segunda-feira, abril 14, 2008

Orgulhoso nos meus alunos











A minha turma do 5ºD tem revelado um grande interesse pela defesa das árvores, em particular após a leitura do livro "Beatriz e o plátano" de Ilse Losa.

No seguimento deste interesse, a turma elaborou um conjunto de cartões sobre o "Dia da Árvore", dos quais, eu e a minha colega Célia Carreira, escolhemos os dois aqui representados para acompanhar a carta que escrevemos à Presidente da Câmara Municipal de Silves, apelando à defesa das árvores da cidade (e, em particular, destes plátanos).


P.S. - O seu a seu dono: as duas primeiras imagens são do cartão da Daniela e as duas seguintes são do cartão do Alexandre.

sábado, abril 12, 2008

O vale

Serra da Estrela - Unhais-da-Serra (Covilhã)


- Ainda os plátanos de Unhais.

- Via Ondas 3: mais de 11 000 árvores plantadas na Serra da Estrela.

- Duas via Sargaçal: as árvores da Rotunda da Boavista (no Porto) continuam a "desaparecer misteriosamente"; estudo sobre as árvores ornamentais das cidades do Reino Unido.

- Notícias sobre o sobreiro e a cortiça enviadas pelo Luís Gil: a Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor), em parceria com a Federação Francesa dos Sindicatos da Cortiça, com o apoio da associação GoodPlanet.org, presidida por Yann Arthus-Bertrand, e do Instituto Europeu da Ecologia, presidido por Jean-Marie Pelt, lançaram uma petição on-line em defesa da cortiça e dos montados de sobro.

Artigo publicado na revista da Ordem dos Engenheiros, Ingenium, II Série, Nº 103, Jan/Fev 2008, sobre o declínio do sobreiro e da azinheira (ver aqui).

- Ministro da Administração Interna planta árvores no nó de Covilhã Norte da A23, no âmbito de um projecto que abrange toda a faixa que é atravessada pela auto-estrada da Beira Interior. Uma boa iniciativa que já anteriormente tinha louvado, embora considere que grande parte destas árvores não irá sobreviver, visto estarem a ser plantadas tardiamente. Se não queremos apenas trabalhar para a "publicidade verde" e queremos efectivamente ajudar o ambiente, plantem-se as árvores no início do Outono.

- Numa cidade do Brasil as pessoas saíram à rua devido ao corte de árvores promovido pela prefeitura local. Por cá, este tipo de iniciativas continua a ser "ficção científica"!

Um adeus anunciado

É assim no Outono...

Campo das Festas - Covilhã

Campo das Festas - Covilhã


E é assim no início da Primavera...



Campo das Festas - Covilhã

Se lêem este blogue com alguma regularidade, o início deste texto por certo que vos terá feito recordar o início deste outro texto.

Receio que o final destas tílias venha a ser o mesmo... Culpado? O "progresso"! Progresso que em Portugal se chama "centro comercial".

Quem conhece a Covilhã, sabe do estado actual dos 3 centros comerciais existentes no centro da cidade: um está abandonado, outro vive dias de decadência e, o terceiro e mais recente, não chegou nunca a ser formalmente inaugurado. Motivo? A abertura de uma grande superfície comercial na zona baixa da cidade.

E agora, querem-nos convencer da viabilidade de uma nova mega-superfície comercial no Campo das Festas, que teria ainda o condão de vir resolver o abandono do centro histórico e a crise do comércio de rua.

Campo das Festas - Covilhã

Muitos dirão que o Campo das Festas na Covilhã não é mais do que um grande parque de estacionamento no centro da cidade. Não nego que o mesmo necessite de uma requalificação.

Aborrece-me saber que essa requalificação não irá resolver nenhum dos problemas da cidade, implicando o abate certo de várias tílias e mesmo de alguns castanheiros que formam um pequeno bosque entre o Campo das Festas e a Avenida Frei Heitor Pinto.

Mas como o povo embirra com as árvores e gosta é de "circo", não duvido que venha a ser uma medida bastante popular e de sucesso garantido. Viva o progresso!

sexta-feira, abril 11, 2008

Será normal?

Carvalho-alvarinho (Quercus robur L.) - Aldeias (Gouveia)


Sequóia-gigante [Sequoiadendron giganteum (Lindl.) Buchh.] - Sabugal




Castanheiro (Castanea sativa Mill.), Malcata


No início do Outono passado, já lá vai meio ano, enviei para a Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) o pedido de classificação de 3 árvores monumentais: o carvalho-alvarinho de Aldeias (Gouveia), da sequóia-gigante do Sabugal e de um castanheiro na aldeia da Malcata (Sabugal).

Até hoje o mais completo dos silêncios...O que estranho, sobretudo porque quando solicitei a classificação da desaparecida tília do Bairro do Rodrigo na Covilhã, a resposta (negativa) não demorou mais do que um mês e meio a chegar à minha caixa de correio.

Cansado de esperar, escrevi há uma semana atrás um e-mail à DGRF solicitando um esclarecimento sobre este caso. Continuo à espera... Talvez seja normal!

quinta-feira, abril 10, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XIV)


Este autêntico filme de terror arbóreo foi captado pelo meu amigo Nelson Lima, na cidade da Figueira da Foz. Uma cidade portuguesa, com certeza!

Já pouco me surpreende neste país em matéria de "arboricídios", mas confesso que a poda das araucárias supera a minha capacidade para imaginar "o pior"!

Como são tristes as nossas cidades....

















quarta-feira, abril 09, 2008

Declaração de princípios

Cemitério de Baguim do Monte (Gondomar)


O Paulo fez-me chegar esta fotografia acompanhada do seguinte texto da responsabilidade da Junta de Freguesia de Baguim do Monte:

"A Junta de Freguesia de Baguim do Monte vem por este meio informar todos os interessados de que, até ao final da presente semana, irão ser cortados os "últimos" eucaliptos que cresceram junto ao muro do cemitério da autarquia e cujas copas invadiam e sujavam as campas junto dos mesmos.

É de salientar que a elevação, educação, insistência e compreensão com que o Executivo da Junta tratou deste assunto junto dos proprietários, bem como a colaboração dos mesmos, levaram à concretização de um desejo de vários anos.

A todos os proprietários que colaboraram connosco, a Junta de Freguesia muito aprecia e agradece."



No máximo respeito pelas convicções pessoais e religiosas de todos e pela concepção que cada um tem sobre a morte e o respeito devido aos seus entes queridos, não posso contudo deixar de manifestar e proclamar um desejo tão simples quanto sincero:

Que a minha morte sirva jamais para justificar o abate de uma única árvore; por mais singela que possa ser, árvore alguma merecerá ser castigada por dar sombra ou sujar com folhas a minha campa.
Antes prefiro que plantem em meu nome uma árvore; longe dos Homens que as odeiam ao ponto de as cortar ou podar pelos motivos mais absurdos. Obrigado.

terça-feira, abril 08, 2008

Pelas árvores de Loulé

Avenida José da Costa Mealha, Loulé

No seguimento do continuado abate de árvores na cidade de Loulé, situação que se arrasta desde o ano passado sem que a autarquia apresente qualquer justificação, decidiu um grupo de cidadãos promover uma petição em defesa do património arbóreo desta cidade algarvia.

O que se pretende é bem simples, nomeadamente que a autarquia explicite a fundamentação técnica para o abate destas árvores, que reponha as árvores abatidas e que entregue a manutenção das árvores a técnicos credenciados em arboricultura.

Convido os leitores da Sombra Verde a juntarem-se a esta causa dos louletanos, que é no fundo uma causa de todos aqueles que lutam pela dignificação da forma como as árvores são tratadas nos municípios portugueses.

Para ler e assinar a petição: Petição na defesa arbórea no Concelho de Loulé.

domingo, abril 06, 2008

Um discurso que me está a deixar nervoso...



Bom, mais do que nervoso estou ansioso. Porquê? Irei discursar perante representantes do ministério e receio a sua avaliação? Pior, bem pior...

Amanhã vou falar a crianças do 3º e 4º ano sobre árvores. Não estou ansioso pela parte das "árvores", mas porque, de forma genuína, receio o grau de exigência deste público.

Quando estamos habituados a dar aulas a uma determinada faixa etária, dominamos alguns dos "truques" para manter a nossa audiência interessada no nosso discurso. No entanto, é a primeira vez que vou fazer uma "apresentação" para crianças do 1º Ciclo e receio que a mesma seja demasiado elaborada, ou seja, que não desperte a sua curiosidade e que a achem maçadora!

Passei boa parte do fim-de-semana a "stressar" com ela; ontem dediquei-lhe todo o final de tarde. Hoje não resisti a acrescentar-lhe alguns pormenores. Bem sei que isto não é normal, pois estou mais ansioso do que perante outras coisas de (aparente) maior responsabilidade.

Afinal de contas, haverá maior responsabilidade do que "ensinar" a amar as árvores?

Podem confirmar se tenho ou não motivos para estar preocupado, visualizando a dita apresentação.

P.S. - Esta apresentação insere-se nas comemorações do Dia da Árvore na nossa escola. Lançámos ainda um concurso ("A minha árvore") com alguns resultados bem curiosos que mostrarei um destes dias.
Por último, criámos uma pequena "maternidade de árvores", da qual resultaram as azinheiras que podem observar na imagem. Pretendemos doá-las a alunos do 1º Ciclo num regime de "adopção de árvores", em que as crianças que as receberem se comprometam a cuidar delas com empenho.

sábado, abril 05, 2008

Assimetria

Tilia sp. - Rua D. Sancho I, Covilhã

The Trees

The trees are coming into leaf
Like something almost being said;
The recent buds relax and spread,
Their greenness is a kind of grief.

Is it that they are born again
And we grow old? No, they die too,
Their yearly trick of looking new
Is written down in rings of grain.

Yet still the unresting castles thresh
In fullgrown thickness every May.
Last year is dead, they seem to say,
Begin afresh, afresh, afresh.

Philip Larkin

sexta-feira, abril 04, 2008

Plantar árvores como modo de vida

Estrada Assumar-Arronches (Portalegre)




- Duas do Ecosfera: roteiro das árvores classificadas (da Sé ao Cais do Sodré, Lisboa), amanhã dia 5 de Abril ; conferência "Gestão de Espaços Verdes" na Fundação de Serralves (Porto), dias 10 e 11 de Abril.

- Imagens da cerimónia de descerramento da placa alusiva à classificação da Rua Gonçalo de Carvalho como Património Cultural, Histórico e Ecológico de Porto Alegre (Brasil). Espreitem aqui mais imagens desta rua maravilhosa.

- Quase 130 mil árvores vão ser plantadas até ao fim do ano na região de Ansião (Leiria), por iniciativa de uma multinacional de construção de automóveis que assim pretende minimizar o efeito da poluição dos veículos que produz (notícia RTP).

Deixem-me estar um pouco mais optimista neste caso do que habitualmente estou em relação a este tipo de iniciativas. Motivo: o crescimento destas árvores irá ser acompanhado e monitorizado ao longo dos próximos 25 anos. Talvez desta vez seja mais do que "boas intenções"!

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XIII)

Vale Formoso (Covilhã)

Vale Formoso (Covilhã)

Manteigas

As fotografias são do amigo Albano Matos, a quem agradeço mais este contributo. Esta situação de Vale Formoso já ontem me tinha sido denunciada pela leitora Gilda Matos da Serra Aventura.

Em relação a esta situação de Vale Formoso, tenho apenas que dar os "parabéns" aos mandantes e executantes, por terem conseguido a sintonia entre o deserto de uma "serra pelada" (com excepção das manchas de mimosas) e a aridez destas árvores decepadas.

P.S. -
O Paulo enviou-me um e-mail chamando-me novamente a atenção para a situação do abate de árvores na zona de Benfica (Lisboa), de que já tinha falado na quarta-feira passada.
É urgente a ajuda de ornitólogos e especialistas no transplante de árvores que, para tal, poderão contactar Lanka Horstink (919852781) da associação de pais da eco-escola Verdes Anos.
Por outro lado, todos aqueles que pretendam mostrar o seu desagrado por esta situação junto da Câmara Municipal de Lisboa, poderão fazê-lo para a seguinte morada: geral@cm-lisboa.pt

quinta-feira, abril 03, 2008

I rest my case








Duas tílias plantadas a uns 50 metros uma da outra no centro da Covilhã e que, pela grossura do tronco, terão (aproximadamente) a mesma idade.

A primeira foi decepada o ano passado e a segunda, afortunadamente, sobreviveu a mais um Inverno (talvez o último?!) com a sua forma natural.

Será necessário acrescentar mais alguma coisa, para lá do que as imagens evidenciam à exaustão, sobre o efeito que estas práticas mutiladoras têm nas árvores?

quarta-feira, abril 02, 2008

Festival de Árvores # 22

A cada ano o mesmo milagre das cerejeiras (Prunus avium L.) em flor

- Festival de Árvores pela primeira vez em língua portuguesa no blogue Árvores Vivas em Nossas Vidas.

- A Câmara da Lousã teve a gentileza de responder ao meu pedido de esclarecimento; não foi possível esclarecer a responsabilidade das podas retratadas, uma vez que não consegui localizar a freguesia. Foi-me respondido que a poda das árvores ornamentais na cidade da Lousã é feita por uma empresa especializada em arboricultura (sem ter sido mencionado o nome da mesma), mas que a poda em freguesias fora do núcleo urbano é realizada geralmente pelas respectivas Juntas.

No entanto, foi-me garantido que é intenção da autarquia fornecer aos responsáveis municipais pelos espaços verdes na Câmara e nas Juntas de Freguesia, uma formação técnica adequada para a manutenção das árvores ornamentais.

Saúdo esse objectivo mas continuo a lamentar o que as fotos retratam, independentemente da respectiva responsabilidade.

- Um site norte-americano contra a poda inadequada de árvores e arbustos: PlantAmnesty (agradeço ao Gintoino a informação).

- Ainda os teixos das Astúrias.

- Plantação de árvores por iniciativa da Liga para a Protecção da Natureza na Horta de Vale Gonçalinho (Castro Verde) no próximo dia 5 de Abril (agradeço à Maria a informação):

- Uma notícia interessante (embora já com alguns dias): Trocar papel velho por plantas novas em Alcobaça.

- Serra do Reboredo (Torre de Moncorvo) começou a ser reflorestada: "...queremos fazer uma mata que seja de difícil propagação dos fogos e que seja uma mata modelo a nível nacional."

- O grupo ecologista GAIA e a associação de pais da eco-escola Verdes Anos pretendem transplantar quarta-feira as árvores da Estrada Militar de Benfica, onde as obras da CRIL destruíram dezenas de hortas e jardins desde a semana passada (notícia RTP).


- O autor deste blogue é contra a construção de uma barragem na foz do Tua. Assinem e divulguem as petições que circulam pela internet. (Voltarei a este assunto)

terça-feira, abril 01, 2008

Dia das inverdades

Covilhã (mas na realidade poderia ser qualquer outra cidade portuguesa)


Em Portugal querem-nos fazer acreditar que as árvores são assim...



P.S. - Inspirado por este texto.

domingo, março 30, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XII)









Mais um apelo que me chegou via Arboricultura Moderna, desta vez com origem na denúncia de uma cidadã de Loures.

A referida cidadã confrontou a câmara local que passou as responsabilidades para a respectiva junta de freguesia, a qual tentou justificar o injustificável com algo do género: "(...) os plátanos eram novos tinham que levar uma poda mais séria para depois então poderem crescer."

E como crescerão as árvores nas florestas sem a "ajuda" destas podas "arboricidas"? E como conseguiram crescer os plátanos monumentais que, apesar de tudo, ainda temos por este país e que nunca foram abençoados por estas práticas terceiro-mundistas? Mistério!



Mas para que não se pense que este ódio à árvore é um exclusivo nacional, chamo a atenção para o derrube criminoso de vários teixos no Norte de Espanha (Astúrias).

A denúncia deste acto criminoso tem sido feita pelo blogue A Morteira (em particular nos textos datados de: 26 de Março , 22 de Março , 16 de Março e 8 de Março).

Este atentado está hoje também em destaque no jornal El Mundo.


P.S. - Para conhecer alguns amigos espanhóis do teixo que trabalham com afinco para salvar esta espécie:

Asociación de Amigos del Tejo

Amigos del texu

sexta-feira, março 28, 2008

A mais... (Dedicada ao Portugal que ama as árvores)

Oliveira (Olea europaea L.) - Tôr (Loulé)

A mais bonita, a mais grossa ou, simplesmente, a mais...

São um pouco mais de 8 metros de grossura do tronco. O suficiente para ultrapassar a até agora rainha das oliveiras algarvias - a oliveira da Pedras D'el Rei (Tavira).

Esta oliveira é (provavelmente) a árvore que mais nos impressionou, a mim e ao Miguel, de todas as que o Luís Brás da Almargem nos deu a conhecer através do seu trabalho "Vamos Conhecer as Árvores Monumentais do Concelho de Loulé".

Desde algum tempo que tínhamos conhecimento desta árvore e confesso que, pessoalmente, se tinha tornado uma obsessão. (Imaginem serem viciados em chocolate e alguém vos indicar um sítio onde de graça podiam comer todo o toblerone do mundo...E sem calorias! Era mais ou menos assim que eu me sentia...E se valeu a pena comer o toblerone? Claro que sim! Porque este "toblerone" na forma de oliveira está aqui para poder ser descoberto por todos aqueles que amam as árvores).



P.S. - Mais pormenores (medidas e fotografias) no Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.

Despertares

Nogueira (Juglans regia L.)

Acho que já encontrei um "mãe adoptiva" para esta nogueira da minha pequena maternidade de árvores.



P.S. - Algumas notícias sobre árvores:

- Prossegue o abate de árvores na Avenida José da Costa Mealha (em Loulé). Situação que se iniciou o ano passado (ver aqui). Continuamos à espera da justificação técnica...

- Um quarto das árvores dos Parques Nacionais de Espanha estão danificadas.

- Uma editora de Torres Vedras vai começar a plantar árvores como forma de compensar o meio ambiente pelas emissões de dióxido de carbono que resultam do processo de edição dos livros.

- Alunos plantam árvores em escola de Portimão.

- Um milhão de árvores para o Parque Integrado das Furnas (S. Miguel, Açores).

- Maternidade de árvores para defender a floresta (em Góis).

quinta-feira, março 27, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XI)







Apresento mais um conjunto de fotografias, tiradas por mim aquando de uma recente passagem pela Lousã, e que relatam mais um caso de difícil explicação. As vítimas? As do costume...Os plátanos!

Decidi questionar via e-mail a autarquia local e aguardo uma "explicação técnica" para este conjunto deplorável de cotos que aqui se pode observar. Dessa resposta, ou da sua ausência, darei conta nos próximos dias.

No fundo, espero receber da autarquia da Lousã uma fundamentação técnica tão detalhada como a que presidiu à decisão de cortar um conjunto de choupos no Parque Municipal da Mêda.

É isso que pretendo fazer, ou seja, não é condenar ninguém a priori mas antes pedir a devida justificação. Aguardemos...

Adenda: referência à resposta da Câmara Municipal da Lousã neste texto.



P.S. - Mais notícias tristes sobre árvores:

- Árvores mutiladas num recinto escolar na zona do Porto (via Malcata.net).

- Estranhas esculturas arbóreas nas ruas de Campo Maior (via Gambozino).

- Duas árvores centenárias da freguesia de Avelãs de Caminho (Anadia) vão ser abatidas e substituídas por outras. Mais uma vez, e tal como no caso da Mêda, suponho que esta decisão política assente num relatório técnico.

- Choupo de grande porte atrai invulgar bando de pássaros (via jornal A Guarda). Ficção de 1963 de Alfred Hitchcock tornada realidade nesta cidade da Beira Interior? Pessoalmente, preocupa-me muito mais o dia em que os pássaros desaparecerem...

- Abate ilegal de azinheiras no Alentejo - via Ecosfera. Como seria de prever grande parte do debate acerca deste caso centrou-se na nacionalidade espanhola de quem executou este abate. Considero isso perfeitamente irrelevante excepto pelo facto de que, se estivessem na sua Espanha natal, provavelmente não teriam tido a coragem para abater tantas azinheiras. Mas como estamos em Portugal onde a impunidade é um modo de vida!
Interessa-me muito mais o debate sobre quais as vantagens/desvantagens para o futuro do nosso mundo rural desta aposta no olival intensivo e o real impacto desta cultura nos solos e nos recursos hídricos.
Mas por cá só nos interessa o "folclore", ou seja, se as azinheiras tivessem sido abatidas por portugueses se calhar nem teria havido notícia.


Esclarecimento

Em relação ao corte de árvores no Parque Municipal da Mêda que ontem aqui foi referenciado, foi publicada na edição de hoje do Diário XXI a seguinte notícia:

"A Câmara de Mêda está a levar a cabo um plano de abate e limpeza das árvores do parque municipal, motivado "por questões de saúde pública", explicou ao Diário XXI Fernando Lopes, assessor do presidente daquela edilidade, depois de uma habitante de Mêda se queixar, ao Diário XXI, do corte de cinco plantas. O plano de abate surge na sequência de "inúmeras queixas de habitantes sobre o pólen que as árvores largam no Verão", esclareceu, acrescentando que o programa de abate está a ser efectuado por "uma empresa especializada ligada à Fundação Serralves".
Iniciado na última segunda-feira, o plano de intervenção prevê o abate de árvores ocas, assim como a limpeza de outras, adianta Fernando Lopes. "São já muito antigas e imponentes, mas se causam problemas de saúde às pessoas temos de os resolver e só estamos a cortar as que estão podres e em fim de vida", concluiu."


Em relação a esta notícia tenho as seguintes considerações a fazer:

1º) Saúdo a Câmara Municipal da Mêda por prestar esclarecimentos públicos em relação a este caso o que, apesar de tudo, ainda é uma excepção entre as autarquias portuguesas; saúdo, uma vez mais, a atitude cívica da munícipe da Mêda que denunciou esta situação e que, pela sua acção, suscitou a necessidade desta ser devidamente explicada.
Agradeço ainda ao Sr. Paulo Moura por alguns esclarecimentos prestados acerca deste caso.

2º) Não questiono a competência técnica dos arboricultores ao serviço da Fundação de Serralves. Se os mesmos garantem que apenas as árvores em risco de cair estão a ser cortadas, não tenho nada a opor a essa acção, por mais que me custe ver árvores de grande porte a ser abatidas.
Reconheço que no espaço urbano a segurança das pessoas e dos seus bens deve ser colocada em primeiro lugar até porque, no dia em que uma destas árvores caísse e mesmo não provocando vítimas ou quaisquer outros danos, tal serviria de desculpa para decepar todas as outras árvores.
Compete às autarquias fazer uma gestão correcta do seu património arbóreo, contratando técnicos credenciados para tal, como forma de garantir o máximo de longevidade às árvores e reduzir ao mínimo o perigo de queda das mesmas.

Aliás essa é uma das causas deste blogue, ou seja, que a gestão das árvores no espaço urbano seja feita exclusivamente por técnicos especializados na manutenção de árvores ornamentais, o que parece ser o caso na Mêda.

3º) Em relação às alergias como motivo para cortar árvores, permitam-me que discorde pelos seguintes motivos:

a) As árvores são um garante da qualidade do ar nas cidades. Cito novamente uma passagem de uma notícia do Diário de Coimbra: "(...) O parecer emitido então pela Provedoria do Ambiente e Qualidade de Vida Urbana de Coimbra, a que estavam anexados outros dois, de Jorge Paiva, do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, e de Ana Todo Bom, presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia, comprovava que as causas das alergias não estavam apenas na libertação de pólen, frutos e sementes pelas plantas e que, apesar de se assistir a «um aumento das reacções alérgicas», era «a poluição resultante do tráfego automóvel que exponenciava» este mesmo efeito alérgico."

Dito por outras palavras, o pólen das árvores, como o de muitas outras plantas, pode provocar reacções alérgicas, mas é a poluição que potencia os efeitos práticos ao nível do aparecimento de alergias. É mais que sabido e indesmentível que as árvores desempenham um papel insubstituível no combate a essa mesma poluição.

b) Se pretendêssemos eliminar todas as árvores constantes da lista das famílias polínicas alergisantes em Portugal (segundo dados dos boletins polínicos da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica), então teríamos que eliminar das nossas cidades (e já agora dos campos e matas circundantes às mesmas) as seguintes espécies: áceres, bétulas, amieiros, ciprestes, zimbros, carvalhos, castanheiros, castanheiros-da-índia, nogueiras, oliveiras, freixos, ligustros, palmeiras, pinheiros, cedros, plátanos, salgueiros, choupos, teixos, tílias e ulmeiros.

Resumindo: teríamos que abater mais de 90% das árvores das nossas cidades, campos e florestas! Não me parece viável....

c) Concentremo-nos no caso dos choupos. No site da
Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica não existe informação específica para este género (Populus) mas existe para os salgueiros (género Salix), que pertencem à mesma família (Salicaceae).
E essa informação diz-nos que a alergenicidade do pólen destas espécies é baixa.

De onde virá então esta "embirração" com os choupos? Creio que a mesma deriva dos filamentos (semelhantes a algodão) que inundam o ar na Primavera e que servem para facilitar a dispersão das sementes destas árvores.

Deste modo, mais uma vez apelo a que Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica nos esclareça sobre a possível alergenicidade destes filamentos, para que os mesmos não continuem a estimular a fúria popular contra os choupos.
Por outro lado, as espécies de choupos mais frequentes em Portugal [Populus alba L., Populus nigra L., Populus x canescens (Ait.) Sm., Populus tremula L. e Populus x canadensis Moench] florescem na Primavera e não no Verão.

ADENDA: argumentação técnica que determinou a necessidade de abater os choupos do Parque Municipal da Mêda.

Poemas e outras histórias

- Um sítio com vários poemas sobre árvores.

- A plantação simbólica de 25 sobreiros e azinheiras em Beja vai marcar, a 28 de Abril, o lançamento em Portugal de um fórum luso-espanhol que pretende alertar para a mortalidade "anormal" que afecta o montado.

- Informação do Boletim Municipal "Guarda Viva": o espaço educativo florestal da Quinta da Maúnça vai receber este ano mais de 30 000 árvores para reflorestar áreas degradadas e sujeitas à erosão. Esta acção será feita no âmbito da candidatura ao programa ProNatura da ANEFA (Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente).

quarta-feira, março 26, 2008

Aos que resistem...

Plátanos (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) - Covilhã (Março, 2008). Como todos os plátanos deveriam ser...


Este é um texto dedicado às árvores que resistem e aos que insistem em gostar de árvores num país que tanta as despreza.

Há tempos tive oportunidade de recomendar a leitura do livro "Beatriz e o plátano" de Ilse Losa. O que volto a fazer, em particular a todos aqueles que ocupam lugares de decisão nas autarquias ou demais órgãos da administração central ou local com jurisdição sobre as árvores.

Nesse texto que escrevi sobre o livro de Ilse Losa, mencionava o facto de estar, em conjunto com a minha colega de Área de Projecto do 5ºD e com todos os alunos dessa turma, a trabalhar na exploração dessa obra.
Estamos a preparar a apresentação desse livro na forma de uma peça de teatro mas, entretanto, propusemos aos alunos da turma que escrevessem às autoridades um conjunto de cartas apelando contra o corte de uma determinada árvore. O resultado da imaginação dos nossos alunos pode ser lido aqui.

De todas essas cartas, gostaria de destacar a frase do Marlon: "As árvores transformam o barulho em canções de pássaros". É isso mesmo que as árvores fazem, transformam o feio em bonito.



Retratos do Portugal que odeia as árvores (X)


Mais um caso de (aparente) "arboricídio" sem motivo. Local: Parque Municipal da cidade da Mêda.

E se escrevi aparente entre parênteses é porque neste, como noutros casos, concedo o benefício da dúvida à autarquia e o direito/dever de apresentar as razões que fundamentam o corte das árvores. Não que a mesma deva explicações em particular aos leitores deste blogue, mas antes de mais deve-as a todos os munícipes da Mêda.



Se estes exemplares abatidos estavam no Parque Municipal, um espaço verde onde se pressupõe que possam existir árvores e que estas possam crescer livremente, depreendo que as mesmas não estavam a interferir com nenhuma estrutura física (habitações, postes de electricidade, etc.).

Penso que também não se dará o caso da Câmara da Mêda estar a planear arrasar o Parque Municipal para fazer um "shopping"! Não acredito que pessoas responsáveis mandassem abater árvores adultas que levaram anos a crescer, apenas porque o senhor X ou a senhora Y se queixavam do barulho dos pássaros, das folhas que entupiam as sarjetas ou por lhes taparem as "vistas" à casa.



Resta então a única hipótese plausível e aceitável, ou seja, estas árvores apresentavam um estado de degradação adiantado e existia o claro risco de tombarem sobre a via pública. Assim sendo, com certeza que a Câmara Municipal da Mêda não terá qualquer problema em clarificar qual foi a empresa especializada em arboricultura que fez o respectivo diagnóstico.

A menos que...Bom, a menos que tenha sido qualquer funcionário da Câmara mais zeloso a tomar esta iniciativa, sem que a mesma esteja devidamente fundamentada do ponto de vista técnico (alguém assim com poderes "adivinhatórios" como os da vereadora da Câmara do Bombarral que sozinha conseguiu identificar várias árvores perigosas no seu concelho). Mas não quero acreditar nisso, afinal ainda na semana passada comemorámos o Dia da Árvore!

Ficamos à espera da resposta da Câmara da Mêda.

P.S. - Da minha parte, um agradecimento à leitora da Mêda que teve a coragem cívica de dar a conhecer este caso e enviar as fotografias que acompanham este texto.

ADENDA- Desenvolvimento desta história: justificação técnica que presidiu à decisão de cortar este conjunto de choupos situados no Parque Municipal da Mêda.

terça-feira, março 25, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (IX)

Monte Crasto (Gondomar) - Março de 2008 (Fotografias de Paulo Moura)

O Paulo Araújo do Dias com Árvores solicitou-me a publicitação de um caso que lhe chegou via e-mail por parte de Paulo Moura, técnico de arboricultura.

Trata-se de um verdadeiro massacre de dezenas de árvores, perpetrado em vésperas do Dia da Árvore, no Monte Crasto em Gondomar. O horrendo espectáculo pode ser contemplado nesta página do Picasa.

Aparentemente, e tanto quanto o referido cidadão conseguiu apurar, a responsabilidade directa não será da autarquia local, no sentido em que esta não terá sido a mandante deste "arboricídio". No entanto, e dada a responsabilidade que as autarquias têm na preservação do património colectivo, esta terá sido, no mínimo, omissa no cumprimento das suas obrigações de zelar pelo respeito das leis que salvaguardam o dito património.

O espectáculo é absolutamente degradante e confesso que tive dificuldade em observar a apresentação de fotografias na sua totalidade.
Acresce que, tal como o Paulo Moura refere no e-mail que escreveu, não se vislumbra aqui nenhum motivo* que justifique esta barbaridade, excepto o facto das mesmas estarem a tapar as "vistas" de algumas casas. O que, como se sabe, é um dos maiores crimes que uma árvore pode cometer e motivo mais do que suficiente para a decepar.

(* não que existisse algum motivo que pudesse justificar este crime!)


Sim, caríssimos mandantes deste "arboricídio", quais foram os motivos para esta acção? Estariam as árvores a interferir com alguma casa? Com algum fio dos telefones, com cabos de electricidade ou com algum poste de iluminação pública? Existiriam lugares de estacionamento sob as suas copas e condutores furiosos por verem as suas viaturas sujas com o maldito "cocó" dos pássaros?

Não...já sei! Estas árvores, todas elas, estavam em risco de cair! Claro, como não me lembrei disso...Já agora, não se importavam de mostrar os relatórios técnicos que comprovam esse diagnóstico? Acompanhados, obviamente, do diagnóstico que demonstra que não existe perigo relativamente às árvores que fizeram o favor de não decepar. E, como sou um tipo desconfiado, poderiam anexar as vossas credenciais técnicas em arboricultura, entenda-se na manutenção de árvores ornamentais (?)

Monte Crasto (Gondomar) - Dezembro de 2005 (Fotografias de Paulo Moura)

O Paulo Moura lembra ainda que este não é um caso inédito e que em Dezembro de 2005 já tinha denunciado a poda de um sobreiro no mesmo local (ver apresentação aqui). Esta denúncia foi feita junto de várias autoridades, incluindo junto da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, visto tratar-se de uma espécie protegida. Estes serviços terão autorizado a referida acção porque, pasme-se, lhes foi garantido que iria ser deixado um "toco" mas que a mesma não seria cortada!

Vamos lá ver então se percebi: qualquer pessoa, mesmo sem habilitação técnica para tal, pode podar uma espécie protegida, como o sobreiro ou a azinheira, ou mesmo uma árvore classificada de interesse público, desde que se comprometa a deixar pelo menos um "toco"?

Este é o estado da nação...

sábado, março 22, 2008

Um arco-irís acarreta sempre alguma esperança

Sábado de Páscoa (Covilhã) - Um dia de Inverno com tudo aquilo a que temos direito...incluindo alguma neve!

Começo por fazer uma coisa na qual não me sinto confortável, ou seja, falar do próprio blogue. Apenas para dizer que estou a começar a explorar o Del.icio.us. Tal significa que a prazo (poderão ser algumas semanas ou alguns meses) tenciono "exportar" para essa ferramenta todas as minhas "Ligações".

Qual é o objectivo? Simplificar o aspecto visual da Sombra Verde que começa a ter um pouco de informação "em excesso" para o meu gosto e ordenar melhor as referidas ligações (embora continue a ter dificuldade em "etiquetar" alguns blogues, esperando que os referidos autores não se aborreçam pelas "etiquetas" (tags) que possa associar às respectivas páginas).
Não irá desaparecer nenhuma das minhas actuais ligações e, pelo contrário, com o tempo surgirão outras para sites relacionados com árvores (e que não sejam blogues).

Isto é só para não se alarmarem se um dia destes, as ditas ligações desaparecem da barra lateral direita. De qualquer maneira, será um processo que levará algumas semanas. Obrigado.


E agora, algumas notícias sobre árvores:

- Gente feliz a plantar árvores (na Serra de Monchique).

- O próximo Festival de Árvores será no blogue Árvores Vivas em Nossas Vidas (uma boa oportunidade para darem a conhecer a uma audiência mais alargada os vosso textos e imagens sobre a temática das árvores).

- Uma bela azinheira que a Júlia descobriu e partilhou connosco.

- O mal dos outros não nos deve fazer feliz, mas não é só em Portugal que existem casos de falta de respeito para com as árvores. Confiram alguns exemplos: em Espanha e na Bélgica.

- Notícia que a Maria me enviou: "Campo de trabalho de voluntariado na Serra da Lousã na 2ª semana das férias da Páscoa de 2008." Temática: colaborar na implementação de uma maternidade de árvores onde a Lousitânea (Liga dos Amigos da Serra da Lousã) faz a reprodução de espécies arbóreas e arbustivas autóctones da Serra da Lousã, espécies que outrora ocupavam todo o coberto vegetal deste maciço da cordilheira central, mas que hoje em dia estão circunscritas a poucos redutos em locais de difícil acesso. A maternidade pretende reproduzir estas espécies (azereiro, azevinho, várias espécies de carvalho, castanheiro, folhado, medronheiro, plátano-bastardo, sobreiro, teixo, ulmeiro, entre outras) e devolvê-las ao seu ambiente natural.

- Algumas comemorações do Dia da Árvore: plantação de árvores em Rio Tinto e na Bela Vista (Águeda), onde se plantou um carvalho depois de se ter cortado o existente; o motivo foi o de sempre, ou seja, medo que a árvore caísse!
E na Beira Interior: em Famalicão da Serra, neste Sábado, a Secção de Ambiente e Património do Centro Cultural de Famalicão promove com as crianças do 1º Ciclo, entre outras actividades, uma visita às árvores plantadas no ano passado e nova plantação de árvores (notícia d'O Interior).
Em Lavacolhos (Fundão), a Pinus Verde irá promover no próximo dia 31 de Março várias iniciativas como os alunos do 1º Ciclo, as quais irão culminar com a plantação de uma árvore (notícia do Jornal do Fundão).

Pela Covilhã, o deserto habitual (puxo pela memória e, correndo o risco de ser injusto, não me recordo da última vez que a autarquia se associou às comemorações deste dia; e se estiver a ser injusto agradecia a correcção). Louve-se pelo menos a coerência: total desprezo pela árvore nos 365 dias do ano!

Nota: Apesar de tudo, estou mais optimista do que estava o ano passado em relação a estas iniciativas do Dia da Árvore. Apesar de ser uma época tardia para a plantação de árvores, apesar de estas iniciativas serem promovidas por instituições (câmaras, juntas de freguesia e mesmo escolas) que promovem a mutilação de muitas árvores, como professor tenho que acreditar que fica sempre algo de positivo, nem que seja em apenas uma ou duas crianças que intervêm nestas iniciativas.

Feliz Dia de Páscoa para todos!

"Hotel Alfarrobeira"

Alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.) - Almarginho (Salir, Loulé)

De dimensões claramente acima da média, esta alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.) é uma das árvores referenciadas pelo Luís Brás (Almargem) no seu trabalho "Vamos Conhecer as Árvores Monumentais do Concelho de Loulé".

Situa-se na povoação do Almarginho, na freguesia de Salir, bem perto da azinheira com quase 16 metros de altura, sobre a qual escrevi na passada quinta-feira.


Alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.) - Almarginho (Salir, Loulé)

Esta velha alfarrobeira, mais do que uma simples árvore, assemelha-se a um hotel onde habitam ou pernoitam vários outros seres vivos.
É constituída basicamente por duas ramificações, sendo que a mais grossa das duas seria, por si só, uma alfarrobeira assinalável.

O tronco, incluindo estas duas ramificações, possui um perímetro de 7,70 metros, sendo que a mais grossa das ramificações tem um perímetro aproximado de 5 metros.

No Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo poderão consultar a localização exacta desta árvore e o conjunto das medições obtidas para a mesma.

sexta-feira, março 21, 2008

Um fim e um novo começo



Podia ter escolhido qualquer outra árvore mas escolhi esta...Porque representa, em simultâneo, uma esperança no futuro e o desaparecimento de outra que, por razões desconhecidas, foi sacrificada à incompreensível vontade humana.

Sobram as hipocrisias nesta dia dito da Árvore (assim mesmo, com A maiúsculo! Como deveria ser todos os dias...). Haja esperança no futuro, nas vidas que agora começam e na capacidade do ser humano aprender.


Ainda acredito na árvore.



As árvores


Eu espero, sim, que essas árvores cresçam. Adormeço com elas todas as noites, embalado pela sua sombra. Lembro-as de memória, sobre a relva verde. Lembro as suas folhas, caindo de noite. Mesmo as que ainda não vi, eu espero que cresçam, que me esperem, que me abriguem nesse dia em que mais precisarei delas, ouvindo o ruído do mar não muito longe. Tenho, a cada minuto, saudades dessas árvores.

Francisco José Viegas