Monte Crasto (Gondomar) - Março de 2008 (Fotografias de Paulo Moura)O Paulo Araújo do
Dias com Árvores solicitou-me a publicitação de um caso que lhe chegou via
e-mail por parte de Paulo Moura, técnico de arboricultura.
Trata-se de um verdadeiro massacre de dezenas de árvores, perpetrado em vésperas do
Dia da Árvore, no Monte Crasto em Gondomar. O horrendo espectáculo pode ser contemplado
nesta página do Picasa.
Aparentemente, e tanto quanto o referido cidadão conseguiu apurar, a responsabilidade directa não será da autarquia local, no sentido em que esta não terá sido a
mandante deste "arboricídio". No entanto, e dada a responsabilidade que as autarquias têm na preservação do património colectivo, esta terá sido, no mínimo, omissa no cumprimento das suas obrigações de zelar pelo respeito das leis que salvaguardam o dito património.
O espectáculo é absolutamente degradante e confesso que tive dificuldade em observar a apresentação de fotografias na sua totalidade.
Acresce que, tal como o Paulo Moura refere no
e-mail que escreveu, não se vislumbra aqui nenhum motivo* que justifique esta barbaridade, excepto o facto das mesmas estarem a tapar as "vistas" de algumas casas. O que, como se sabe, é um dos maiores
crimes que uma árvore pode cometer e motivo mais do que suficiente para a decepar.
(*
não que existisse algum motivo que pudesse justificar este crime!)
Sim, caríssimos mandantes deste "arboricídio", quais foram os motivos para esta acção? Estariam as árvores a interferir com alguma casa? Com algum fio dos telefones, com cabos de electricidade ou com algum poste de iluminação pública? Existiriam lugares de estacionamento sob as suas copas e condutores furiosos por verem as suas viaturas sujas com o maldito "cocó" dos pássaros?
Não...já sei! Estas árvores, todas elas, estavam em risco de cair! Claro, como não me lembrei disso...Já agora, não se importavam de mostrar os relatórios técnicos que comprovam esse diagnóstico? Acompanhados, obviamente, do diagnóstico que demonstra que não existe perigo relativamente às árvores que fizeram o favor de não decepar. E, como sou um tipo desconfiado, poderiam anexar as vossas credenciais técnicas em arboricultura, entenda-se na manutenção de árvores ornamentais (?)
Monte Crasto (Gondomar) - Dezembro de 2005 (Fotografias de Paulo Moura)O Paulo Moura lembra ainda que este não é um caso inédito e que em Dezembro de 2005 já tinha denunciado a poda de um sobreiro no mesmo local (ver apresentação
aqui). Esta denúncia foi feita junto de várias autoridades, incluindo junto da
Direcção-Geral dos Recursos Florestais, visto tratar-se de uma espécie protegida. Estes serviços terão autorizado a referida acção porque, pasme-se, lhes foi garantido que iria ser deixado um "toco" mas que a mesma não seria cortada!
Vamos lá ver então se percebi: qualquer pessoa, mesmo sem habilitação técnica para tal, pode podar uma espécie protegida, como o sobreiro ou a azinheira, ou mesmo uma
árvore classificada de interesse público, desde que se comprometa a deixar pelo menos um "toco"?
Este é o
estado da nação...