A apresentar mensagens correspondentes à consulta odeia árvores ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta odeia árvores ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, março 31, 2010

Três anos em luta pelas árvores de Loulé

Imagem do blogue Sebastião


A 17 de Maio de 2007 publicava, aqui na Sombra Verde, o primeiro texto dedicado ao abate de árvores no concelho de Loulé.

Foi o primeiro de vários textos, dedicados não apenas a questionar o porquê desses abates, como também a denunciar podas abusivas, como a que sofreu a araucária do Convento do Espírito Santo, que marcava o perfil da cidade.

Passados 3 anos, e muitas dezenas de árvores abatidas, são muitas as perguntas que continuam sem resposta. Por exemplo, no texto que cito, de Maio de 2007, questionava qual tinha sido a entidade técnica responsável pela análise do estado fitossanitário das árvores abatidas, nesse caso, na Avenida José Mealha.
Neste espaço de tempo, a Câmara Municipal de Loulé (CML), que se saiba, nunca deu qualquer justificação aos seus munícipes para o abate destas e de muitas outras árvores. Nunca explicou se existe algum plano para os espaços verdes da cidades, planeado e executado por técnicos credíveis ou se, pelo contrário, as intervenções vão sendo pensadas e executadas em cima do joelho, ao sabor de uma maré destrutiva, servindo um ideal estético de contornos arboricidas.

Há cerca de 3 semanas, e tendo por base a busca de motivos para uma intervenção no Parque Municipal, mais uma de contornos muito duvidosos, o Miguel Rodrigues, que comigo pertence aos quadros directivos da Árvores de Portugal, teve ocasião de questionar um responsável da Divisão de Projectos, da CML, sobre os motivos para todos estes abates.
Nenhum documento, se é que algum existe, nos foi dado a conhecer que pudesse fundamentar, de alguma forma, estas intervenções nos espaços verdes do concelho. Apenas a informação, algo vaga, que a CML solicita, previamente a este tipo de intervenções, o parecer de um engenheiro agrónomo.

Estudos para cada uma das árvores abatidas? Bom, se os há, não nos foram mostrados e continuamos, e provavelmente continuaremos sempre, sem saber se haveria motivos para cortar estas árvores.

Claro que a conversa do Miguel Rodrigues ocorreu antes de imaginarmos a surpresa , de muito mau gosto, que a CML tinha reservado para a véspera e para o próprio Dia da Árvore: o corte de 16 tílias, no coração da cidade!


Uma vez mais, e após mais esta ocorrência, o Miguel Rodrigues, em nome da Árvores de Portugal, deslocou-se à CML, em busca da verdade. Desta vez, foi, inclusivamente, recebido pelo próprio Vice-Presidente da autarquia.
Deste modo, foi possível saber que para este caso, e apenas para este, foi pedido um estudo a uma empresa de arboricultura, ou seja, a uma empresa com técnicos e equipamentos próprios para fazer o diagnóstico do estado fitossanitário de árvores ornamentais.

O Miguel Rodrigues consultou o estudo, que faz, não uma análise global das tílias, mas uma análise individualizada do estado fitossanitário, para cada um dos exemplares em causa. Ficou-se a saber, deste modo, que, das 16 árvores cortadas, 12 apresentavam sérios riscos para a segurança de pessoas e bens.

Como já escrevi anteriormente, a CML pode, e deve, ser criticada neste caso das tílias, da Praça da República, pelos seguintes factos:

a) Não divulgou os resultados do estudo, permitindo que as pessoas pudessem ter questionado, de forma directa, os próprios autores do documento em causa, de forma a compreenderem os riscos envolvidos caso se tomasse a opinião de preservar as tílias;

b) Deste modo, a decisão de cortar as árvores foi mantida em segredo, com o intuito óbvio de não criar polémicas, como se isso fosse mais importante que os sentimentos das pessoas face a estas árvores. As pessoas deveriam ter sido informadas e preparadas para a inevitabilidade deste desfecho.

c) Pelo contrário, optou-se pela arrogância do "quero, posso e mando", com o supremo mau gosto, quase a roçar a provocação, do corte das árvores ter ocorrido no fim-de-semana em que se celebrava, precisamente, o Dia da Árvore.

d) Por último, a autarquia não explicou, e continua sem explicar, os motivos porque decidiu, adicionalmente, abater 4 tílias que não apresentavam qualquer perigo para a segurança dos transeuntes.

No entanto, o pormenor mais significativo do dito relatório é quando o mesmo sublinha que, se não tivesse sido a incorrecta manutenção destas árvores, com podas desadequadas, não se teria chegado ao estado de degradação que ditou a necessidade de proceder ao corte destes exemplares.
Percebe-se melhor agora o incómodo da CML em divulgar este estudo técnico, pois no mesmo está escrito, preto no branco, a sua culpa neste desfecho. Se as árvores não podiam ser salvas foi porque a autarquia delas não soube cuidar.

Curiosamente, no tal texto de Maio de 2007, perguntava precisamente: "Para além de todas as questões ambientais inerentes a estes abates, será que uma correcta gestão do património arbóreo não seria também proveitosa para o erário público?" Dito por outras palavras, se as árvores fossem tratadas com profissionalismo, ao longo dos anos, não seria necessário, às câmaras municipais, proceder sistematicamente ao seu abate e substituição por novos exemplares, como neste caso de Loulé. Para além dos custos ambientais e paisagísticos, poupava-se o dinheiro dos contribuintes.


Claro que o corte destas 16 tílias, dada a sua idade e localização, acabou por ter um impacto muito maior do que o corte das dezenas de exemplares, no concelho, que o precedeu. Mas o pior deste caso é que, uma vez que a CML, no passado, nunca deu explicações aos seus munícipes sobre os cortes de árvores no concelho, agora que existe um estudo tecnicamente credível, muitas pessoas recusam-se a aceitar os resultados do mesmo.

E isto é que é particularmente grave, pois demonstra o divórcio dos cidadãos de quem os representa e governa. Tal só levará a que, no futuro, os cidadãos se distanciem cada vez mais das políticas para a sua cidade, com o efeito agravante de deixar quem manda na autarquia mais livre para implementar os seus desígnios.

Porque, verdade seja dita, a Câmara de Loulé, como qualquer autarquia deste país, sabe que conta com o apoio de uma larga maioria de cidadãos que, independentemente da sua cor política, odeia as árvores e apoia qualquer acto arboricida. É triste, mas tem que ser recordado que, em 2008, o professor António Rocha lançou um manifesto em defesa das árvores de Loulé que teve 66 assinaturas...sessenta e seis!

É esta passividade e cumplicidade da sociedade civil que alimenta a arrogância de quem manda e que cauciona, por omissão, muitos dos seus actos. No entanto, inconformados com esta situação e prontos a lutar contra o desânimo, um grupo de cidadãos de Loulé decidiu mostrar o seu descontentamento, no passado Sábado, ao Presidente da autarquia, Dr. Seruca Emídio, aproveitando a passagem do Presidente da República, Professor Cavaco Silva, pelo concelho onde nasceu.

Esse grupo de cidadãos, que inclui o António Rocha (autor do blogue Sebastião), o João Martins (autor do blogue Movimento Apartidário da Cidade de Loulé) e o Hélder Faustino Raimundo (autor do blogue Contra>Senso) decidiu convidar a Associação Árvores de Portugal , na minha pessoa a na do Miguel Rodrigues, a juntar-se a esse protesto simbólico. Aceitámos por ser um protesto em defesa das árvores e por ser um protesto apartidário.

Deste modo, em nome de todos os cidadãos de Loulé, tive ocasião de entregar ao Senhor Presidente da República, o documento que poderão ler, na íntegra, na blogue da Árvores de Portugal. Uma cópia do mesmo foi, obviamente, entregue igualmente ao autarca de Loulé.

Ao Presidente da República agradecemos a amabilidade que demonstrou em querer ouvir as razões da nossa indignação e, deste modo, ter criado as condições para que as pudéssemos transmitir, na primeira pessoa, ao Presidente da CML. Por seu lado, o Presidente da autarquia, a quem também agradecemos a atenção de nos ouvir, teve o cuidado de prestar algumas justificações mas que, mesmo tendo em conta que aquele não era o momento para conversas exaustivas e demoradas, nos parecem claramente insuficientes:

a) Sobre o facto das tílias terem sido cortadas no Dia da Árvore, foi-nos dito que a urgência desses abates foi ditada precisamente pelo conteúdo do dito relatório técnico. Situação que contestei, pois o relatório foi concluído em Novembro passado.
Logo, se os técnicos tivessem descrito uma situação de perigo iminente, o corte deveria ter sido imediato. Como tal não foi feito, presume-se que a necessidade de abater as 12 tílias não era urgente, pelo que o período de tempo que decorreu após a entrega do dito documento deveria ter servido para a sua divulgação/discussão.

b) Precisamente sobre a falta de divulgação deste relatório, o Senhor Presidente da CML esclareceu-nos que o mesmo tinha sido dado a conhecer aos comerciantes da Praça da República. Sem desprimor para os ditos comerciantes, tive ocasião de relembrar o Senhor Presidente da autarquia que estes representam uma ínfima parte dos cidadãos do concelho.

c) Sobre os motivos para todos os outros abates ocorridos, nestes 3 últimos anos, na cidade e no concelho, nada foi dito. Nem sobre a já citada intervenção no Parque Municipal da cidade, que decorre na actualidade.
Deste modo, continuamos sem saber qual a estratégia e a fundamentação, se é que existem, para todas estas intervenções nas árvores e espaços verdes municipais.


Deste modo, e para que esta acção não tenha sido em vão, cabe aos cidadãos de Loulé continuar a pressionar os seus representantes na Assembleia Municipal, de modo a obter as respostas necessárias por parte do Executivo Municipal. É aos louletanos que cabe mostrar o seu descontentamento. Só eles e apenas eles poderão conseguir uma mudança de rumo na forma como estas questões têm sido tratadas, no concelho.




P.S. - Algumas questões adicionais:

1º) A Árvores de Portugal irá manifestar, brevemente, a sua opinião sobre as obras de remodelação no Parque Municipal de Loulé.

2º) A Árvores de Portugal defende que a gestão das árvores ornamentais deve ser feita, em exclusivo, por empresas ou técnicos com formação em arboricultura. Deste modo, a menos que alguém nos prove a falta de idoneidade e de competência técnica da empresa que efectuou a análise das tílias da Praça da República, continuaremos a defender, como credíveis, as conclusões do citado estudo técnico.

3º) A Árvores de Portugal, em conjunto com a Almargem, acordou realizar, num espaço da autarquia, uma palestra sobre espécies invasoras, no próximo dia 16 de Abril.
Sobre este assunto, queremos reafirmar que, como é por demais evidente, tal facto não condiciona a nossa isenção e liberdade.
Por outro lado, como não confundimos o Executivo Municipal com a autarquia em si, enquanto instituição, não vemos motivos para anular esta iniciativa e privar os louletanos de aceder a uma palestra que nos parece extremamente importante.



quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (IV)

Espinho - fotografia do Ondas 3

Elvas (Santa Eulália) - fotografia do Entre Tejo e Odiana

Almeirim - fotografia do Paul dos Patudos




Loures (St.º António dos Cavaleiros) - fotografia do Gambozino

Todos somos poucos para denunciar estas infâmias!

Transcrevo o que o Octávio escreveu hoje no Ondas 3: "Em Espinho, há dezenas de árvores como esta, doentes por causa de sucessivas intervenções autárquicas de funcionários que garantem saber da poda. Aliás, não é por acaso que, em 12.12.2006, a maioria socialista da Assembleia Municipal rejeitou uma recomendação no sentido da Câmara estabelecer um programa para a inventariação, registo e estudo do estado de saúde das árvores do concelho, de modo a que o mesmo servisse de instrumento em futuras intervenções nos espaços verdes".

As autarquias portuguesas gastam dinheiro a plantar árvores e a destruí-las! Hipocritamente comemoram o Dia da Árvore e de forma arrogante apregoam ter técnicos credenciados na poda de árvores ornamentais (pois, pois!)
No entanto, rejeitam uma proposta tão simples como a de inventariar o estado sanitário das árvores. Já nem pedia que o fizessem por amor às árvores, mas pelo menos pela segurança das pessoas e dos seus bens.

Tudo isto é doentiamente irónico! São estas podas que debilitam as árvores e as tornam em seres decrépitos , mais sujeitos a originar acidentes. No entanto, quando cai um ramo ou uma árvore, a solução é decepá-las para evitar mais acidentes!
Isto é, deixem ver se entendi: quando uma pessoa tem febre, a solução é embrulhá-la em cobertores e colocá-la à beira de um aquecedor ?! E o burro sou eu ?

terça-feira, março 25, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (IX)

Monte Crasto (Gondomar) - Março de 2008 (Fotografias de Paulo Moura)

O Paulo Araújo do Dias com Árvores solicitou-me a publicitação de um caso que lhe chegou via e-mail por parte de Paulo Moura, técnico de arboricultura.

Trata-se de um verdadeiro massacre de dezenas de árvores, perpetrado em vésperas do Dia da Árvore, no Monte Crasto em Gondomar. O horrendo espectáculo pode ser contemplado nesta página do Picasa.

Aparentemente, e tanto quanto o referido cidadão conseguiu apurar, a responsabilidade directa não será da autarquia local, no sentido em que esta não terá sido a mandante deste "arboricídio". No entanto, e dada a responsabilidade que as autarquias têm na preservação do património colectivo, esta terá sido, no mínimo, omissa no cumprimento das suas obrigações de zelar pelo respeito das leis que salvaguardam o dito património.

O espectáculo é absolutamente degradante e confesso que tive dificuldade em observar a apresentação de fotografias na sua totalidade.
Acresce que, tal como o Paulo Moura refere no e-mail que escreveu, não se vislumbra aqui nenhum motivo* que justifique esta barbaridade, excepto o facto das mesmas estarem a tapar as "vistas" de algumas casas. O que, como se sabe, é um dos maiores crimes que uma árvore pode cometer e motivo mais do que suficiente para a decepar.

(* não que existisse algum motivo que pudesse justificar este crime!)


Sim, caríssimos mandantes deste "arboricídio", quais foram os motivos para esta acção? Estariam as árvores a interferir com alguma casa? Com algum fio dos telefones, com cabos de electricidade ou com algum poste de iluminação pública? Existiriam lugares de estacionamento sob as suas copas e condutores furiosos por verem as suas viaturas sujas com o maldito "cocó" dos pássaros?

Não...já sei! Estas árvores, todas elas, estavam em risco de cair! Claro, como não me lembrei disso...Já agora, não se importavam de mostrar os relatórios técnicos que comprovam esse diagnóstico? Acompanhados, obviamente, do diagnóstico que demonstra que não existe perigo relativamente às árvores que fizeram o favor de não decepar. E, como sou um tipo desconfiado, poderiam anexar as vossas credenciais técnicas em arboricultura, entenda-se na manutenção de árvores ornamentais (?)

Monte Crasto (Gondomar) - Dezembro de 2005 (Fotografias de Paulo Moura)

O Paulo Moura lembra ainda que este não é um caso inédito e que em Dezembro de 2005 já tinha denunciado a poda de um sobreiro no mesmo local (ver apresentação aqui). Esta denúncia foi feita junto de várias autoridades, incluindo junto da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, visto tratar-se de uma espécie protegida. Estes serviços terão autorizado a referida acção porque, pasme-se, lhes foi garantido que iria ser deixado um "toco" mas que a mesma não seria cortada!

Vamos lá ver então se percebi: qualquer pessoa, mesmo sem habilitação técnica para tal, pode podar uma espécie protegida, como o sobreiro ou a azinheira, ou mesmo uma árvore classificada de interesse público, desde que se comprometa a deixar pelo menos um "toco"?

Este é o estado da nação...

quarta-feira, março 05, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (VI)

Sortelha (Sabugal) - Fotografia de Rui Peixeiro


Algumas notícias soltas sobre árvores:


- Castro Verde: distribuição de árvores porta a porta para alargar mancha verde.
A Câmara Municipal de Castro Verde vai distribuir de forma gratuita um conjunto de árvores pelos cidadãos do concelho. Que espécies vão ser distribuídas? Em que locais deverão ser plantadas? Em que altura do ano?
Receio que muitas acabem secas por terem sido tardiamente plantadas; ou podadas de forma radical daqui a uns anos, por terem sido plantadas em locais inapropriados.
Nós e a nossa eterna tendência para confundir "boas intenções " com "falta de planeamento".

- Exposição: "O Jardim - a respiração da cidade". Inauguração no dia 7 de Maio de 2008, entre as 18h00 e as 23h00, na Sala do Veado do Museu de Ciência e História Natural, Lisboa e estará patente ao público até ao dia 31 de Maio (Terça-Sexta 10h-17h, Sab-Dom 11h-18h).


- A Prefeitura de São Paulo irá utilizar imagens de satélite para verificar quem derrubou ou podou árvores sem autorização, como forma de disciplinar a expansão imobiliária da cidade e fiscalizar o derrube ilegal de árvores. A isto em Portugal chama-se "ficção científica"!


Figueira da Foz - Fotografia O Ambiente na Figueira da Foz

- O João Vaz, lutador incansável contra as podas radicais na sua cidade (Figueira da Foz), foi ontem convidado a identificar-se pela PSP enquanto protestava de forma ordeira contra este tipo de práticas.

Temos pois as autoridades a dar (ainda que de forma involuntária) cobertura a quem destrói o património público, a mando de quem (câmaras municipais) o deveria proteger.

É por estas e por outras, que por vezes é difícil compreender o conceito de "autoridade" e que acções como a de Prefeitura de São Paulo são pura "ficção científica" neste país que nutre um profundo ódio às árvores.


Figueira da Foz - Fotografia O Ambiente na Figueira da Foz

quarta-feira, março 26, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (X)


Mais um caso de (aparente) "arboricídio" sem motivo. Local: Parque Municipal da cidade da Mêda.

E se escrevi aparente entre parênteses é porque neste, como noutros casos, concedo o benefício da dúvida à autarquia e o direito/dever de apresentar as razões que fundamentam o corte das árvores. Não que a mesma deva explicações em particular aos leitores deste blogue, mas antes de mais deve-as a todos os munícipes da Mêda.



Se estes exemplares abatidos estavam no Parque Municipal, um espaço verde onde se pressupõe que possam existir árvores e que estas possam crescer livremente, depreendo que as mesmas não estavam a interferir com nenhuma estrutura física (habitações, postes de electricidade, etc.).

Penso que também não se dará o caso da Câmara da Mêda estar a planear arrasar o Parque Municipal para fazer um "shopping"! Não acredito que pessoas responsáveis mandassem abater árvores adultas que levaram anos a crescer, apenas porque o senhor X ou a senhora Y se queixavam do barulho dos pássaros, das folhas que entupiam as sarjetas ou por lhes taparem as "vistas" à casa.



Resta então a única hipótese plausível e aceitável, ou seja, estas árvores apresentavam um estado de degradação adiantado e existia o claro risco de tombarem sobre a via pública. Assim sendo, com certeza que a Câmara Municipal da Mêda não terá qualquer problema em clarificar qual foi a empresa especializada em arboricultura que fez o respectivo diagnóstico.

A menos que...Bom, a menos que tenha sido qualquer funcionário da Câmara mais zeloso a tomar esta iniciativa, sem que a mesma esteja devidamente fundamentada do ponto de vista técnico (alguém assim com poderes "adivinhatórios" como os da vereadora da Câmara do Bombarral que sozinha conseguiu identificar várias árvores perigosas no seu concelho). Mas não quero acreditar nisso, afinal ainda na semana passada comemorámos o Dia da Árvore!

Ficamos à espera da resposta da Câmara da Mêda.

P.S. - Da minha parte, um agradecimento à leitora da Mêda que teve a coragem cívica de dar a conhecer este caso e enviar as fotografias que acompanham este texto.

ADENDA- Desenvolvimento desta história: justificação técnica que presidiu à decisão de cortar este conjunto de choupos situados no Parque Municipal da Mêda.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (III) - O património que temos para oferecer à Humanidade







Local do crime: Caldas de Moledo, junto à Estrada Nacional 108, que liga Mesão Frio ao Peso da Régua; em pleno Alto Douro Vinhateiro, Património da Humanidade.

As fotografias foram tiradas pelo amigo Nelson Lima (engenheiro agrícola e estudante de arquitectura paisagista); com base nos seus conhecimentos técnicos, o Nelson e um colega, apresentaram há dois anos às autoridades locais, uma proposta para uma poda ligeira dos plátanos que sobreviveram a este "massacre". Esta proposta poderá ter sido decisiva para salvar estes exemplares do fim inglório que vitimou as restantes árvores.

Esta situação é particularmente incompreensível pelo enquadramento paisagístico desta alameda de plátanos e por, pelo menos no que é visível nas fotografias, a mesma não estar a "interferir" com nenhuma outra estrutura (casas, postes de sinalização ou de electricidade, etc.). Quando assim acontece, seja por falta de planeamento na hora de plantar a árvore ou porque entretanto foi necessário construir outras estruturas, é preferível fazer a substituição das árvores por outras de menor porte.
Como escreveu o arquitecto Ribeiro-Telles: "Se não há espaço para a árvore é preferível plantar só o arbusto, ou mesmo só a flor e não contar depois com a tesoura para manter com proporções de criança o gigante que se escolheu impensadamente."

E nem uma pretensa "doença" serve de desculpa a este massacre porque, se assim fosse, então as árvores doentes deveriam ter sido cortadas e substituídas por outras.
Nada pode justificar esta selvajaria. Este é verdadeiramente o património que temos para oferecer à Humanidade!

P.S. - Recorde-se que esta situação nas Caldas de Moledo já tinha sido abordada no Dias sem Árvores.

sexta-feira, abril 04, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XIII)

Vale Formoso (Covilhã)

Vale Formoso (Covilhã)

Manteigas

As fotografias são do amigo Albano Matos, a quem agradeço mais este contributo. Esta situação de Vale Formoso já ontem me tinha sido denunciada pela leitora Gilda Matos da Serra Aventura.

Em relação a esta situação de Vale Formoso, tenho apenas que dar os "parabéns" aos mandantes e executantes, por terem conseguido a sintonia entre o deserto de uma "serra pelada" (com excepção das manchas de mimosas) e a aridez destas árvores decepadas.

P.S. -
O Paulo enviou-me um e-mail chamando-me novamente a atenção para a situação do abate de árvores na zona de Benfica (Lisboa), de que já tinha falado na quarta-feira passada.
É urgente a ajuda de ornitólogos e especialistas no transplante de árvores que, para tal, poderão contactar Lanka Horstink (919852781) da associação de pais da eco-escola Verdes Anos.
Por outro lado, todos aqueles que pretendam mostrar o seu desagrado por esta situação junto da Câmara Municipal de Lisboa, poderão fazê-lo para a seguinte morada: geral@cm-lisboa.pt

quinta-feira, março 27, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XI)







Apresento mais um conjunto de fotografias, tiradas por mim aquando de uma recente passagem pela Lousã, e que relatam mais um caso de difícil explicação. As vítimas? As do costume...Os plátanos!

Decidi questionar via e-mail a autarquia local e aguardo uma "explicação técnica" para este conjunto deplorável de cotos que aqui se pode observar. Dessa resposta, ou da sua ausência, darei conta nos próximos dias.

No fundo, espero receber da autarquia da Lousã uma fundamentação técnica tão detalhada como a que presidiu à decisão de cortar um conjunto de choupos no Parque Municipal da Mêda.

É isso que pretendo fazer, ou seja, não é condenar ninguém a priori mas antes pedir a devida justificação. Aguardemos...

Adenda: referência à resposta da Câmara Municipal da Lousã neste texto.



P.S. - Mais notícias tristes sobre árvores:

- Árvores mutiladas num recinto escolar na zona do Porto (via Malcata.net).

- Estranhas esculturas arbóreas nas ruas de Campo Maior (via Gambozino).

- Duas árvores centenárias da freguesia de Avelãs de Caminho (Anadia) vão ser abatidas e substituídas por outras. Mais uma vez, e tal como no caso da Mêda, suponho que esta decisão política assente num relatório técnico.

- Choupo de grande porte atrai invulgar bando de pássaros (via jornal A Guarda). Ficção de 1963 de Alfred Hitchcock tornada realidade nesta cidade da Beira Interior? Pessoalmente, preocupa-me muito mais o dia em que os pássaros desaparecerem...

- Abate ilegal de azinheiras no Alentejo - via Ecosfera. Como seria de prever grande parte do debate acerca deste caso centrou-se na nacionalidade espanhola de quem executou este abate. Considero isso perfeitamente irrelevante excepto pelo facto de que, se estivessem na sua Espanha natal, provavelmente não teriam tido a coragem para abater tantas azinheiras. Mas como estamos em Portugal onde a impunidade é um modo de vida!
Interessa-me muito mais o debate sobre quais as vantagens/desvantagens para o futuro do nosso mundo rural desta aposta no olival intensivo e o real impacto desta cultura nos solos e nos recursos hídricos.
Mas por cá só nos interessa o "folclore", ou seja, se as azinheiras tivessem sido abatidas por portugueses se calhar nem teria havido notícia.


quinta-feira, junho 12, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XVI)





O amigo Albano Matos enviou-me um conjunto de imagens que me "obrigaram" a retomar a triste série de "retratos"...

A primeira imagem é da Anadia, a segunda da Curia e a última do Instituto Gulbenkian de Ciências, em Oeiras.

Duas notas breves acerca de duas das imagens:

- na segunda imagem, note-se que finalmente alguém parece ter encontrado uma "utilidade" para os cepos a que alguns ainda chamam árvores;

- sobre a última imagem, não posso deixar de lamentar que uma instituição tão respeitada como o Instituto Gulbenkian de Ciências, não tenha outro tipo de atitudes no que concerne à manutenção das árvores dos seus jardins.

terça-feira, abril 15, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XV)

Castelo Novo (Fundão) - Fotografia Cova Juliana

A aldeia de Castelo Novo (Fundão) é das mais bonitas da rede de aldeias históricas de Portugal e onde o esforço de requalificação urbana tem sido mais notório.

Lamento apenas que o cuidado posto na requalificação das ruas, das casas e de diversos monumentos, não tenha sido extensível às árvores e espaços verdes.
Na prática, neste como noutros casos, o conceito de "património" parece aplicar-se apenas ao construído, ignorando-se o quanto as árvores podem ajudar a realçar a riqueza arquitectónica de uma aldeia ou cidade.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Notas soltas de um país triste...

Escola do 1º Ciclo de Santo Amaro (Sousel) - imagem do blogue Entre Tejo e Odiana

Um país que odeia árvores em 3 flagrantes exemplos:

- nos blogues Entre Tejo e Odiana, Cores da Terra e Um Toque...

Será que algumas das autarquias visadas tem o desplante de participar nas habituais comemorações associadas ao Dia da Árvore?



sábado, março 03, 2007

Os chaparros sabem nadar?

Albufeira de Alqueva, estrada de Mourão para a Amareleja

Acabei de regressar do Alentejo (que está no seu auge, a pedir uma fotografia a cada passo) e onde procurei ir ao encontro da beleza de cada árvore, tentando (e sabe Deus como é difícil...) ignorar os casos de poda camarária.


P. s. - No entanto, neste país que odeia árvores, não há boas vibrações que durem muito...ao ligar o computador, recebi a notícia através de uma mensagem de um leitor deste blogue, de que o carvalho-alvarinho do Alcaide (ver aqui e aqui) tinha sido podado.
Como a negação é uma opção de vida, ainda que não muito aconselhável, vou esperar para ver com os meus próprios olhos...

domingo, março 30, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XII)









Mais um apelo que me chegou via Arboricultura Moderna, desta vez com origem na denúncia de uma cidadã de Loures.

A referida cidadã confrontou a câmara local que passou as responsabilidades para a respectiva junta de freguesia, a qual tentou justificar o injustificável com algo do género: "(...) os plátanos eram novos tinham que levar uma poda mais séria para depois então poderem crescer."

E como crescerão as árvores nas florestas sem a "ajuda" destas podas "arboricidas"? E como conseguiram crescer os plátanos monumentais que, apesar de tudo, ainda temos por este país e que nunca foram abençoados por estas práticas terceiro-mundistas? Mistério!



Mas para que não se pense que este ódio à árvore é um exclusivo nacional, chamo a atenção para o derrube criminoso de vários teixos no Norte de Espanha (Astúrias).

A denúncia deste acto criminoso tem sido feita pelo blogue A Morteira (em particular nos textos datados de: 26 de Março , 22 de Março , 16 de Março e 8 de Março).

Este atentado está hoje também em destaque no jornal El Mundo.


P.S. - Para conhecer alguns amigos espanhóis do teixo que trabalham com afinco para salvar esta espécie:

Asociación de Amigos del Tejo

Amigos del texu

segunda-feira, março 10, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (VIII)

Mais um ataque de "podite aguda", desta vez no Cacém e em Agualva (fotografias de Albano Matos).

A poucos dias da comemoração do Dia da Árvore, as autarquias portuguesas continuam a demonstrar que o seu amor às árvores tem uma validade confinada às 24 horas do dia 21 de Março.










terça-feira, abril 15, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XVI)

Albufeira

A imagem é de uma oliveira amputada mas que, mesmo na morte, mantém a dignidade perante um pano de fundo que reflecte o caos urbano de Albufeira.

Com um perímetro de tronco de quase quatro metros e meio, não era uma oliveira qualquer! Aparentemente, e pelo que se pode observar no local, as causas da sua morte terão sido do mais negligente que se possa imaginar.

Dado o local e a posição em que eu e o Miguel a fomos encontrar, junto à berma de um arruamento recente e com as raízes parcialmente fora do solo, concluímos que a mesma deverá ter sido podada e transplantada para a berma e ali terá ficado esquecida...Até morrer!

Mantém na morte a dignidade que os responsáveis por este crime jamais poderão ostentar...

quinta-feira, abril 10, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (XIV)


Este autêntico filme de terror arbóreo foi captado pelo meu amigo Nelson Lima, na cidade da Figueira da Foz. Uma cidade portuguesa, com certeza!

Já pouco me surpreende neste país em matéria de "arboricídios", mas confesso que a poda das araucárias supera a minha capacidade para imaginar "o pior"!

Como são tristes as nossas cidades....

















quinta-feira, março 06, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (VII)

Caria (Belmonte) - Fotografias gentilmente cedidas por Cova Juliana.

Adoro o pormenor dos "corninhos" deixados nos cotos, revelador de grande classe e saber de ofício do "mestre podador".









P.S. - Mais denúncias de "podite aguda":

- Do António no Dispersamente....

- Da Júlia no Gambozino (grande texto...mesmo em cheio!)