segunda-feira, agosto 04, 2008

Os sobreiros do Tortosendo

Sobreiros no Bairro do Cabeço (Tortosendo, Covilhã)

De acordo com uma notícia do jornal "Urbi et Orbi", a Câmara Municipal da Covilhã (CMC) prepara-se para adjudicar duas obras no Tortosendo, as quais interferem com um conjunto de sobreiros (espécie protegida pelo Decreto-lei n.º 169/2001).


Eis o que, de forma resumida, penso sobre o assunto:

1º) As leis existem para ser cumpridas. O seu desconhecimento ou a discordância em relação às mesmas, não impede os cidadãos e as diferentes instituições de as cumprir.
Um organismo do Estado, como uma Câmara Municipal, tem ainda uma responsabilidade acrescida, pois ao desobedecer às leis da República está a desautorizar o mesmo Estado do qual é o representante ao nível municipal.
Acresce que ao desobedecer aos preceitos da lei, uma Câmara Municipal está a convidar os cidadãos a fazer o mesmo, ou seja, a desobedecerem às leis que não lhes agradam ou que supostamente os prejudicam, situação que se pode virar contra o próprio poder municipal.
Dando um exemplo concreto, quando um autarca, como o Sr. Fernando Ruas, veio aconselhar a população do concelho de Viseu a receber os fiscais do Ambiente à pedrada, esqueceu-se que o mesmo poderia acontecer aos fiscais da própria Câmara; ou seja, o Estado é só um e quando se desautoriza um organismo estatal está-se, implicitamente, a desautorizar toda a máquina do Estado.

Dito isto, não me passa sequer pela cabeça, que o poder autárquico eleito democraticamente pelos cidadãos do meu concelho, conceba outra coisa que não o escrupuloso cumprimento do referido Decreto-lei n.º 169/2001.

Por outras palavras, não acredito que se possam repetir situações como a da "Quinta do Freixo", onde uma instituição do Estado, como a CMC, defendeu os interesses de um promotor privado, contra outro órgão do Estado (a Direcção-Regional de Agricultura da Beira Interior).
Em causa estava uma flagrante violação da Reserva Agrícola Nacional, uma daquelas leis que eu, na minha inocência, pensava que era dever de uma autarquia fazer cumprir. Enfim, pelos vistos não é!


2º) Porque me recuso a acreditar em "teorias da conspiração", acredito que a CMC quer efectivamente executar estas obras e que não se desculpará, a posteriori, com as limitações impostas pelo referido Decreto-lei n.º 169/2001.
Espero que não estejamos perante mais um filme de "política de terra queimada", do género: arrancam-se uns sobreiros, a obra é embargada e depois mandam-se chamar os sempre solícitos órgãos de comunicação social regionais, para gritar: "aqui d' el rei, lá estão aqueles malandros de Lisboa e de Castelo Branco que não nos deixam trabalhar!".

3º) Vamos então às obras a executar na freguesia do Tortosendo...

Tenho alguns problemas em aceitar que se tenha que destruir uma mata para fazer arruamentos, destinados a uma feira de carácter anual. Não, não estou a falar de uma daquelas feiras anuais que duram várias semanas e movimentam largos milhares de pessoas e de euros, como a Feira de São Mateus, em Viseu ou a Feira de Março, em Aveiro.
Estou a falar da destruição de um pequeno bosque de pinheiros e sobreiros, para a construção de arruamentos e pavilhões para uma feira que decorre num único dia do ano: o dia 29 de Setembro (dia de S. Miguel). Com certeza que a freguesia do Tortosendo terá outras prioridades e que dificilmente se poderá invocar, neste caso específico, o interesse público.

Já no caso da ampliação do Parque Industrial do Tortosendo, e sabendo como o mesmo está parcialmente inserido numa zona rica em sobreiros, compreendo que aqui possa ser invocado o dito interesse público, pois neste caso podem estar em causa investimentos que efectivamente gerem riqueza e emprego para o concelho. No entanto, fico a aguardar por mais detalhes do processo, nomeadamente quanto ao número de sobreiros envolvidos e quanto à existência de terrenos alternativos.


4º) Assim sendo, e se as obras avançarem com a devida autorização e no escrupuloso respeito do Decreto-lei n.º 169/2001, elogio a intenção de os sobreiros serem poupados ao abate e serem transplantados para espaços verdes do concelho.

No entanto, é aqui que verdadeiramente se poderá aferir se a CMC está ou não interessada em salvar os ditos espécimes.
E isto, porque este processo deverá ser feita por empresas especializadas nessa tarefa particularmente exigente do ponto de vista técnico; processo esse que, na minha modesta opinião, terá escassas probabilidades de ter sucesso mesmo que executado por empresas do sector da arboricultura.
E o que é que nos ensina o passado recente? Pois bem, ensina-nos que o dinheiro é o factor determinante em muitas das escolhas que são feitas.
Foi deste modo que uma empresa do concelho, sem qualquer especialização na manutenção de árvores ornamentais, ganhou o concurso público para a poda de centenas de exemplares na cidade, com os resultados dramáticos visíveis até para um leigo na matéria. Deste modo, é natural que tema o pior quanto à suposta transplantação dos referidos sobreiros.

Cá estarei para avaliar a boa vontade da CMC neste processo. Até porque, de boas intenções está o inferno cheio...

Um belo exemplar de sobreiro existente junto ao Bairro do Cabeço (Tortosendo, Covilhã)

domingo, agosto 03, 2008

Democracia a sério, a "cultura arboricida" e outras histórias sobre árvores


- Deixo a seguir algumas ligações para notícias sobre árvores. Por cá, continuam a abundar os exemplos de desprezo à árvore, embora este sentimento esteja longe de ser um exclusivo nacional, como a seguir se poderá constatar:

Em Braga, matam-se árvores com recurso a ácido. A falta de coragem, de dignidade e de grandeza de espírito de algumas pessoas, são tão banais que já perdi a capacidade de me indignar!

"Temos ali sobreiros, mas temos autorização para os abater". Onde? Em Anadia. Ler igualmente a notícia sobre esta questão no Ecosfera.

O transplante de árvores começa a fazer parte da "agenda política". Por bons ou por maus motivos...

- Em Espanha: a organização Bosques sin fronteras denuncia que mais de metade das árvores monumentais de Espanha carece de protecção. Conheçam uma das árvores monumentais do país vizinho: o castanheiro de El Campano (Villar de Acero, León).

Na cidade de Ronda (na Andaluzia), um conjunto de vândalos destruiu 10 árvores no principal parque da cidade, as quais tinham sido apadrinhadas por 10 crianças no momento do seu nascimento.

Num pequeno município da região de Valência, cortaram-se árvores por "ser molestos", ou seja, e traduzindo para bom português, por "serem incómodas". Parece que as "malandras" eram altas, sujavam e causavam alergias! Onde é que eu já li estes argumentos?

Um artigo muito interessante, relativo à "cultura arboricida" que prevalece em Córdova (como em tantos outros locais deste planeta). Um exemplo muito concreto desta "dendrofobia", em Palma de Maiorca.

Para evitar situações como a anterior, são importantes iniciativas como a exposição "Los secretos de los árboles", patente em Segóvia, que pretende dar a conhecer imagens de mais de 30 espécies arbóreas da província de Castela e Leão, como forma de incentivar os cidadãos a apreciar e a saber cuidar das árvores. Num país como o nosso, onde se encontra uma fundação debaixo de cada "pedra da calçada", não haverá nenhuma interessada em patrocinar uma iniciativa deste género que, percorrendo Portugal de lés-a-lés, procurasse cativar as pessoas para a defesa das árvores?

- Em Angola: mais de um milhão de árvores serão plantadas em todo o país, dentro de dois anos, no âmbito de um programa de combate à desflorestação e degradação das florestas.


- No Reino Unido: os donos de árvores poderão optar por cortá-las em vez de as sujeitar a inspecções periódicas (pagas pelos mesmos), tal como proposto em nova legislação.

Em Edimburgo, um grupo de cidadãos quer evitar a poda de árvores a pretexto da criação de um percurso de autocarros. Qual é a aspecto mais curioso desta notícia? Os referidos cidadãos não foram considerados, pelos responsáveis municipais, como sendo "forças de bloqueio" ou "opositores ao progresso", pasme-se! As autoridades municipais vão recebê-los e prestar esclarecimentos. Eu tenho um nome para isto: democracia a sério!

Tony Kirkham, responsável do arboretum dos Kew Gardens, em Londres, teme pelos possíveis efeitos das alterações climáticas nas espécies arbóreas nativas da Grã-Bretanha.

Por outro lado, um conjunto de especialistas tenta salvar os freixos de Londres da acção de um escaravelho responsável pela morte de milhares de árvores na província do Ontário.

- No Chipre: dois irmãos estão a ser julgados por terem destruído 233 pinheiros que, aparentemente, cometiam o "crime" de tapar a visibilidade de alguns painéis publicitários. Por cá, caso tenhamos o estatuto de comendador, até podemos cortar árvores para colocar estátuas, pois sabemos que nenhum tribunal nos ousará julgar!

- Nos Estados Unidos, mais concretamente em Maryland, a proclamação de uma árvore como "champion tree" é motivo de orgulho para uma comunidade. Por cá, como já bem sabemos, uma "árvore alta" seria condenada à "Santa Inquisição da moto-serra"!

"TREE Fund 2008 Tour des Trees" - Um pelotão de 50 ciclistas plantou árvores ao longo de uma via que atravessa o Indiana, Illinois e o Missouri (nos EUA), no decurso de uma iniciativa que visa angariar fundos para a investigação no domínio da manutenção das árvores e alertar as populações para a importância de uma correcta manutenção das árvores nas cidades e florestas.

- Na Índia: acção preventiva permitiu salvar mais de 100 árvores.

E ainda, para finalizar: "comScore Trees for Knowledge"; uma iniciativa que pretende alcançar o milhão de árvores plantadas, tendo surgido da associação entre uma empresa e a Trees for the future (uma organização sem fins lucrativos que, desde 1988, tem activo um programa de reflorestação em vários países em vias de desenvolvimento).

sábado, agosto 02, 2008

O mais importante é a aparência



O Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, esteve no passado dia 31 de Julho na Serra da Estrela, mais concretamente na zona da Torre, para proceder à inauguração de um centro de interpretação sobre a mais alta montanha do continente português.

Este centro funciona junto às instalações do "Centro Comercial da Torre" e pretende, de forma resumida, informar os visitantes sobre o património natural da Serra da Estrela. Agrada-me saber deste investimento e saber que quem visita este local terá, a partir de agora, acesso a algo mais sobre esta montanha do que alguns produtos regionais e outros de procedências bem mais longínquas e duvidosas.

Afinal de contas, a Serra da Estrela é um Parque Natural e o planalto da Torre, em particular, pertence à rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa. Ainda que, por vezes, tal pareça ficção científica...

E porquê? Porque enquanto o Sr. Secretário de Estado do Ambiente da República Portuguesa inaugurava este espaço no "Centro Comercial da Torre", algumas dezenas de metros atrás, afastado dos focos dos jornalistas, continuavam a correr a céu aberto os esgotos desse mesmo edifício (ver aqui).

É assim há ano e meio. É do conhecimento de todas as entidades com responsabilidades neste âmbito.

Mas em Portugal o que conta é manter as aparências. O que interessa é que as "luzes brilhem" na frente, não importando que nas traseiras, longe dos olhares da multidão, toda a porcaria se acumule.

P.S. - Adenda: o blogue "Estrela no seu melhor" publica o vídeo da inauguração do referido centro de interpretação, onde o jornalista da RTP afirma que o problema dos esgotos a céu aberto está resolvido. A mesmo "versão oficial" foi veiculada pelo Jornal do Fundão.
Os jornais Diário XXI e O Interior explicaram o "porquê" dos esgotos continuarem a correr a céu aberto passado todo este tempo. Para situações futuras, ficámos a saber quem aceita a notícia tal como ela é "vendida" e quem a questiona e investiga.
(Nota: não coloco as hiperligações para as notícias do Diário XXI e d' O Interior, pois estas são de carácter temporário).

Sobreiros no continente norte-americano

Sobreiro (Quercus suber L.) - Borough Plantation, Sumter (Carolina do Sul, EUA) - Fotografia South Carolina Champion Tree Database


Para além do registo nacional de árvores monumentais dos EUA (National Register of Big Trees), existem diversos organismos/instituições que promovem uma identificação de árvores notáveis ao nível de cada estado (Exemplos: California Register of Big Trees, Big Tree Champions of Maryland ou o South Carolina Champion Tree Database, entre outros).

E foi precisamente consultando algumas destas páginas que descobri que, nos Estados Unidos, também é possível encontrar belos exemplares do nosso sobreiro.

Deste modo, o sobreiro retratado na primeira fotografia, o maior que se conhece no estado da Carolina do Sul, possui um tronco com um perímetro de 2,54 metros (100,2 inches) e uma altura de 13,7 metros (45 feet).
O exemplar retratado na segunda fotografia, considerado o de maiores dimensões na Califórnia, possui um tronco com um perímetro de 5,81 metros (229 inches) e uma altura de 21,33 metros (70 feet). A acreditar na fiabilidade dos valores referidos, este sobreiro da Califórnia será um gigante mesmo quando comparado aos melhores exemplares que se conhecem no nosso país.


No entanto, nenhum destes exemplares aparece referido no registo nacional (National Register of Big Trees), porque para além do sobreiro não ser uma árvore autóctone nos EUA, não deverá possuir o estatuto de espécie naturalizada.

Sobreiro (Quercus suber L.) - Napa (Califórnia, EUA) - Fotografia California Register of Big Trees

terça-feira, julho 29, 2008

Gigantes dos EUA

Exemplar de Fraxinus pennsylvanica Marshall (Green ash) situado em Cass County, Michigan (EUA) - fotografia American Forests

Desde 1940 que os cidadãos norte-americanos auxiliam a organização American Forests, a identificar os maiores exemplares de um total de 826 espécies arbóreas. Esse conjunto de árvores está listado no National Register of Big Trees - Conheçam aqui (documento pdf) a listagem de 2008.


P.S. - A espécie retratada na imagem (Fraxinus pennsylvanica Marshall), cujo nome poderia ser aportuguesado para freixo-da-pensilvânia, está bem representada no nosso país por dois exemplares existentes na Mata do Buçaco.
O freixo da imagem, que se assume ser o maior exemplar desta espécie nos EUA, possui um perímetro do tronco de 6,88 metros (271 inches) e uma altura de 29,87 metros (98 feet). No "Árvores Monumentais de Portugal" de Ernesto Goes não vem referida a altura dos exemplares do Buçaco, sendo mencionado apenas os valores de perímetro de tronco para cada um deles (4,35 e 4,56 metros).

segunda-feira, julho 28, 2008

Novas regras para classificar árvores e o comendador que manda no país

Mata do Fontelo (Viseu)

- A Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) está a preparar novas regras para a classificação das árvores de interesse público. (Esperemos que seja apenas um caso de má interpretação, mas as declarações da vereadora do Ambiente da CM de Portalegre não me deixaram muito tranquilo...).
A propósito de árvores classificadas, podem aceder à respectiva listagem (aqui).

- Mais um abate de sobreiros na zona de Setúbal, considerado ilegal pela Quercus. Entretanto, o Sr. Berardo decidiu abater sobreiros para colocar estátuas numa propriedade no Bombarral. (Quem é que será o verdadeiro idiota nesta história? O Sr. comendador que sabe que, no pior dos cenários, tudo se resolverá com o pagamento de uma coima ou os verdadeiros idiotas seremos todos nós que ainda cumprimos as leis da República e julgamos viver num Estado de Direito?)

- Sumário do relatório WWF/CEABN "O sobreiro, uma barreira contra a desertificação".

- 150 Mil hectares de montado certificado até 2010. E, em complemento, primeiro montado de sobro com certificação descortiçado em Coruche.


- Prossegue a plantação de árvores para "salvar as nossas consciências". Agora em Loures, prometem-se 16 000 (!) novas árvores devido ao efeitos das "alterações climáticas". (E que tal, se em vez desta obsessão por plantar aos milhares novas árvores nas cidades portuguesas, se cuidasse com profissionalismo as já existentes?). Podem observar nestas imagens do Inverno passado, a forma "competente" com as árvores são tratadas em Loures.

- Mas para que não se pense que esta "moda" é um exclusivo luso, a Consellería de Medio Ambiente da Galiza pretende plantar 2 800 árvores, para fazer face às emissões de dióxido de carbono geradas pela sua própria actividade no ano passado. (Nos dias que correm, parece-me um "negócio da China" montar uma empresa que contabilize as emissões de CO2 de qualquer outra empresa ou instituição e que, posteriormente, proceda à plantação de bosques; a mim, particularmente, interessava-me que aparecessem empresas que controlassem quantas destas árvores são efectivamente plantadas e quantas sobrevivem após a respectiva plantação, atingindo a fase adulta).

- Em Vila Real, prometem-se também milhares de árvores para compensar as emissões do circuito automóvel da cidade (Será minha impressão ou de repente parece que tudo é "ambientalmente aceitável" desde que a seguir se plantem árvores?)

- Já em Oliveira do Hospital, o problema parece residir nas "árvores modernas"!

- A organização britânica The Woodland Trust pretende criar um novo bosque, exclusivamente com espécies nativas das Ilhas Britânicas.

- Detectada em Amarillo (Texas) novo surto de doença provocada por um fungo, a qual pode matar um carvalho em 3 ou 4 semanas. Um outro fungo está a destruir árvores centenárias em Tehuacán (México).

- Na vizinha Espanha, as árvores também são as primeiras vítimas de obras de requalificação nas cidades. Só na cidade de Granada, as obras do metro da cidade vão implicar o abate de cerca de 500 árvores.

- No pólo oposto, na cidade de Alicante, os Serviços de Parques e Jardins procederam a um levantamento minucioso das árvores da cidade, sinalizando as árvores monumentais. Em complemento, o município de Alicante prepara legislação para proteger as árvores monumentais da cidade, incluindo as que se situam em propriedade privada.

Um "Biosfera" dedicado à árvore

Alameda de tílias - Parque do Fontelo (Viseu)

Vídeo integral do programa "Biosfera" da RTP, 26 minutos dedicados em exclusivo às árvores - Fonte do vídeo: Quercus.

sábado, julho 26, 2008

O cedro de Viseu

Cedro-do-atlas [Cedrus atlantica (Manetti ex Endl.) Carrière] - Jardins do Hotel Grão Vasco (Viseu)

A cidade de Viseu possui várias árvores classificadas, às quais se deve adicionar o património arbóreo existente nos jardins da cidade, como o Parque Aquilino Ribeiro, a Mata envolvente à Cava do Viriato, a Mata do Fontelo ou a Quinta da Cruz.

Neste contexto, não é fácil distinguir um único exemplar, pese embora o magnífico e centenário cedro-do-atlas [Cedrus atlantica (Manetti ex Endl.) Carrière]* existente nos jardins de uma unidade hoteleira situada no centro da cidade, seja uma das árvores causadoras de maior admiração. Podem consultar a respectiva ficha na página da Direcção-Geral dos Recursos Florestais.


* Alguns autores consideram o cedro-do-atlas como sendo uma subespécie do cedro-do-líbano [Cedrus libani A. Rich. subsp. atlantica (Endl.) Batt. & Trab.]

sexta-feira, julho 25, 2008

Festival de Árvores # 25 e outras histórias...

- Apesar do mês de Julho se aproximar do seu fim, ainda é tempo de espreitar mais um Festival de Árvores.

- A rua onde eu cresci. Um texto de amor às árvores escrito por Rodrigo Cardia.

- Algumas hiperligações sobre árvores que "roubei" ao Sargaçal:

Como as árvores podem valorizar uma propriedade urbana;

Nos EUA, um homem foi condenado à prisão por ter cortado várias árvores que "bloqueavam" a sua vista sobre Las Vegas (e um dia também poderemos aspirar a ter este tipo de justiça no nosso país?); ainda dentro da temática de cortar árvores ilegalmente, a pena para este tipo de crime na cidade de Nova Iorque pode atingir os 15 000 dólares e o encarceramento por um ano (quantos responsáveis públicos deste país não mereceriam pena de encarceramento por autorizarem a destruição do nosso património arbóreo?)


- Continua a "moda" de plantar árvores como desculpa para toda e qualquer estratégia de marketing. Agora os bancos! Mas como a "moda" é global, e não apenas mais uma paranóia lusitana, no México foram plantados 8 milhões de árvores (aparentemente para "suavizar" a imagem do governo em matéria de defesa do meio ambiente. A Greenpeace não gostou...)

- Alentejo tem um milhão e meio de sobreiros e azinheiras mortos. O ministro da Agricultura minimiza... A Silly Season começou oficialmente! Entretanto, o P.E.V. questionou o governo sobre o abate de mais 12 000 sobreiros.

- Amigos do Douro preocupados com o fim das árvores na bordadura das vinhas.

- Uma notícia interessante para os leitores deste blogue residentes em São Paulo: 3ª edição do concurso "Árvores de São Paulo".

- Abate de árvores em Espinho suspenso até...Setembro! Ler a denúncia do Ondas 3.

- Poderão as árvores centenárias sucumbir à sua própria popularidade? Uma preocupação que nos chega da vizinha Espanha.

- Mais uma história de boas intenções com final infeliz (em Ervedal da Beira, Oliveira do Hospital).

- Ainda por terras de Oliveira do Hospital, mais um caso de "requalificação à portuguesa". As vítimas? As do costume, ou seja, as árvores - ler aqui e aqui.


quinta-feira, julho 24, 2008

Sem árvores

Castro Verde (Primavera 2008)

O sufoco dos papéis, a preguiça e outros factores, têm adiado/atrasado a actualização deste blogue.

Prometo corrigir esta situação nos próximos dias. Continuação de boas férias (se for caso disso)...

segunda-feira, julho 14, 2008

O primado da estupidez

Boliqueime (Loulé) - A "arte" de destruir uma árvore

O meu gosto por certas árvores tem aumentado com o tempo, à medida que vou verificando como escapam à fúria podadora. Tal é o caso das araucárias ou das casuarinas, por exemplo.

No entanto, mesmo para estas, é possível encontrar infelizes excepções, como denunciei no caso das araucárias (em Loulé ou na Figueira da Foz).

Chegou agora a vez de mostrar como em Boliqueime, terra natal do nosso Presidente da República, se estimam as casuarinas.


Boliqueime (Loulé) - A "arte" de destruir uma árvore

Palavras para quê? É o primado da estupidez em todo o seu esplendor...


P.S. - Notícia interessante do El Mundo: mais de metade das árvores monumentais de Espanha carece de um estatuto de protecção.


sábado, julho 12, 2008

Boas notícias

Fotografia do blogue Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho


O meu amigo Cesar que me perdoe, ele que até teve a gentileza de me avisar com antecedência, por só agora referir a cerimónia de classificação* dos túneis de árvores de algumas ruas de Porto Alegre.
O acto solene que oficializou a protecção dessas ruas decorreu no passado dia 28 de Junho. Este processo resultou de perseverança da Moinho Vive - Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Moinhos de Vento (Porto Alegre).


* Tombamento em português do Brasil.

Esta cerimónia ocorreu no mesmo mês em que se comemorou o 2º aniversário da classificação da Rua Gonçalo de Carvalho ou, como aqui a baptizei em Março passado, a rua mais bonita do mundo.


Parabéns a Porto Alegre por ter cidadãos que se esforçam por preservar o património da sua cidade e por ter autoridades municipais que reconhecem e dão força de lei a essa vontade.

Parabéns por não desistirem e obrigado por amarem as árvores!


Saibamos por cá aprender com este exemplo, quer ao nível do empenho dos cidadãos em causas comuns, quer ao nível da actuação do poder político na preservação do património natural e cultural das cidades.


Azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) - Exemplar classificado (Herdade das Pias - Mértola)

Através de um e-mail do João Vaz, do blogue O Ambiente na Figueira da Foz, apercebi-me que a Direcção-Geral dos Recursos Florestais tem novamente disponível a lista de árvores classificadas por distrito e concelho. Podem consultar essa lista aqui.

Esta informação está agora mais completa, disponibilizando as medidas de cada exemplar, uma imagem do mesmo e a respectiva localização com recurso a coordenadas. Uma outra funcionalidade que me agradou, para além de cada árvore ter agora uma ficha identificativa bastante completa, é o facto de a cada uma destas fichas corresponder uma hiperligação permanente.

Deste modo, pude confirmar que a azinheira sobre a qual aqui escrevi no passado dia 30 de Junho é mesmo o exemplar classificado em 1997, situado na Herdade das Pias (Mértola) - ver aqui a respectiva ficha na página da Direcção-Geral dos Recursos Florestais.

Parabéns à Direcção-Geral dos Recursos Florestais por esta iniciativa, esperando que agora que reformularam a respectiva página na internet, encontrem o tempo para responder ao pedido de classificação de 3 árvores que enviei, através de carta, no início do último Outono; ou que, no mínimo, me respondam ao e-mail enviado no início de Abril, precisamente a inquirir sobre a ausência de resposta a esse pedido.

quinta-feira, julho 10, 2008

Os pássaros nascem na ponta das árvores



As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração.


Ruy Belo


P.S. - Obrigado ao Francisco.

segunda-feira, julho 07, 2008

Porque é segunda-feira...

Oliveira (Olea europaea L.) de Pedras d' el Rei - Tavira


Sem querer apagar o triste (e revelador!) episódio da "oliveira desaparecida", para contrabalançar um pouco essa situação, publico hoje uma imagem do monumento bimilenar do aldeamento turístico de Pedras d' el Rei, esta magnífica oliveira (Olea europaea L.), classificada desde 1984.

Os próximos dias irão revelar na "sombra verde" e no "Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo", novos exemplares dignos de admiração. Apesar de tudo, de todos os atropelos ao nosso património natural, Portugal ainda é um país de árvores...

P.S. - Com tempo, irei ainda voltar às hiperligações sobre notícias relacionadas com árvores. Tenho algumas bem interessantes em "lista de espera".

domingo, julho 06, 2008

Desaparecida



"Um pouco mais impressionante foi a oliveira que encontrámos na N258 entre o Alvito e a Vidigueira (...) com cerca de 7 metros de P.A.P. Trata-se de um exemplar magnífico, situado junto a um viveiro e que aparenta ter sido transplantada para este local, podendo inclusivamente ser um exemplar que os donos do viveiro ponderem vender, caso surja uma boa oferta".

Assim escrevi em Setembro de 2006. Infelizmente, o Miguel Rodrigues constatou recentemente que esta magnífica oliveira estava efectivamente à venda e, pior ainda, que a mesma tinha sido vendida e que o proprietário do viveiro nem sequer ficou com um contacto/referência do respectivo comprador.

E assim se perdeu "o rasto" a uma oliveira monumental, com uma grossura de tronco impressionante e que, inclusivamente, poderá mesmo ter sido vendida para algum país estrangeiro. Assim vai o nosso património...

sábado, julho 05, 2008

Já sei namorar

"Oliveira dos namorados" - Alvito, fotografia de Miguel Rodrigues

Em Setembro de 2006 tínhamos visitado esta oliveira (Olea europaea L.) no Alvito e, na altura, ficámos com sérias dúvidas de que pudesse ser a "oliveira dos namorados" referida no "Árvores Monumentais de Portugal", do Ernesto Goes.

Passados quase dois anos, as dúvidas foram desfeitas e esta é mesmo a "mais romântica" das oliveiras portuguesas. Para conhecerem no "Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo".

quarta-feira, julho 02, 2008

Árvores para "adopção"



O leitor Rúben Vilas Boas informou-me que tem um conjunto de castanheiros, cerquinhos e sobreiros para "adopção".

Quem estiver interessado em aceitar algumas destas pequenas árvores, poderá enviar-me um e-mail para asombraverde(at)gmail.com, e eu farei por fazer chegar essa informação ao Rúben.

Pelo que eu compreendi da mensagem do Rúben, as árvores são gratuitas, tendo os interessados apenas que se deslocar no próximo Inverno à sua propriedade, a qual se situa na zona de Coimbra.

Sendo assim, fico à espera de eventuais interessados em aceitar e cuidar destas pequenas promessas de futuro.

terça-feira, julho 01, 2008

Haverá sempre "Dias com Árvores"



É justo dizer que, sem eles, a "sombra verde" nunca teria existido. O fim é sempre o princípio de outra coisa qualquer, talvez ainda melhor...Até sempre, Manuela, Maria e Paulo.

segunda-feira, junho 30, 2008

Perdidos em busca de uma azinheira

Azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) - nas imediações do Monte das Pias, junto ao Pulo do Lobo (Mértola)


Encontrar uma azinheira no Alentejo, não possuindo informações muito precisas, pode ser uma experiência semelhante à de encontrar uma agulha num palheiro.

Foi essa a sensação vivida em Setembro passado, para encontrar a azinheira do Monte Barbeiro, no concelho de Mértola.
Curiosamente, voltámos a sentir algo semelhante há cerca de um mês, para encontrar uma outra azinheira monumental, situada igualmente no concelho de Mértola.

Desta vez, o objectivo era localizar a azinheira classificada da Herdade das Pias, situada entre Amendoeira da Serra e o Monte das Pias, bem perto do Pulo do Lobo (famoso troço do rio Guadiana).

Apesar das informações recolhidas no Turismo de Mértola e junto de alguns naturais da aldeia de Amendoeira da Serra, os dados que obtivemos sobre a localização da referida árvore não foram tão precisos quanto era desejado.

E após uma hora a percorrer o terreno que mais nos pareceu corresponder à descrição que nos tinha sido dada, a única azinheira digna de registo que encontrámos foi o exemplar retratado na imagem acima.

Trata-se de uma azinheira com dimensões acima da média, mas poderá ser esta a árvore com 500 anos de idade e classificada há 10 anos? Tendo em conta o estado de degradação da árvore, o nosso sincero desejo é que estejamos enganados!

Apesar de estarmos a efectuar alguns contactos com vista a confirmar se esta é a referida azinheira classificada, aceitamos de bom grado o auxílio de algum leitor que conheça esta árvore.

Para além da fotografia anterior, deixo ainda uma ligação para uma imagem do Wikimapia, para auxiliar na localização desta azinheira (nota: repare-se que nesta imagem de satélite, a árvore apresentava ainda uma copa relativamente compacta).

quinta-feira, junho 26, 2008

Um desejo

Oak Tree, Snowstorm (1948) - fotografia de Ansel Adams retirada de The Ansel Adams Gallery


Quando for grande quero ser uma árvore!


P.S. - Desejos de Natal...

El Olivo Santo de El Rocío (revisitado)

Zambujeiro [Olea europaea L. subsp. europaea var. sylvestris (Miller) Lehr.] - El Rocío (Huelva, Espanha)

O zambujeiro [Olea europaea L. subsp. europaea var. sylvestris (Miller) Lehr.] retratado nestas imagens é o maior exemplar de um conjunto de outras árvores da mesma espécie, situadas na povoação andaluza de El Rocío, as quais foram classificados como Monumento Natural pela Junta da Andaluzia.

Ao exemplar destas imagens, conhecido como El Olivo Santo, está associada uma lenda que podem conhecer (ou relembrar), consultando este texto de Novembro passado.


Zambujeiro [Olea europaea L. subsp. europaea var. sylvestris (Miller) Lehr.] - El Rocío (Huelva, Espanha)

sábado, junho 21, 2008

Até já

PN de Doñana, El Acebuche (Huelva)


A sombra regressa após as reuniões de avaliação, no final da próxima semana.

quinta-feira, junho 19, 2008

segunda-feira, junho 16, 2008

Abates silenciosos

Em silêncio e sem justificações públicas:

1º) Continua o abate de árvores em Loulé! A propósito deste caso, há silêncios que incomodam e muito; um deles é o da Almargem, a maior associação ambientalista do Algarve, com sede nesta cidade algarvia.
(Nota: Caso exista algum comunicado público da Almargem a questionar a Câmara Municipal de Loulé, acerca dos motivos que fundamentam o abate de árvores em várias partes da cidade, peço publicamente as minhas desculpas à referida associação ambientalista).


2º) Um conjunto de sobreiros foi decepado em Leiria, aparentemente sem motivo conhecido que possa "justificar" este acto de terrorismo arbóreo.

Sobre os jardins da Covilhã

Estudo prévio para Jardim Botânico no Parque Alexandre Aibéo - Imagem digitalizada a partir do Boletim da Câmara Municipal da Covilhã, n.º 16 - Abril de 2008

1º) O projecto para a reconversão (evito, propositadamente, utilizar o termo "requalificação") do Parque Alexandre Aibéo, na Covilhã, parece avançar. Como aqui escrevi em Outubro de 2006, o projecto de autoria do arquitecto Luís Cabral, autor do Jardim do Lago, pretende criar um Jardim Botânico com espécies autóctones da Serra da Estrela.

Elogio o avanço desta obra, na certeza que a mesma respeitará o património arbóreo aí existente, sobretudo pelo importante papel educativo que a mesma poderá desempenhar, ajudando os covilhanenses a reconciliar-se com a Serra da Estrela. Só se ama o que se conhece...

Jardim do Lago, Covilhã


2º) Por outro lado, avançam as obras do Parque da Goldra, projecto integrado no Programa Polis. Este parque, projectado por uma equipa liderada pelo arquitecto José Oliveira, irá ocupar uma área de 5 hectares ao longo da ribeira da Goldra, o que fará dele a maior zona verde da cidade.

Parque da Goldra, Covilhã

Parque da Goldra, Covilhã (Nota: no centro da imagem, por detrás dos 5 mamarrachos de cor creme, é visível uma das maiores pseudotsugas da Covilhã)

As minhas palavras, no presente, só podem ser de elogio para estas obras. No entanto, preocupa-me o futuro destes jardins, pegando no exemplo do Jardim do Lago que denunciei neste texto.

Recupero as palavras que o Paulo Araújo escreveu há tempos aqui na "sombra verde": "Há a inauguração com sorrisos, presença de ministros, presidentes de câmara, empresas patrocinadoras e reportagens na televisão e nos jornais. Mas há depois o dia seguinte, que já não beneficia da mesma publicidade e de que só tomam consciência os habitantes locais mais atentos e menos desmemoriados. E o dia seguinte é o resultado do mau planeamento (tantas vezes com assinatura famosa) e da má gestão (em Portugal, é triste reconhecê-lo, quase não há jardineiros, mas tão só empresas de manutenção de espaços verdes estereotipados e sem diversidade)".

Dito por outras palavras, terá a Câmara da Covilhã, depois dos milhares de euros dos contribuintes investidos nestas obras, capacidade para fazer a sua correcta manutenção?

Peguemos num exemplo concreto: há cerca de dois anos, foi aberto concurso para a poda de centenas de árvores na cidade da Covilhã. O "preço" proposto foi considerado o factor determinante na escolha da empresa para realizar essa tarefa.
O resultado foi que a empresa vencedora foi uma empresa local sem qualquer especialização na poda de árvores ornamentais. A consequência prática desta decisão tem sido a mutilação de centenas de árvores, como por diversas ocasiões aqui denunciei. O que significa que o dinheiro "poupado" na referida decisão, terá que ser gasto daqui a uns anos para substituir muitas destas árvores.


Com este exemplo não terão os covilhanenses motivos de sobra para temer pela gestão futura destes novos jardins da cidade?


3º) No entanto, e apesar de toda esta situação, a acreditar num inquérito online do "Jornal do Fundão", citado pelo Boletim da Câmara Municipal da Covilhã, n.º 16 - Abril de 2008, a Covilhã foi considerada a cidade da Beira Interior com melhor oferta de espaços verdes.

Levando em linha de conta, que o problema das "podas camarárias" é, em maior ou menor grau, comum à esmagadora maioria dos municípios portugueses, e mesmo tendo em conta o pouco rigor dos "inquéritos online", não deixa de ser uma notícia surpreendente.

O que significa que, talvez mais importante do que ter espaços verdes bem geridos, seja criar junto da opinião pública, essa mesma ilusão...

domingo, junho 15, 2008

A solidão da árvore sozinha



Breve Sonata em Sol [UM] (Menor, Claro)

A solidão da árvore sozinha
no campo do verão alentejano
é só mais solitária do que a minha
e teima ali na terra todo o ano
quando nem chuva ou vento já lhe fazem companhia
e o calor é tão triste como o é somente a alegria
Eu passo e passo muito mais que o próprio dia.

Ruy Belo


P.S- Um poema do tamanho da solidão. Um poema que agradeço à Rosa.

sábado, junho 14, 2008

Festival de árvores # 24

  Velha azinheira nas proximidades do Pulo do Lobo - rio Guadiana

- Festival de árvores n.º 24

- Cientistas israelitas fizeram germinar sementes de tamareira (Phoenix dactylifera L.) com 2 000 anos - elmundo.es

- A Quercus, a Câmara Municipal de Águeda e a empresa Silvicaima assinaram no passado dia 11 de Junho, um protocolo de cooperação que visa desenvolver, em Belazaima do Chão, o projecto Cabeço Santo - Conheçam o blogue do projecto.

quinta-feira, junho 12, 2008

Ainda o corte de árvores em Tomar

Azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) -Estrada Serpa/Vila Verde de Ficalho - fotografia de Miguel Rodrigues

- Ainda o corte de árvores na EN 110, em Tomar. A Estradas de Portugal, louve-se a atitude, dignou-se a prestar alguns esclarecimentos sobre esta situação, para... Pois bem, para responsabilizar outra empresa do Estado, a Refer.
Com um bocadinho de imaginação, a Estradas de Portugal ainda conseguirá arranjar motivos suficientes para cortar todas as árvores que ladeiam as estradas deste país, evitando o "aborrecimento" de se responsabilizar pela respectiva manutenção.

- Prosseguindo a "moda" de plantar árvores para "salvar o mundo", a General Motors convida as pessoas a calcular a sua "pegada de carbono".

P.S. - Uma vez que se aproxima o final de um período lectivo, com todas as obrigações profissionais que tal acarreta, será natural que o ritmo de publicação abrande nos próximos dias.

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XVI)





O amigo Albano Matos enviou-me um conjunto de imagens que me "obrigaram" a retomar a triste série de "retratos"...

A primeira imagem é da Anadia, a segunda da Curia e a última do Instituto Gulbenkian de Ciências, em Oeiras.

Duas notas breves acerca de duas das imagens:

- na segunda imagem, note-se que finalmente alguém parece ter encontrado uma "utilidade" para os cepos a que alguns ainda chamam árvores;

- sobre a última imagem, não posso deixar de lamentar que uma instituição tão respeitada como o Instituto Gulbenkian de Ciências, não tenha outro tipo de atitudes no que concerne à manutenção das árvores dos seus jardins.

terça-feira, junho 10, 2008

Nós

As quinas por entre as agulhas da pseudotsuga


Portugal. Não chega a ser um país,
é um sussurro traçado a sulcos
no xisto ardente à beira rio.

Portugal. Não chega a ser um povo,
é um somatório de ilusões
na espuma efémera da praia.

Não chega a ser alegria.
É suor e alguma obstinação.

Não chega a ser dor.
É uma tristeza dolente a que se chama saudade.

Desapontado






Neste último ano que passou, com a excepção desta nogueira, a pequena "maternidade de árvores" da minha varanda, não me tem dado grandes alegrias.

O azevinho, que há dois meses atrás exibia uma pujança (aparentemente) inabalável, definha agora em marcha acelerada, restando-lhe apenas as folhas murchas visíveis na primeira imagem.
O carvalho-alvarinho, de tão preguiçoso, nem chegou a acordar do sono invernal...

Por último, nenhuma das avelãs e bagas de azevinho que espalhei por vários vasos, dá sinais de querer germinar. Perdi o talento!

Salvem-se as "maternidades" plenas de vida, como o carvalhal do José.

segunda-feira, junho 09, 2008

Como são "bonitas" as nossas ruas e jardins






Estas são imagens da vila do Gerês, porta de entrada do nosso único Parque Nacional. Na forma como a árvore é tratada no espaço público, nada a distingue das demais...

domingo, junho 08, 2008

Um jardim digno da nossa pequenez

"Por iniciativa de japoneses amigos de Portugal, com a ajuda dos respectivos diplomatas, criou-se em Lisboa um "jardim japonês" feito de cerejeiras vindas daquele país.
Foi há dois ou três anos. Ali à beira Tejo, junto dos restos da antiga Exposição do Mundo Português, perto de um farol, foi instalado um jardim feito de estranhos mas bonitos montículos de terra semeada de erva.
No cimo dos montículos, foram plantadas cerejeiras, árvores especialmente cultivadas no Japão. Cada árvore foi plantada com todo o cuidado, amarrada a uma estaca, regada e tratada.
Na altura, fiquei radiante. E tentei antever a beleza que seria aquelas árvores todas em flor! Estava tudo perfeito. A atenção ao pormenor era de rigor.

O melhor de Portugal associou-se a este empreendimento: governo, câmara, administração portuária, instituições públicas, as mais importantes fundações do país, as maiores empresas portuguesas e algumas das mais conhecidas empresas japonesas.
Há três anos que espero que as árvores cresçam e apareçam as primeiras flores e cerejas. Nada! Nenhuma cresce. De um total de cerca de 400 árvores, só três mostraram meia dúzia de miseráveis folhas ressequidas sem futuro, nem desenvolvimento. As restantes estão irremediavelmente secas e mortas! Ou parecem. Fui saber. Quem sabe explicou-me.
Primeiro, naquele sítio, com aquelas condições de clima e temperatura, com o sal marinho, o vento e a humidade (a salsugem), só um milagre faria florir e crescer as cerejeiras. Houve quem alertasse, na altura, mas as opiniões científicas foram consideradas cépticas e ignorantes.
Segundo, as plantas, quando chegaram do Japão, estiveram uns meses à espera de que a Alfândega as deixasse entrar!
É assim! Não se aprende nada!"

António Barreto in Retrato da Semana (Público, edição n.º 6643 de 8 de Junho de 2008)

sábado, junho 07, 2008

Mais árvores abatidas pela "Estradas de Portugal"

Final de tarde em Noudar

Após alguma falta de tempo nos últimos dias para actualizar o blogue, deixo as ligações para algumas notícias relacionadas com árvores:

- Mais árvores abatidas pela empresa Estradas de Portugal. Depois do recente abate de árvores na EN 349-3, entre Tomar e Torres Novas, seguiu-se um novo abate de árvores na zona de Tomar, desta feita ao longo da EN 110.

A pouco e pouco, esta empresa vai destruindo o importante património público, plantado nos tempos da empresa que a antecedeu. "Compreende-se" a lógica destes abates, pois é preferível, ou seja, "é mais rentável", cortar as árvores do que contratar técnicos ou adjudicar a empresas especializadas, a respectiva manutenção.
Um povo como o nosso, que sofre de tamanha "dendrofobia", não terá a empresa que merece?

- Do Ondas 3: o oposto de tudo isto, o oposto de todas as banalidades que justificam o corte de árvores no nosso país. Nos Estados Unidos, uma senhora foi multada em 100.000 dólares por ter mandado abater árvores públicas para melhorar as vistas da sua casa para o lago Tahoe.

- E passemos ao meu "adorado" programa HiperNatura... Contou-me o amigo Nelson Lima que, no Continente de Vila Real, as árvores já estão em "saldos", ou seja, de 2 € passaram para 0,75 €. Como ele pergunta (e bem), se todo o dinheiro obtido com a venda das árvores se destinava a financiar o programa HiperNatura, quem é que ficará a perder dinheiro? A Sonae ou o programa de requalificação de jardins?

- Artigo interessante do Expresso: energias renováveis "pressionam" os últimos redutos das florestas autóctones portuguesas.

- Os Amigos do Parque Ecológico do Funchal deslocaram-se hoje, dia 7 de Junho, ao Pico do Areeiro para uma acção do programa de reflorestação da área desertificada.

- Livros escolares em segunda mão para "poupar" árvores (e outros recursos).

- Do blogue Maria Pudim, a notícia relativa a um curso de etnobotânica, a decorrer no Mosteiro de Tibães (Braga), nos próximos dias 28 e 29 de Junho.

- O Presidente do Brasil, Lula da Silva, lançou o programa "1 bilhão de árvores para a Amazónia";

- Na passada quinta-feira, dia 5 de Junho (Dia do Ambiente), comemorou-se o 2º aniversário da classificação da Rua Gonçalo de Carvalho (em Porto Alegre) como Património, Cultural, Histórico, Ambiental e Ecológico desta cidade do Sul do Brasil. Este ano prestou-se ainda uma especial homenagem a Haeni Ficht, antigo líder do Movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, falecido poucos meses antes da classificação desta rua.