terça-feira, maio 27, 2008

O medo das "requalificações à portuguesa"



Ao projecto HiperNatura, iniciativa liderada pelo "Continente" e que visa a reconversão de diversos jardins públicos, já foram apontados alguns pontos negativos.

Em particular, o ponto mais criticado tem sido o relativo às árvores postas recentemente à venda nos hipermercados "Continente" e "Modelo".
Deste modo, criticou-se o preço de 2 € pedido por cada exemplar, argumentando-se que na maioria dos viveiros e noutras grandes superfícies, se conseguiria melhor preço por idênticos espécimes. Não o contesto, e não tenho vontade ou perfil para defender o "Continente", mas parece-me que os 2 € não se destinam "aos cofres do Eng. Belmiro", mas antes a ajudar a financiar a dita campanha (a menos que nos andem a enganar).

O que me parece certo é que, pelo menos a julgar pelo "Continente" da Guia e do "Modelo" de Albufeira, os portugueses não se deixaram convencer pela bondade da campanha e as pobres árvores lá vão secando nas prateleiras...Culpa do preço? Culpa do "Continente" que não soube explicar a campanha? Ou culpa dos portugueses que não estão virados para ajudar a renovar alguns dos jardins nacionais?

Também se criticou o facto de não serem folhosas e de não serem espécies autóctones. Louve-se um pormenor: não são espécies invasoras ou tidas como potencialmente invasoras.

A mim, em concreto, aborrece-me sobretudo que, por entre tantos mal-entendidos e boas intenções, acabe o inferno cheio de mais uns milhares de embalagens de plástico e de um igual número de árvores raquíticas e mal amadas!



E eu? Eu também não vou comprar nenhuma árvore, confesso! Não o faço pelo preço das árvores (se acreditasse na campanha até pagava o triplo) ou por serem pinheiros e ciprestes exóticos. Não o faço, porque na minha opinião há um problema de fundo na campanha HiperNatura: o destino do dinheiro!
Dito por outras palavras, não concordo que se auxiliem as autarquias portuguesas a renovar parte dos seus espaços verdes, quando estas são as responsáveis pela mutilação anual de milhares de árvores situadas no espaço público.

Atente-se na primeira imagem que acompanha este texto, e que resulta da digitalização da fotografia da página 10 da edição da revista "Visão" (n.º 794).
Esta imagem retrata o primeiro resultado prático do programa HiperNatura: a inauguração do parque infantil do Jardim Almeida Garrett, em Ovar.

Agora atente-se no pormenor que decidi realçar da dita fotografia, ou seja, a "poda camarária" de algumas das árvores que rodeiam este jardim.
Pois bem, não contem com o meu dinheiro e o meu apoio para "isto", ou seja, para requalificações à portuguesa!





Eu acredito que as intenções sejam boas, neste como noutros casos, mas delas está o inferno cheio...

As árvores nasceram sem culpa, se não têm imaginação para mais, deixem-nas em paz e sossego!

segunda-feira, maio 26, 2008

O sobreiro do Monte Curral

Sobreiro (Quercus suber L.) - Herdade do Monte Curral (Piçarras, Castro Verde) - Primavera de 2007

Em Março do ano passado, iniciei a publicação de um conjunto de imagens (ainda inacabado), que pretendia mostrar as minhas árvores preferidas, ao longo do trajecto de quase 500 km, entre a minha terra de origem (Covilhã) e a minha actual terra de adopção (Albufeira).

A esse conjunto de textos e imagens, que retratam parcialmente mais de 5 horas de estrada, chamei "Viagens". Não tendo ponderado nenhum critério em especial quanto à sequência de publicação desses textos, optei por começar por aquele que será o maior sobreiro de toda a viagem.

E foi esse mesmo sobreiro que o Miguel Rodrigues foi visitar na quinta-feira passada: o sobreiro da Herdade do Monte Curral, situado perto da localidade de Piçarras (concelho de Castro Verde).

Podem aceder a toda a informação sobre esta árvore no blogue "Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo".

Sobreiro (Quercus suber L.) - Herdade do Monte Curral (Piçarras, Castro Verde) - Primavera de 2008

É um exemplar notável em altura (com um valor idêntico ao do sobreiro da Corte Grande, situado no concelho de Monchique), mas com dimensões mais modestas no valor do P.A.P. e no diâmetro da copa (máximo e médio).

No entanto, o que mais distingue estes dois grandes sobreiros é a densidade da copa e o vigor vegetativo. Assim, enquanto o sobreiro da Corte Grande demonstra um grande vigor vegetativo, este exemplar do Monte Curral apresenta um aspecto algo decrépito, aparentando estar num processo de decadência (faltando saber quais os motivos e, sobretudo, se o mesmo será ou não reversível).

Este sobreiro do Monte Curral, apresentava no início do Verão de 2005, a copa com um aspecto bastante seco e, por essa altura, temi que estivesse a definhar de forma irreversível.
No entanto, ao longo do período que foi do Outono de 2006 até à Primavera de 2007, a árvore deu mostras de estar a recuperar. Em Março do ano transacto, a árvore apresentava a copa com uma densidade de folhagem verde como há muito não lhe via (ver primeira fotografia), o que me levou a ficar optimista quanto ao seu futuro.
 
Veremos o que futuro reserva a este gigante das estepes do Sul...
 

sexta-feira, maio 23, 2008

Os "plantadores de árvores" estão de volta

Esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) - Encosta da Covilhã (Serra da Estrela), fotografia do José Amoreira


- A existência de populações estáveis de esquilos, bem como de outros herbívoros, tem uma importância crucial para a regeneração das florestas. Por isso, e para quem gosta de árvores e de florestas, os esquilos serão sempre bem-vindos!

- Do Ondas 3 chegam-nos duas notícias interessantes: petição a José Luis Zapatero para que plante as árvores que prometeu; filme indiano adoptado para a promoção da campanha "Plant for the Planet" (ver vídeo aqui).

- Está plantado o primeiro arboreto do concelho de Esposende, que surge no âmbito do projecto de beneficiação do Monte do Senhor dos Desamparados, na freguesia de Palmeira de Faro.

- TreeParade 2008: uma "floresta" de 178 árvores, em escala reduzida e criada por crianças e jovens de escolas de todo o país, vai colorir o Terreiro do Paço, em Lisboa. Descontadas todas as hipocrisias associadas a este tipo de iniciativas, como já desisti das actuais gerações que mandam neste país, "assino por baixo" de qualquer iniciativa que tente fazer dos mais novos verdadeiros amigos das árvores e da floresta.

-
Poderá a alfarroba "salvar" os biocombustíveis?

- Plantação de 199 árvores no Aeroporto Salgado Filho (Porto Alegre, Brasil) lembra vítimas do acidente da TAM, ocorrido em Julho de 2007.

- Do Árvores Vivas em Nossas Vidas: um belo poema e uma grande música sobre a árvore.

- Um novo blogue para ajudar à divulgação e preservação das árvores monumentais de Portugal: Árvores do nosso Norte.

quinta-feira, maio 22, 2008

Sejamos sérios!

Albufeira, Maio de 2008

Sejamos sérios, de uma vez por todas... Há ruas que, dada a forma como foram planeadas, não comportam a plantação de árvores. Pois bem, não as plantem!

"Se não há espaço para a árvore é preferível plantar só o arbusto, ou mesmo só a flor e não contar depois com a tesoura para manter com proporções de criança o gigante que se escolheu impensadamente". Estas palavras foram transcritas do livro "A Árvore em Portugal" de Gonçalo Ribeiro-Telles e de Francisco Caldeira Cabral (cuja primeira edição, e corrijam-me se estiver errado, remonta à década de 60; ou seja, passados quase 40 anos sobre esta obra marcante sobre a árvore e a sua manutenção no espaço urbano, a conclusão é que não evoluímos rigorosamente nada).

Situações como as que estas imagens retratam, evitam-se fazendo uma escolha adequada das espécies e do número de exemplares a plantar.
E se, mesmo escolhendo uma espécie arbórea com porte modesto, esta não tiver espaço para a sua copa se desenvolver com naturalidade, pois então plante-se um arbusto ou não se plante nada!

Albufeira, Maio de 2008

"Qualquer supressão de que resulte um aspecto definitivamente mutilado da árvore, deve considerar-se inadmissível visto comprometer definitivamente a finalidade estética da planta ornamental. É preferível nesse caso a supressão pura e simples do indivíduo". Gonçalo Ribeiro-Telles e Francisco Caldeira Cabral in "A Árvore em Portugal".

Isto não significa que o toco da árvore tenha que ficar "exposto" publicamente, como uma espécie de macabra homenagem a quem não soube antever o futuro...

terça-feira, maio 20, 2008

A árvore tratada como lixo

Albufeira, 2008-05-19


A 100 metros de uma escola básica de Albufeira, um belíssimo exemplo de "deseducação ambiental"!


P.S. - Aproveito para regressar ao tema "A Escola e as podas", com ligações para dois textos (aqui e aqui) do Ondas 3 e para os dois textos que já dediquei a esta temática (aqui e aqui).
Vale ainda a pena ler o texto "Podas e caricaturas", da autoria de Tiago Torres Campos (arquitecto paisagista).

segunda-feira, maio 19, 2008

O pinheiro de Vale del Rei

Pinheiro-manso (Pinus pinea L.) - Vale del Rei, Lagoa

Este belo pinheiro-manso (Pinus pinea L.), situado no concelho de Lagoa, é para nós um mistério...O motivo? Na obra "Árvores Isoladas, Maciços e Alamedas de Interesse Público", do Instituto Florestal (1995), ele aparece como estando classificado desde 1972.

No entanto, na informação que a Direcção-Geral dos Recursos Florestais disponibilizava até há pouco tempo na sua página na internet (e que "desapareceu" com a sua recente remodelação), esta árvore não constava da lista das classificadas no distrito de Faro.

Esta é uma situação para esclarecermos junto dos próprios serviços da
Direcção-Geral dos Recursos Florestais.

Trata-se de um exemplar que em termos de dimensões fica aquém do "vizinho" pinheiro situado à beira da EN 530-1, não deixando por este motivo de ser uma árvore merecedora de admiração.

Para breve, mais informações sobre a localização exacta deste pinheiro e as respectivas dimensões, no Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.

sábado, maio 17, 2008

Maio, maduro Maio

Covilhã e Serra da Estrela, 2008-05-17


- Festival de Árvores n.º 23.

- Do Floresta do Interior: um conjunto de investigadores portugueses produziu um manual onde é caracterizado o castanheiro europeu (Castanea sativa Mill.) e as diferentes variedades de castanha das regiões Centro e Norte de Portugal.

- 2 000 milhões de árvores plantadas pela campanha Plant for the Planet.

- Outra campanha de reflorestação que merece ser divulgada, promovida pela Adenex (Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura) no país vizinho: Plantabosques.
(Descobri ontem, no Centro de Educação Ambiental da Herdade de Vale Gonçalinho, um magnífico livro editado pela Adenex: "Árboles Notables de Extremadura". Obviamente, já está na minha "lista de compras").

- A Estradas de Portugal ainda não divulgou o relatório técnico que comprova que as árvores centenárias, abatidas a seu mando na EN 349-3, estavam irremediavelmente doentes e que, desta forma, constituíam um perigo para os automobilistas.
Provavelmente, a administração da empresa considerará que tal será um desperdício de tempo e dos preciosos recursos financeiros da empresa. Vai daí, decidiu aplicar esses preciosos recursos num processo contra a Quercus, relativamente a um protesto desta associação ambientalista contra o abate de sobreiros e de azinheiras, durante a construção do IC 3 e do IC 9.
Para ler: As estradas despistaram-se.

- Outro caso de surrealismo e de amor luso às árvores: as "estranhas árvores" de Mogadouro.

- Um acto de suprema cobardia e que questiona a pretensa superioridade intelectual da espécie humana. Na minha Covilhã, claro! Onde o amor às árvores está pelas ruas da amargura...

sexta-feira, maio 16, 2008

Todo o Alentejo do mundo...E o "Árvores do Sul"!





O Miguel Rodrigues esteve na última edição da Ovibeja, como forma de promover o nosso projecto Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.


Deste modo, foram colocados alguns cartazes em diversos expositores e um poster (visível na primeira imagem), como forma de promover o nosso projecto de catalogação das árvores monumentais do Sul de Portugal.
O objectivo não foi tanto aumentar a exposição mediática do blogue e o seu número de leitores, mas antes procurar descobrir árvores monumentais que não estejam ainda referenciadas nas diversas obras/blogues que se dedicam à temática do património natural.

Desta forma, agradecemos publicamente a todas as instituições que aceitaram publicitar o nosso projecto: Direcção-Geral dos Recursos Florestais (Évora); Rádio Planície; Rádio Pax; Viveiros Oriana (Plantas do Sul); Liga para a Protecção da Natureza; Quercus; Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM); Agrupamento nº 3 de Beja (CNO); Câmara Municipal de Mértola; Associação dos Jovens Agricultores de Portugal; Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos; Logística Florestal.

Um agradecimento especial à organização da Ovibeja.

Azinheira do Monte Barbeiro - A nossa "amiga" foi a estrela no stand da Câmara Municipal de Mértola.


quinta-feira, maio 15, 2008

Veredas interiores...

Jardim Botânico de Lisboa


(tarde para o jardim em mim 1)


O observatório astronómico anda tonto

das estrelas se infiltrarem nos seus tectos,

e os pássaros quedos em céus incorrectos

apodrecem e voam certeiros ao encontro

do desamparo. Os gatos escrevem nomes

de namoros na dor rangida dos bambus,

como se furtiva se prenunciasse a luz

no soalho do crepúsculo. E as enormes

árvores do México e da Nova Zelândia

adoptam o aguaceiro para seu pranto

e têm saudades de avestruzes volantes.

Quero tanto sentar-me à janela, na ânsia

das buganvílias me tecerem um manto

de lábios e drogas e melros flamejantes.


Rui Ramalhinho (poema e fotografia)



P.S. - Adenda 1 - Por sugestão do Francisco Paiva, recomendo a leitura do texto "Quem defende o Jardim Botânico?" de Galopim de Carvalho.

Adenda 2 - Outras veredas interiores a descobrir: As bétulas e o Zêzere n' O Cântaro Zangado.

quarta-feira, maio 14, 2008

Prossegue o abate de árvores no concelho de Loulé

Quarteira (fotografia de João Martins)

- Continua o abate de árvores no concelho de Loulé, desta vez em Quarteira. Já adivinhamos a "desculpa" oficial: uma qualquer requalificação!


- A Estradas de Portugal abateu nos últimos dias várias árvores centenárias plantadas ao longo da EN 349-3, entre Tomar e Torres Novas. Espero ansiosamente pelos relatórios técnicos que fundamentem devidamente esta decisão (estou a ser sarcástico!).
E pensar que já houve um tempo em que a antiga JAE (antecessora da Estradas de Portugal) plantava árvores ao longo das estradas deste país...

- Do Cântaro Zangado: a nova página do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) está pronta a ser consultada.

- D' O Elogio da Sombra: "Arbutus do Demo", um novo parque botânico para ser visitado em Vila Nova de Paiva.

- O jornal , publicação da cidade brasileira de Porto Alegre, traz na sua última edição uma referência à Sombra Verde, a propósito do impacto da luta do movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho. Muito obrigado.
E, sobretudo, espero que os cidadãos de Porto Alegre nunca desistam de lutar pela preservação dessa rua, autêntico hino de amor às árvores que inspira todo o mundo a preservar o verde nas cidades.

terça-feira, maio 13, 2008

Oliveira (Olea europaea L.) - Lagoa (junto à escola Jacinto Correia)

Há cerca de um mês atrás, tive ocasião de vos mostrar imagens de uma belíssima oliveira (Olea europaea L.), situada nos arredores de Lagoa, e classificada como árvore de interesse público.

Mas, no que concerne a oliveiras monumentais, existem outros motivos de interesse em Lagoa. Dentro do perímetro urbano da cidade, ao lado da Escola Básica Jacinto Correia, existe um pequeno núcleo de oliveiras que merecia ser protegido no seu conjunto.

A maioria destes exemplares é praticamente impossível de ser medido, dado o matagal que os rodeia e que impede qualquer tentativa para medir o perímetro do respectivo tronco.

Um dos poucos exemplares que conseguimos medir é o que está retratado na primeira imagem. Trata-se de uma oliveira de dimensões assinaláveis, com um P.A.P. de 5,80 metros e uma altura que ultrapassa os 9 metros.

No entanto, aquela que nos pareceu ser a maior destas oliveiras, pelo menos no que concerne à grossura do tronco, é a que está retratada na imagem seguinte. O emaranhado de rebentos de oliveira e de aroeiras que a rodeiam, impediram as nossas tentativas para medir o seu enorme tronco.


Oliveira (Olea europaea L.) - Lagoa (junto à escola Jacinto Correia)

O futuro destas oliveiras é uma incógnita...Com a actual "febre por oliveiras" é natural que acabem no jardim de algum hotel ou mesmo num campo de golfe.

Esquece-se que, para lá do valor individual de cada uma destas árvores, existe o valor ambiental e paisagístico formado pelo respectivo conjunto, o qual não é passível de ser replicado num qualquer resort de luxo.

segunda-feira, maio 12, 2008

Porque sou contra...

Foz do rio Tua (digitalização a partir de uma fotografia tirada da linha do Tua em Março de 1996)



Nem o mais fundamentalista dos fundamentalistas será contra todas as barragens. Não me considero, em consequência, como um fundamentalista apenas por ser contra a construção de uma barragem em particular, a da foz do rio Tua.


Sou contra esta barragem por motivos bem simples: pelo que foi dado a conhecer publicamente, a rentabilidade desta estrutura não justifica a destruição de um vale único e dos valores naturais que encerra, incluindo ainda as implicações negativas que a mesma terá na economia da região duriense ao nível do turismo.


O Douro tem tudo para ser uma história de sucesso no que toca à rentabilidade turística aliada à preservação da paisagem. No entanto, as pessoas com poder de decisão em Portugal consideram que, talvez para não destoar do resto do território, também aqui é impossível conciliar o desenvolvimento económico com a preservação ambiental e paisagística.

Para o bem da uniformização do país estamos todos condenados ao betão e à mediocridade.


Passadas algumas décadas de adesão à União Europeia (UE), uma boa parte dos países que aderiram por último à UE, já nos ultrapassaram nos principais indicadores de desenvolvimento económico.

Alguém deveria "levar este país à psicanálise" para tentar encontrar as razões da nossa obsessão pelo betão e o porquê de, depois de tantas barragens, auto-estradas, pontes e estádios de futebol, o país continuar a empobrecer a cada dia que passa...É este "milagre económico", mas ao contrário, que os apóstolos do desenvolvimento baseado no betão não conseguem ou não nos querem explicar.


Claro que este empobrecimento do país não é geral e não atinge aqueles que, entre nós, beneficiam do culto ao "Deus betão", os mesmos que parecem ser os únicos a lucrar com a construção desta barragem no Tua (a par dos grandes accionistas da EDP).


Mostrem-me um exemplo de uma cidade, concelho ou região do nosso país, que se tenha desenvolvido à custa da construção de uma barragem* e eu serei o primeiro a apoiar a construção desta estrutura no Tua. (Aliás, não deixa de ser altamente significativo a oposição do autarca de Mirandela à construção da barragem do Tua).

* Espero que ninguém tenha "pensado" no Alqueva, até porque esse é o pior exemplo possível que pode ser dado em Portugal em diversas vertentes, desde o planeamento à execução.




É claro que o país necessita de reservas estratégicas de água e de fontes de energia não poluentes; embora o pretexto do dito "aquecimento global" para justificar a construção desta e de outras barragens seja um supremo exemplo de hipocrisia política!

Não me parece pelo que foi tornado público dos estudos que sustentam a construção da barragem do Tua, que a mesma seja imprescindível ou tenha um impacto significativo numa estratégia nacional, quer em termos de política da água, quer em termos de política energética.


Ao nível da gestão dos seus recursos hídricos e dos seus recursos energéticos, o país continua a desperdiçar as suas principais riquezas: a poupança e um uso eficiente desses mesmos recursos!
Num país pobre em recursos, incluindo os económicos, este uso eficiente da energia deveria ser a nossa principal prioridade. Ao invés, o país continua a dar exemplos flagrantes de desperdício de energia, desde a iluminação pública das cidades até à construção dos edifícios.

O Estado central, por exemplo, continua a não ter uma estratégia que privilegie o uso do transporte ferroviário face ao rodoviário e, com a construção desta barragem, prepara-se para encerrar em definitivo mais uma linha de comboio. Tudo em nome do combate ao "aquecimento global"! Brilhante...


É estranho como em Portugal "não existem" fundamentalistas do betão e, pelo contrário, abundam os velhos do Restelo, os que se opõem ao "desenvolvimento"...Enfim, essa tribo dos ambientalistas (estes sim, os verdadeiros fundamentalistas!). E, no entanto, hoje estamos mais pobres do que ontem e cada vez mais longe de espanhóis, eslovenos ou alemães.


Tenho para mim como verdade a seguinte constatação: um povo que não consiga impedir a construção da barragem do Tua, que não se revolte com a destruição de um património único, é um povo que não merece o seu país, que não merece Portugal!


Seja um dos que não se resigna e assine e divulgue a Petição pela Linha do Tua Viva. Obrigado.


P.S. - Para ler também: "Destruir a natureza em nome do ambiente".


sábado, maio 10, 2008

A "cabra" por entre as tílias

Coimbra, 2008-05-03

- Via Ondas 3: a Quercus vai avançar com um novo processo contra a Câmara de Anadia por atentado ambiental. Em causa estão sobreiros, numa área de 20 hectares, em Vilarinho do Bairro. Ler notícia completa aqui.

- A Quercus e a herdade do Freixo do Meio assinaram um protocolo de colaboração com vista à gestão de um carvalhal que fica agora integrado na rede de micro-reservas biológicas.

- Retalhista alemão lança promoção da cortiça.

- Continua a plantação de árvores para "salvar o mundo" de todos os seus problemas:
A cadeia de hipermercados "Continente" pôs à venda 100 mil árvores e outros "produtos verdes" (?!) para incentivar a valorização da natureza e do ambiente. A iniciativa decorre até 15 de Junho e insere-se no projecto Hipernatura para requalificar jardins de 20 cidades do Norte ao Sul do país.

Claro que por detrás de todas as iniciativas deste género está o "marketing verde" a funcionar. Neste caso, a escolha das espécies talvez não seja a mais feliz; o preço das árvores talvez esteja "inflacionado"; e talvez se esteja a incentivar as pessoas a plantar árvores numa altura do ano que não é a mais propícia.
Em termos pessoais, tenho até motivos para elogiar a "Sonae distribuição", na pessoa do director de loja do "Modelo" de Silves, pelo apoio que deram à campanha da minha escola no projecto de recolha de rolhas.
No entanto, o que me causa mais "pruridos" nesta história, é o próprio projecto Hipernatura em si e o seu objectivo de ajudar as autarquias a requalificar jardins. Porquê ajudar as autarquias a requalificar os seus jardins, quando em boa parte do ano estas se entretêm a destruir as árvores das cidades?

- E por falar na destruição das árvores das nossas cidades, e que tal se as autoridades municipais do nosso país seguissem este exemplo que nos chega do Brasil?

sexta-feira, maio 09, 2008

A oliveira "pequena" da Tôr

Oliveira (Olea europaea L.) com 5,34 metros de P.A.P. - Tôr (Loulé)

Esta bela oliveira (Olea europaea L.) situa-se no mesmo terreno que o extraordinário exemplar da mesma espécie, que divulguei no passado mês de Março.

Quando eu e o Miguel começámos o trabalho de catalogação das árvores monumentais do Algarve e do Baixo Alentejo, uma oliveira com 5 metros de perímetro do tronco teria sido um "achado"!

Com a excepção da famosa oliveira de Pedras d'el Rei (Tavira), não tínhamos conhecimento de outras oliveiras com dimensões que superassem os 6 metros de P. A. P.
Mas a verdade é que a realidade tem sido bem generosa connosco.

Esta oliveira é um exemplar monumental e de grande beleza, que apenas é "pequeno" por ter a dois passos uma outra oliveira que supera os 8 metros de grossura de tronco.

quarta-feira, maio 07, 2008

A casuarina de Alcoutim

Casuarina (Casuarina cunninghamiana Miq.) - Alcoutim

A casuarina (Casuarina cunninghamiana Miq.) retratada na imagem situa-se à beira do Guadiana, em Alcoutim, estando classificada como árvore de interesse público desde 1999.

As medições da altura e perímetros foram adiadas para uma próxima visita...Como bons "trabalhadores", decidimos aproveitar o 1º de Maio para não fazer nada!

terça-feira, maio 06, 2008

O som da floresta

Conteira (Melia azedarach L.) em floração, Sanlúcar de Guadiana e o rio - Alcoutim (2008/05/01)

- Prossegue o abate de árvores na Avenida José da Costa Mealha, em Loulé - Requiem pelas árvores da cidade.

- No Brasil, a questão da poda das árvores em meio urbano, também está envolta em polémica. Por lá, como por cá, repetem-se todo o tipo de argumentos para justificar o injustificável.

- Investigadores do Jardim Botânico de Nova Iorque pretendem criar uma base de dados com o ADN de milhares de espécies arbóreas.

- A associação dos "Amigos do Parque Ecológico do Funchal" irá plantar no Pico do Areeiro, neste próximo Sábado, várias espécies de árvores e arbustos autóctones da ilha da Madeira.

- O projecto "Floresta Unida", que visa a reflorestação da Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz), pretende plantar 150 mil árvores até ao final de 2008.

- O som da floresta: a laurisilva das Canárias (Parque Nacional de Garajonay, isla de La Gomera) em "discurso directo".

domingo, maio 04, 2008

sexta-feira, maio 02, 2008

Olaia da serra

Olaia (Cercis siliquastrum L.) - Serra da Estrela (Covilhã) 2008-04-26

- Notícia que me chegou através do Luís Gil: Fórum ibérico quer legislação específica em defesa do montado (ver aqui e aqui).

- Será um centro comercial aceitável a troco da plantação de 9000 árvores?

- Em Matosinhos, uma rotunda pode vir a provocar o abate de alguns carvalhos. O presidente da Câmara Municipal de Matosinhos garante: "Nós tratamos das árvores de uma forma sempre muito cuidada em Matosinhos. Quando podemos transplantar as árvores, transplantamos. Só abatemos árvores que não estejam em boas condições cinegéticas (?!)". Ler a notícia aqui.

- Ruas arborizadas protegem crianças da asma.

- Mais uma história em que os plátanos assumem o papel de vilões. Em Portugal, claro! Mas o interessante é ver que também há quem os defenda com afinco. Para ler aqui.

- Uma árvore levou mais de 7 anos a chegar e partiu em 2 meses. Em Braga.


Bom fim-de-semana.

Humilhar a árvore

Alcoutim

Entre dois braços, um rio

Azinheira + Guadiana = 1º de Maio

quarta-feira, abril 30, 2008

A "minha" nogueira

Nogueira (Juglans regia L.) - Covilhã

Para quem gosta de árvores é um pouco difícil nomear as suas "preferidas"...

Correndo o risco de ser injusto, esta nogueira é uma dessas árvores. Pela beleza intrínseca à sua condição de "árvore por inteiro" e por teimar em resistir.
Embora tal não seja perceptível nas duas imagens que acompanham o texto, esta nogueira está lado a lado com o maior centro comercial da Covilhã, no local onde antes cresceu o maior pinheiro-manso de Portugal.

Rodeada por betão, insiste em (sobre)viver até que chegue a sua hora... Até lá, é a "minha" nogueira!

Nogueira (Juglans regia L.) - Covilhã

terça-feira, abril 29, 2008

Hipocrisias



A Câmara Municipal da Covilhã aconselha os seus munícipes a respeitar os espaços verdes da cidade e do concelho: "Jardins: trate-os bem, são o oxigénio da nossa terra".

E que tal, se a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia, começassem por dar um bom exemplo no que concerne à manutenção das árvores ornamentais do concelho?

segunda-feira, abril 28, 2008

O elogio da preguiça

Castanheiro (Castanea sativa Mill.) - Bairro Municipal (Covilhã)

Sempre os últimos a acordar do sono invernal... Muitas árvores já floriram e preparam com afinco o período de frutificação. Mas os castanheiros não embarcam "em pressas" e mantêm-se fiéis ao seu tempo, ao seu ritmo.

Mau feitio ou simples questão de personalidade?

domingo, abril 27, 2008

sábado, abril 26, 2008

Um amor incondicional

Serra da Estrela, 26/04/2008

Hoje vi-te como os que te vêem de forma despojada e ignorei os que se julgam teus donos. Ignorei também o lixo, o zinco, o cimento e o alcatrão. Vi-te como quem te vê pela primeira vez; vi-te como o Torga te viu, uma e outra vez.

Estivemos juntos, só nós, com o mundo inteiro a assistir. Tinha saudades tuas...

Sei que um dia a ti voltarei. Até lá não desisto de te conhecer (e de me conhecer também). Gosto de ti!

sexta-feira, abril 25, 2008

A "menina dos meus olhos" e outras histórias...

A nogueira (Juglans regia L.) da minha varanda

- Investigadores espanhóis do Consejo Superior de Investigaciones Científicas, em colaboração com a Universidade de Alicante, descobriram no Parque Natural de Los Alcornocales (Cádiz) a primeira espécie de escaravelho capaz de arrastar, consumir e enterrar as bolotas de diferentes espécies de Quercus. Notícia bastante interessante para descobrir no elmundo.es

- Um método baseado na análise da decomposição das folhas das árvores, desenvolvido por investigadores de oito países europeus, incluindo uma equipa da Universidade de Coimbra, permite aferir a qualidade da água dos rios. Notícia do semanário Sol.

- Apesar do Central Park, a relação dos nova-iorquinos com as árvores não parece ser a melhor. Artigo curioso do NYT (onde será que já ouvimos estes argumentos contra as árvores no espaço urbano?)

- Autarquia de Beja quer plantar 350 árvores até ao fim do ano. De acordo com a notícia da rádio Voz da Planície, Paula Lança, do departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Beja, afirmou que: "Manter uma árvore em meio urbano é muito difícil, situação que levou a autarquia bejense a pedir ajuda aos munícipes, com o objectivo dos mesmos poderem contribuir para a sua manutenção, preservação e vigilância".
Ora aqui está uma ideia que é capaz de fazer algum sentido, ou seja, envolver os cidadãos nestas decisões. Claro que a decisão técnica da escolha das espécies e número de exemplares a plantar deve ser sempre feita por técnicos competentes, mas a decisão de envolver a população nestes processos parece-me positiva, para que a mesma sinta as árvores como suas. Só se ama e se defende aquilo com que o qual temos afinidade.

- Mais árvores para "salvar ambientalmente" o Rock in Rio (Lisboa). Será que a plantação de árvores é a solução para tornar todas as iniciativas ambientalmente aceitáveis?

- Montepio anuncia um conjunto de iniciativas de protecção ambiental (que inclui a oferta de 5 000 árvores). Será que as empresas começam a ter uma consciência ambiental ou será apenas marketing verde?

- Balanço da campanha "1 milhão de carvalhos para a Serra da Estrela". O José não tem um milhão mas tem 99 novos carvalhos na sua varanda.

- Por seu lado, a Água "Serra da Estrela" quer ajudar a plantar o "seu" milhão de árvores nas serras portuguesas. E que tal se se tornasse mais transparente e profissionalizada esta acção de reflorestação, para que se evitassem as dúvidas colocadas quanto à sua real eficácia no terreno? Não lucraria a empresa e o ambiente muito mais com isso?

- O meu amigo António Rocha continua o seu incansável trabalho na educação ambiental das crianças e jovens de Loulé. Depois da reciclagem de rolhas, a plantação de sobreiros!

- Abate polémico de árvores na Praia da Vitória.

- Poderá um "motor de busca" na internet ajudar a salvar a floresta amazónica? Conheçam o Ecoogler que resultou da associação entre a Google e a organização ambientalista Aquaverde.

- Um dos livros que está no topo da na minha "lista de desejos": "La Memoria del Bosque" de Ignacio Abella Mina.

- Um projecto muito interessante para uma intervenção especializada na melhoria dos espaços verdes escolares: Um jardim em cada escola.

- Para terminar, duas notícias sobre a floresta: uma boa e outra extremamente preocupante. Para informações regulares sobre a floresta portuguesa visitem o Floresta do Interior.

quarta-feira, abril 23, 2008

Tal e qual como em Portugal...

Julho de 2007 (EN 230 Covilhã - Tortosendo) - Plátano morto como resultado de poda radical no Inverno anterior.

Na Grã-Bretanha decidiu-se quantificar monetariamente o valor botânico, estético e social das árvores monumentais das cidades.

O plátano de Berkeley Square, em Londres, com uma idade aproximada de 200 anos e uma altura de 30 metros, foi "classificado" como sendo a árvore mais valiosa da cidade e da Grã-Bretanha, com um valor estimado de 938 000 euros.

Este sistema de avaliação está baseado num método desenvolvido pelas autoridades locais, o qual tem em conta as dimensões da árvore, o seu estado sanitário, a sua importância histórica e o número de pessoas que vivem perto da árvore e beneficiam da sua proximidade. (Nota: é necessário explicar a certas pessoas que, em Inglaterra e na generalidade da Europa e América do Norte, viver nas imediações de uma árvore monumental é visto como um privilégio, que inclusive valoriza o valor de um imóvel, e não como um aborrecimento).

Notícia completa no Elmundo.es

Duas imagens de um dia especial...

No blogue do "Capitão Rolhão" podem consultar algumas das actividades que a minha escola desenvolveu no "Dia da Terra".

A árvore da Bianca

Uma dessas actividades consistiu na entrega dos prémios do concurso "A minha árvore". Um concurso que ajudei a dinamizar, juntamente com a minha colega Florbela, e que superou em muito as nossas expectativas (na quantidade de participantes e, sobretudo, na qualidade dos trabalhos).

De todos os trabalhos entregues, estaria a ser desonesto se não destacasse o que mais nos sensibilizou, a árvore vista pelos olhos da Bianca (uma aluna do 1º Ciclo do nosso Agrupamento). A inocência em estado puro...



Outra actividade carregada de simbolismo foi a entrega de 3 pequenas azinheiras provenientes da nossa "maternidade de árvores", a alunos do 1º Ciclo das escolas do nosso Agrupamento.

E foi na entrega de uma dessas pequenas azinheiras, que capturei a imagem que se segue. Uma imagem que vale certamente mais do que mil palavras.

Uma imagem que me enche o coração de esperança no futuro; num futuro com um Portugal que tenha mais gente a amar as árvores...

terça-feira, abril 22, 2008

O sobreiro de Inglaterra

Sobreiro (Quercus suber L.) - Osborne House, Isle of Wight

Este sobreiro é considerado o maior do Reino Unido e, mesmo em Portugal, seria um exemplar digno de admiração.

É uma árvore magnífica, um impressivo pedaço de mediterrâneo no Sul de Inglaterra.

Para conhecerem esta e outras árvores notáveis de Inglaterra, sugiro uma visita ao sítio English Heritage (Trees).

Agradecimento e justificação





Sob o título "O sobreiro de Portugal", o "Notícias de Castelo de Vide" reproduz na sua edição n.º 146 (Fevereiro/Março de 2008) o texto que escrevi sobre o sobreiro da Herdade de Pai Anes, a 8 de Fevereiro último.

Queria agradecer publicamente ao director do "Notícias de Castelo de Vide", Alexandre Cordeiro, a publicação deste texto.

Reafirmo que apesar de esta ser uma árvore situada num terreno particular, a Direcção-Geral dos Recursos Florestais tem a "obrigação moral" de prestar apoio técnico ao proprietário desta herdade, no sentido de garantir que esta árvore possa sobreviver por mais algumas décadas.
Este sobreiro da Herdade de Pai Anes não é "apenas" uma árvore classificada; é um exemplar notável de uma espécie com um simbolismo único pela sua importância ambiental e económica para o nosso país.


P.S. - Nos últimos dias não me tem sido possível actualizar o blogue com a frequência desejada; conto regressar à "velocidade de cruzeiro" em breve. Obrigado.

sábado, abril 19, 2008

O charme discreto de uma laranja

Rua Nuno Álvares Pereira - Covilhã

Desde que me recordo, este pequeno recanto numa rua do centro da Covilhã sempre me agradou, em particular pelo contraste do laranja face aos tons cinzentos do Inverno.

Tendo optado por viver a Sul, a laranjeira é hoje uma constante nas paisagens que percorro diariamente e o seu período de floração um deleite sem o qual já não me imagino...Se eu tivesse que definir o Algarve por uma única sensação, faria uso do cheiro da flor da laranjeira, essa obsessão que alastra por todo o barrocal no início da Primavera.

E ainda que este efeito seja irrepetível a Norte, estas laranjeiras e tangerineiras que subsistem em quintais do centro histórico da Covilhã, mantêm o mesmo charme e continuam a conferir o mesmo exotismo meridional à cidade que trepa as encostas da Estrela.

sexta-feira, abril 18, 2008

A oliveira classificada de Lagoa

Oliveira (Olea europaea L.) - estrada Lagoa-Bemparece

Parcialmente oculto por diversos rebentamentos, o tronco desta monumental oliveira (Olea europaea L.) situada em Lagoa, esconde a sua própria grandeza do olhar dos que passam na estrada.

Como que incomodada pela sua própria grandeza, prefere esconder-se abaixo do movimento da estrada, evitando as "luzes do estrelato".

Oliveira (Olea europaea L.) - estrada Lagoa-Bemparece

Porém, motivos não lhe faltam para a fama, a começar pela sua idade que ronda os 1 000 anos. O tronco tem a 1, 50 metros* do solo, um perímetro que ultrapassa os 7 metros, fazendo desta oliveira uma das mais grossas do Algarve (das que conhecemos, apenas é superada pela oliveira classificada de Pedras d'el Rei e pela oliveira da Tôr).


* O P.A.P. é medido usualmente a 1,30 metros do solo mas, neste caso, dada a profusão de vegetação em redor do tronco da árvore, vimo-nos forçados a medi-lo um pouco acima desse valor.


Para mais pormenores sobre as dimensões desta oliveira e a respectiva localização, por favor consultem o Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.

Oliveira (Olea europaea L.) - estrada Lagoa-Bemparece

P.S. - As duas primeiras imagens foram tiradas ao nível da base da oliveira, enquanto a última imagem transmite o seu aspecto ao nível da estrada que liga Lagoa a Bemparece.

quarta-feira, abril 16, 2008

O pinheiro "interrompido"

Pinheiro-manso (Pinus pinea L.) - EN 530-1 (Armação de Pêra - Porches)


Esta é uma daquelas árvores que terá sempre um significado especial para mim e para o Miguel.

Uma coisa é visitar árvores classificadas como sendo de interesse público ou outras que, apesar de não ostentarem essa classificação, já se encontram referenciadas noutras obras, como no inevitável "Árvores Monumentais de Portugal" de Ernesto Goes. Outra bem distinta é sermos "surpreendidos" por uma árvore de grandes dimensões por puro acaso.

Foi o que aconteceu no Domingo passado, ao avistarmos da estrada este espectacular pinheiro-manso (Pinus pinea L.) situado bem perto da localidade de Alporchinhos.

Apesar de ter uma copa incompleta devido à queda de alguns dos seus ramos principais, situação que ocorreu em virtude de temporais passados, continua a ser no presente uma árvore impressionante. O perímetro do tronco, que supera os 5 metros, coloca-o entre os mais grossos do país.

Pinheiro-manso (Pinus pinea L.) - EN 530-1 (Armação de Pêra - Porches)

P.S. - Para conhecerem ao pormenor as medidas e localização desta árvore, visitem o Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.

terça-feira, abril 15, 2008

(Provavelmente) a árvore mais antiga do mundo

Fotografia da Universidade de Umea/El Mundo.es

Foi descoberta na província de Dalarna (Suécia) aquela que se presume ser a árvore mais antiga do mundo.

Trata-se de um espruce (Picea sp.) com uma idade estimada de mais de 9 000 anos - ler notícia no elmundo.es.

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XVI)

Albufeira

A imagem é de uma oliveira amputada mas que, mesmo na morte, mantém a dignidade perante um pano de fundo que reflecte o caos urbano de Albufeira.

Com um perímetro de tronco de quase quatro metros e meio, não era uma oliveira qualquer! Aparentemente, e pelo que se pode observar no local, as causas da sua morte terão sido do mais negligente que se possa imaginar.

Dado o local e a posição em que eu e o Miguel a fomos encontrar, junto à berma de um arruamento recente e com as raízes parcialmente fora do solo, concluímos que a mesma deverá ter sido podada e transplantada para a berma e ali terá ficado esquecida...Até morrer!

Mantém na morte a dignidade que os responsáveis por este crime jamais poderão ostentar...

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XV)

Castelo Novo (Fundão) - Fotografia Cova Juliana

A aldeia de Castelo Novo (Fundão) é das mais bonitas da rede de aldeias históricas de Portugal e onde o esforço de requalificação urbana tem sido mais notório.

Lamento apenas que o cuidado posto na requalificação das ruas, das casas e de diversos monumentos, não tenha sido extensível às árvores e espaços verdes.
Na prática, neste como noutros casos, o conceito de "património" parece aplicar-se apenas ao construído, ignorando-se o quanto as árvores podem ajudar a realçar a riqueza arquitectónica de uma aldeia ou cidade.

segunda-feira, abril 14, 2008

Mais um Domingo de grandes árvores










O dia de ontem foi mais uma jornada em cheio para mim, para o Miguel e para o nosso projecto Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.

Fomos visitar uma impressionante oliveira em Lagoa (um dos poucos exemplares classificados desta espécie no Algarve) e, ainda nesta cidade algarvia, fomos conhecer um conjunto de outras oliveiras monumentais que merecem ser conhecidas e preservadas.

Mas o dia ficou marcado por uma descoberta inesperada, provando que mesmo depois de já termos passado num determinado local várias vezes, ainda conseguimos descobrir árvores monumentais. E que árvore...Um dos maiores e mais antigos pinheiros-mansos do Algarve!

São árvores para ficarem a conhecer nas próximas semanas aqui na Sombra e no Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.


Por último, este fim-de-semana marcou ainda a nossa "estreia" em feiras sectoriais para divulgar o nosso projecto de catalogação das árvores monumentais do Sul de Portugal. A estreia deu-se na Feira "Ruralidades Silves 2008".
Tratou-se de uma presença simbólica, através de alguns cartazes e cartões de visitas que colocámos em alguns stands que, gentilmente, acederam a publicitar a nossa iniciativa. Desta forma, gostaríamos de agradecer publicamente à Associação Viver Serra, à Vicentina - Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste e ainda à dona Ana do Restaurante Natural Com Vida.

Apesar de não temos qualquer apoio financeiro que nos permita ter um stand próprio neste tipo de iniciativas, vamos continuar a marcar presença em futuras feiras, ainda que de forma simbólica, pois acreditamos que é um investimento que pode resultar na descoberta de mais árvores monumentais.

A nossa próxima aposta será na Ovibeja.