sábado, dezembro 27, 2008

Mais um livro, na nossa língua, sobre plantas lenhosas


Foi lançado, no passado dia 16 de Dezembro, a obra "Árvores e Arbustos em Portugal" de autoria do arquitecto paisagista José Marques Moreira.

É mais uma obra editada em Portugal este ano, após o "Guia de Campo - As Árvores e os Arbustos de Portugal Continental" (da colecção "Árvores e Florestas de Portugal" do jornal "Público"), sobre a temática da árvore no nosso país.

A obra do arquitecto José Marques Moreira é editada pela Argumentum, com o ISBN 978-972-8479-59-6, e com um PVP (aproximado) de 50 euros.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Acabar com uma tradição injusta

Abeto (Abies sp.) centenário, com mais de 30 m de altura, procedente das florestas austríacas - Praça de S. Pedro (Cidade do Vaticano) - fotografia retirada do blogue "La Crónica Verde".


Poderá uma época que celebra um nascimento, com tanto significado espiritual para milhões de pessoas em todo o mundo, justificar a morte de um gigante das florestas?

Terá esta tradição, de todos os anos colocar um gigante das florestas na Praça de S. Pedro, algum significado religioso e espiritual relevante para os católicos de todo o mundo? Será assim um costume tão antigo e arreigado nas convicções espirituais de todos os católicos, que dele não se possa prescindir sem causar alguma espécie de comoção?


Sim, bem sei que é fácil criticar, por tudo e por nada, o Vaticano. Sim, bem sei que é "apenas" uma árvore.

Bom, permitam-me discordar, mas não é apenas uma árvore!... Trata-se de uma tradição, no Vaticano como noutras partes do mundo, que todos os anos promove a destruição dos melhores exemplares das florestas. Aqueles que deveriam ser, pelo contrário, preservados e protegidos para que, entre outros motivos, o seu fabuloso património genético pudesse ser perpetuado e transmitido ao maior número de possíveis descendentes.

Acresce que, neste particular, o Vaticano tem uma obrigação e responsabilidade moral e ética superior à de outras entidades.

Não posso compreender que a celebração de um nascimento, ainda que seja o de Jesus Cristo, possa justificar a morte de uma árvore.
Será isto um fundamentalismo? Claro que sim, trata-se do fundamentalismo do amor, do amor por todas as criaturas de Deus, incluindo as árvores.

Quem salva uma árvore é como se salvasse uma floresta inteira...


quarta-feira, dezembro 24, 2008

Cada um de nós deveria ter a(s) sua(s) árvore(s) de Natal

Alameda de ulmeiros (Ulmus minor Miller)* - Guarda

* Espécie referida em certa literatura como Ulmus procera Salisb.


Começo por pedir desculpa mas, por diversos motivos, não me tem sido possível manter uma actualização mais regular do blogue.
Conto, a seguir a esta época festiva, actualizar a "sombra verde" mais regularmente. No entanto, confesso que me será difícil manter, de futuro, uma actualização diária do mesmo, esperando conseguir estabilizar nos 3 a 4 textos por semana.

Este facto, não se deve a nenhum cansaço da "blogosfera" mas apenas a uma gestão pessoal do meu tempo, uma vez que uma actualização diária impõe uma dependência face ao blogue, o que neste momento se revela incompatível com a minha vida pessoal e profissional.

Por outro lado, o novo ano verá nascer novos e aliciantes projectos relacionados com as árvores, nos quais estou envolvido. Peço a vossa compreensão para que aguardem mais umas semanas até poder revelar mais pormenores sobre estes projectos.
Este é também o motivo pelo qual ainda não publiquei as imagens de algumas árvores fabulosas que, juntamente com o Miguel Rodrigues, fotografei no Verão passado.


Termino com os votos de Boas-festas para todos os que seguem as minhas aventuras na "sombra verde".

Apesar de sabermos que se avizinha uma época difícil para as árvores ornamentais, com as tradicionais "podas camarárias" que, todos os anos, mutilam centenas de exemplares por todo o país, tenhamos a esperança num futuro mais respeitador do papel das árvores nas cidades. Entre outros, este é também um dos meus desejos de Natal...


P.S. - A escolha da fotografia que acompanha este texto não foi feita ao acaso. Representa os ulmeiros que associo aos natais da minha infância. Espero, sinceramente, que todos possam ter este tipo de recordações de uma ou mais árvores da sua infância...Feliz Natal!


domingo, dezembro 21, 2008

Começar o ano a plantar árvores

Covilhã, Serra da Estrela (Outono 2008)


Sementeira e plantação de árvores autóctones na Mata do Desterro (Parque Natural da Serra da Estrela) - Uma iniciativa do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), em Seia.

Notícia via O Cântaro Zangado.


P.S. - As últimas semanas têm registado um menor ritmo de publicação de textos, por motivos de ordem profissional. Conto retomar, após o Natal, um ritmo mais assíduo de actualização do blogue. Obrigado.

domingo, dezembro 14, 2008

Remorsos...

Ulmeiro (Ulmus sp.) e Igreja de San Vicente (Ávila, Espanha) - Agosto de 2005


Podia ter falado dele um milhão de vezes, mas não o fiz...Lamento-o agora que o sei morto às mãos da grafiose.

Morreu o ulmeiro de San Vicente, em Ávila.

Ulmeiro (Ulmus sp.) e Igreja de San Vicente (Ávila, Espanha) - Agosto de 2005

Nota: Este ulmeiro (Ulmus sp.) fazia parte do "Catálogo de Especímenes Vegetales de Singular Relevancia" da região de Castela e Leão (Espanha).


sexta-feira, dezembro 05, 2008

Inverno

Plantação de árvores em Monchique

Os "Amigos do Botânico" solicitam a divulgação da seguinte iniciativa:

Plantação de árvores (sessão extraordinária)

A plantação de árvores (pinheiros mansos e alfarrobeiras) tem avançado no Covão d'Águia, Monchique, graças à participação de voluntários. No entanto, a Fundação Kangyur Rinpoche necessita de realizar uma sessão extraordinária que decorrerá nos dias 6, 7 e 8 de Dezembro. Apelamos mais uma vez à participação. Os interessados devem contactar Dulce Alcobia através do Telemóvel 968059244 (até 6ª feira) ou do e-mail: dulcealcobia@gmail.com (até 5ª feira).

Programa:

- Abertura de covas 40 x 40;

- Plantação das árvores;

- Controlo de acácias;

- Limpeza de um tanque de rega.

Deslocações: De modo a que as deslocações de carro sejam do ponto de vista económico e ecológico o mais bem sucedidas, pede-se a quem tenha lugares no carro ou precise de boleia o diga de modo a gerirmos da melhor forma, a logística dos transportes.

Alojamento: Existe a possibilidade de ficar no "Abrigo da Montanha"(na estrada da Fóia); o custo do quarto para duas pessoas é de 15 euros/pessoa (sem pequeno almoço) e com pequeno almoço são mais 5 euros. Existe ainda a possibilidade de ficar na "Bica Boa" e em Karuna.

Recomendações: É aconselhável levar roupas velhas, galochas e umas boas luvas de jardinagem para proteger as mãos; podem trazer tesouras de poda ou outros equipamentos que julguem adequados para este conjunto de actividades.


Fundação Kangyur Rinpoche

Av. Infante Santo, nº 366 R/c Esq.

1350-182 Lisboa

Tel: 213 904 022

terça-feira, dezembro 02, 2008

Os sobreiros do Tortosendo - Artigo de opinião no "Diário XXI"

A edição de ontem do "DiárioXXI", dia 1 de Dezembro, publica um artigo de opinião de minha autoria, sobre a situação das duas obras, em terrenos com sobreiros, na freguesia do Tortosendo (Covilhã).

Este artigo resume o meu pensamento sobre as duas situações, quer a da Zona Industrial do Tortosendo, quer a do Bairro do Cabeço.

O referido texto reúne com conjunto de questões, que considero pertinentes, sobre os contornos de ambas as situações.
Reforço que apenas me limito a colocar algumas dúvidas e que me abstenho de fazer acusações à Câmara Municipal da Covilhã (CMC). A menos que se entenda que fazer perguntas é o mesmo que fazer acusações!

A única afirmação "mais polémica" é quando me refiro à continuação das obras, no caso do Bairro do Cabeço, após o auto da GNR. No entanto, foi o próprio presidente da autarquia quem, em declarações ao "DiárioXXI" de 24 de Novembro, referiu: "(...)Eu quero lá saber da Autoridade Florestal Nacional, eu quero saber daquilo que vejo e daquilo que vêem as pessoas que lá estão com bom senso, afirmou. Agora um indivíduo qualquer que está não sei onde vem dizer-me que uma ramagem de geração espontânea, porque o vento projectou as sementes, pode contar [como sobreiro]. Conte lá o que quiser, disse, garantindo que as obras irão continuar e que os sobreiros adultos serão mantidos".


Segue o referido artigo de opinião de minha autoria:

" A necessidade deste artigo surge no seguimento de dois comunicados emitidos pela "Quercus - Associação Nacional da Conservação da Natureza", a propósito das intenções da Câmara Municipal da Covilhã (CMC) face a dois terrenos com sobreiros, espécie protegida pelo Decreto-lei n.º 169/2001, localizados na freguesia do Tortosendo.

A “Quercus”, apelidada pelo Presidente da CMC como um “negócio” e como tendo posições “reaccionárias”, não é formada por um bando de malfeitores. Estamos a falar de uma das mais antigas associações ambientalistas portugueses que, em 1992, recebeu o Prémio Global 500 das Nações Unidas e o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Desconheço, e caso esteja equivocado agradecia a correcção, qualquer condenação desta associação em tribunal, por qualquer caso de gestão danosa ou de opinião produzida por algum dos seus dirigentes.
Gostaria de declarar que nunca fui, não sou e nunca serei colaborador, sócio ou dirigente da "Quercus". Igualmente, não possuo familiares, amigos ou simples conhecidos como membros desta associação de defesa do ambiente. De igual modo, é nula a minha ligação a qualquer partido político ou de qualquer familiar residente neste concelho.

Mas sou natural da Covilhã e eleitor neste concelho. E como a CMC insiste em não responder à dita associação, faço minhas as respectivas perguntas, com a esperança de receber uma resposta clara e inequivocamente esclarecedora por parte dos responsáveis camarários.

Assim sendo, a uma câmara municipal, estrutura pertencente à orgânica do Estado e dirigida pelos que foram eleitos democraticamente pelos cidadãos portugueses, não se pede muito. Pede-se, no mínimo, o essencial: que cumpra e faça cumprir as leis da República. Não se pede que goste ou concorde com as mesmas.

Um executivo camarário tem, como uma das suas obrigações, responder a todas as questões suscitadas pelos cidadãos do seu concelho, quer seja através dos membros da assembleia municipal, por interpelação directa dos cidadãos ou, indirectamente, através dos órgãos de comunicação social.

Eu sei que às vezes é "aborrecido" ter que dar explicações e que é mais fácil apelidar de "reaccionária" a atitude de quem se limita, no uso dos seus legítimos direitos constitucionais, a questionar o poder autárquico.
A uma Câmara pede-se um mínimo de humildade democrática e que nunca esqueça que os que a dirigem são simples funcionários do Estado que, de forma transitória e de acordo com a vontade das urnas, têm como principal função representar o povo.

Deste modo e relativamente às obras num terreno na zona do Bairro do Cabeço, gostaria que a Câmara Municipal me esclarecesse nos seguintes pontos:

- A CMC sabe que decorre ainda um recurso que visa anular a decisão do secretário de Estado da Administração Local, a qual permitiu à Câmara expropriar o terreno. Desta forma, pelo menos no plano das hipóteses, o terreno pode reverter à posse dos antigos proprietários. Desta forma, considera a CMC legítimo que se esteja a proceder a obras que estão a alterar irremediavelmente a estrutura do dito terreno?
Dito de outra forma: caso os anteriores proprietários vençam o referido recurso e outros que possam existir e recuperem a posse do referido terreno, poderá a CMC garantir em absoluto que não terá que pagar nenhuma indemnização aos mesmos, com recurso ao dinheiro dos contribuintes, por alteração definitiva das características desse terreno?

- Com que base jurídica justifica a CMC a continuação das obras no local, após ter sido levantado um Auto de Notícia por contra-ordenação, emitido pela GNR, por abate de diversos sobreiros jovens, sabendo a CMC que a continuação das referidas obras pode implicar o abate de outros exemplares jovens e a danificação irreversível do sistema radicular dos exemplares adultos?

- Neste ponto, coloco duas questões para outras tantas instituições: sabendo da continuação das obras no local, qual será a atitude da GNR face ao avanço das mesmas? Sabendo do referido abate de sobreiros e sabendo que a CMC não tem autorização para tal, qual será a atitude da Autoridade Florestal Nacional?


Temos depois as intenções da CMC face a um terreno com 83,9 hectares, maioritariamente integrados na Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN) e nos quais existe um povoamento de 3 000 sobreiros. A justificação da CMC tem oscilado entre a necessidade de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo (ZIT) e a necessidade de encontrar um terreno para a instalação de um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN).

Assim sendo, surgem algumas questões:

- Como duvido que existe um único projecto industrial que necessite de uma área de 84 hectares, de quantas intenções de investimento estamos a falar? São investimentos garantidos ou meras intenções de possíveis investimentos futuros?

- Qual o motivo pelo qual não se utilizam os terrenos que o actual Plano Director Municipal do Concelho define como de “uso industrial”, precavendo uma possível ampliação da ZIT?

- Foram estudadas outras alternativas de localização para estes investimentos, nomeadamente para o referido projecto PIN? Se sim, está a CMC em condições de tornar públicos esses estudos?

- E, por último, está a CMC em condições de provar a falsidade da notícia do “Diário XXI” de 13 de Outubro último, que referia ter a CMC solicitado ao Núcleo Florestal de Castelo Branco a autorização para cortar estes sobreiros?

- E, para finalizar, sendo verdade o referido no “Diário XXI” de 13 de Outubro último, qual foi a sustentação jurídica da CMC para pedir o abate de sobreiros num terreno que não é de sua propriedade?

Atente-se que, em nenhum ponto deste texto, dirijo qualquer acusação à CMC ou ao seu Presidente. Limito-me a colocar várias questões, como cidadão eleitor deste concelho, as quais considero de particular importância para o futuro da Covilhã".


Pedro Nuno Teixeira Santos



segunda-feira, dezembro 01, 2008

De novo, a "época da estupidez"

Se a cada Verão que começa temo pelas árvores que morrerão queimadas, a cada Inverno temo pelas que cairão às mãos de podas incompetentes.

Chamo "época da estupidez" a esta fase do ano em que assistimos à mutilação de árvores que levaram dezenas de anos a crescer, às mãos de pessoas sem a mínima credencial técnica para este tipo de intervenção.

Fui informado, há alguns dias, da abertura de um concurso público para a poda de árvores ornamentais no concelho da Covilhã.

Como é evidente, temo o pior! E porquê? Porque suponho que o factor decisivo, no referido concurso, volte a ser o "factor preço".
Foi desta forma que o anterior concurso público, neste concelho, foi ganho por uma empresa local do sector das obras públicas! O resultado desastroso ficou à vista de todos...

Receio, pelos motivos expostos, que o mesmo se volte a repetir e que a poda de dezenas de árvores volte a ficar nas mãos de pessoas que nada percebem de arboricultura e de manutenção de árvores ornamentais.

O "factor preço" apenas pode ser levado em linha de consideração quando se comparam as propostas de duas ou mais empresas de igual grau de competência técnica. Ou será que, por hipótese, se uma empresa de arboricultura concorresse à construção de uma estrada ganharia o respectivo concurso público, caso apresentasse a proposta mais barata?

Deste modo, onde aparentemente existem boas medidas de poupança dos dinheiros públicos por parte das câmaras municipais, existem decisões danosas a médio e longo prazo.
Estas árvores, podadas de forma radical e incorrecta, irão ter uma longevidade menor e, desta forma, terão que ser substituídas por novos exemplares pagos, como é evidente, com o dinheiro de todos nós.
Acresce que as árvores podadas de forma desajustada, devido a ficarem mais fragilizadas e sujeitas a doenças, podem cair com maior facilidade sobre a via pública podendo, deste modo, dar origem a graves acidentes.

A cada novo Inverno, assistimos como o dinheiro dos contribuintes portugueses é colocado ao serviço da destruição do património arbóreo dos diversos municípios.

Mas a destruição das árvores na Covilhã já começou como atestam as duas imagens que se seguem, captadas no recinto do monumento a Nossa Senhora da Conceição.

À entrada do dito espaço pede-se "respeito". E ele, de facto, parece existir: não se observa lixo de espécie alguma e, aparentemente, qualquer acto de destruição. Puro engano... As árvores são a única coisa que não é digna desse mesmo tratamento de respeito.
Efectivamente, a única excepção, o único acto de vandalismo cometido em todo o recinto foi para com algumas tílias.

Desconheço qual o "pecado" que as condenou ao presente martírio! Não serão as árvores filhas de Deus?






Termino com a imagem de outras tílias existentes no mesmo recinto e que não sofreram a mesma humilhação. Para que se tenha um termo de comparação da asneira cometida por quem, de árvores e de amor, nada percebe!

sexta-feira, novembro 28, 2008

quarta-feira, novembro 26, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte V)

A Câmara Municipal da Covilhã (CMC) tem tentado, de alguma forma, justificar o injustificável no que concerne aos sobreiros do Cabeço do Tortosendo com o argumento de que está a plantar alguns milhares de sobreiros, nas freguesias do Sarzedo e Dominguiso, como forma de compensação perante as árvores que deseja abater.

Note-se bem que a CMC não possui, na actualidade, qualquer autorização, por parte da Autoridade Florestal Nacional, que lhe permita abater sobreiros no terreno do Cabeço do Tortosendo.


Resta-me, perante a aparente passividade dos demais órgãos do Estado responsáveis na matéria, face ao avanço das obras no dito terreno, fazer as seguintes observações:

1º) Se eu assaltar um banco e distribuir 10% do meu roubo por uma instituição de solidariedade social, tal não apaga as consequências legais do meu assalto. Dito por outras palavras, a CMC aparentemente pretende "justificar" uma situação menos clara de abate de sobreiros no Tortosendo, plantando sobreiros noutros pontos do concelho.

Quer esta metáfora do assalto ao banco dizer apenas que, o facto de a Câmara estar disposta a proteger os sobreiros adultos no terreno e estar a promover novas plantações noutros locais do concelho, não anula a violação à lei que conduziu ao levantamento de um auto por parte da GNR.

Efectivamente, a CMC, independentemente de ser a actual proprietária do terreno, o que não está em causa, não possui autorização da Autoridade Florestal Nacional para cortar qualquer exemplar .


2º) Pelo que foi exposto anteriormente, o facto de a Câmara estar a proteger os sobreiros adultos decorre da lei que os protege. Ou seja, a CMC não nos está a fazer nenhum favor ao não cortar esses exemplares.
Ou será que estão à espera que lhes agradeçamos por estarem a cumprir as leis do país?!

3º) Por outro lado, convirá lembrar que a propriedade dos terrenos do Cabeço do Tortosendo não está resolvida em definitivo; ou seja, decorre ainda nos tribunais um recurso, interposto pelos anteriores proprietários, que visa anular a decisão do secretário de Estado da Administração Local que permitiu, à CMC, avançar com o processo de expropriação.

Resumindo (e corrijam-se se estiver enganado): pelo menos em "teoria", é ainda possível que um tribunal faça reverter, para os anteriores proprietários, a posse do dito terreno. Tal facto deveria ser suficiente para que, num acto de decência democrática, a CMC se abstivesse de efectuar obras que desvirtuassem as características do terreno.

4º) Por último, gostava muito de saber se as plantações do Sarzedo e do Dominguiso se enquadram nalgum plano de reflorestação, a cargo de alguma associação de produtores florestais, ou se as mesmas se encontram a ser feitas sem o adequado suporte técnico de engenheiros florestais?

terça-feira, novembro 25, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte IV) - As declarações do Sr. Presidente e as "garotices"

Da edição de ontem do "DiárioXXI":

“Há lá umas ramagens que só com boa vontade excessiva é que se chama àquilo um sobreiro”, declarou sexta-feira o presidente da Câmara da Covilhã a propósito da polémica entrada de máquinas no parque de S. Miguel, no Tortosendo, que levou a Equipa de Protecção da Natureza e Ambiente (EPNA) da GNR a levantar um auto de notícia, por contra-ordenação, à autarquia.
O auto foi levantado porque a Câmara da Covilhã ainda não possui autorização da Autoridade Florestal Nacional (AFN) para abate de um povoamento de sobreiros constituído por 364 árvores, das quais 311 são sobreiros jovens e 53 adultos.

“Não há memória que tenha havido plantações nos últimos 30 anos”, disse Carlos Pinto. “Como é que nasceram, quem é que os plantou, quem é que os identificou”, questionou o autarca à margem da reunião da Assembleia Municipal extraordinária realizada sexta-feira.
O autarca assegura que mais de 90 por cento dos sobreiros não têm mais de 10 centímetros e nasceram por geração espontânea, desvalorizando assim o facto da Unidade de Gestão Florestal do Pinhal Interior Sul, em Castelo Branco, ter contado e marcado os sobreiros para abate. “Há lá sementes de sobreiros, junto a outros que se desenvolveram que não têm espaço de crescimento” disse Carlos Pinto. “Eu quero lá saber da Autoridade Florestal Nacional, eu quero saber daquilo que vejo e daquilo que vêem as pessoas que lá estão com bom senso”, afirmou. “Agora um indivíduo qualquer que está não sei onde vem dizer-me que uma ramagem de geração espontânea, porque o vento projectou as sementes, pode contar [como sobreiro]. Conte lá o que quiser”, disse, garantindo que as obras irão continuar e que os sobreiros adultos serão mantidos.

“[As obras] Não têm de parar”, disse o autarca, acrescentando que os sobreiros existentes “não chegam a 70 e vão ser conservados porque os conservamos no projecto”.
O projecto do parque de S. Miguel, orçado em 374 mil euros, está aprovado e a expropriação do terreno mereceu declaração de utilidade pública por parte do secretário do Estado da Administração Local, Eduarda Cabrita. “Eu penso que o secretário de Estado antes de dar a utilidade pública tem informações dos seus serviços sobre se há lá um monumento nacional, se lá está o Mosteiro da Batalha, se há lá uns sobreiros. Tudo isso”, sublinhou Carlos Pinto.
“Somos uma câmara que tem um título de utilidade pública, obra concursada com visto de Tribunal de Contas e fundos para utilizar: não é qualquer autoridade que se permite perturbar esse processo”, disse Carlos Pinto. “De maneira que, ponham-se à tabela, porque não há impunidade para quem provoca uma espécie de alarme social sem uma fundamentação séria”, concluiu, ameaçando levar o caso aos tribunais.



Considero que, após declarações deste teor, me resta acrescentar uma vez mais: É isto, Portugal!...


P.S. - No blogue Máfia da Cova alguém decidiu fazer um comentário falso, utilizando o meu nome, acerca de uma notícia sobre este mesmo assunto.

Um bocadinho mais de coragem, por parte de todos, e este país seria um pouco mais decente...



segunda-feira, novembro 24, 2008

Começar bem a semana...



(...) Com mais uma promessa: o plátano (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) de Santa Eulália, nas proximidades de Elvas.

É uma árvore magnífica que, mesmo à distância, marca o perfil da aldeia...Uma árvore por inteiro!

Situa-se num parque infantil, entre a praça de touros e a GNR local, e a sua presença preenche e confere personalidade a todo o espaço.

Este parque infantil é diferente dos demais... Nada das habituais árvores raquíticas, feias e incapazes da menor das sombras quando o estio aperta.

Uma árvore, uma árvore basta, para dar beleza e dignidade ao espaço.


P.S. - Espreitar este plátano no Inverno.


sexta-feira, novembro 21, 2008

Árvores Monumentais de Espanha


O leitor Bruno Quinhones teve a gentileza de me enviar um conjunto de "ligações", relativas a uma obra sobre as árvores monumentais de Espanha.

Parece-me um trabalho magnífico que, infelizmente, ainda não tive oportunidade para explorar devidamente...Porque as coisas boas são para partilhar, penso que a melhor forma de agradecer ao Bruno o seu gesto é tornar essa informação acessível a todos os leitores da "sombra". Obrigado. (Ver os ficheiros: 1, 2 e 3. Nota: Os ficheiros são em formato pdf e, dado o respectivo tamanho e tendo em conta as diferentes velocidades de ligação à internet, poderão levar alguns minutos a ser transferidos).


Por outro lado, o Paulo Almeida enviou-me uma informação relativa a uma acção de reflorestação que decorrerá, amanhã e no Domingo, na Serra de Monchique. Ver o seguinte texto:

"A Fundação Kangyur Rinpoche vem por este meio convidá-la (o) a participar no próximo fim-de-semana de trabalho voluntário (22 e 23 de Novembro), "SPA- Floresta", no C. da Águia, Monchique.

Temos a tarefa de plantar cerca de 700 árvores:
- 500 alfarrobeiras
- 200 pinheiros mansos

Falámos da importância deste trabalho, no equilíbrio do planeta Terra.
Deste modo, toda a ajuda neste processo é preciosa.

Temos muitas árvores para plantar!

Apelamos mais uma vez à vossa participação e que entrem em contacto com a Dulce Alcobia por telemóvel: 968059244 (até 6ª feira)"

Peço desculpa por estar a transmitir a informação em "cima da hora" mas estou certo que, se estiverem interessados, conseguirão ainda assegurar a participação...A ajuda para plantar árvores nunca é demais!

Por último, e de acordo com o "DiárioXXI" de 18 de Novembro, a empresa "Epson", através do programa "Epson Gardunha Biodiversity Initiative", irá auxiliar na restauração da biodiversidade numa área de 20 hectares da Serra da Gardunha. Dependendo da avaliação feita da iniciativa, a área de intervenção poderá ser aumentada no futuro.


quinta-feira, novembro 20, 2008

E os 364 sobreiros, senhor Presidente?! (Parte III)



A julgar pela imagem, retirada do blogue "Um torto de blog...", aparentemente continuam as obras no Cabeço do Tortosendo.

De que serviu o auto levantado à Câmara pela GNR? Será que já foi feita a prometida vistoria ao local, pelos técnicos da Autoridade Florestal Nacional?

Fica, uma vez mais, o comunicado da Quercus. Nas palavras do Presidente da Câmara da Covilhã, uma "organização reaccionária"!

É isto, Portugal...