do Tortosendo (Covilhã)

Confrontado com o comunicado da Quercus sobre as intenções da Câmara Municipal da Covilhã face ao abate de 3 000 sobreiros, eis a reacção do próprio Presidente da autarquia, em declarações proferidas ontem (14 de Outubro): "A Quercus age quase sempre com posições reaccionárias, que é o que caracteriza essa associação. Como sabem a Quercus é um negócio e, portanto, tem pouca credibilidade na Câmara da Covilhã. Nós vamos fazer tudo de acordo com a lei, estamos a cumprir a lei e só gente ignorante é que pensa que se pode andar a construir diferentes fases em diferentes sítios em relação às quais nem sequer dão alternativa.
O processo tem de arrancar no próximo ano, porque nós já temos terrenos comprometidos para diversas iniciativas e, para além disso, o próprio Conselho de Ministros decidiu há 15 dias que estávamos perante uma necessidade absoluta de desbloqueamento daqueles terrenos (...) há projectos PIN que muito possivelmente serão decididos para ali se instalarem centenas de postos de trabalho, portanto eu acho que estas organizações [Quercus] são perfeitamente irresponsáveis quando se colocam em posições de sobranceria."


1º) Para o Sr. Carlos Pinto, discordar dele, revela um espírito reaccionário e ignorante...Desculpe, a Covilhã merece mais e melhor!

Merece um Presidente que dê explicações e que não insulte a nossa inteligência! Por isso, basta do discurso das "forças de bloqueio", das "pessoas estão primeiro que as florinhas e os animaizinhos" e, sobretudo, de querer transmitir implicitamente a ideia que destruir 3 000 sobreiros é essencial para o concretizar de projectos de investimento no concelho.

Sabendo que o sobreiro é uma espécie protegida por lei em Portugal, e que as preocupações ambientais são uma parte importante do marketing empresarial nos dias que correm (ainda que com muita hipocrisia associada), qual será a empresa e o empresário que quererá ficar associado a esta "mancha" ambiental?

Que tipo de empresas e de empresários está a Covilhã interessada em atrair para o concelho?

Qual a empresa que vislumbrará vantagens competitivas em se instalar num concelho, associado a um folhetim ambiental e à respectiva má publicidade, e em que o seu Presidente se refere a respeitadas associações nacionais de defesa do ambiente*, como sendo "reaccionárias" e um "negócio"?! Qual será o empresário que quererá aparecer na "fotografia" ao lado de um autarca que não hesita em sacrificar terrenos com tantas limitações agrícolas e ambientais?

* Em 1992, a Quercus recebeu o Prémio Global 500 das Nações Unidas e o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.



2º) O Presidente da Câmara da Covilhã (CMC) não tem que referir o nome das empresas, ou mesmo os respectivos sectores de actividade, que estão interessadas em investir no concelho. Afinal de contas, o segredo (ainda) é a alma do negócio!

O que o Sr. Presidente tem que explicar é bem mais simples: porque é que são necessários 83 hectares de terreno, ligeiramente mais do que a actual área da Zona Industrial do Tortosendo (ZIT), que é de 81 hectares**? Afinal, de quantas empresas e de quantos PIN estamos a falar?

** De acordo com as informações do próprio "site" da CMC.


Que alternativas de localização foram estudadas para estes investimentos? Onde estão e quem executou esses estudos de localização? Por que motivo foram abandonadas essas localizações? Por que motivo não se utilizam, para a expansão da ZIT, os terrenos circundantes à mesma e definidos no actual PDM, como sendo de uso industrial?

No fundo tudo se resume a esta simples e singela dúvida: existindo nas imediações da ZIT terrenos definidos no PDM, para a respectiva ampliação, porquê esta obsessão e fixação com estes 83 hectares que estão integrados nas Reservas Agrícola e Florestal?

Dificilmente se poderiam escolher terrenos com mais condicionantes...Se eu acreditasse em "teorias da conspiração", até acreditaria que se está aqui a criar um "caso" de forma propositada!


P.S. - As fontes das declarações citadas do Presidente da CMC são a "Rádio Cova da Beira "e o "DiárioXXI".

quarta-feira, outubro 15, 2008

E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (2ª Parte)


Segue o texto da pergunta da deputada do Bloco de Esquerda, Alda Macedo, dirigida ao Presidente da Assembleia da República e tendo como destinatário, o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.


Assunto: Suspensão do PDM da Covilhã para viabilizar PIN em zona de sobreiros

"A Câmara Municipal da Covilhã (CMC) pretende expandir a zona industrial do Tortosendo numa de área de 83,9 hectares, maioritariamente integrados na Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN). Em parte dessa área existe também um povoamento de sobreiros com mais de 3.000 árvores, algumas das quais centenárias.

Na actual carta de ordenamento do Plano Director Municipal (PDM) a área em causa está classificada “como espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental”.

O pedido de suspensão parcial do PDM foi ratificado pelo Governo (RCM n.º 149/2008, de 13 de Outubro, referindo que: “A opção quanto à área a suspender justifica-se pela necessidade de viabilização de investimentos estratégicos de elevada relevância para o concelho, cuja dimensão e importância se encontra atestada pela classificação de projecto de interesse nacional (PIN).”.

Acontece que os sobreiros são espécies protegidas por lei (Decreto-Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio), bem como as áreas de REN e RAN, apenas sendo permitida a conversão para outros usos pela imprescindível utilidade pública dos empreendimentos e quando não exista alternativa de localização.

Ora, no caso da Zona Industrial de Tortosendo, no actual PDM já está contemplada uma área de expansão que ainda não foi utilizada para esse fim e a qual não colide com povoamentos de sobreiros. Além disso, a imprescindível utilidade pública deve ser utilizada para empreendimentos de utilização colectiva e não para projectos industriais, muito menos utilizando como argumento a classificação PIN.

Ou seja, o Bloco de Esquerda considera que devem ser encontradas alternativas de localização do empreendimento, uma vez que se está presente uma área classificada, e que não se pode utilizar o argumento de ser um projecto de PIN para ser classificado como de imprescindível utilidade pública.

Consideramos também precipitado que seja ratificada a suspensão do PDM quando o projecto que a justifica ainda não tem Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) realizada, sendo este o instrumento que irá avaliar dos impactes e da melhor localização do empreendimento.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais, requer-se ao Secretário de Estado da Educação os seguintes esclarecimentos:

1º) Vai o Ministério dar aval à classificação do empreendimento industrial em causa como de imprescindível utilidade pública, de forma a ser permitida a conversão da área de sobreiros?

2º) Vai o Ministério dar autorização para o abate/corte de sobreiros na área em causa, nalguns casos árvores centenárias, para a implementação de um empreendimento industrial?"



Palácio de São Bento, Lisboa, 14 de Outubro de 2008


A cretinice


No "bairro dos ricos" as árvores não podem crescer, não podem estragar os passeios ou as suas folhas entupir as sarjetas!

No "bairro dos ricos" as árvores não podem ocupar o lugar de um audi! No "bairro dos ricos" não há lugar para uma árvore, mas não falta espaço para a cretinice...

No "bairro dos ricos" dezenas de árvores, com mais de 20 anos, foram cortadas pela base! O "bairro dos ricos" é a Quinta do Covelo, na Covilhã. As fotos, tiradas há poucos dias, são uma cortesia da Máfia da Cova.










Recordo as palavras da Sophia que li, no outro dia, no Blog de Cheiros:

"O homem que é insensível ou indiferente à poesia, à música ou à pintura é um homem ensurdecido no seu ser e diminuído na sua existência. Um homem mutilado, anormal e temível. É o destruidor da alegria".

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, outubro 13, 2008

E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?!

Domingos Patacho, dirigente da "Quercus", em visita a uma mancha de mais de 3 000 sobreiros, na freguesia do Tortosendo (Covilhã) - Fotografia do jornal " DiárioXXI"


No início do passado mês de Agosto, interrogava-me sobre o comportamento da Câmara Municipal da Covilhã (CMC) face a duas manchas de sobreiros, situadas na freguesia do Tortosendo.

Em desespero de causa, habituado ao secretismo da CMC, escrevi um e-mail à Autoridade Florestal Nacional, à "Quercus" e ao jornal "Público" para que, no âmbito das respectivas funções, investigassem se a autarquia da Covilhã estaria a cumprir todos os requisitos legais nesta questão. Silêncio! Silêncio, foi a resposta que obtive...

Na altura, confesso, descri dos órgãos de comunicação social locais e regionais. A notícia de hoje do "DiárioXXI"*, uma investigação do jornalista Francisco Cardona, provou que estava errado e que devia ter pedido essa "ajuda" aos jornalistas da terra!

* Nota: a hiperligação não é permanente para a edição de hoje do jornal, pelo que deverão seleccionar a edição de "13-10-2008" e, posteriormente, descarregar a edição do jornal em formato pdf.



Mas vamos passar às explicações, ou seja, ao que está em causa na freguesia do Tortosendo. A CMC pretende:

a) Destruir um pequeno bosque com dezenas de sobreiros, na zona do Cabeço do Tortosendo, para a construção de arruamentos e pavilhões para uma feira que decorre num único dia do ano: o dia 29 de Setembro (dia de S. Miguel).

b) Destruir um segundo povoamento com mais de 3 000 sobreiros, situado num terreno com 83 hectares, com o intuito de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo (ZIT) a propósito de um "pretenso" projecto de interesse nacional.
Apenas assim se "compreenderá" a posição assumida pelo Governo que, em reunião do Conselho de Ministros de 25 de Setembro último, ratificou a suspensão do Plano Director Municipal para a zona, de modo a viabilizar "investimentos estratégicos".

Acresce que este terreno onde se situam estes 3 milhares de sobreiros, está integrado na Reserva Ecológica Nacional, na Reserva Agrícola Nacional e na actual carta de ordenamento do Plano Director Municipal (PDM) da Covilhã está classificado "como espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental".


A notícia de hoje do "DiárioXXI" centra-se apenas na questão da ampliação da ZIT. Uma questão que levou, hoje mesmo, a "Quercus" a emitir um comunicado: Quercus exige Avaliação de Impacto Ambiental.


Em relação a este assunto, reafirmo parte do que escrevi em Agosto passado, quando ainda desconhecia a real dimensão da mancha de sobreiros que estava em causa relativamente à expansão da ZIT:

1º) À Câmara Municipal da Covilhã (CMC) não se pede que concorde com a lei. Pede-se que a conheça, que a respeite e que a faça respeitar.

2º) O sobreiro é uma espécie protegida pela sua crucial importância ecológica em diversos habitats prioritários, que o Estado português se comprometeu a cumprir perante diversas instâncias internacionais, e pela importância económica estratégica da indústria da cortiça.
Tal não significa que o sobreiro seja uma "espécie sagrada", ou seja, podem existir factores de imprescindível utilidade pública que ditem o abate de uma mata desta espécie.

Tal depende de uma ponderação de factores, nomeadamente do empreendimento projectado e dos valores naturais em causa, o que numa zona com mais de 80 hectares e 3 000 sobreiros pressupõe um estudo de impacto ambiental rigoroso.

Factores de imprescindível utilidade pública podem ser a construção de hospitais ou escolas ou, eventualmente e após uma séria ponderação, um investimento industrial que possa gerar centenas de postos de trabalho, directos ou indirectos, e para o qual não existam localizações alternativas.


3º) Da parte da Câmara exige-se simplesmente essa resposta: qual o investimento em causa e que outras localizações alternativas foram ponderadas?

Por exemplo, e não estou a dizer que concordo com essa decisão, para a construção da fábrica do "Ikea" em Paços de Ferreira, o Governo suspendeu o PDM daquele concelho, de modo a possibilitar a instalação daquela empresa em terrenos das Reservas Agrícola e Ecológica.

Repito: não estou a dizer que concordei com essa suspensão, até porque penso que nunca foi suficientemente esclarecida se houve a ponderação de outras localizações, dentro do mesmo concelho. No entanto, pelo menos nesse caso era conhecido qual o investimento em causa.

No caso da ZIT, nem isso! É tudo mistério!...

4º) O Presidente da CMC não nos pode tratar com o habitual discurso indigente de que antes das "florinhas e dos animaizinhos" estão as pessoas; ou o gasto discurso das "forças de bloqueio" ao desenvolvimento do concelho.

Estamos a falar de 3 000 sobreiros! Deveremos passar um "cheque em branco" à CMC, do género: cortem lá os sobreiros e depois logo se vê se aparece algum investimento significativo?! (E se os mesmos não se concretizarem, fazem-se uns loteamentos para condomínios de luxo, como alternativa?! Com o futuro IC para Coimbra, a passar ao lado, todos sabemos o valiosos que são aqueles terrenos...)

5º) Eu até acredito que exista um investimento previsto. E que o mesmo seja avultado e gere muitos postos de trabalho.
De outra forma, não imagino o Governo da República a autorizar a suspensão do PDM. Mas não existirão outros terrenos, no concelho da Covilhã, que possam receber este investimento? Não existirão, nas imediações da ZIT, outros terrenos com vocação industrial?

Porquê esta obsessão com estes 83 hectares?


6º) Como é evidente, este assunto é complexo e pretendo voltar a ele as vezes que forem necessárias....E com mais tempo!

Mas, de entre todas as questões que o "DiárioXXI" apurou, há uma que me deixa particularmente curioso: com que intuito pediu a CMC, à Autoridade Florestal Nacional, autorização para cortar sobreiros que não são sua propriedade? Se os terrenos não são da Câmara, por compra ou expropriação, que direitos tem esta sobre os mesmos?!


São muitas perguntas e nenhuma resposta! Aguardemos...

domingo, outubro 12, 2008

Uma "pata de vaca" exótica


De há uns tempos a esta parte que uma árvore, plantada como ornamental no Algarve, me vinha intrigando...Intrigava-me o seu ar exótico e, em simultâneo, as suas "parecenças" com a olaia.



Após alguma investigação, penso que posso afirmar, com alguma segurança, que a espécie em causa é a Bauhinia variegata L., espécie originária do leste da Ásia, desde a Índia até à China.

Esta espécie é conhecida pelo nome de "pata de vaca" no Brasil, onde é comum como árvore ornamental. Em espanhol é conhecida pelo mesmo nome, sendo que em língua inglesa é conhecida como "orchid tree" ou "camel's foot tree".



Para a respectiva identificação, face a outras espécies do mesmo género, contribuíram alguns pormenores do respectivo fruto (uma vagem* de 20 a 30 cm, plana e recurvada) e das respectivas flores, as quais possuem 5 estames**.

* Visível na primeira fotografia.
** Visíveis na terceira imagem.




As flores podem ser brancas ou de cor rosa (como é visível na última imagem), ocorrendo a floração de Abril a Maio.

No entanto, no mesmo ano, pode ocorrer uma segunda floração mais tardia, embora com menor intensidade. Tal parece ter sido o caso destes exemplares situados em Paderne (Albufeira).

As flores apresentam ainda a particularidade de serem comestíveis.



P.S. - Agradecia que algum leitor, nomeadamente do Brasil, me pudesse confirmar a identificação desta espécie. Antecipadamente agradecido por qualquer ajuda nesta questão.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Agradecimento

Através de alguns amigos, tomei conhecimento de uma referência à "Sombra Verde" no "Biosfera", programa da RTP sobre temáticas ambientais.

Deste modo, agradeço publicamente aos autores do programa pela referência a este blogue no espaço "bio_net".


P.S. - No referido programa em que foi feita a referência à "Sombra Verde", foi também dedicado um espaço à divulgação do arboreto da Escola Secundária de Barcelos, constituído exclusivamente por espécies de árvores e arbustos autóctones de Portugal continental. Um exemplo para ser seguido e não apenas por escolas!

quinta-feira, outubro 09, 2008

A timidez feita árvore

Oxicedro ou zimbro-galego (Juniperus oxycedrus L.) - EM 608 nas proximidades de Vila Flor


O oxicedro (Juniperus oxycedrus L.) é uma espécie que, por norma, não ultrapassa os 6 a 8 metros de altura, embora muitas vezes assuma um porte arbustivo em consequência de ser podada para obter esteios para as vinhas e também por fazer parte da alimentação de alguns animais.

Esta espécie característica da bacia do Mediterrâneo está confinada no nosso país a alguns troços mais interiores dos vales do Douro, Tejo e dos respectivos afluentes.

O oxicedro é uma espécie dióica, ou seja, os órgãos reprodutores masculinos e femininos estão em exemplares distintos.
Possui raminhos pendentes e 3 folhas aciculares* por cada nó. As folhas apresentam, na página superior, duas faixas esbranquiçadas separadas pela nervura verde; esta característica facilita bastante a identificação da espécie, sendo parcialmente visível na segunda imagem.

* Semelhantes a agulhas.


Segundo a bibliografia consultada**, a madeira desta espécie é quase incorruptível, sendo por este motivo bastante apreciada na indústria do mobiliário. A partir da destilação da madeira obtém-se o "óleo de cade", com aplicações medicinais, em particular em veterinária.
Por outro lado, dos seus "frutos"*** e da resina que produz, obtêm-se substâncias com propriedades anti-sépticas.

** "Árboles en España, Manual de Identificación" de A. López Lillo e J.M. Lorenzo Cáceres.; "Guia de Campo. As árvores e os arbustos de Portugal continental", Colecção "Árvores e Florestas de Portugal", coordenada por Joaquim Sande Silva.

*** As gimnospérmicas não possuem verdadeiros frutos; neste caso concreto, a designação correcta da estrutura que encerra as sementes é gálbula baciforme.


Oxicedro ou zimbro-galego (Juniperus oxycedrus L.)


O oxicedro é uma das pérolas da nossa flora lenhosa que, como muitas outras, apresenta um enorme potencial ornamental (ainda) por explorar.

Escondida nas confins do Douro e do Tejo, quase que pedindo desculpas por querer ser árvore, aguarda timidamente e sem pressas a sua vez...O oxicedro ou zimbro-galego é uma das mais bonitas e desconhecidas árvores de Portugal!


P.S.- Podem ver aqui imagens de outro zimbro autóctone de Portugal continental.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Estarão os técnicos equivocados?!

Évora- Jacarandás (Jacaranda mimosifolia D. Don) no centro histórico

Árvores que persistem...



O sobreiro da Garcia Domingues sobreviveu ao seu segundo Verão!

Ainda que enfezado, de perfil desalinhado, longe de nos conquistar por ser planta viçosa, conquista-nos pelo empenho em sobreviver ao calor do Verão e às boladas dos miúdos. É da "raça" dos que não desistem e talvez isso lhe garanta um futuro...



P.S. - Aproveito este texto para relembrar que o leitor Rúben Vilas Boas, da região de Coimbra, possui para "adopção" várias dezenas de árvores (sobreiros, castanheiros e cerquinhos).
Quem estiver interessado em aceitar algumas destas pequenas árvores, poderá enviar-me um e-mail para asombraverde(at)gmail.com, e eu farei por fazer chegar essa informação ao Rúben.


quarta-feira, outubro 01, 2008

Estados de alma



Recordo ter lido algures sobre um blogue, ou um "site", onde se publicam desenhos feitos durante reuniões de trabalho. Mais do que exercícios para matar o tempo, estes desenhos reflectem estados de alma.


Alguns desses desenhos são obras de arte, mas este?!... Este é apenas o desenho de uma árvore triste. Uma árvore de Botelho.



É triste compreender que a qualidade do meu trabalho será medida pelos quilogramas de papel que produzir.

Ultimamente, não tem sido fácil ser professor. Curiosamente, ou talvez não, no meu país continua a não ser fácil ser-se árvore...

Afagar as árvores




segunda-feira, setembro 29, 2008

Projecto DAISIE

Mimosa (Acacia dealbata Link.) - Fotografia de Hélia Marchante


Um interessante projecto de inventariação das espécies invasoras no continente europeu: DAISIE (Delivering Alien Invasive Species Inventories for Europe).

P.S. -
Ligação para a página com as espécies invasoras em Portugal (aqui).

sexta-feira, setembro 26, 2008

Cronologia de um "disparate pegado"


A 21 de Março de 2007, a Câmara Municipal de Albufeira decidiu "festejar" o Dia da Árvore, cortando dezenas de pimenteiras na Avenida dos Descobrimentos.


Um vanguardismo está bem de se ver!


Anunciava-se mais uma daquelas "requalificações" que implicam (quase) sempre o abate de árvores! Nada a que não estejamos já habituados...

Avenida dos Descobrimentos - Albufeira (21 de Março de 2007) - Fotografia de Miguel Rodrigues

Seguiu-se, em Novembro de 2007, e após as ditas "requalificações", a plantação de novas árvores. Mas não umas árvores quaisquer!

A Câmara de Albufeira decide arriscar novamente. Em vez de plantar árvores e de as podar radicalmente passados alguns anos, como acontece na generalidade dos municípios portugueses, decidiu inovar...Para quê esperar alguns anos? Por que não plantar árvores que já tivessem sofrido este "corte à máquina zero"?! E se assim o planeou, melhor o executou...

Avenida dos Descobrimentos - Albufeira (Novembro de 2007)

E eis-nos assim, chegados ao final do Verão de 2008, ansiosos por saber o que aconteceu a estas árvores, vítimas do "experimentalismo arbóreo" da Câmara Municipal de Albufeira?

Avenida dos Descobrimentos (Setembro de 2008)


Muitas destas árvores nunca chegaram a desenvolver folhas e aparentam ter morrido. Curioso!
Só na fotografia anterior contamos 4 jacarandás de aspecto moribundo, sem quaisquer folhas.

Será que sofrem do mesmo "mal" das árvores de Avelãs de Caminho? Claro que sim, mas não se trata de nenhuma doença ou praga. Trata-se de pura estupidez humana!



P.S. - Em Albufeira, a "moda" de plantar jacarandás podados de forma radical, alastrou às obras de requalificação da estrada que liga a zona de Montechoro à EN 125.

Como se pode observar pela imagem sob este texto, as árvores transbordam "vivacidade"! Numa contagem rápida, observei mais de 10 exemplares que não chegaram a produzir quaisquer folhas.

Estrada Montechoro-EN125 (Albufeira) - Setembro de 2008

A incompetência na gestão dos espaços verdes é uma triste realidade que associamos a qualquer concelho português.

Mas no concelho de Albufeira, um dos mais ricos do país, esta situação não é apenas incompreensível. É inaceitável!

quarta-feira, setembro 24, 2008

Arboricídios e surrealismos

Imagem retirada do blogue "Pedaços de Alcongosta"


Este Verão, pude observar um elevado número de árvores mortas em várias localidades, de Norte a Sul do país. Árvores que tinham sido podadas de forma violenta recentemente.

Cada um tira as conclusões que quiser! Confesso que tentei evitar falar do assunto, uma vez que uma pessoa também se cansa de denunciar a óbvia estupidez e irracionalidade destes arboricídios anuais.

Mas, nos últimos dias, duas situações fizeram-me relembrar estes casos e criaram em mim a vontade de voltar ao assunto das podas.

Uma das situações, retratada na imagem que acompanha este texto, aconteceu em Alcongosta (concelho do Fundão). Duas árvores jovens podadas de forma tão desajustada que não sobreviveram ao acto.
Se tiverem a curiosidade em ler o texto que denuncia este caso, poderão observar como um dos comentários retoma a temática de abater todas as tílias por causa da pintura dos automóveis! O que, obviamente, me remeteu para um dos primeiros textos que escrevi neste blogue, sobre a temática das podas em árvores ornamentais: Eu sou pelas tílias.


O segundo caso roça quase o "surreal"! O Presidente da Junta de Freguesia de Avelãs de Caminho (concelho de Anadia) está muito preocupado com a "causa de um fenómeno" que terá levado à morte de 12 árvores na referida localidade.
A preocupação levou-o ao extremo de chamar técnicos do Núcleo Florestal do Centro Litoral, para averiguar o caso. E o que constataram estes técnicos no local? Constataram, pasme-se, que as referidas árvores "foram submetidas a podas intensas recentemente e não possuem qualquer folha verde nem gomos de rebentação deste ano."

Entretanto, este caso chega ao ponto do Presidente da Junta querer apresentar uma queixa contra desconhecidos no Ministério Público! E que tal apresentar essa queixa contra os executantes das referidas podas e, ainda mais importante, contra os mandantes das mesmas?! Ou será que o mandante não terá sido a própria Junta?!

Aguardemos...

sábado, setembro 20, 2008

domingo, setembro 14, 2008

Subitamente, a perfeição feita árvore

Tulipeiro (Liriodendron tulipifera L.) - Jardins da Casa das Artes (Porto) - Fotografia de Miguel Rodrigues


Há qualquer coisa de mágico numa árvore que tem a humildade de tocar, com os seus ramos, o mesmo chão que nós pisamos...


Tulipeiro (Liriodendron tulipifera L.) - Jardins da Casa das Artes (Porto) - Fotografia de Miguel Rodrigues


P.S. - Outras imagens deste tulipeiro no Dias com Árvores.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Um farol na avenida

Avenida da Boavista (Porto)

Curioso como pessoas diferentes reparam nas mesmas coisas.

A Manuela chamou-lhe uma ilha, eu chamo-lhe um farol. Um farol indiferente ao bulício da avenida, indiferente ao tempo que passa....

quinta-feira, setembro 11, 2008

A azinheira da Nave do Barão

Azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) - Nave do Barão, Salir (Loulé)

Mais um exemplar notável para ser descoberto no "Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo".

P.S. - Gosto bastante desta azinheira de 18 metros de altura e copa bastante cerrada. Fica "afastada do mundo", o que espero venha a ser suficiente para que o futuro faça dela um exemplar ainda mais majestoso...