Carvalho-americano (Quercus rubra L.) - Mata do Fragusto (Parque Natural da Serra da Estrela) - Fotografia de Pedro Ferrão Patrícioquarta-feira, novembro 05, 2008
Esperança
Carvalho-americano (Quercus rubra L.) - Mata do Fragusto (Parque Natural da Serra da Estrela) - Fotografia de Pedro Ferrão Patrícioterça-feira, novembro 04, 2008
domingo, novembro 02, 2008
O cerquinho do Reguengo Grande
quarta-feira, outubro 29, 2008
Confiança restaurada...

O sentimento é, obviamente, de alegria e até de algum "alívio" por ver esta magnífica árvore protegida. Numa única palavra: Obrigado!
P.S. - Em Abril último, interrogava-me sobre a demora na resposta ao pedido de classificação que tinha solicitado para esta árvore e ainda para outros dois magníficos exemplares arbóreos: o carvalho-alvarinho de Aldeias (Gouveia) e o castanheiro da aldeia da Malcata.
Recordo que este pedido à Autoridade Florestal Nacional (anteriormente denominada Direcção-Geral dos Recursos Florestais) tinha sido feito há cerca de um ano.
A surpresa chegou a semana passada sob a forma de uma carta do Ministério da Agricultura. A mesma referia a classificação da sequóia do Sabugal, ao mesmo tempo que referia que as duas outras árvores aguardam ainda a autorização dos respectivos proprietários. O que esperemos que aconteça em breve, pois em causa está a protecção e salvaguarda de um dos carvalhos com maior volume de copa e um dos castanheiros mais grossos do país.
Esta carta restaurou a minha "confiança" no processo de classificação de árvores. Após esta experiência positiva, aguardam os serviços da Autoridade Florestal Nacional muitos outros pedidos de classificação...
terça-feira, outubro 28, 2008
E espera

Notícia e imagem do Ondas 3.
segunda-feira, outubro 27, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008
Eu sou reaccionário! E com muito gosto...
A emissão de hoje do "Portugal em Directo"*, programa da RTP1, passou uma reportagem sobre o caso dos 3 000 sobreiros do Tortosendo (Covilhã), situados em 83 hectares de terrenos das Reservas Agrícola e Ecológica Nacionais. Recorde-se que a autarquia local quer destruir esta mancha de sobreiros, com uma justificação que varia entre a necessidade de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo e a necessidade de instalar um Projecto de Interesse Nacional (PIN) que "ninguém" conhece!
* A reportagem pode ser vista no início do programa (começa ao segundo minuto e tem a duração aproximada de 2 minutos e meio).
Sobre as declarações do Sr. Presidente da Câmara da Covilhã não há novidades! São as mesmas que analisei neste texto: "E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (3ª Parte) - As declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã."
Basicamente, o Sr. Presidente não justifica porque necessita abater 3 000 sobreiros para ampliar a Zona Industrial do Tortosendo, quando existem terrenos previstos, no Plano Director Municipal, para esse mesmo efeito.
O Sr. Presidente também não explica porque foi pedido, ao Núcleo Florestal de Castelo Branco, a autorização para cortar estes sobreiros quando a Câmara não é a proprietária dos terrenos em causa. E esta constatação, por si só, coloca duas questões:
- Será que a Câmara da Covilhã desconhece que não pode solicitar o corte de sobreiros localizados num terreno particular?
- Será que a Câmara da Covilhã desconhece que a suspensão do PDM não concede uma autorização automática para abater sobreiros, ou seja, não anula os efeitos do Decreto-lei n.º 169/2001 (tal como sublinhado pelo ministro do Ambiente)?
Estranho bastante toda esta pressa em cortar os sobreiros quando, na referida reportagem da RTP1, se refere que a Câmara da Covilhã ainda não assegurou os meios financeiros (6 milhões de euros para infra-estruturas) necessários à ampliação da referida zona industrial. Nesse caso, porquê esta urgência em cortar os sobreiros?!
O Sr. Presidente nada explica, como é habitual...E, do que diz, metade é para insultar a "Quercus", a quem acusa de ser uma "instituição reaccionária". E porquê? Porque, pasme-se, a "Quercus" pediu que se cumprisse a lei!
Nesse caso, se querer que se cumpra a lei é ser "reaccionário", é com orgulho que me assumo como tal!
Gostaria ainda de dizer que as lamentáveis declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, não anulam o igualmente lamentável silêncio de quase toda a oposição.
Por outro lado, quero reafirmar que nunca fui, não sou e, com um grande grau de probabilidade, nunca serei sócio da "Quercus".
P.S. - Sobre a reportagem da RTP não resisto a fazer 3 rápidas considerações:
1º) Pelo que depreendi de outros órgãos de comunicação social, as declarações do Presidente da Câmara da Covilhã foram recolhidas no mesmo dia em que esteve presente, na universidade local, o ministro do Ambiente. Este produziu declarações sobre este caso, as quais foram reproduzidas pelo "DiárioXXI" e pela "Rádio Cova da Beira".
Assim sendo, por que motivo a RTP não reproduziu as afirmações do ministro do Ambiente?! Não as recolheu ou não as considerou relevantes?
2º) Em segundo lugar, acho extraordinário que o jornalista da RTP faça uma reportagem de 2 minutos e meio sobre este caso, fale sobre "milhares de sobreiros", mas sem nunca precisar que se trata de uma mancha com 3 000 sobreiros!
3º) Por último, o mesmo jornalista refere que os terrenos em causa se situam, "segundo a Quercus", na Reserva Ecológica Nacional (REN) e na Reserva Agrícola Nacional (RAN). Segundo a "Quercus"?! Não, os terrenos são REN e RAN segunda as leis da República. As mesmas que a Câmara da Covilhã tem obrigação de conhecer e de cumprir!
quinta-feira, outubro 23, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
Incompatibilidades
Este ano, pelo menos de forma aparente, as árvores não sofreram novas podas; até porque depois da "poda de adaptação"* do ano passado, as mesmas adquiriram o porte raquítico pretendido pela intervenção da autarquia local.
* "Poda de adaptação" às dimensões das tendas nas quais as árvores ficam aprisionadas durante os dias de duração do certame.
A imagem que acompanha este texto, mostra a única utilidade que os organizadores e participantes na feira parecem encontrar nas ditas árvores: um "meio" para expor os produtos à venda!
As árvores, ridicularizadas de forma (in)voluntária, resistem na dignidade que lhes resta...
P.S. - Peço desculpa pela pouca qualidade da fotografia que acompanha estes texto, a qual se deve ao facto da mesma ter sido tirada com um telemóvel.
terça-feira, outubro 21, 2008
As árvores fazem amigos
O projecto editorial "al Gharb", dirigido por Carlos Campaniço, "aspira a evocar, valorizar e mostrar o património cultural, civilizacional, histórico-antropológico, geográfico e natural do Algarve".
Por outro lado, o "Árvores Monumentais..." vai ser um dos protagonistas de um documentário, de autoria de Olivia Blyth, centrado na temática do sobreiro e da cortiça.
Este projecto da Olivia, já baptizado de "À sombra do sobreiro", pretende alertar as pessoas para a importância ecológica, económica e cultural do sobreiro e das actividades económicas a ele associadas.
Eu e o Miguel aproveitamos o presente texto para agradecer ao Carlos e à Olivia e, adicionalmente, para desejar os maiores sucessos para os respectivos projectos.
P.S. - As gravações para o documentário "À sombra do sobreiro" criaram a oportunidade para matar saudades de Sua Majestade, o sobreiro da Corte Grande (na imagem).
sábado, outubro 18, 2008
Não serão as árvores filhas de Deus?
- Câmara de Faro embarga abate de pinheiros em terreno da Diocese do Algarve destinado a uma urbanização.
- Mais amigos das árvores: Indivíduos Notáveis.
- Arranque de árvores provoca polémica em São Marcos (Sintra).
- Quando as árvores se tornam perigosas pelos maus tratos que sofrem.
- Hospital da Covilhã oferece uma árvore por cada nascimento. Boas intenções ou "verdadeiras" boas notícias?! Sendo a Covilhã uma cidade onde a poda de árvores ornamentais foi, em anos recentes, adjudicada a uma empresa do sector da construção, não será de temer que estes bebés nunca venham a usufruir, em adultos, da sombra destas árvores?!
- Mais uma "requalificação" que implica o abate de árvores (em Viseu).
- A eléctrica açoriana (EDA) "justifica" o corte de mais de meia centena de árvores numa propriedade privada, em São Miguel, como forma de garantir a segurança da rede. As árvores não existiriam no local previamente à instalação da rede eléctrica?
- Caloiros do Instituto Politécnico de Beja plantam árvores e limpam mata. Praxe abusiva ou praxe "ambientalmente correcta"?!
- A Associação Transumância e Natureza (ATN), ONGA com sede em Figueira de Castelo Rodrigo, e o Colectivo Germinal estão a organizar dois campos de trabalho voluntariado para a reflorestação da Reserva da Faia Brava, que irão decorrer dias 24,25 e 26 de Outubro e dias 7,8 e 9 de Novembro.
- Árvores para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
- Ministro brasileiro do Ambiente surpreendido pelo corte de árvores no Palácio do Planalto, em Brasília.
Ainda no Brasil, mas no Paraná, um homem foi condenado a pagar 171,5 mil reais pelo abate de mais de 300 araucárias.
Por último, um fungo ainda não identificado está a dizimar árvores da espécie Senna siamea (Lam.) H.Irwin & Barneby, no Rio de Janeiro.
- Possíveis implicações de alterações climáticas no crescimento de árvores e como, este facto, poderá igualmente produzir efeitos a médio/longo prazo na regulação do clima (via Sargaçal).
- E, para finalizar, uma "árvore que abraça flores" (via Maria Pudim) e uma pergunta/reflexão: "Por que motivo os botânicos não gostam de árvores" (?)
sexta-feira, outubro 17, 2008
Se não posso ser português de 1ª, deixem-me ser espanhol!
Estivessem em causa "meia-dúzia" de sobreiros nos arredores de Lisboa e teríamos as televisões e os jornais nacionais a investigar o caso. Mas 3 000 sobreiros no Interior de Portugal são uma ninharia, uma insignificância.
Pura e simplesmente, não existem porque não são notícia! Ou, dito de outra forma, não são notícia porque não existem...
Bem sei que nos "corredores do poder e da grande comunicação social" ninguém lê o "DiárioXXI" e, muito menos, este blogue e todos os outros que noticiaram este caso (e a cujos autores agradeço profundamente...).
Mas, com diabos, a Quercus emitiu um comunicado a denunciar este caso! Um comunicado a referir a intenção de uma autarquia querer ampliar uma zona industrial a expensas de um terreno com milhares de sobreiros, situado, simultaneamente, na Reserva Agrícola Nacional e na Reserva Ecológica Nacional. E isto apesar de, nas imediações desta zona industrial, existirem outros terrenos, sem as referidas condicionantes ambientais, previstos para a dita ampliação.
Será por serem "apenas" 3 milhares de árvores?! Será por se situarem nessa "terra de ninguém" que é o Interior de Portugal?!
Da próxima vez, vou denunciar o caso ao El País. Se não posso ter os direitos de um "português de primeira", deixem-me ser espanhol!
Adenda: Um homem barricou-se hoje numa sala do tribunal da Covilhã. Evidentemente, foi notícia! As televisões adoram estes episódios da "vida real"... E os 3 000 sobreiros?! Nada, são lixo dispensável!
quinta-feira, outubro 16, 2008
E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (4ª Parte) - As declarações do ministro do Ambiente
Confrontado com as intenções da Câmara Municipal da Covilhã, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, declarou ontem (14 Outubro): "Essa suspensão [do PDM] não permite o abate dos sobreiros, mal de nós se assim fosse! O sobreiro está muito protegido em Portugal, com uma malha de protecção muito, muito apertada. Portanto, o que quer que se entenda fazer aí, independentemente da suspensão do PDM, tem de passar por uma malha de licenciamento ambiental, seja o que for. (...) O derrube de sobreiros em Portugal precisa de uma declaração de utilidade pública; que eu saiba, ainda não foi emitida (não na fase de suspensão do PDM, mas quando se fizerem lá acções concretas). E, portanto, a seu tempo, isso será com certeza acautelado."
As declarações do Sr. ministro, confesso, foram um pouco mais incisivas do que esperava! Mas fiquei mais aliviado? Não, claro que não!
Afinal de contas, o Sr. ministro do Ambiente tem assento no Conselho de Ministros que decidiu a suspensão do PDM da Covilhã.
Saberá o Sr. ministro, que o PDM da Covilhã que ajudou a suspender já previa terrenos de uso industrial para a ampliação da Zona Industrial do Tortosendo, os quais não implicavam o abate destes sobreiros?
Saberá o Sr. ministro, que o PDM da Covilhã que ajudou a suspender, define os terrenos onde se situam estes 3 000 sobreiros, como "espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental"?
Agora que o Sr. ministro sabe que no dito terreno existem 3 000 sobreiros, teria votado novamente a favor da suspensão do PDM da Covilhã?
Saberá o Sr. ministro, que a Câmara da Covilhã, apesar de não ser proprietária dos terrenos, já requereu o respectivo abate?
Conhecerá o Sr. ministro do Ambiente, os antecentes da Câmara da Covilhã no chamado caso da "Quinta do Freixo"?! Situação em que a Câmara permitiu o início da construção de uma urbanização em terrenos incluídos na Reserva Agrícola Nacional ( e isto apesar de todos os avisos da Direcção-Regional de Agricultura da Beira Interior)?
Afirma o Sr. ministro que "o derrube de sobreiros em Portugal precisa de uma declaração de utilidade pública (...) quando se fizerem acções concretas". E que "acções concretas" são essas? E se a Câmara da Covilhã decidir tomar a "acção concreta" de começar a cortar os sobreiros?
P.S. - As fontes das declarações citadas do ministro do Ambiente são a "Rádio Cova da Beira" e o "DiárioXXI".
P.S.S. - Outra conclusão importante de todo este processo é que existem, em Portugal, dois tipos de sobreiros: os do litoral e os do interior. Fossem 20 sobreiros em Lisboa e as televisões já estariam a fazer "manchetes"!
E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (3ª Parte) - As declarações do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã
O processo tem de arrancar no próximo ano, porque nós já temos terrenos comprometidos para diversas iniciativas e, para além disso, o próprio Conselho de Ministros decidiu há 15 dias que estávamos perante uma necessidade absoluta de desbloqueamento daqueles terrenos (...) há projectos PIN que muito possivelmente serão decididos para ali se instalarem centenas de postos de trabalho, portanto eu acho que estas organizações [Quercus] são perfeitamente irresponsáveis quando se colocam em posições de sobranceria."
1º) Para o Sr. Carlos Pinto, discordar dele, revela um espírito reaccionário e ignorante...Desculpe, a Covilhã merece mais e melhor!
Merece um Presidente que dê explicações e que não insulte a nossa inteligência! Por isso, basta do discurso das "forças de bloqueio", das "pessoas estão primeiro que as florinhas e os animaizinhos" e, sobretudo, de querer transmitir implicitamente a ideia que destruir 3 000 sobreiros é essencial para o concretizar de projectos de investimento no concelho.
Sabendo que o sobreiro é uma espécie protegida por lei em Portugal, e que as preocupações ambientais são uma parte importante do marketing empresarial nos dias que correm (ainda que com muita hipocrisia associada), qual será a empresa e o empresário que quererá ficar associado a esta "mancha" ambiental?
Que tipo de empresas e de empresários está a Covilhã interessada em atrair para o concelho?
Qual a empresa que vislumbrará vantagens competitivas em se instalar num concelho, associado a um folhetim ambiental e à respectiva má publicidade, e em que o seu Presidente se refere a respeitadas associações nacionais de defesa do ambiente*, como sendo "reaccionárias" e um "negócio"?! Qual será o empresário que quererá aparecer na "fotografia" ao lado de um autarca que não hesita em sacrificar terrenos com tantas limitações agrícolas e ambientais?
* Em 1992, a Quercus recebeu o Prémio Global 500 das Nações Unidas e o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.
2º) O Presidente da Câmara da Covilhã (CMC) não tem que referir o nome das empresas, ou mesmo os respectivos sectores de actividade, que estão interessadas em investir no concelho. Afinal de contas, o segredo (ainda) é a alma do negócio!
O que o Sr. Presidente tem que explicar é bem mais simples: porque é que são necessários 83 hectares de terreno, ligeiramente mais do que a actual área da Zona Industrial do Tortosendo (ZIT), que é de 81 hectares**? Afinal, de quantas empresas e de quantos PIN estamos a falar?
** De acordo com as informações do próprio "site" da CMC.
Que alternativas de localização foram estudadas para estes investimentos? Onde estão e quem executou esses estudos de localização? Por que motivo foram abandonadas essas localizações? Por que motivo não se utilizam, para a expansão da ZIT, os terrenos circundantes à mesma e definidos no actual PDM, como sendo de uso industrial?
No fundo tudo se resume a esta simples e singela dúvida: existindo nas imediações da ZIT terrenos definidos no PDM, para a respectiva ampliação, porquê esta obsessão e fixação com estes 83 hectares que estão integrados nas Reservas Agrícola e Florestal?
Dificilmente se poderiam escolher terrenos com mais condicionantes...Se eu acreditasse em "teorias da conspiração", até acreditaria que se está aqui a criar um "caso" de forma propositada!
P.S. - As fontes das declarações citadas do Presidente da CMC são a "Rádio Cova da Beira "e o "DiárioXXI".
quarta-feira, outubro 15, 2008
E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?! (2ª Parte)
Segue o texto da pergunta da deputada do Bloco de Esquerda, Alda Macedo, dirigida ao Presidente da Assembleia da República e tendo como destinatário, o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.
Assunto: Suspensão do PDM da Covilhã para viabilizar PIN em zona de sobreiros
"A Câmara Municipal da Covilhã (CMC) pretende expandir a zona industrial do Tortosendo numa de área de 83,9 hectares, maioritariamente integrados na Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN). Em parte dessa área existe também um povoamento de sobreiros com mais de 3.000 árvores, algumas das quais centenárias.
Na actual carta de ordenamento do Plano Director Municipal (PDM) a área em causa está classificada “como espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental”.
O pedido de suspensão parcial do PDM foi ratificado pelo Governo (RCM n.º 149/2008, de 13 de Outubro, referindo que: “A opção quanto à área a suspender justifica-se pela necessidade de viabilização de investimentos estratégicos de elevada relevância para o concelho, cuja dimensão e importância se encontra atestada pela classificação de projecto de interesse nacional (PIN).”.
Acontece que os sobreiros são espécies protegidas por lei (Decreto-Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio), bem como as áreas de REN e RAN, apenas sendo permitida a conversão para outros usos pela imprescindível utilidade pública dos empreendimentos e quando não exista alternativa de localização.
Ora, no caso da Zona Industrial de Tortosendo, no actual PDM já está contemplada uma área de expansão que ainda não foi utilizada para esse fim e a qual não colide com povoamentos de sobreiros. Além disso, a imprescindível utilidade pública deve ser utilizada para empreendimentos de utilização colectiva e não para projectos industriais, muito menos utilizando como argumento a classificação PIN.
Ou seja, o Bloco de Esquerda considera que devem ser encontradas alternativas de localização do empreendimento, uma vez que se está presente uma área classificada, e que não se pode utilizar o argumento de ser um projecto de PIN para ser classificado como de imprescindível utilidade pública.
Consideramos também precipitado que seja ratificada a suspensão do PDM quando o projecto que a justifica ainda não tem Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) realizada, sendo este o instrumento que irá avaliar dos impactes e da melhor localização do empreendimento.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais, requer-se ao Secretário de Estado da Educação os seguintes esclarecimentos:
1º) Vai o Ministério dar aval à classificação do empreendimento industrial em causa como de imprescindível utilidade pública, de forma a ser permitida a conversão da área de sobreiros?
2º) Vai o Ministério dar autorização para o abate/corte de sobreiros na área em causa, nalguns casos árvores centenárias, para a implementação de um empreendimento industrial?"
Palácio de São Bento, Lisboa, 14 de Outubro de 2008
A cretinice
No "bairro dos ricos" as árvores não podem crescer, não podem estragar os passeios ou as suas folhas entupir as sarjetas!
No "bairro dos ricos" as árvores não podem ocupar o lugar de um audi! No "bairro dos ricos" não há lugar para uma árvore, mas não falta espaço para a cretinice...
No "bairro dos ricos" dezenas de árvores, com mais de 20 anos, foram cortadas pela base! O "bairro dos ricos" é a Quinta do Covelo, na Covilhã. As fotos, tiradas há poucos dias, são uma cortesia da Máfia da Cova.
segunda-feira, outubro 13, 2008
E os 3 000 sobreiros, senhor Presidente?!
Em desespero de causa, habituado ao secretismo da CMC, escrevi um e-mail à Autoridade Florestal Nacional, à "Quercus" e ao jornal "Público" para que, no âmbito das respectivas funções, investigassem se a autarquia da Covilhã estaria a cumprir todos os requisitos legais nesta questão. Silêncio! Silêncio, foi a resposta que obtive...
Na altura, confesso, descri dos órgãos de comunicação social locais e regionais. A notícia de hoje do "DiárioXXI"*, uma investigação do jornalista Francisco Cardona, provou que estava errado e que devia ter pedido essa "ajuda" aos jornalistas da terra!
* Nota: a hiperligação não é permanente para a edição de hoje do jornal, pelo que deverão seleccionar a edição de "13-10-2008" e, posteriormente, descarregar a edição do jornal em formato pdf.
Mas vamos passar às explicações, ou seja, ao que está em causa na freguesia do Tortosendo. A CMC pretende:
a) Destruir um pequeno bosque com dezenas de sobreiros, na zona do Cabeço do Tortosendo, para a construção de arruamentos e pavilhões para uma feira que decorre num único dia do ano: o dia 29 de Setembro (dia de S. Miguel).
Apenas assim se "compreenderá" a posição assumida pelo Governo que, em reunião do Conselho de Ministros de 25 de Setembro último, ratificou a suspensão do Plano Director Municipal para a zona, de modo a viabilizar "investimentos estratégicos".
Acresce que este terreno onde se situam estes 3 milhares de sobreiros, está integrado na Reserva Ecológica Nacional, na Reserva Agrícola Nacional e na actual carta de ordenamento do Plano Director Municipal (PDM) da Covilhã está classificado "como espaços agrícolas integrando áreas a beneficiar pelo Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira e áreas de grande aptidão agrícola, espaços agrícolas complementares e de protecção e enquadramento e, ainda, espaços naturais e culturais integrando áreas de protecção e valorização ambiental".
A notícia de hoje do "DiárioXXI" centra-se apenas na questão da ampliação da ZIT. Uma questão que levou, hoje mesmo, a "Quercus" a emitir um comunicado: Quercus exige Avaliação de Impacto Ambiental.
Em relação a este assunto, reafirmo parte do que escrevi em Agosto passado, quando ainda desconhecia a real dimensão da mancha de sobreiros que estava em causa relativamente à expansão da ZIT:
1º) À Câmara Municipal da Covilhã (CMC) não se pede que concorde com a lei. Pede-se que a conheça, que a respeite e que a faça respeitar.
2º) O sobreiro é uma espécie protegida pela sua crucial importância ecológica em diversos habitats prioritários, que o Estado português se comprometeu a cumprir perante diversas instâncias internacionais, e pela importância económica estratégica da indústria da cortiça.
Tal não significa que o sobreiro seja uma "espécie sagrada", ou seja, podem existir factores de imprescindível utilidade pública que ditem o abate de uma mata desta espécie.
Tal depende de uma ponderação de factores, nomeadamente do empreendimento projectado e dos valores naturais em causa, o que numa zona com mais de 80 hectares e 3 000 sobreiros pressupõe um estudo de impacto ambiental rigoroso.
Factores de imprescindível utilidade pública podem ser a construção de hospitais ou escolas ou, eventualmente e após uma séria ponderação, um investimento industrial que possa gerar centenas de postos de trabalho, directos ou indirectos, e para o qual não existam localizações alternativas.
3º) Da parte da Câmara exige-se simplesmente essa resposta: qual o investimento em causa e que outras localizações alternativas foram ponderadas?
Por exemplo, e não estou a dizer que concordo com essa decisão, para a construção da fábrica do "Ikea" em Paços de Ferreira, o Governo suspendeu o PDM daquele concelho, de modo a possibilitar a instalação daquela empresa em terrenos das Reservas Agrícola e Ecológica.
Repito: não estou a dizer que concordei com essa suspensão, até porque penso que nunca foi suficientemente esclarecida se houve a ponderação de outras localizações, dentro do mesmo concelho. No entanto, pelo menos nesse caso era conhecido qual o investimento em causa.
No caso da ZIT, nem isso! É tudo mistério!...
4º) O Presidente da CMC não nos pode tratar com o habitual discurso indigente de que antes das "florinhas e dos animaizinhos" estão as pessoas; ou o gasto discurso das "forças de bloqueio" ao desenvolvimento do concelho.
Estamos a falar de 3 000 sobreiros! Deveremos passar um "cheque em branco" à CMC, do género: cortem lá os sobreiros e depois logo se vê se aparece algum investimento significativo?! (E se os mesmos não se concretizarem, fazem-se uns loteamentos para condomínios de luxo, como alternativa?! Com o futuro IC para Coimbra, a passar ao lado, todos sabemos o valiosos que são aqueles terrenos...)
5º) Eu até acredito que exista um investimento previsto. E que o mesmo seja avultado e gere muitos postos de trabalho.
De outra forma, não imagino o Governo da República a autorizar a suspensão do PDM. Mas não existirão outros terrenos, no concelho da Covilhã, que possam receber este investimento? Não existirão, nas imediações da ZIT, outros terrenos com vocação industrial?
Porquê esta obsessão com estes 83 hectares?
6º) Como é evidente, este assunto é complexo e pretendo voltar a ele as vezes que forem necessárias....E com mais tempo!
Mas, de entre todas as questões que o "DiárioXXI" apurou, há uma que me deixa particularmente curioso: com que intuito pediu a CMC, à Autoridade Florestal Nacional, autorização para cortar sobreiros que não são sua propriedade? Se os terrenos não são da Câmara, por compra ou expropriação, que direitos tem esta sobre os mesmos?!
São muitas perguntas e nenhuma resposta! Aguardemos...
domingo, outubro 12, 2008
Uma "pata de vaca" exótica
De há uns tempos a esta parte que uma árvore, plantada como ornamental no Algarve, me vinha intrigando...Intrigava-me o seu ar exótico e, em simultâneo, as suas "parecenças" com a olaia.
Esta espécie é conhecida pelo nome de "pata de vaca" no Brasil, onde é comum como árvore ornamental. Em espanhol é conhecida pelo mesmo nome, sendo que em língua inglesa é conhecida como "orchid tree" ou "camel's foot tree".
* Visível na primeira fotografia.
** Visíveis na terceira imagem.
No entanto, no mesmo ano, pode ocorrer uma segunda floração mais tardia, embora com menor intensidade. Tal parece ter sido o caso destes exemplares situados em Paderne (Albufeira).
As flores apresentam ainda a particularidade de serem comestíveis.
sexta-feira, outubro 10, 2008
Agradecimento
Deste modo, agradeço publicamente aos autores do programa pela referência a este blogue no espaço "bio_net".
P.S. - No referido programa em que foi feita a referência à "Sombra Verde", foi também dedicado um espaço à divulgação do arboreto da Escola Secundária de Barcelos, constituído exclusivamente por espécies de árvores e arbustos autóctones de Portugal continental. Um exemplo para ser seguido e não apenas por escolas!
quinta-feira, outubro 09, 2008
A timidez feita árvore
Esta espécie característica da bacia do Mediterrâneo está confinada no nosso país a alguns troços mais interiores dos vales do Douro, Tejo e dos respectivos afluentes.
Possui raminhos pendentes e 3 folhas aciculares* por cada nó. As folhas apresentam, na página superior, duas faixas esbranquiçadas separadas pela nervura verde; esta característica facilita bastante a identificação da espécie, sendo parcialmente visível na segunda imagem.
* Semelhantes a agulhas.
Segundo a bibliografia consultada**, a madeira desta espécie é quase incorruptível, sendo por este motivo bastante apreciada na indústria do mobiliário. A partir da destilação da madeira obtém-se o "óleo de cade", com aplicações medicinais, em particular em veterinária.
Por outro lado, dos seus "frutos"*** e da resina que produz, obtêm-se substâncias com propriedades anti-sépticas.
** "Árboles en España, Manual de Identificación" de A. López Lillo e J.M. Lorenzo Cáceres.; "Guia de Campo. As árvores e os arbustos de Portugal continental", Colecção "Árvores e Florestas de Portugal", coordenada por Joaquim Sande Silva.
*** As gimnospérmicas não possuem verdadeiros frutos; neste caso concreto, a designação correcta da estrutura que encerra as sementes é gálbula baciforme.
Escondida nas confins do Douro e do Tejo, quase que pedindo desculpas por querer ser árvore, aguarda timidamente e sem pressas a sua vez...O oxicedro ou zimbro-galego é uma das mais bonitas e desconhecidas árvores de Portugal!
P.S.- Podem ver aqui imagens de outro zimbro autóctone de Portugal continental.